Walter Ven Beirendonck e Bernhard Willhem verão 2010

2009 June 30

Existem alguns estilistas que sempre ficam fora da coberturas oficial do site style.com. As vezes é por puro desconhecimento, as vezes por não se enquadrarem no perfil de leitor que o veículo busca atingir, por serem julgados como não relevantes de uma cobertura, ou então por questões comerciais. Nas temporadas masculinas não é diferente, e quem acompanha os desfiles apenas pelo MenStyle fica sem duas das mais importantes coleções da temporada de moda masculina: Walter Beriendonck e Bernhard Willhem.

Ambos belgas, sendo que o segundo foi discípulo do primeiro, são duas das mais importantes e ativas forças criativas do segmento masculino. O porquê? Simples, porque não ligam para as vontades do momento, vão justamente na contramão delas. O foco é muito mais uma visão pessoal sobre determinado fato, ou sobre um aspecto da realidade do que uma adequação comercial as tendências do momento. Tem quem diga que seus desfiles são muito teatrais, não mostram roupa de verdade. Mas também não é essa a intenção.

Beirendonck e Willhem são daquele tipo de estilista para qual não olhamos procurando apenas um bom produto – isso já é sabido que eles tem, bem ao seu estilo (é só olhar o site deles) -, e sim uma visão, uma idéia, e como a moda é usada como veículo de expressão. E para o verão 2010, não foi diferente, por mais que o show não tenha sido dos mais grandiosos.

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Ainda mais para Beirendonck, que optou por diminuir o lado conceitual e forçar-se um pouco mais no produto. Só que mesmo assim não é de um jeito óbvio. Começando pelos modelos que fogem completamente do biótipo padrão que a indústria da moda exige e também do que as pessoas buscam hoje em dia. Homens musculosos e gordinhos, cobertos de pêlo (também conhecidos como bears entre os gays) vestiam roupas largas, em tons cítricos como verde, rosa e azul. Macacões em tecido leve, blazeres texturizado carregavam valores lúdicos que sempre permeiam as coleções do estilista, ao mesmo tempo que mostrava uma atenção maior na roupa em si. A imaginação poderosa de Beirendonck pode até não ter encontrado um viés mais profundo nesta coleção, mas a praticidade aliada a personalidade do estilista são pontos que nunca somem de vista.

De um jeito totalmente natural, com uma imagem espontânea e autoral, o estilista consegue tocar no assunto do tamanho e roupas para gordinhos sem hipocrisia, sem parecer forçada ou querer passar uma imagem politicamente correta. E justamente por isso a coleção se mostra tão grandiosa, por questionar alguns valores da moda de um jeito totalmente seu e com naturalidade.

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Já Bernhard Willhem usou da teatralidade para expressar sua atual visão de mundo e sobre toda a frivolidade da moda. O desfile começa com os modelos se arrumando e se vestindo diante da platéia, até se posicionarem, um de cada vez, em cima de uma pequena caixa, no cenário que misturava um estúdio de ou artista louco e um quarto de brinquedos. Suas roupas sempre lúdicas mixavas elementos militares, principalmente nas estampas camufladas, com outros étnicos, tanto em estampas e cores na modelagem sempre solta em ponchos, camisas bem largas e num verdadeiro patchwork de todos os tecidos e estampas da coleção.

Bonequinhos de Comando em Ação, chapéus de soldado, bolas, pincéis e tesouras remetiam tanto ao universo artístico como ao infantil e também ao militarismo. Com isso, em formas que vão de largas e justas, e curtos a longos, Willhem tenta mostrar como a sensualidade pode ser algo inocente, ou então como algo profundo pode se tornas frívolo.

Paris Menswear Verão 2010

2009 June 29
by Luigi Torre

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Como eu falei no post anterior, subiu hoje no site do spfw duas matérias sobre os desfiles da semana de moda masculina em Paris, que foi bem ok. Sem nada de muito novo, ou super criativo, mas por outro lado com roupas boas, com informação de moda relevante. Passa lá para saber mais!

Os links são esse e esse.

