Moda Modernista

2010 February 28
by Luigi Torre

A vida está corrida, gente… Mas não posso reclamar, porque é só coisa boa que anda acontecendo. Voltei da cobertura de Nova York com mil pautas para fazer lá no FFW e ainda fazendo a cobertura a distância das semanas de moda de Londres e Milão. E na reta final para o inverno 2010, embarco para Paris na próximo terça (02/03) para mais uma cobertura internacional in loco.

No meio disso tudo fica difícil deixar esse blog atualizado. Eu juro que tento, mas o tempo anda bem curto com planejamentos de pautas e todo resto… Sem contar que tenho aproveitado todo tempo livre para curtir um pouco da vida offline e off-fashion, porque no fundo é isso que vale a pena, né? Então para não deixar aqui de todo abandonado resolvi republicar aqui um trechinho de uma matéria que fiz na cobertura da New York Fashion Week, que resume bem tudo que anda acontecendo nas coleções internacionais. Olha só:

Assim como as artes, literatura e música, a moda também passa por diferentes movimentos estilísticos. Do Clássico ao Barroco e Rococó, do Surrealismo ao Futurismo. Segundo a analista de tendências globais do site Stylesight, Sharon Graubard, “estamos entrando num período Modernista”.

Nem tanto pelos desenhos abstratos que artistas desse movimento gostavam de explorar, mas sim pela extrema atenção ao trabalho com forma e materiais. “Para os Modernistas, o que importa no o conjunto final é a essência do material, a o trabalho de formas pura que explora toda qualidade da matéira”, explica Sharon. “E para o inverno 2010, os tecidos são os elementos mais importantes”.

As texturas, formas puras e tecidos dos mais elaborados possíveis (muitos conseguidos com tratamentos industriais e não manual) vem quase como uma metáfora sobre a ruptura de tradições e técnicas propostas pelos modernistas. Agora, essas características se fazem essenciais para dar um extra às roupas simples de formas básicas que se mostram como um dos principais rumos desta estação.

“Queremos roupas de verdade, não mais aquele básico chato de antes, mas um novo ’supe básico’”, comentou Sharon em entrevista ao FFW. “Roupas como as que Phoebe Philo mostrou na Celine no verão 2010, ou como Marc Jacobs apresentou em seu inverno 2010”.

New York Fashion Week inverno 2010: tá tudo no FFW

2010 February 21

Como vocês já devem ter percebido já estou de volta. A cobertura da semana de moda de Nova York para o portal FFW foi ótima – uma mega correria, mas no fim de tudo certo. E para quem não viu as matérias que subiram lá no site diariamente, ai vai um atalho para toda nossa cobertura:

Resenhas dos desfiles de Marc Jacobs, Zac Posen e Carlos Miele.

Resenhas dos desfiles de Narciso Rodriguez, Derek Lam, Rodarte e Marc by Marc Jacobs.

Resenhas dos desfiles de 3.1 Philip Lim, Jeremy Scott e Proenza Schouler.

Matéria sobre os blogueiros se tornando as novas celebridades dos desfiles.

Radar de moda masculina nas ruas da Nova York.

+ Fotos e Reviews dos principais desfiles da NYFW inverno 2010.

Fast Fashion rápido demais?

2010 February 21
by Luigi Torre

Num dos raros momentos de tempo livre durante a cobertura da semana de moda de Nova York, resolvi fazer uma visita a H&M mais próxima – quase em frente as tendas do Bryant Park, na esquina da rua 42 com a 5ª avenida. Afinal, é quase impossível ir para lá e não sentir um mínimo de tentação de entrar nessas lojas que parecem dominar toda esquina da cidade.

Porém, como que uma punição fashion por ter me rendido as ofertas do fast fashion bem frente a sede de um dos eventos que compões a New Yoir Fashion Week, fui tomado por um misto de choque e depressão logo que entrei na loja.

Uma sensação de maltrato e descaso completo com as roupas. Pilhas delas amontoadas nas prateleiras, tudo amassado, peças caindo dos cabides, coisas fora de ordem… Como que se aquilo fosse um supermercado fashion recém saqueado por pessoas desesperadas pela última tendência do momento.

E sim, tudo que há de mais atual na moda agora estava lá, de modo simples, as vezes quase certinho demais. As principais tendências das passarelas do verão 2010 tudo mastigadinho para o consumidor e a preços bem acessíveis (não chega a ser barato, mas também não é caro). Até mesmo elementos que estão sendo desfilado, como as referências militares, aquele leve clima bohêmio meio 70’s, já era possível ser encontrado.

