. IMPORTANTE? .

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Semana passada, durante o primeiro encontro “Tendências Contemporâneas”, na NaMídia Assessoria de Comunicação, logo no começo foi comentado o fato de que hoje em dia não é mais necessário – se é que um dia foi – participar de uma grande semana de moda para ter boa divulgação de uma marca.

Ok, vamos lá. Os desfiles acontecem duas vezes ao ano, mais ou menos a cada 6 meses, com o intuito de apresenta/divulgar para compradores e imprensa as novidades de uma coleção. Antigamente, no começo do século XX, eram apenas com os próprios desfiles que as roupas podiam ser encomendadas pelos consumidores mais ávidos e, posteriormente, pelos compradores que revenderiam as criações.

Hoje em dia já não é bem assim. Pode-se tranquilamente comprar e encomendar diversas peças de uma coleção sem assistir ao desfile. E isso graças aos showrooms. Com isso, o que era de se esperar e que de fato aconteceu durante algum tempo, foi que os desfiles assumissem a forma de performance, de show.

É bom lembrar que em inglês desfiles são “fashion shows” e sendo shows, são espetáculo, que, por sua vez, não podem – pelo menos em tese – representar fielmente a realidade. Daí que se espera algo mais elaborado de um desfile de moda, algo que encante, fascine, como que um ato teatral, ou nas palavras de Ricardo Oliveros, como um “happening contemporâneo”. Mas basta olhar para o último SPFW e Fashion Rio, para ver que não é bem assim. Até mesmo nos desfiles internacionais não é nada desse jeito.

O que mais se viu por aqui foram verdadeiros showrooms ambulantes. A única diferença entre os desfiles nas salas da bienal e as roupas expostas no andar de cima, na Fashion House, eram que nesta não haviam modelos vivos.

Fazer um desfile numa semana de moda do porte da SPFW ou do Fashion Rio não é barato. Tudo bem que existem os patrocínios que dão uma bela ajuda, mas mesmo assim. Se é para apresentar um desfile showroom, não é melhor economizar e fazer algo menor? A participação em um evento de moda é tão importante assim?

Cris Barros está aí de prova que não. Ricardo Almeida, agora também. Ambos não participam, ou participaram da SPFW e nem por isso experimentaram uma queda no número de vendas, ou na publicidade/divulgação de sua nova coleção.

Lá fora, o melhor exemplo é Azzedine Alaïa. Em entrevista a revista i-D, disse que é impossível alguém apresentar uma coleção verdadeiramente inovadora e de ótima qualidade, com a pressão de mostrar algo “novo” a cada seis meses. Para quem não sabe, Alaïa foi um dos titãs do sexy durante a década de 80 – não é à toa que foi referência de várias coleções desta e da última temporada de moda – e saiu do circuito de desfiles de Paris logo nos anos 90, achando um absurdo apresentar coleções de prêt-à-porter de inverno em março e de verão em outubro.

Fazendo desfiles independentes da semana de moda de Paris – da qual já participou durante a década de 80 -, hoje o estilista pega carona com os desfiles de alta-costura para apresentar suas coleções em micros desfiles, para pouquíssimas pessoas em sua loja.

. L .

Na foto, look de Azzedine Alaïa, exposto na Fashion Passion

One Response to “. IMPORTANTE? .”

  1. Desfile show vs. Desfile showroom « BlogView Says:

    [...] DIZ: Como já disse aqui, “desfiles são “fashion shows” e sendo shows, são espetáculo, que, por sua vez, não podem [...]

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