Antes tarde do que nunca - O Masculino de Milão

2009 June 26

Enquanto não tirávamos os olhos (e nem o corpo) do prédio da Bienal, no SPFW, começava em Milão a temporada de desfiles masculinos para o verão 2010. E ao que tudo indica a palavra de vez é descontração. Se a estação passada foi marcada por looks sóbrios, naquele clima de recessão, a de agora é bem mais leve, propondo quase sempre uma viagem escapista onde tecidos elaborados e cortes preciso, sempre em formas confortáveis e cores vivas, não podem faltar na mala.

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Sem muitas ousadias – leia-se sem muitas novidade – boa parte das grifes que se apresentaram na fashion week milanesa parecem ainda estar sentido os efeitos da crise, o que explica o extremo foco no produto em si. Atrair consumidores para dentro das lojas, parece ser a maior “tendência” deste verão. E como isso foi feito, trazendo uma maior casualidade para o guarda-roupa profissional masculino. O melhor exemplo está na ótima coleção de Tomas Maier para Bottega Veneta, onde com uma cartela de cores mais acesa do que de costume, a alfaiataria veio toda adaptada para transmitir ares de despojamento. Calças mais folgadinhas ganham ajustes nas barras mais curtas, blazeres tem suas modelagens adaptadas à de uma parkas e botões substituídos por zíperes, e camisas ganham extrema leveza em tecidos naturais de aspecto amassado.

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E com ar nômade Angela Missoni dá uma enorme injeção de frescor em sua coleção masculina, exatamente como fez com a feminina na estação passada. Substituindo os clássicos jacquards e tecidos de tapeçaria por tricôs volumosos e texturizados e cores desgastadas, a marca dá bons sinais de evolução, ficando mais direcionada a um público mais jovem e moderno. Justamente por isso, Ângela inseriu boa versões de jeans lavados na coleção.

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A Marni foi outra que seguiu a linha “viagem”, só que com leve perfume folk, onde acabamentos manuais unido à avanças técnicas têxtil fazem toda a diferença. Numa cartela de cores repleta de marrons, amarelos ocre, verde musgo e azul, jaquetas de náilon sobre camisetas de algodão, blusas de linho emborrachado, e couro com borracha são apenas alguns dos truques que marcam a coleção calma de formas confortáveis.

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Na contramão estão Jil Sander e Prada, apostando em versões extremamente modernas do guarda-roupa formal masculino. Uma coleção tão simples quanto falar de amor. É assim que Raf Simons concebe seu verão 2010. Dando a toda precisão geométrica e simplicidade que marcam o estilo d grife, um leve suavidade através de acabamentos e cortes arredondados. Caso da barra de alguns blazeres mais próximos ao corpo ou das camisas em tecidos leves, as vezes um pouco transparentes. Ou então nas golas arredondadas das camisetas alongadas bem soltinhas.

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Segundo Miuccia Prada, a peça que nunca falta no guarda-roupa masculino é um terno cinza. Pensando nisso, e em filmes preto-e-branco, a estilista explora inúmeras possibilidades do costume. Começando com looks tradicionais em diferentes tonalidades de cinza até começar experimentar com tecidos furadinhos ou típicos de sportswear. Aliás, de lá Miuccia tira também modelagens que aplica em camisas sem manga, cardigans e coletes, muita vezes lembrando uniformes de atletismo ou natação.

Mas será que é isso mesmo que os consumidores dessas marcas desejam? Será que é essa a fórmula correta para atrair os homens para dentro das lojas? Afinal, essa história de comprar por necessidade não cola muito para a clientela endinheirada de tais grifes. Provavelmente os homens que consomem moda de fato, já possuem tudo que precisam não? Então, se algo vai fazê-los abrir suas carteiras, não seria algo com mais criatividade, algo que fizesse os olhos brilhar?

Os desfiles de Paris devem subir semana que vem no site do SPFW.

SPFW - catching up

2009 June 25

Pronto, voltei. Desculpem o sumiço, mas é que estou mudando de casa essa semana, então estou enlouquecido com toda essa função. Mas vamos voltar ao SPFW que terminou na última segunda-feira (22/06), como todo mundo já deve estar sabendo. E no fim, não sei bem se o saldo foi positivo ou negativo. Quer dizer, sei sim. Foi positivo mas quase nulo, já que no fim das contas, foram poucas as marcas que fizeram nossos olhos brilhar, com imagens poderosas, mas que também não deixavam as roupas de verdade fora do jogo.

