Pode-se dizer que o terceiro dia - mais com cara de segundo - da semana de moda de Paris foi dedicado aos novos estilistas, ou criadores de vanguarda. Os designers que mostraram suas coleções no dia de ontem, são as principais fontes de inovação da moda hoje. São eles os responsáveis por impulsionar a indústria para frenete, e, ainda mais importante, revolucionar, ou modernizar o jeito como nos vestimos e enxergamos a moda hoje.
Um deles é o belga Martin Margiela, muito conhecido por seu incrível trabalho de “reciclagem” de roupas ou objetos vintages. No ready-to-wear, é atribuído a Margiela a volta das ombreiras, ou melhor, aos ombros bem estruturados. Quase que sempre presente em suas coleções, elas vieram bem marcantes na coleção de verão 2007. Agora, para o inverno 2008, a presença desta estrutura muito usada nos anos 40 e depois mais ainda nos anos 80, foi um dos pontos mais importantes da coleção. Num primeiro momento o olhar ia direto para os largos ombros dos blazers, vestidos e camisetas das modelos, depois o que vinha chamar atenção era a cintura alta e marcada das boas saias mais justas e calças skinny ou de modelagem mais solta. As formas mais geometrizadas, que atingem o ápice nas ótimas capas totalmente quadradas, vão abrindo espaço para formas mais arredondas, em experimentações nos boleros volumosos, que envolviam os ombros das modelos. A cartela de cores também vem bem interessante: brancos e pretos são contrastados com roas e verde fluorescentes.
Depois foi a vez do japonês Jun Takahashi, da Undercover, apresentar seu inverno 2008. Depois das múmias punks do inverno passado, o estilista aposta no futuro. Não, nada de metalizados, anos 60, space age - talvez um pouco, nas formas puras - Courreges, Pierre Cardin, ou melhor este último sim, mas de um jeito nada cliché. O futuro para Takahashi vem nos tecidos - mega tendência!!! - desenvolvidos pela NASA, estes tecidos tecnológicos mantêm o corpo refrescado quando a temperatura está alta, e o aquece quando está frio. Assim, suas peles, tricôs, moletons e veludos, vinham literalmente inteligentes. Talvez por isso as bolsas em forma de cérebros? Acho que aqui, mas do que em qualquer outro lugar a frase: “A moda é o cérebro por fora”, se encaixa perfeitamente.
No geral, a coleção veio em tons neutros - branco, preto, cinza, bege - numa silhueta levemente afastada do corpo, com bastantes recortes em formas simples, arredondadas. Comprimento curto sempre, as vezes sob longos e volumosos casacos, ou combinados com meias-calça de lã grossa. Algumas saias contavam ainda com trabalho de textura - em losangos - em forte referência as criações futurista de Pierre Cardin, nos anos 60.
A dupla Viktor Horsting e Rolf Snoeren são os responsáveis por uma das marcas mais vanguardista - ok, hoje em dia nem tanto, como antigamente -, a Viktor&Rolf. Os desfiles performáticos eram uma constante em suas apresentações. As roupas não ficavam atrás. A dupla já chegou a vestir suas modelos em papelão e até em roupas de cabeça para baixo, mas nada se compara ao o que o Viktor e Rolf fizeram - e com as modelos também - para o invero 2008. As modelos eram verdadeiras passarelas ambulantes, andando com spots de luz, e caixas de som, tudo junto com a roupa, que muitas vezes vinham como que penduradas ou seguradas peles estruturas de metal.
As roupas em si não eram nada revolucionário, muito pelo contrário. A fonte de inspiração foi o folclore holandês - país de origem da dupla -, com direito até a damanquinho de madeira. Mas estes, assim como todas as roupas no geral vinham com ar mais moderno, muito bem cortados e acabados, como de costume. Vestidos e casacos em A, saias e camisas mais justinhas no corpo, tudo com a cintura bem marcada, e tudo bem comportado.
E quem encerrou o dia das vanguardas em Paris foi o outro japonês, agora Yohji Yamamoto. Desta vez, indo para um lado mais logomania em seu inverno 2008. De um jeito bem parecido com os monogramas da Louis Vuitton, Yamamto insireriu dois Y (yy) com mais outros dois desenhos em peças de couro ou cetim. O prórprio desfile abriu com look todo estampado, e mala idem. A seguir Ymamato troca os logos por poás e depois mistura as duas estampas. Além das clássicas referências masculinas, características do trabalho de Yamamoto, o estilista apresentou bons vestidos de barra acimétrica com bastante sobreposições de camadas. A silhueta vinha bem reta, sem marcar muito o corpo, ou com a cintura mais marcada e sai mega armada.
. L .


Recent Comments