Só que o modo como tudo aquilo é apresentado é bem diferente daquelas imagens que chegam para gente aqui nas campanhas e vídeos promocionais. Quando paramos para olhar melhor as roupas com mais calma, percebemos que qualidade, modelagem e acabamento, ficam muito aquém não só do que se tem por aceitável, como também por correto.

A própria coleção especial de tricôs da Sonia Rykiel. Nas imagens das vitrines, vestidos curtinhos listrados, com leve pegada parisiense parecem perfeitos para o verão que parece longe. Mas quando visto na arara, trazem uma certa pobreza (e não no sentido monetário) no visual. Modelagem descuidada, material de qualidade duvidosa, fazem de toda aquela ação quase uma propaganda enganosa.

A última vez que tinha entrado numa H&M foi em 2007 e o clima era completamente diferente. Tudo mais civilizado, roupas e loja mais apresentada e até uma certa adequação maior ao que (eu, pelo menos) entendo por aceitável no que diz respeito aos requisitos básicos para compra de qualquer peça de roupa. Aliás, tenho dois jeans de lá que são alguns dos que mais uso até hoje e continuam em perfeito estado.

Mas agora o cenário é um pouco diferente. Não sei se por uma maior demanda, a marca se viu forçada a produzir mais e menos tempo – deixando de lado alguns cuidados básicos. Mas que a qualidade caiu muito isso não tem como questionar.

Só de tocar a peça já era possível prever o estrago que a primeira lavagem iria causar. Provando um blazer, um dos botões caiu só do movimento na peça. Numa japona de lã, três maxi botões já se penduravam prestes a entrar em queda livre.

Tentei dar mais algumas chances para a rede de fast fashion em outros pontos da cidade, mas o resultado era sempre o mesmo. Nem mesmo a Topshop, rede britânica que chegou aos EUA há pouco mais de um ano, se salva. Apesar de melhor apresentada e roupas mais interessantemente trabalhadas, com tecidos de qualidade um pouco melhor, acabamento e modelagem deixam muito a desejar, pesando bastante no custo benefício da compra.

A pergunta que ficou na minha cabeça depois de tudo isso, é que se com consumidores ficando cada vez mais conscientes (e talvez até exigentes) quanto a qualidade, bom acabamento e materiais empregados, não estaria chegando o momento das redes de fast fashion reverem seus conceitos.

Não sou daqueles que acredita no fim desse mercado. Muito pelo contrário, vejo sua clientela crescendo cada vez mais. Só que não seria agora, depois de toda essa instabilidade pela qual a moda passou, um bom momento para pisar no freio (de produção em larguíssima escala e ultra-veloz) para atender melhor tais requisitos básicos para uma boa roupa. Ou será, então, que os consumidores dessas lojas não ligam de fato para isso?

@ NYC via FFW

2010 February 15
by Luigi Torre

Então gente, sei que andei meio ausente do blog esses dias. Começou a semana de moda de Nova York, já até rolaram alguns desfiles bem importantes e eu nem falei nada por aqui. Mas calma, tudo isso tem uma explicação  bem boa. É que dessa vez vim cobrir in loco a New York Fashion Week para o portal FFW. Algumas das resenhas de desfiles já estão no ar lá, e a partir de hoje outras matérias relacionadas a tudo que acontece por aqui devem começar a aparecer.

Vou tentar escrever um pouco aqui, mas a correria é tanta que não garanto. Mas prometo me esforçar. Enquanto isso é só acompnhar tudo por aqui.

Alexander McQueen e sua genialidade além da moda

2010 February 11
by Luigi Torre

A temporada de moda de inverno 2010 começou em luto. Enquanto Nova York se desenterrava da nevasca da última terça-feira (10/02) para mais uma fashion week, o mundo da moda entrou em choque com a notícia da morte de Alexander McQueen.

Numa época em que o adjetivo “criador” dificilmente se aplica a algum profissional da área, Lee Alexander McQueen era um dos poucos merecedores de tal qualificação. Vanguardista, anárquico, subversivo, rebelde. Não tinha medo de ousar, buscava o novo, desafiava paradigmas e propunha uma visão livre cheia de questionamentos relevantes para sua época. Não se contentava com o óbvio e imperfeições e o acaso eram sempre bem-vindos. Criatividade e genialidade que extrapolavam os limites da moda.


