Catching up - semana de alta-costura

Não faz muito tempo que a morte da alta-costura começou a ser anunciada. Com muitas das maisons parisienses, como Yves Saint Laurent, Emanuel Ungaro e Balmain, encerrando suas atividades na área, muitos começaram a prever o fim da alta-costura. Ledo engano. Apesar da economia um tanto quanto caótica, a expansão rápida e poderosa do mercado de luxo em países emergentes (Ásia, Oriente Médio, Rússia e até o Brasil), foi responsável por um crescimento de mais de 20% nas vendas de alta-costura só nos últimos 6 meses.

 

 

Tradução do mais alto luxo que só pode ter na moda, os desfiles de alta-costura que terminaram ontem (2/7) em Paris são prova viva de que o desejo por uma roupa cada vez mais exclusiva e elegante está longe de ter seus dias contados. E este desejo foi tão forte, que até John Galliano na Christian Dior apresentou uma coleção que era menos fantasia e mais roupa mesmo, para mulheres reais (e ricas!).

 

Um mix de Lisa Fonssagrives (modelo e mulher de Irving Penn) com a primeira dama francesa, Carla Bruni Sarkozy, deram o tom para a coleção que agora vem menos calcada nos arquivos históricos da marca. Galliano brinca com romantismo e a sensualidade sem cair em clichês ou vulgaridades. Marca a cintura com cinturões e corsets e investe pesados em transparências – principalmente nas saias – deixando os corpos das modelos bem à mostra.

 

 

Na Chanel, Karl Lagerfeld diz ter se inspirado nas formas tubulares de um órgão de tubo – que, aliás, serviu de cenário par ao desfie – mostrando uma coleção bem geométrica, retomando alguns fundamentos de Pierre Cardin e André Courreges. O resultado,foi uma coleção bem sóbria, de vestidos mais próximos ao corpo, bem verticais e quase matemáticos de tão geométricos. A precisão – nas formas, cortes, acabamentos e decorações – era tanta que a coleção acabou até perdendo um pouco de vida. É como que se as roupas fossem apenas molduras artificiais para as mulheres.

 

Não é a toa que as melhores opções são os looks onde as referências geométricas e góticas do lado alemão de Lagerfeld, vem mais equilibradas com a leveza barroca e parisiense da Chanel.

 

 

Depois de alguns anos se forçando demais para compor um show de alta-costura, Giorgio Armani finalmente decide se focar naquilo que faz melhor: os ternos femininos que lhe deram sucesso nos anos 80. A diferença é que agora, Armani tira um pouco da masculinidade de tal looks, dando mais leveza e suavidade para as calças que vem como peça chave da coleção. Além disso, o estilista também suaviza os acessórios para uma coleção elegante e sofisticada sem muita ostentação e exageros.

 

 

Jean Paul Gaultier, parece um pouco preso em seu próprio universo. Um costureiro de mão cheia, mestre dos casacos de pele, trench-coats e vestidos drapeados suntuosos, continua investindo em referências eqüestres e rústicas que já foram tema de suas últimas coleções. A novidade vem com os flashes de cores fluo – que também não são novidade nenhuma – e com o tema das gaiolas, que ganha suas melhores traduções nos recortes e rendas em looks bem estruturados. Fora isso, os tubos e armações que saltavam para foras das roupas acabou por esconder e desviar o olhar de ótimas peças que Gaultier executa com maestria.

 

 

Na Givenchy, Ricardo Tisci consegue transportar perfeitamente aquela mistura de elegância e sofisticação urbana para a alta-costura, numa coleção que tinha Machu Picchu, no Peru, como principal inspiração. O estilista propõe um refrescante trabalho de hi-low, que se vê tão pouco na alta-costura. Bomber jackets de couro resinado combinadas com bermudas ajustadas nas coxas sobre leggings de jérsei de seda, dividiam a passarela com looks de alfaiataria sofisticada e vestidos leves, drapeados e repuxados.

 

 

Até o reio do barroco e rococó, Christian Lacroix, se rendeu ao desejo por roupa mais usável, mas nem por isso menos luxuosa. Desta vez deixou a decoração excessiva de lado focando-se em vestidos mais ajustados ao corpo, com poucos laços e babados e também tons mais escuros, com poucas estampas. O Lacroix que conhecemos pelo excesso só vai aparecer mais par ao final do desfile, quando as mangas ganham mais volumes, as rendas e bordados ficam mais elaborados.