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Penso que o melhor exemplo disso seja Reinaldo Lourenço com sua coleção inspirada no café. Ali o estilista conseguiu apresentar uma roupa incrivelmente bem cortada, com um dos melhores acabamentos que ao mesmo tempo que produziam uma imagem encantadora, não esquecia das consumidoras da marca. Por mais que as roupas possam sofrer algumas alterações para chegar na loja – os tão famosos desdobramentos comerciais – boa parte do que foi visto ali pode facilmente ir direto para as clientes de Reinaldo.

Pode-se dizer o mesmo da coleção especial de Gloria Coelho, onde a delicadeza e feminilidade vem aliada à uma estética futurista, com formas bem definidas e aquela inovação têxtil que sempre marcam os trabalhos da estilista.

Alexandre Herchcovitch é um caso a parte. Sua coleção arrancou suspiros de consumidores, jornalistas e compradores, marcando uma retomada do seu lado mais experimental que a tempos não se via de forma tão explícita na passarela. As formas maximizadas tiradas dos uniformes esportivos como rugby e futebol americano servem de metáfora para o estilistas falar de moda, da atualidade e de nossas próprias vidas.

Porém, há quem diga que faltou o lado mais real, de roupas para vida real. Por mais que todo mundo saiba que a coleção vai receber bons desdobramentos comerciais para chegar nas lojas, Alexandre é um daqueles estilistas que já provou toda sua habilidade técnica e que também já sabido haver uma boa estrutura de produção e distribuição para dar suporte a marca. Então, nada mais lógico do que usar a passarela para expressar uma idéia, uma visão sobre determinado fato ou período, o que faz com que a critica também olhe para a coleção com um olhar diferente, mais voltado para o lado criativo do que para as roupas de fato. Afinal, isso a gente sabe que não vai faltar nas lojas.

No demais, a arma que muitas das marcas estão usando para atrair consumidores é se concentrar no produto. Roupa para vida real, com bom acabamento e materiais de qualidade. Parece que os reflexos de crise só chegaram por aqui nesta temporada, o que pode explicar a escassez de novas idéias e falta da ousadia de muitas marcas. E se roupa não dá conta de produzir um show por completo, melhor recorrer a um cenário que ajuda a enaltecer as peças da coleção.

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Foi o que a Cavalera fez ao escolher o asfalto do Minhocão como sua passarela. A locação não podia ser melhor, afinal é a própria cidade de São Paulo com todo seu mix étnico e cultural serviu de inspiração para a grife de streetwear. A roupa em si, é bem básica, totalmente dirigida ao público a marca. Nada além e nada aquém do que se espera da marca. Camisetas com estampas divertidas (a bandeira de São Paulo escorrendo tinta), jeans clarinhos com modelagem confortável, alguns sarouel com abotoadura lateral, vestidos soltinhos estampas, e até uma boa estampa de nuvem em tie-dye nos jeans.

Se não fosse toda a comoção, o cenário a coleção não ia ter tanto brilho assim. Que foi o que aconteceu com a Ellus e com a Maria Garcia. Todas apresentaram coleções apostando pesado no lado comercial, onde o foco no extremo no produto, fez com que a coleção perdesse consideravelmente o frescor de moda. E isso principalmente na Ellus, que na coleção passada mostrou que sabe fazer inserir boa informação de moda, sem desviar o produto de seu foco e público alvo.

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Aliás, a 2nd Floor foi a marca que melhor fez isso. Com bom styling de Letícia Toniazo, a marca traz roupas pronta para vida real, mas cheias de frescor. Com um dos melhores jeans delavê da temporada, a marca aposta nas principais vontades domomento, como a silhueta mais soltinha, as jaquetas de ombros marcadinhos, os tons lavados, mas sem parecer um mero pout-pourri de tendências do WGSN.

SPFW - volto já

2009 June 22

Gente, mil desculpas, mas está mais corrido do que nunca esses últimas dias. E se for para escrever um texto meia boca, as pressas, melhor nem falar nada, né? Mas tudo bem, hoje termina toda a loucura fashion, e amanhã eu prometo voltar com um post resumoblançotophits da temporada, tá bom?

