Aconteceu na quinta e sexta-feira (19.10.06 e 20.10.06 respectivamente) o IV Seminário Moda, Performance e Espetáculo, no Centro Universitário Senac. O evento, promovido pelo Mestrado em Moda, Cultura e Arte, procurou abordar os processos criativos que interligam a moda e arte. Além disso, também foi discutida a inserção do vestuário, como forma de linguagem midiática, no sistema de comunicação atual. Para isso, o evento contou com uma série de debates e palestras, além de uma exposição, instalações multimídias, performances e desfiles.

Na quinta-feira (19.10.06) rolou a performance (In) Permanência, do professor, designer e consultor de moda, José Luis de Andrade, que trabalhou em cima da estrutura das roupas usando apenas tela de algodão, botões, barbatanas, viés e ombreiras.

No mesmo dia ainda aconteceu a performance Vestis, com concepção da Profa. Dra. Luisa Paraguai e performance de Dani Gatti. A perfomer vestia um macacão perto sob quatro círculos de tubos plásticos. Acoplado a estes estavam sensores de presença, que quando ativados faziam com que a circunferência dos círculos se alterasse, alterando a silhueta da roupa. Isso foi possível graças ao trabalho conjunto de Luisa com engenheiros mecatrônicos, responsáveis por desenvolver um mecanismo computadorizado que fazia com que motores de aeromodelismo fossem ativados pelos sensores de presença, para aumentar ou diminuir a circunferência dos círculos.
A intenção da Luisa Paraguai era “materializar a experiência sensorial dos espaços corpóreos determinados pelo usuário e participantes em volta”. E foi justamente isso que aconteceu quando a performer se apresentou, interagindo com o público, que ao se aproximar, via a roupa se mover e se transformar.




Fotos desfile e exposição de saias por Mariana Sampaio
Já na sexta-feira (20.10.06) rolou um desfile de saias masculinas. A estilistas Jéssica Janetti da Oliveira partiu da desconstrução da calça – umas das peças que melhor representa o vestuário masculino tradicional – para chegar nas saias, como uma tentativa de pensar o homem moderno. Assim como Jean Paul Gaultier – um dos primeiros estilistas a colocar homens de saia na passarela, e responsável por revolucionar o guarda-roupa masculino em fins do séc. XX –, Jéssica acredita que a masculinidade está no interior, e não na aparência.
Essa desconstrução se deu principalmente no gancho das calças. Assim, de uma pantalona se foi para um sarouel, e deixando o gancho cada vez maior, chegou-se a seu desaparecimento completo, transformando a calça numa verdadeira saia. O interessante foi notar que mesmo na total desconstrução, ou seja, nas saias propriamente ditas, ainda podia ser ver resquícios de uma calça, fosse no corte, na abotoadura, na estampa, ou em uma tira que saía da barra da frente para ser presa na barra de trás, representando a pura disfuncionalização do gancho.
As saias em geral estavam bem interessantes, principalmente as mais curtas. Estas vinham bem trabalhadas com pregas, plissados e texturas. As saias mais longas, claras – em tons pastéis de bege e cru -, foram trabalhadas com amarrações e abotoaduras, deixando alguns looks com uma estética levemente étnica - lembrando as túnicas e indumentária asiática e árabe. Já as saias com corte de alfaiataria pareciam mais re-interpretações das criações de Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen ou Alexandre Herchovitch.
Os destaques ficaram por conta de uma saia verde, com comprimento até o joelho, com um trabalhando de plissado na lateral, uma xadrez do mesmo comprimento, com a barra toda assimétrica, e uma feita por camisas amarradas na cintura.



Na exposição, no foyer do centro de convenções, também haviam trabalhos bem interessantes, como o de estilista e professor Gustavo Matavelli, onde foi representado a desconstrução do processo de criação. Através de intervenções artísticas em fotografias de suas criações, Gustavo partia de uma imagem bem subjetiva e conceitual, para um poema que expressava em palavras o conceito da criação, até chegar na roupa pronta.

Outros dois trabalhos expostos faziam referências à relação da moda com o design. O de Winnie Bastian foi o que melhor representou esta aproximação, ou, melhor dizendo, uma verdadeira convergência entre a moda e o design. “Vestir o móvel; sentar na roupa” foi sua proposta. Assim, Winnie criou uma rede vestível. O mesmo objeto podia ser usado como uma rede ou como um vestido.



Já o de Rita Quintanilha buscou demonstrar ressonâncias, ou reflexos do design e também a arquitetura na moda, mas especificamente durante o pós-guerra até a era JK (1945 – 1961). Assim buscou traduzir nas roupas formas de obras arquitetônicas e objetos domésticos desta época. Daí se explica o vestido na forma da Catedral de Brasília, um new-look baseado num abajour, uma saia balão inspirada a partir de uma luminária, um vestido fazendo referência ao memorial de JK, e um vestido inspirado numa cadeira típica dos anos 50.
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