McQueen foi um dos primeiros a se conscientizar que esta (a moda) por si só não bastava. Roupas incríveis, com qualidade impecável digna de quem foi treinado pelos tradicionais alfaiates de Savile Row, não eram suficientemente relevantes para se comunicarem com seu público. Foi então buscar na arte, no teatro e na tecnologia formas de transformar suas roupas e desfiles em meios e não em mensagem.

Entendeu desde cedo que a moda precisava se ligar as outras áreas do conhecimento para ganhar força e relevância. Colocou fogo na passarela, cobriu outra de água, fez chover, nevar, transformou seu desfile num grande e vivo jogo de xadrez, amontoou uma pilha imensa de lixo no centro de sua apresentação, soltou lobos para caminhar com as modelos, as fez flutuar dançando no ar, prendeu-as em um aquário de vidro que fazia as vezes de um manicômio, utilizou robôs para jogar jatos de tina em suas roupas, projetou Kate Moss numa imagem holográfica e utilizou gruas gigantes para proporcionar uma visão 360º de seu desfile transmitido ao vivo pela internet.

Alexander McQueen deixou para trás um legado riquíssimo. Material do mais importantes para moda deste começo de século. Com sua perda a moda ficou mais pobre. Míope sem aquele olhar apurado para o futuro, sem aquela visão contestadora que explorava acontecimentos sociais, culturais e econômicos através da roupa.

Texto publicado originalmente no site FFW.

Estou um pouco chocado…

2010 February 6
by Luigi Torre

Fiquei um pouco chocado com esse comentário da Donna Karan:

Nós precisamos de desfiles, mas é para a indústria, não para o público generalizado. Toda comunicação deve parar. Não precisa ir para o noticiário, não precisa ir para internet, não precisa chegar aos varejistas para cópias. O que quero dizer, é que estamos matando nossa própria indústria… Tem informação demais lá fora. Temos que aprender a palavra restrição”. via Fashionologie

Juro gente, parece um discurso medieval. Desde os anos 60 a tal democracia fashion vem sendo batalhada custosamente. Aí, com o boom das mídias digitais a informação de moda finalmente começa a circular de maneira mais livre e menos elitista (mesmo que de uma maneira meio maniqueísta).

Só que então, os “big players” da indústria perceberam que o que pode ser uma poderosa ferramenta da marketing, estava também ameaçando algumas garantias e privilégios que, vamos combinar, não fazem mais sentido hoje em dia.

Preciso confessar que sempre tive uma certa admiração por Donna Karan. Tanto pelo que ela representou e fez pelas mulheres lá nos 80, dando um guarda-roupa poderoso àquelas que estavam adentrando o mercado de trabalho pau-a-pau com o sexo masculino; como pelas suas reivindicações por alterações no calendário e lógica de apresentação de coleções.

Já faz um bom tempo que ela vem pedindo para reduzir o intervalo entre os desfiles e a época em que as roupas chegam às lojas de fato – coisa que eu acho super válido como já falei aqui. Só que aí, semana passada num evento da Parson School of Design, enquanto ela argumentava isso, deixou escapar que não é por mera adequação ao imediatismo que pauta os dias de hoje.

Ok, chega de entregar roupas de inverno em julho e junho para que estejam em liquidação em setembro quando o clima ainda nem mudou de fato. Nós temos que entrar num sistema em que falemos de acordo com a estação que estamos. (…) Nós condicionamos o consumidor a comprar na liquidação – eu não quero comprar com preço cheio, porque posso comprar em promoção… Nós transformamos nosso negócio, num mercado de liquidações”. via Fashionologie.

Só eu que achou todo esse pensamento um tanto quanto retrógada?

O que realmente queremos?

2010 February 5
by Luigi Torre

Estou um pouco confuso… Não sei bem o que esperar dessa temporada de desfiles internacionais que está para começar no próximo dia 11 com a New York Fashion Week.

Quais são os reais desejos de moda que vão movimentar o mercado? O que fará sentido em nossas vidas nessa segunda década de século 21? O que vai se destacar mais nas passarelas do planeta fashion: criatividade explosiva ou extrema adequação às reais necessidades dos consumidores de moda?

Alguém aí sabe a resposta para alguma dessas perguntas? Porque, sinceramente, eu ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão precisa. Já aqui, durante o Fashion Rio e SPFW, vimos uma divisão até que bem definida entre as marcas que se aventuraram por delírios fashion com imagens cheias de força, e uma atenção maior ao lado comercial.