 

 

E que bem vez para as coleções de alta-costura a entrada de Alessandre Facchinetti na Valentino. Respeitando a herança e estilo do fundador da casa, a estilista consegue trazer um certo frescor jovem para a coleção. Sem deixar de lado toda feminilidade e poder que a mulher Valentino tanto preza, mostra um bom mix de looks mais arquitetônicos e de formas bem estruturadas, com outros mais leves soltos. Bom ver que a estilista se deu bem na marca, mostrando sinais de mudanças – principalmente nos looks mais estruturados – sem desconfigurar a identidade da marca.

 

Fotos Marcio Madeira

 

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Portal Senai Design

Todo mundo que trabalha com moda e design sabe bem como é fazer pesquisa de referências, né? Geralmente ela começa no google ou direto em sites especializados, que são em sua maioria internacionais. Pois é, foi sentido essa lacuna no mercado nacional que o SENAI lançou o Portal Senai Design. Lá além de informações sobre os vários cursos profissionalizantes nas áreas de design e moda, dá para achar um monte de matérias que servem de material para pesquisa de referências e inspiração.

 

O conteúdo é elaborado por especialistas de cada área e também com apoio de algumas instituições internacionais, que apontam as principais tendências do mercado nos setores mobiliário, de moda, calçados, couro e acessórios. E vai muito além daquilo que a gente vê quase todo dia nas capas das revistas ou nos sites.

 

É o caso da matéria que explica a influência dos trajes esportivos na moda. Não é novidade para ninguém que a inovação têxtil é super avançada nas roupas que atletas utilizam. O melhor exemplo vem com os nadadores, com roupas hidrofóbicas, que não retém água, acumulando o peso, além de diminuir o atrito com a água. Acontece que as formas desses trajes estão invadindo as passarelas e guarda-roupas mundo a fora. Basta olhar para algumas coleções internacionais para se ter prova disso. O inverno 2008 da Miu Miu foi todo inspirador nos uniformes de jockey, na Calvin Klein, o verão 2009 masculino também foi uma ode ao jogo olímpicos deste ano, e também ao próprio corpo humano, ressaltado pelas roupas mais justas, lembrando em muito os uniformes esportivos.

 

Aliás, a tendência parece ser bem forte neste ano por conta das olimpíadas. Sem contar que, como Marie Rucki já havia dito, vivemos numa período de endeusamento do corpo humano, então não é de se espantar que roupas que marcam com precisão as formas do corpo, como as de Hervé Léger e Azzedine Alaïa, sejam uma das principais aposta para o varejo.

 

Enfim, tudo isso está explicado de forma bem clara e objetiva no Portal Senai Desgin. Então se você se interessou corre lá porque, apesar do conteúdo ser exclusivo para assinantes, quem se cadastrar agora ganha 30 dias de acesso gratuito para experimentar.

 

Este é um post patrocinado, mas cujo conteúdo é considerado relevante e de acordo com o perfil do blog.

 

 

 

Marque na agenda: Pense Moda já tem data definida

Já foram definidas as datas da segunda edição do Pense Moda, evento organizado por Camila Yahn, a Barbara Bicudo e o Marcelo Jabur. O evento - um dos mais importantes na área, já que foge do lugar comum e propõe discussões intelegientes e super pertinentes para o cenário atual da moda - acontece nos dias 17, 18 e 19 de Novembro, agora na Sala Cultura Inglesa do Centro de Cultura Brasileiro Britânico.

 

Os convidados desta edição ainda não foram divulgados, mas diz que vão ser tão interessantes quantos os da edição passada. Só para lembrar, foram eles que trouxeram o estilista Gareth Pugh, Jude Blame e Lulu Kennedy para realizarem as melhores palestra sobre moda do ano passado. Então já marca na agenda que o evento é imperdível!

 

Confira aqui o que rolou na edição passado do evento.

Oi, onde eu posso sentar?

Toda temporada de SPFW é a mesma coisa. A gente que vai lá para cobrir os desfiles sempre acaba ouvindo - ou até mesmo vivenciando - algumas bafos por causa do famoso sitting. O assunto não é novidade, já falei sobre isso aqui e assino embaixo dos ótimos posts do Vitor Angelo e do Jorge Wakabara.

