. GUCCI .

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Desde que Frida Giannini assumiu a direção criativa da Gucci - antigo posto de Tom Ford -, a marca tem passado por boas reformulações, para não dizer revoluções. Em primeiro lugar, e mais notavelmente, a estética hiper sexy, consagrada por Ford nos anos 90, foi rapidamente substituída por uma linguagem menos “abusada”, mais focada em ares retros. Depois, Giannini redirecionou seus coleções diretamente para seus consumidores. Sua principal intenção nos desfiles não é mais agradar as editoras da primeira fila, e sim o público, que cada vez mais abrangente.

Depois de um verão 60’s com perfume folk, Giannini olha para o fim dos anos 30 e anos 40 para seu inverno 2008. Se no verão a ênfase estava também nas estampas, agora são as formas que ganham destaque. A tendência do masculino vem bem forte, principalmente porque a década que inspirou a estilista já possui tais referências, devido ao período de guerra. Numa silhueta mais ajustada ao corpo, Giannini mostra bermudas nos joelhos, seguidas de boas botas de montaria, com casacos mais encorpados. A cintura vem sempre marcada por ótimos cintos, clássicos da marca. Os ombros ganham destaque com estruturações discretas, sem os excessos, nada de ombreiras à la anos 80. Peles, xadrez, couro, e cores frias. As poucas estampas aparecem mais fortes nos vestidos, com motivos florais suaves, sempre bem justos ao corpo.

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Fotos por Marcio Madeira

. SALVATORE FERRAGAMO .

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A grife italiana, Slavatore Ferragamo, entrou no mundo da moda com seus sapatos feitos à mão, como uma luxuosa e elegante marca de assessórios. Em 1970, com a marca já bem estabelecida no mercado, a linha de ready-to-wear foi lançada, focando-se na clássica moda italiana, sempre com tecidos nobres e cuidadoso acabamento. Apesar da boa aceitação dos exigentes consumidores do mercado de luxo, o carro-chefe da grife continuou sendo os sapatos.

Ontem, a marca apresentou sua coleção para o inverno 2008, assinada pelo estilista Graeme Black. Desta vez, o estilista se focou na tendência andrógina das referências masculinas, apresentando uma série de bons terninhos, com blazers curtos e acinturados, combinados com calças de modelagem mais ampla, sempre com cintura bem marcada. Os tecidos clássicos e a elegância foram uma constante ao longo do desfile. Espinha de peixe, tweed, pied-de-cóc e pied-de-pule, e muito xadrez. Ares mais femininos vieram com os vestidos, em veludo, tafetá e cetim.

E como a casa nasceu com os sapatos, estes não podiam decepcionar. Altas plataformas dividam a passarela com boas botas de cano alto, acima do joelho e sandálias plataformas.

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Fotos por Marcio Madeira

. PRADA .

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Até então, em Milão, nada de realmente novo foi mostrado ou proposto pelos estilistas que se apresentaram. Mas, de certo modo, todo mundo já esperava que este cenário mudasse ontem (terça-feira, 20/.02), no tão aguardado desfile da Prada. Miuccia tem essa característica de sempre surpreender. Tem um certo dom de captar a essência do futuro e traduzir de forma única em suas roupas, impulsionando-as há anos luz de todo o resto, como disse Suzy Menkes.

O inverno 2008 foi introduzido pela linha masculina em janeiro, já quebrando alguns tabus, principalmente no que toca o estereótipo e convenções do vestir masculino. Mas foi com sua linha feminina que a estilista se expressa melhor. Um neominimalismo com um real futurismo é a principal proposta de Miuccia, que aposta elementos retros sem apelo histórico, cores básicas e formas simples. O desfile abre calmo, em tons neutros – preto e cinza – com peças vindas do guarda-roupa masculino, algumas em couro bege ou cru, mas logo aquele estética “felpuda” de sua coleção masculina começa a invadir a passarela em looks de angorá e lã. É ai que a criatividade da estilista começa a fluir mais fortemente. Tie-dies, metalizados, anarugas, dobras e pregas, e sobre tudo, cores vibrantes vem estampando e ornamento os looks da coleção.

A simplicidade vem nas peças clássicas, com referências masculinas, contrastando com a excentricidade dos looks coloridos em lã, as vezes com tratamento de resina para ganhar ótimo brilho. Combinações simples e formas puras são onipresentes. Mais para o fim do desfile as franjas começam a aparecer sobre os blazers e sobretudos até os cobrirem por completo.

