Até então, em Milão, nada de realmente novo foi mostrado ou proposto pelos estilistas que se apresentaram. Mas, de certo modo, todo mundo já esperava que este cenário mudasse ontem (terça-feira, 20/.02), no tão aguardado desfile da Prada. Miuccia tem essa característica de sempre surpreender. Tem um certo dom de captar a essência do futuro e traduzir de forma única em suas roupas, impulsionando-as há anos luz de todo o resto, como disse Suzy Menkes.
O inverno 2008 foi introduzido pela linha masculina em janeiro, já quebrando alguns tabus, principalmente no que toca o estereótipo e convenções do vestir masculino. Mas foi com sua linha feminina que a estilista se expressa melhor. Um neominimalismo com um real futurismo é a principal proposta de Miuccia, que aposta elementos retros sem apelo histórico, cores básicas e formas simples. O desfile abre calmo, em tons neutros – preto e cinza – com peças vindas do guarda-roupa masculino, algumas em couro bege ou cru, mas logo aquele estética “felpuda” de sua coleção masculina começa a invadir a passarela em looks de angorá e lã. É ai que a criatividade da estilista começa a fluir mais fortemente. Tie-dies, metalizados, anarugas, dobras e pregas, e sobre tudo, cores vibrantes vem estampando e ornamento os looks da coleção.
A simplicidade vem nas peças clássicas, com referências masculinas, contrastando com a excentricidade dos looks coloridos em lã, as vezes com tratamento de resina para ganhar ótimo brilho. Combinações simples e formas puras são onipresentes. Mais para o fim do desfile as franjas começam a aparecer sobre os blazers e sobretudos até os cobrirem por completo.
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