 

E nessa temporada, já prevendo os dramas para sentar num bom lugar - o que já me deu uma mega preguiça antes mesmo do evento começar - tinha dito para mim mesmo que não ia ligar para isso, que era maior besteira do mundo e tals. Acontece que como o próprio Jorge falou, não dá para ver direito das filas B e C. A gente acaba perdendo detalhes que podem fazer toda a diferença na hora de escrever a análise. Tudo bem que um ida ao backstage antes ou depois do desfile pode resolver, acontece que nem sempre a gente tem tempo para isso - só que trabalha lá para saber a correria que é a rotina dos jornalistas.

 

Mas o pior de tudo, o que me deixa mais irritado, é a má distribuição dos lugares. Tem veículos importantíssimos, como o UOL - que recebe mais visitantes do que qualquer revista de moda - ou, o Chic, como o próprio Jorge disse, que recebem apenas um, ou dois lugares de fila A. Só para se ter uma Enquanto algumas outras revistas recebem oito! Gente, sério? É mesmo necessário oito pessoas para cobrir um desfile? Duas ou três até dá para enteder, porque rola uma troca de informações, percepções e opinões… Agora, oito? Não é um pouco de mais? Sem contar que essas oito cadeiras nem sempre são ocupadas, mas ficam reservadas até o último minuto, sendo quase sempre ocupada por alguma “celebridade” que chegou de última hora (não vou nem entrar na questão das celebridades, tá?). Enfim, não ia nem falar sobre essas draminhas, mas depois de ler aqueles dois posts, senti um pouco de necessidade…

 

In love with Roisin

Já falei que adoro Roisin Murphy, né? Já faz tempo que ela vem conquistando fashionista ao redor do mundo, com seus figurinos incríveis e cheios de informação de moda, além de toda estética inacrê dos seus clipes. Pois bem, fui ver ontem o novo clipe dela, da música “Moive Star” - uma das minhas favoritas do álbum novo. E como já de costume o clipe é puro deleite fashion, mas agora com um perfurme meio underground, com figurinhas (drags) famosas da cena underground de Londres. Enfim, assiste aí que vale a pena!

 

 

Tem mais dela aqui.

SPFW - Review

Desculpem minha ausência, mas é que depois do SPFW tava tão saturado de imagens, moda, referências e tals, que acabei tirando uma folguinha disso tudo. E já que não consegui postar muito durante o evento aí vai um resumo da temporada.

 

De fato não foi uma das temporadas mais fortes do SPFW, foi até mais fraca que edição de inverno, mas ainda sim uma boa edição. Por mais que não tenhamos vistos grandes novidades, ou melhor, quase nenhuma novidade, vimos também poucos erros. De um modo geral ouve uma maior preocupação por parte das marcas e estilistas no que diz respeito a qualidade das roupas, num melhor acabamento e execução.

 

Foi uma temporada de poucas ousadias, e consequentemente pouco frescor fashion. Também foi um momento onde muitas marcas decidiram focar em sua identidade, coisa que muitas delas conseguiram fazer muito bem. Com isso, deram menos importância para as “tendências” e mais para o universo criativo de cada marca/estilista.

 

Assim, o verão 2009 vem sem tema definido (ainda bem). Ao contrário do inverno que é pautado pelos anos 70 e pela onda country, o verão, ainda que cheio de referências setentinha, vem mais democrático e amplo, dando mais espaço para interpretações e composição de estilo pessoais. Sem regras herméticas, pode praticamente de tudo. Não tem comprimento certo, não tem cor definida, nem shape obrigatório. O que marcou a estação de um modo geral foi um busca por uma maior sofisticação, ou uma nova elegância à brasileira. Fazia tempo que não víamos uma tentativa de se fazer roupa de qualidade, sofisticada e ainda sim com aquela descontração brasileira.

 

Então, aí vai uma lista das cinco melhores coleções (na minha opinião) deste verão 2009:

 

 

. 1 . Reinaldo Lourenço – mostrou uma coleção de execução impecável, transformando as modelos em verdadeiras princesas. Inovou, com uma certa ousadia, por não usar nenhum look preto e ainda sim continuar cheio de identidade. Menos referências externas e mais concentração em sua identidade resultaram na melhor coleção deste SPFW, extremamente elegante, ao mesmo tempo que é totalmente flexível para diferente situações.

 

 

. 2 . Maria Bonita – já falei da coleção aqui.

 

 

. 3 . Alexandre Herchcovitch (masc. e fem) – Alexandre mostra que dá sim para falar de política com a moda. Pegando elementos típicos de regiões conflituosas do oriente, com Bangladesh, China e Japão, Coréia do Sul e do Norte, mistura tudo a ponto de não ser possível identificar de onde vem cada estampa ou referência. Com isso pretende mostrar que todos esse conflitos não passam de impasses políticos, que no fundo todos somos os mesmos. Mais das coleções aqui e aqui.