Enquanto isso - além dos textos no site do spfw - fica um vídeo com o resumo do dia de ontem que fiz junto com a Fe Resende da Oficina de Estilo, que já dá para ter uma idéia do que rolou de mais legal. Aí vai:

SPFW - correria, Renialdo e Gloria

2009 June 20

Ai ai ai, maior peso na consciência de deixar o blog largado aqui. Mas é que está tudo bem corrido aqui no SPFW. Só queria dizer rapidinho que eu adorei o desfile do Reinaldo Lourenço ontem. O tema que tinha tudo para ser algo clichê, ganhou toques super contemporâneos e extremamente sofisticados nas mãos do estilista. O modo como os elementos e referências são traduzidos para roupa são impressionantes. Desde as sacas de cafés que aparecem numa trama de ráfia incrível, que pela foto até parece couro, os grãozinhos de café que dão textura a algumas peças ou decoram as alças de outras, a cartela de cores lembrando os cafezais e as próprias estampas de café… Tudo maravilhosamente bem trabalhado numa alfaiataria sexy e ao mesmo tempo super poderosa, com volumes nas costas dos blazeres  conseguidos por precisas e delicadas pregas e penses. Simplesmente genial.

E como bem disse Vitor Angelo, é a primeira vez que Reinaldo Lourenço olha para o Brasil como forma de inspiração para sua coleção, né? Só por isso já merece um super destaque.

Também adorei o desfile da Gloria Coelho hoje de manhã, e o texto está lá no site do SPFW. O resto não achei nada demais. Fiquei decepcionado com a Ellus que veio bem fraco comparado a coleção passada. Aquela mesma foi cheia de básicos, mas de um jeito interessante, com certo frescor. E foi justamente isso que parece faltar nessa. Tudo bem que vai vender feito água, mas podia ter algo a mais, não?

SPFW - Huis Clos

2009 June 19

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Tenho que confessar que fiquei bem dúvida quanto a essa última coleção da Huis Clos. O inverno 2009 a vontade de atrair uma clientela mais nova para marca ficou super evidente, numa coleção que funciona quase como um divisor de águas dentro do histórico da marca. E agora, para o verão 2010, essa frescor jovem vem ainda mais forte.

Diferente do inverno que apostou em formas e tecidos mais encorpados, o verão vem bem leve. O que antes era estruturado agora fica solto, quase arredondado numa silhueta marcada pelos elásticos nas barras de alguns vestidos e as vezes também na cintura. Quando soltos, os vestido eram pura leveza, numa cartela de cores colorida começando pelo azul, passando pelo cinza, amarelo cítrico, marrom e terminando no clássico branco.

Os comprimentos curtos, as formas quase vaporosas de tão leves e soltas chegaram a causa um certo estranhamento. Será mesmo isso que a mulher Huis Clos quer vestir? Será que essa vontade de atrair uma clientela mais jovem não foi longe demais? Talvez em alguns looks. Mas a medida que Sara Kawasaki vai inserindo aqueles códigos que Clo Orozco transformou em marca registrada de sua grife, a coleção vai ficando mais coerente e com mais sentido.

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Talvez o estranhamento vem porque simplesmente não estamos acostumados com essa imagem tão fresca e leve para a marca.Tanto que são justamente os looks um pouco mais sóbrios – mas que nem por isso perdem a jovialidade - que chamam mais atenção, como nos vestidos cinzas com babados marcando os ombros, nas calças de cintura alta combinadas blusas de tecidos leves, mais amplas, porém com intricado trabalho de pregas e pense dando mais volume e forma para a peça. Ou então nos macacões que vinham mais soltos, mas apresentavam um estrutura meio corsetada que dava uma certa estrutura para peça, deixando a leveza e fluidez mais contida.

Que essa vontade de dar ares mais jovens para marca é mais do que bem vinda, a gente não tem dúvida. Ontem mesmo na Bienal já era possível ver uma leva de meninas entre os seus 20 e poucos anos e 30, todas de Huis Clos de um jeito super fresco, e ainda assim bem no estilo da marca. De repente só será preciso trabalhar um pouco mais os código da grife dentro dessa nova vontade, para que a coleção – ainda que super bonita – vem com um pouco mais cara de Huis Clos.

SPFW - Alexandre Herchcovitch (fem.)

2009 June 18
by Luigi Torre

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Foi meio que uma catarse. Look após look a surpresa, a emoção e praticamente o êxtase do olhar só ia aumentando. Pela expressão das pessoas que também estavam ali assistindo o desfile de Alexandre Herchcovitch, era possível sentir o ar de puro choque Olhando a cara das pessoas que estavam assistindo ao desfile de Alexandre Herchcovitch era possível sentir o ar de puro deslumbre e fascínio que crescia a cada entrada.

