Poiret: King of Fashion

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Começa hoje (09/05) a exposição Poiret: King of Fashion, no Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque. A exposição vai muito além de apenas apresentar looks históricos do grande mestre e umas das primeiras celebridades fashion do planeta. A exibição busca explorar mais profundamente a relação de Poiret e sua mulher, Denise. Além de vestidos e looks exclusivos feitos para ela, a expo estuda como o estilo de vida boêmio de Denise acabou influenciando o trabalho desde grande mestre da moda, mostrando toda evolução no estilo deste incrível criador.

Paul Poiret foi um dos estilistas mais importantes e visionários durante o início do séc. XX até os anos 20, quando o tubinho preto de Coco Chanel, acabou com seu império. Poiret, que passou pela Maison Worth – fundador da alta-costura – ficou consagrado como o responsável por libertar as mulheres do espartilho. Em 1908 lançou o vestido conhecido hoje como imperial, com cintura marcada logo abaixo do busto, com saia bem solta. Ao longo do tempo Poiret foi buscando influências de outras culturas, trazendo novas tecidos e criando novas silhuetas que ficaram marcadas principalmente pelos vestidos-quimonos de 1913.

O estilista sempre foi muito inspirado para criação de roupas extravagantes, quase sempre com espírito oriental ou com o exotismo de terras distantes e pouco explorados pela época. Assim, tornou-se um dos estilistas mais ligados ao movimento modernistas da época, chamado mais tarde de Art Decó.

DA VICOTRIA’S SECRET PARA H&M

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Deu no Page Six – hypada coluna social do jornal NY Post: a top Gisele Bündcne só está esperando seu contrato com a Victoria’s Secret terminar oficialmente para poder lançar sua linha de lingeria em parceria com a gigante de fastfashion H&M.De acordo com a nota publicada, Gisele e o pessoal da H&M já estavam conversando sobre uma possível parceria há muito tempo, mas por termos legais não podiam oficializar nada. Porém, agora tudo vai mudar. Para quem não sabe, a modelo não vai renovar seu contrato com a marca de lingeria Victoria’s Secret, por esta não estar disposta a pagar o cachê de Gisele.

Vale lembrar que nada foi confirmado, uma vez que Gisele e a H&M ainda estão em fase de negociação.

No lugar de Gisele entra outra brasileira para o time das Angels. Agora é a top Juliana Imai, que vêm fazendo bastante sucesso nas passarelas nacionais e, agora também, internacionais.

EU NÃO SOU ESCRAVO NADA, EU SOU É REI

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Foto por Paulo Reis

Esta frase veio escrita bem grande no topo do release de João Pimenta. E foi esta mesa frase que deu início à luta pela liberdade dos negros no Brasil. E João é rei mesmo, rei de noite e de toda a Casa de Criadores. Ele olhou para seu próprio passado e para o passado da cultura afro-brasileira, mais especificamente para a Congadas, movimento do qual seu próprio pai fez parte.

Para quem não sabe a Congada foi um dos primeiros movimentos negros em prol de sua liberdade. Foi a partir dele que surgiram o maracatu e até as próprias escolas de samba dos dias de hoje. E a coleção de João mostrou justamente isso. Até a própria estrutura do desfile remetia à execução das congadas e maracatus. Primeiro entra o porta-estandarte, atrás vêm as damas do paço, depois duque e duquesa, príncipe e princesa e um embaixador. Depois vem o Rei e a Rainha, que trazem coroas e vestem mantos de veludo bordados e enfeitados com arminho. João ainda vai mostrando as influências de diferente religiões na Congada, conforme foi evoluindo com o tempo.

Claro que todo este universo é traduzido para a melhor linguagem street do estilista, com muitas sobreposições, androginia, bordados, plissados, matelasses, e muitas, muitas cores bem vivas, de onde predomina o vermelho. O estilista ainda mistura tecidos convencionais como a moletom e malha com rendas francesas, brocados, cetins e veludos, reciclados pelos brechós da cidade, do mesmo modo com os integrantes das congadas garimpavam materiais para suas fantasias.

O mais interessante de tudo isso é que, apesar de toda produção, toda montação que foi apresentada no desfile. Quando se vê a coleção nas araras, com as peças separadas, fica claro que é uma coleção bem focada no street, simples e confortável.

Arrasou.

CASA DE CRIADORES 3o. DIA

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Fotos por Paulo Reis

Num balanço bem superficial acho que posso dizer que o último dia da Casa de Criadores (sexta 4/5/06) foi o dia com melhores coleções. Quem abre o dia são Isadora e Caroline Krieger, as Gêmeas, que têm na cantora Jane Birkin o ponto de partida para a coleção que mixa silhueta anos 60 e alfaiataria masculina. A mistura de tecidos também é um ponto importante na coleção, com tecidos brilhantes como o lurex com mais sóbrios e opacos como sarja e jersey.