 

 

. 4 . Osklen – tem post meu sobre a coleção aqui.

 

 

. 5 . Amapô - Caro Gold e Pitty Taliani surpreendem com salto evolutivo nessa sua nova coleção. A dupla mostra um grande passo rumo à uma moda mais adulta, ainda que destinada a um público bem jovem, e muito mais sofisticada. Por melhor que tenha sido sua estréia na coleção passada, ainda sentia-se aquele espírito Amni Hot-Spot.

 

O tema era o ar, vôo e a Asa Detla, daí as os chapéus meio aerodinâmicos, os volumes à lá para-quedas. Mas tudo isso fica em segundo plano quando comparado com o primoroso trabalho de construções traduzido em volumes tridimensionais, recortes, penses e pregas diagonais e patches de tecidos. Caro e Pitty ainda flertam mais maduramente com a alfaiataria trazendo ainda mais sofisticação para a coleção toda colorida, mostrando uma verdadeira cartela de cor viva.

 

Fotos Agência Fotosite e Charles Naseh/Chic.com.br

 

SPFW - Colcci

Todo desfile da Colcci é a mesma história, não que eu discorde, mas o discurso acaba ficando meio repetitivo. Aquela história da roupa sem qualidade, com pouquíssima informação de moda e também tudo sobre a Gisele, que é ela que faz a marca vender e bla bla bla.

 

Daí que ontem fui assistir ao desfile de marca só para ver se algo teria mudado com a migração para o SPFW e também para ver Gisele, pois como disse Jeff Ares, “são os últimos desfiles dela”.

 

Fotos Charles Naseh/Chic.com.br

 

Não pretendo aqui fazer uma critica à coleção, mesmo porque nem me dei ao trabalho de anotar nada durante o desfile, só observei e para quem posso interessar a marca de fato de uma leve melhorada em comparação a última coleção – aquele bloco navy, se as calças de cintura alta não fossem tão justas até que seria ok.

 

Mas voltando ao foco do post. A Colcci não agrada o povo da moda porque suas coleção (nem seus desfiles) são destinados à eles. Desde a música, com uma batidinha super Vila Olímpia, até o produto final, fica claro que tudo ali visa o consumidor final. A Colcci quer vender, e não agradar o público fashionista. Gisele Bündchen como garota propaganda da marca protege a grife contra criticas ruins garantindo boas vendas nas principais capitais do país.

 

SPFW - Cavalera e Alexandre Herchcovitch (fem)

De novo para não ficar reproduzindo texto aí vão os links das análises dos ótimos desfile da Cavalera e do Alexandre Herchcovitch Feminino.

Só para deixar claro, os dois estão entre os melhores do evento até agora!

 

 

SPFW - Maria Bonita

 

Mas apesar do ótimo desfile masculino de Alexandre Herchcovitch, o melhor do dia, e do evento so far, ficou por conta de Maria Bonita. Dessa vez Danielle Jensen resolveu se inspirar em referências puramente brasileiras, bem regionalista (mais precisamente o nordeste), misturando-as também com elementos do guarda-roupa masculino.

 

 

O bom é que nada veio literal, muito menos clichê. Bem pelo contrário, foi tudo subvertido para o melhor estilo Maria Bonita. Para o verão o foco sai dos vestidos e se concentram nos macacões, que vem quase sempre numa modelagem bem confortável, mais afastadas do corpo, em diferentes tecidos.

 

 

A pesquisa e inovação têxtil, característica forte da marca, se destaca agora por um lado mais natural e orgânico. Os sintéticos que vinham marcando presença nas últimas coleções saem de cena, dando lugar ao linho, algodão que vem aparece também em ótimos tricôs. Destaque para os confeccionados e linha de pesca, trabalhando bem a questão das transparências. Tem ainda muito uso de cordas, que vão desde tiras de sandálias e cintos até alças dos macacões e vestidos.

 

O lado masculino se desdobra em paletós e coletes mais desestruturados, com proporções alteradas, sempre em tonalidades que mais opacas, com aspecto meio antigo e muitos tons pastel.

 

SPFW - Alexandre Herchcovitch (masc.)

O destaque de ontem (terceiro dia do SPFW), ficou por conta de Alxandre Herchcovitch, e para não ficar reproduzindo conteúdo aqui dá para ler a análise que fiz para o site do SPFW. Passa lá!