Por mais que previews da coleção tivessem sido passados às bocas miúdas anunciando que o verão 2010 viria inspirado em esportes coletivos, com toques de japonismos e que também ia marca a volta do látex no trabalho do estilista. Mas ninguém, ou quase ninguém, imaginava que Alexandre Herchcovitch ia voltar no melhor estilo, a seu experimentalismo. E o melhor de tudo? É que fez perfeito sentido.

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As referências ao sportswear começam singelas, primeiro na estampa que simula malha mescla aplicada sobre cetim, em vestidos arrematados por mini ombreiras arredondadas. Ou então em tops bem justos, como em bodies e leggings, primeiro rendado ou com nervuras, depois num patchwork bem colorido. Falando em patchwork, é aí que o estilista começa a ficar mais solto. O que no começo pode parecer como uma continuação de coleções passadas, logo se mostrou como uma base para toda a grandiosidade que estava por vir. Com estruturas de armes típicas dos uniformes de futebol americano, Herchcovitch vai dando volume quase que surreais aos ombros. Deixando-os imensamente arredondas, super coloridos, com mini babadinhos, as vezes transferindo essa mesma estrutura para crinolinas que dava forma a algumas saias. E o mais incrível de tudo é que os looks nunca perdem sua delicadeza. Tanto pelas cores, como nos detalhes, os ombros, a força, a atitude nunca perdiam a feminilidade de um jeito muito único. Isso graças aos babadinhos, recortes de tecidos mais nobres em transparências e ao respeito as formas do corpo humano, mesmo quando maximizadas ao extremo.

Ainda assim, como todo esse experimentalismo quase numa analogia a nossas vidas, um verdadeiro jogo sem fim, onde precisamos de estruturas fortes para nos proteger e dar força para aguentar todo impacto do mundo, Herchcovitch não deixa de lado as peças mais comerciais, no seu melhor estilo, como a tempo não víamos. O látex volta em vestidos com estampas gráficas bem orgânicas. Xadrezes aparecem bem coloridos em calças onde pregas horizontais davam delicados volumes aos joelhos em referência as joelheiras. E tecidos encorpados, numa silhueta bem quadrada, dava forma as camisetas que vinham lembrando os uniformes de rugby ou futebol americano. No fim, a coleção fica marcada como um retorno as origens, onde o sonho anda de mão dadas com a realidade, e onde toda a força criativa, por mais extrema que possa parecer, sempre encontra meios de chegar a vida real.

Ah, e o texto da Cori está lá no site do SPFW.

SPFW - Maria Bonita

2009 June 18
by Luigi Torre

Quando a gente entrava na sala e se deparava com aquela parede de caixas de feira, já dava para imaginar que nessa coleção a Maria Bonita ia vir com ares mais naturais. A confirmação vinha com o release contando que para o verão 2010 a grife olhou para as feiras livres para tirar inspiração. Livre também são as formas das roupas, amplas, soltas, que se unem fazendo de uma peça duas. De um jeito utilitário nada convencional, Danielle Jansen passeia nessa feira de estilos puramente brasileiros, garimpando tudo que há de mais característicos nelas e adaptando perfeitamente ao universo da marca.

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Dos tecidos populares vem os incríveis tricôs feitos num tear manual misturando algodão, linho e ráfia. Primeiro naquela silhueta tão típica da marca, afastada do corpo, confortável, só que aqui com um volume orgânico num dos lados, que se revelada uma bolsa acoplada à peça. Depois em calças bem amplas ou blusas na mesma modelagem sempre prezando por um maior conforto e leveza. Os tecidos sintéticos, outra marca registrada da Maria Bonita, aparecem agora tingidos a mão, o que acabou tirando um pouco aquela cara de sintético e deixando as peças em tais materiais bem de acordo com a coleção.

A camiseta e sua modelagem também serve de inspiração para marca. Vestidos, blazeres e macacões ganham formas típicas da peças com cavas maximazadas ao extremo deixando boa parte das costas a mostra, ou então dando uma grande leveza no caimento das peças.