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Fotos por Marcio Madeira

. JIL SANDER .

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Quiet revoluion” (revolução silenciosa). Foi assim que a i-D classificou o trabalho do belga Raf Simons, na Jil Sander, logo após sua primeira coleção (inverno 2006) para a marca. E sinceramente, acho que não tem expressão melhor para caracterizar o que o estilista vem fazendo com grife. E olha que eu nem sou muito fã do minimalismo.

Sem descaracterizar o estilo e estética pelo qual a estilista Jil Sander tornou sua marca conhecida, Simons inova e moderniza a grife a cada coleção. Para o inverno 2008 a mulher Jil Sander vem sobre altas plataformas pretas, calças sequinhas, as vezes skinny, blazer cortados com perfeição e os mais expressivos vestidos que já se viu até agora nesta semana de moda em Milão. A simplicidade visual, combinada com a excelência da forma, eleva a coleção para um nível de sofisticação, conceito e modernidade inigualável.

O desfile abre com incríveis capas de ombros caídos, mas parecidas com os clássicos casacos Jil Sander, só que aqui, sem as mangas, ou melhor, com elas incorporadas no tronco. Ternos, sobre-tudos, e blazers, vêm alongados, em tecidos opacos ou brilhantes, sob camisas de gola alta. Aqui a referência masculina, mais do que mera tendência, é marca registrada da grife. Os vestidos vêm ajustados ao corpo, se soltando aos poucos ao longo do desfile. A sobriedade dos pretos e brancos é logo quebrada por tecidos metalizados, e posteriormente por elétricos roxos e azuis.

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Fotos por Marcio Madeira

. ALBERTA FERRETTI .

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Quando até a feminina e romântica Alberta Ferretti opta por um caminho austero e forte para sua mulher, fica claro que o inverno 2008 vêm cheio de atitude. Os tecidos leves e os drapeados do verão saem, abrindo espaço para materiais pesados e estruturados. Os ótimos vestidos – peça chave da coleção – vem mais simples, com ornamentações discretas, e bem localizadas. Curtos ou longos, marcam a cintura sem excessos, vindo soltos ou mais ajustados. As estampas vêm inspiradas na Art Deco, sempre bem geometrizadas, ora texturizadas, ora com aplicações de metais. Desenhos mais orgânicos aparecem nas peças com efeito tie-die. Diz que Ferretti se inspirou no em cenas do filme “Apocalypse Now” para criar suas estampas com aspecto de crepúsculo. A feminilidade aparece em tímidas pregas e plissados, mas principalmente nos looks mais retros. Os ótimos casacos apresentados por Ferretti foram ponto forte do desfile. Pesados e grossos, vinham em A, inspirados em loooks do passado, mas remodelados para vestirem o presente.

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Fotos por Marcio Madeira

. 6267 .

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A mais nova esperança da moda italiana é a dupla de jovens estilistas Tommaso Aquilano e Roberto Rimondi, à frente da marca 6267. O duo também é responsável pelo estilo da Malo, que desfila em NY. Atualmente, são um dos poucos jovens talentos italianos com boa visibilidade na indústria da moda. A coleção para o inverno 2008 da marca é para uma mulher forte, cheia de atitude – o que já promete ser uma tendência para a próxima estação. Daí vem os ótimos casacos rígidos e bem estruturados, redesenhados a partir de forte referência a peças masculinas – tendência! – e as formas corseletadas dos vestidos. Estes vêm com foco na cintura sempre marcada, ora mais justos, ora com saias mais volumosas. Longos ou curtos, todos sempre em tons de preto e cinza. A referência 80’s também estava muito presente na coleção, até com um quê de Alaïa. Cintura hiper marcada, roupas mega justas e ombro para lá de estruturados, já dizem tudo. Mas a dupla não parou nos anos 80, foram mais fundo e buscaram referências também na década de 20, trazendo os vestidos retos, com cintura deslocada para o quadril, as toquinhas e muitas franjas.

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Fotos por Marcio Madeira

. JUST CAVALLI .