Por mais instigante e inspirador que seja assistir a apresentações inventivas, cheias de criatividade, será que ainda há espaço para uma moda conceitual ou extravagante em nossas vidas – pelo menos nos dias de hoje? E se não há, então não seriam essas coleções de imagens marcantes ideais para quebrar o padrão?

Não sei bem porque, mas cada vez mais e desde a última temporada de verão 2010, foram justamente as roupas e coleções de visuais mais simples, quase minimalistas que me chamaram mais atenção. Roupas fáceis de usar, prontas para vida real, dotadas de imensa versatilidade e praticidade, adaptáveis ao dia-a-dia do consumidor comum e em diversas situações. Não aquele mar de cocktail dresses e roupas para noite que dominaram a última temporada como se vivêssemos numa festa sem fim.

Roupas que você bate o olho e vê que ali foram empregados reais valores de design, tecidos de qualidade, bom acabamento e que apesar de aparentemente simples, trazem cortes, proporções e modelagens atuais, que parecem perfeitamente corretos para os dias de hoje.

Ok, elas não são lá bem o que se entende por inventivas e pode até ser meio contraditório já que a priori não trazem a novidade que a moda tanto busca. Mas e se essa simplicidade funcional for a novidade? E se essa ausência de extravagância, essa moda discreta e silenciosa for o novo da vez?

Lembro que adorei a coleção de verão 2010 de Viktor & Rolf. Junto com a do Alexander McQueen foi um dos poucos respiros fashion da temporada. Imagem poderosa, trabalho técnico apurado e conceito super bem amarrado. Mas como isso se relaciona com as nossas vidas? Alguém viu algum daqueles vestidos incríveis fora das passarelas e editoriais de revistas (não estou contando os tapetes vermelhos, tá?). Alguém se imagina em alguma daquelas peças fora de festas e ocasiões sofisticadas e que permitam (ou exigiam) um dress code mais ousado?

Enquanto isso coleções como da Chloé, Celine – agora sob comando de Phoebe Philo (foto) – e boa parte das de pre-fall 2010, como Gucci, Balenciaga e Prada se mostram muito mais próximas da realidade do consumidor. E aí que fica minha pergunta. Sou super a favor de toda aquela explosão criativa dos desfiles mais conceituais, mas será tudo aquilo em vão? Para onde vai toda aquela técnica, todo aquele pensamento traduzido em imagens de moda? Sim, eles inspiram, mas cada vez mais me parecem mais distantes do que realmente queremos no nosso guarda-roupa e dia-a-dia.

Camisetas não tão básicas

2010 February 2

Tudo começou com o verão 2010 da Celine – que de repente parece ter se tornado grife referência entre algumas marcas brasileiras junto com a Lanvin. Apostando numa simplicidade extremamente prática, ainda que super sofisticada, a nova diretora criativa, Phoebe Philo, apresentou uma coleção que se conectou instantaneamente com o estilo de vida de muitas mulheres – reais – do século XXI.

Na mesma temporada outras grifes como Balenciaga, 3.1 Philip Lim e Hermès, também investiram numa versão nada típica de camiseta. Ao invés do habitual algodão, jérsei ou poliéster, foi o couro o material escolhido para dar forma (e certo peso) as camisetas de tais grifes. Meses depois, o que parecia improvável, se mostrou algo extremamente desejável.

Não só várias marcas de highstreet gringas acharam válido terem seu próprio modelo de couro (ou materiais sintéticos que imitam o tecido animal), como algumas marcas brasileiras também resolveram seguir essa micro tendência. Na TNG, Mauricio Ianês brincou com a camiseta, unindo-a a vestidos de de tricô, Patrícia Viera, papiza do couro no Brasil, também mostrou algumas variações de modelos.

E se você está se perguntando se uma camiseta de couro não seria quente ou desconfortável demais, fiz uma matéria para o FFW contando que, graças a avançada tecnologia têxtil, é possível deixar o material leve e maleável como qualquer outro tecido.

Camisetas não tão básicas há tempos se mostram como alternativa esperta na hora de montar um look simples, mas bem interessante. Na verdade, depois de várias temporadas dominadas por vetidos, foi lá por meados de 2008 que as camisetas começaram a ganhara relevância na composição dos famosos separates (looks composto por 2 ou mais peças separadas).