De um jeito bem tranquilo, com boa informação de moda, Danielle Jansen vai dando sofisticação ao estilo brasileiro de sua feira livre, mas acaba caindo num território um tanto quanto comum de mais para marca, deixando a gente com vontade de ver algo mais fresco ou inusitado na Maria Bonita.

SPFW - Osklen e Priscilla Darolt

2009 June 17
by Luigi Torre

Mudei de idéia! Não consigo ficar sem postar, me dá um peso na consciência absurdo… Então vamos lá.

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Não é difícil entender porque a Osklen virou um verdadeiro case de sucesso da moda brasileira, né? Porque mesmo com um tema super clichê, trabalhado à exaustão, a marca conseguiu fazer algo totalmente seu, cheia de frescor e com boa informação de moda. Nada passa batido. Da música (lembrando a chegada da escola de samba) ao cenário, tudo vem pensado nos mínimos detalhes. Num crescendo de timing perfeito o desfile verão 2010 da Osklen é o mais recente exemplo que dá para ser brasileiro sem cair em clichês, sem ter que estampar o Cristo Redentor, sem ter que pintar tudo de verde e amarelo etc.

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Tudo bem que até teve umas rendas no meio da coleção (em bermudas e macaquinhos), mas nem essas vinham com cara de regional, e sim perfeitamente imersas no conceito da coleção e identidade da marca. Quando não num degradê de verde para pink (repararam como a cor está com tudo?), vinham combinadas com os já tradicionais tecidos tecnológicos da marca. Sobreposições por toda parte, só que de modo super leve e suave. Quase sempre arrematadas por camadas de tule, ora preto, ora em várias camadas coloridas. Sempre em modelagem mais ampla, a idéia era desconstruir a camiseta e deposis reconstruir em formas diferentes.

Meio como aconteceu na coleção passada com o moletom, agoras as camisetas aparecem em construções amplas, quase tridemensionais, geralmente nas costas bem volumosas ou então nos ombros e golas como no vestido cinza que parecia coberto por purpurina.

Falando em brilhos, explosões de paetês eram contidas por camadas de tule, as vezes morfando para estampas opacas, sem muita cor, quase como num degradê, sem nunca parecer sofisticado ou glamouroso demais, afinal a referências eram os confetes das festas de carnaval. Serpentinas também apareciam revisitas em camisas de tecido transparentes com aplicações de listras de tecidos ou então nos recortes a laser de algumas bermudas e calças – a perfeição técnica e o acabamento da Osklen são casos a parte.

E analisando mais friamente a coleção o equilíbrio entre o show, o lado mais conceitual com imagem de moda mais potente, e o produto mesmo, vem resolvido ainda que bem discreto. Talvez pelos tules que arrematavam muitos dos looks, pelas transparências. Mas no fim, a coleção vem cheias de peças perfeitas para nosso verão. Desde as de tons apagados e neutros até as coloridas em verde e pink, sempre tem tecidos naturais bem leves e com modelagem confortável.

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O destaque da Priscilla Darolt está na construções de suas roupas, nos detalhes que acabam dando um toque totalmente novo para a coleção. Independente da sarga super rígida em vestidos e macaquinhos com elementos de alfaiataria parecem muito pesados para o verão, a estilista não está muito preocupada com o lado comercial de suas peças. Pelo menos, não tanto quanto a lado mais conceitual ou a imagem de moda poderosa que suas formas esculpidas podem transmitir.

Sua coleção passa, com os plissados de acetato em zigue-zague, foram coqueluche entre os editores das principais revistas de moda do país. E aproveitando que se trata de uma marca jovem, Priscilla não perde a mão no experimento com formas e volumes. Primeiro em tons neutros de bege, passando para azuis e roxos em tecidos com um pouco mais de movimento, até chegar nos florais que equilibram a feminilidade com as formas geométricas, quase futuristas da coleção.

Todavia, parece haver uma certa crise de identidade no meio do caminho. Alguns dos looks, principalmente os primeiros, com bermudas mais volumosas na região do quadril e golas mais volumosas e circulares, chegam a lembrar um pouco demais a coleção passada da Animale, que é assinada pela própria Priscilla Darolt. Por enquanto, a primaisa técnica e o efeito final da imagem podem diminuir os efeitos, mas está chegando a hora da estilista definir qual imagem é a sua própria e qual é da mulher Animale.

Ah, e o texto da V.ROM, que eu gostei bastante, está no site do SPFW.

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