. NÃO HAVERÁ UM PRÓXIMO .

2006 October 3
by Luigi Torre

Interessantíssimo o artigo publicado no International Herald Tribune por Suzy Menkes. Lá a editora começa com a questão de quem seria o mais novo mega talento na moda, e para nossa surpresa, sua resposta é ninguém! Isso porque dados as características da indústria da moda nos dias de hoje, é praticamente impossível algum novo designer conseguir se estabelecer como uma grande marca e se desenvolver.

Segundo Menkes, a era dos grandes designers durou 100 anos, começando com Paul Poiret e terminando com os mega talentos que apareceram nos anos 80. Mas já nesta década, a moda começa a se configurar de modo diferente, tanto que muitos dos talentos que afloraram nesta época hoje são conhecido, quando muito, por seus perfumes. É o caso de Thierry Mugler – inspiração de muitos estilistas na temporada de Milão –, Paco Rabanne e mais recentemente, a Rochas.

Hoje parece que a figura do estilista perdeu importância, sendo o nome da marca muito mais importante. Isso pode explicar um pouco o fato de mega marcas, verdadeiros impérios, estarem sempre em busca de designers não que criem roupas realmente inovadoras, mas que façam roupas que vendam. Os diretores desses impérios da moda acreditam que dar muito enfoque para um estilista pode ser prejudicial para a marca, o que só comprova que esta é mais importante, e tem mais visibilidade do que o estilista.

Suzy Menkes ainda evidencia três grandes fatores responsáveis pelo fim da Era dos Estilistas. O primeiro é o fato de boa parte destes estarem se juntando a grandes empresas que administram suas marcas. Tudo bem, acho que é necessário ter uma administração boa em uma marca. O problema é que com isso, o estilista acaba perdendo sua liberdade e exercendo uma certa pressão sobre o criador para que suas roupas sejam mais vendáveis.

Em segundo lugar é a grande competitiva que tem surgido com as marcas de fast-fashion, como H&M e Zara. Estas com seus preços bem mais baixos que dos grandes nomes da moda, acabam exercendo uma competição quase que injusta. O que muitos estilistas têm feito como saída para esse problema, é se juntar a essas marcas. Vide as linha de Karl Lagerfeld e Viktor&Rolf para H&M.

E o terceiro fator, segundo Menkes o mais importante, é a democratização da moda. Hoje a moda está por toda a parte, os logos das grandes marcas já não dizem tanto como antigamente. Há uma certa indiferença a eles hoje em dia. Para Menkes, e para mim também, a roupa hoje não mais um fator de aceitação social tão importante como antigamente. De certa forma, a moda atingiu um estado homogêneo, onde tudo é muito parecido, e todos têm acesso às roupas e tendências de cada estação – e isso se deve um pouco ao fast-fashion. Acho ótimo, acho que hoje a moda e a roupa em si, é mais uma forma de expressar sua identidade, do que mera distinção social.

Enfim, tentei fazer um resumo bem rapidinho do artigo que é muito bacana! Não pode deixar de ler.

. L .

2 Responses leave one →
  1. 2007 January 20
    Fernanda permalink

    vixe! agora que eu to vendo seu texto eu me senti suuuuper vanguarda – postei SÓ 4 meses depois de vc, quase. ô concorrência desleal!………

Trackbacks & Pingbacks

  1. Casa de Criadores - mas há o que criar? » About Fashion

Leave a Reply

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscribe to this comment feed via RSS

Blog Widget by LinkWithin