Primeiro veio a Prada, depois Hussein Chalayan e até Alber Elbaz para Lanvin criou linhas especiais dessa peça tão essencial para os nossos guarda-roupas, mas adicionando a elas detalhes que faziam toda diferença. Seja uma modelagem diferenciada, estampas exclusivas, aplicações e bordados, as camisetas dessas grifes deixaram de ser meros itens básicos para se tornarem quase protagonistas dos looks, agregando valor, informação de moda, aliado a uma simplicidade e praticidade tão valorizada nos dias de hoje.

Texto publicado originalmente no site FFW.

Altacostura com roupas de amigos

2010 January 27

Não há nada de errado em não se julgar apto para criar uma coleção de altacostura nos parâmetros de Chanel e Christian Dior. Aliás, humildade fashion é um dos luxos mais exclusivos no nosso mercado. E Anne Valérie Hash deu o melhor exemplo disso. Se até no prêt-à-porter a estilista encontra algumas dificuldades para criar suas coleções, o que dizer da sua altacostura. O que você faz quando não pode realizar tudo sozinho? Pede ajuda para os amigos.

E foi exatamente isso que Hash fez. Pediu para que Alber Elbaz, Tilda Swinton, Pete Doherty, Jean Paul Gaultier, Diane Pernet e Daphne Guinness lhe enviassem peças de roupas de seus acervos pessoais para então serem transformadas no verão 2010 haute couture de Valérie Hash. Numa verdadeira reciclagem fashion, que flerta de longe com o conceito dos trabalhos de Martin Margiela, a estilista então desmontou cada peça e deu vida nova a elas. Transformou o pijama de Elbaz num macacão reluzente, a jaqueta de Doherty num blazer cheio de atitude e a camiseta de Tilda em aplicações que decoravam uma jaqueta.

Jovem, despretensiosa e cheio de energia. Hash juntou com sua boa alfaiataria peças já usadas dando cara nova à altacostura. Sim, diferente de toda aquela opulência que vem em mente quando pensamos no assunto, mas muito mais autêntico e atual. De forma totalmente despojada e sem jamais forçar a barra, a estilista cumpre todos os requisitos básicos do segmento, mas com roupagem jovem e imagem totalmente fresca. São nomes novos como de Valérie Hash que hoje se encarregam de dar fôlego a esse segmento que muitos dizem estar em decadência.

Texto publicado originalmente no FFW

A volta de Josephus Thimister

2010 January 27

Já fazia algum tempo em que abordagens modernas e vanguardista não apareciam com tanta força como na última segunda-feira (25/01) na coleção de Josephus Thimister. O estilista belga, que estava a quase uma década afastados dos holofotes da moda, fez ontem um mais do que bem recebido retorno as passarelas da Paris, quase que retomando de onde parou, quando a moda ainda vivia da opulência de imagens poderosas onde a assimilação com a vida real, era a menor das preocupações.

Unindo sua vanguarda a seu passado russo, Thimister se lança sobre a tendência militar que toma conta da moda nesse início de segunda década apresentando uma versão atualizada daquela moda desconstruída que lhe deu fama nos anos 90. Rússia, Primeira Guerra Militar e a foto do filho morto do imperador Nicolau II, aos 13 anos são referências que ajudam o estilista a manchar de sangue essa interessante coleção.

Com controle absoluto sob todos aspectos da criação, usa o vermelho para dar emoção e drama a apresentação. Primeiro de forma literal em grandes manchas que poluem o imaculado branco das peças, depois de forma mais controlada, com direitos a filetes soltos na foram de fios de lã soltos dos pesados tricôs desestruturados. Ótimas jaquetas militares vem combinadas com calças jodphur para os meninos (sim, masculino na altacostura), vestidos leves, quase minimalista, em verde musgos, trazem camadas discretas na cor vibrante e quase dramática. Peles e efeitos molhado encharcam de sangue vestidos, capas e jaquetas numa opulência sombria. Dramático, impactante, lindo e de certa forma possível.

Tem quem questione se o que Thimister apresentou é realmente altacostura. E de fato os vestidos leves de formas puras, os jodhpurs, as jaquetas e tricôs de aspecto bruto fazem mais sentido numa coleção de prêt-à-porter. Ainda mais se levamos em conta que este é o inverno 2010 e não verão 2010, como as demais coleções de couture. Mas o que não há como negar é que a moda estava mesmo em falta de abordagens e propostas agressivamente criativas como o que Thimister tem a mostrar. Talvez, nesse começo de segunda década, seja hora mesmo de retomar aquela força “vanguardista” que praticamente desapareceu da moda depois dos atentados de 11 de setembro.

Texto publicado originalmente no FFW

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