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Enquanto a mulher Roberto Cavalli caminha para ares mais calmos, sem excessos, a Just Cavalli vai no sentido oposto, direto para aquela estética pela qual a marca principal ficou conhecida: as glamazons. O inverno 2008 da marca foi prova disso. Apesar do apelo ao público mais jovem, a coleção vem carregada de atitude, ousadia e sexy appeal. As saias curtíssimas, balnões, bubbles ou mais justinhas, vinham combinadas com sobreposições de blusas soltinhas, com jaquetas volumosas ou maxi-tricôs. Botas forradas de pele vinham sobre calças skinny ou sobre a própria pele. Os animals-prints aparecem tímidos, dando espaço para os brilhos e metalizados – destaque para as jaquetas e calças douradas. O masculino vem sem muita novidade, só salvando algumas jaquetas de couro e principalmente os tricôs mais oversized.

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Fotos por Marcio Madeira

. GIORGIO ARMANI .

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Para falar bem a verdade, eu tinha uma certa implicância com as coleções e desfile de Giorgio Armani. Sempre achava sem sal, comercial ao extremo. Mas nesta edição da Milano Moda Donna confesso que me surpreendi. O italiano apresentou sua melhor coleção dos últimos anos. Fazia tempo que Armani não agradava tanto como fez com sua coleção para o inverno 2008. Com gorrinhos à la anos 20 e sapatilhas, o estilista apresentou um desfile repleto de feminilidade, sofisticação e luxo. Armani surpreendeu ao não mostrar muitos longos – apenas um encerrando o show -, e sim várias saias – tulipas, bubbles, balonê e retas – todas muito suaves, com drapês e volumes calmos. Em tons de preto e cinza, basicamente, Armani mostra bons casacos, trenchs e vestido, com construções interessantes ou aplicações de materiais brilhantes, do vinil e couro envernizado, até o mais novo cristal Swarovski.

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Fotos por Marcio Madeira

. D&G .

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No primeiro dia da Milan Fashion Week, teve também o desfile da segunda marca do duo Stefano Gabbana e Domenico Dolce, a D&G. A referência disco, tão presente na coleção de verão, continua para o inverno 2008, a única diferença é que a mulher dos anos 80, meio punk que vimos na coleção passada, cresceu. Agora vem mais madura, cheia de referências de outras épocas, principalmente dos anos 70, e mais ainda do público da hypada boate Studio 54. A desfile abre com um longo, bem flúido de chiffon, com estampa de leopardo, que permanece recorrente em todo o desfile, as vezes abrindo espaço para alguns motivos florais e poás. Soltinhos ou mais ajustados os vestidos, além dos estampados, vêm em amarelo, bege, marinho e vermelho, basicamente. Apesar de peça chave, dividem espaços com smokings aveludados, calças mais sequinhas, camisas e micro shorts e saias – afinal ainda é D&G.

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Fotos por Marcio Madeira

. BURBERRY .

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Depois da decepcionante LFW, é a vez de Milão sediar uma das mais importantes semana de moda do mundo, a Milano Moda Donna, ou Milan Fashion Week. O evento começou no sábado (17.02), mas só ficou interessante mesmo ontem, com desfiles de grandes nomes da moda. A britânica Burrbery foi um deles.

Em setembro passado, a coleção para o verão 2007 foi impressionante, deixando ainda mais claro o talento de Christopher Bailey em re-inventar ícones da marca, preservando seu estilo e estética, mas sempre com ar moderno e sofisticado. Para o inverno 2008, o estilista surpreendeu novamente. Elevando a marca para um grau de atualidade, modernidade e sexy appeal. A coleção veio inspirada no glam rock, com direito até a David Bowie. Todas de preto – ou em tons desta cor -, as modelos vinham com bastante atitude sobre altas ankle boots, meias-calça pretas, e curtos vestidos bem ajustados ao corpo. O foco era a cintura, bem marcada por bons cintos e ótimos cinturões. Em contraste a silhueta seca dos vestidos, Bailey aposta nos volumes de casacos, parkas, e como não pode faltar, trenches. Em couro, lã, tweed, veludo ou pelo, vinham bem cheios, com mangas ¾ ou não, em uma imensa variedade de estilos e modelagens.

Um dos destaques da coleção foram as várias peças brilhantes, mas sem aspecto muito futuristas, aparecendo de jeitos não muito convencionas. As bolsas também sempre merecem atenção nos desfiles da Burberry. Aqui vinham grandes e metalizadas, complementando o look sexy e rocker proposto por Bailey.

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Fotos por Marcio Madeira
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