A coleção vem focada no comercial, mas ainda assim consegue mostrar o estilo das irmãs, que vem na cartela de cores sóbrias, nas estampas manuais e principalmente pelo abuso do preto e nas calças ultra seca, mas agora de alfaiataria e cintura bem alta.

A alfaiataria também aparece na coleção de Ivã Ribeiro, que faz referências à personagem de Virginia Woolf no filme “As Horas” e ao cartoon japonês Sailo Moon. Ivã brinca com o universo infantil, às vezes colegial, do desenho animado, misturando com peças mais sóbrias, em referências mais fortes à personagem do filme. Na verdade, pode-se dizer que é uma coleção sobre hibridismo. À começar pelas máscaras com flores, cuja intenção era unir a flor ao ser humano, se funcionou ou não, já são outros quinhentos.

Mas Ivã ainda fala do hibridismo entre o infantil e o adulto, que vêm nas estampas infantis de ursinhos, e por que não, nos motivos florais, com as cores pesadas – principalmente o preto – das peças de alfaiataria ou de alguns recortes. Destaques para quando o estilista brinca com a desconstrução de algumas peças de alfaiataria, como a saia fraque que fecha o desfile ou no casaco branco, com a parte de trás mais comprida.

Os HQs também inspiram novamente a coleção de Thiago Marcon. Na coleção passada foi o personagem Piteco, da turma da Mônica e agora são Tina, Rola e Pipa que aparecem nas várias estampas gráficas elaboradas por Thiago. A coleção vem com referências 60, 70 e 80 sendo que é esta última que fica mais marcante, com camisetões comprimos, parkas, moletons oversized e bons maxipulls.

Thiago investe nos xadrezes para os looks mais retrós, de silhueta mais próxima ao corpo e comprimento curto. Acho que Thiago conseguiu o que queria: “ver como seria a Tina contemporânea”, fazendo bom uso das principais tendências deste inverno, com produtos de boa modelagem e bom acabamento.  Uma coleção muito boa, mostrando evolução no trabalho do estilista.

A marca Coletivo, formada por Daneielle moura, Jaqueline Nascimento, Murilo Amaral e Rebecca Facchini tenta trazer todo o sentido de modernidade, caos urbano e construções para o inverno 2007. E em algumas peças atingem o objetivo enquanto outras deixa um pouco a desejar, talvez mais por uma falta no styling do que na própria execução e criação das roupas.

Cores frias, alguns tons metalizados, com muito preto, berinjela, que contrastam com aquele azul elétrico, bem anos 80, que é super tendência. Os comprimentos são curtos, e as formas raramente muito ajustadas aos corpo. Muitos recortes, rolotês, plissados, assimetrias e algumas descontrações. A coleção ainda vem com um certo ar utilitário e bem urbano, com peças cheias de bolsos e fivelas grandes de plástico. Os destaques ficam por conta dos maxi pulls de tricôs, e do vestido azul com ótimo plissado nas costas.

Em seguida Faissal Makhoul, com sua marca ADD (Attention Death Disorder) estréia nas passarelas do evento com uma coleção que misturam o movimento zapatista do México, com a civilização Maia. Inspiração esta que se fez mais presente pelo cato vermelho no meio da passarela do que pelas próprias roupas em si. Segundo o próprio Faissal, a tradução destes temas vem nas estampas, listras, xadrezes e tecidos – linhos, cambraias de linho e sarjas.

Faissal se dá bem nos looks de sportwear, com peças prontas para as araras de sua loja na Galeria Ouro Fino. Os looks que almejam uma maior sofisticação, mas ainda bem preso ao sport, como o único terno da coleção, acaba não alcançando aquele hibridismo entre o sportwear e a alfaiataria, que virou mega tendência na moda masculina. Sem novidades, mesmo porque, como Faissal disse no backstage “não quero criar moda”, a intenção fica apenas em bases clássicas e adequações de tecidos. Se é para ser assim, não é melhor investir num boa campanha publicitária ao invés de um desfile?

CASA DE CRIADORES 2o. DIA

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Fotos por Charles Naseh/CHIC

O segundo dia da Casa de Criadores começou com os desfiles dos participantes do Projeto Lab, dedicado a novos e pequenos estilistas. Deveria ser um espaço para uma maior experimentação, sem muitas preocupações comerciais, onde até alguns erros seriam considerados normais, tendo em vista a curta, senão iniciante carreira de alguns participantes.

Porém, o que ficou bem claro é que o que todo mundo quer é vender. Por mais que haja algo com toque mais conceitual, mais restrito a um público pequeno, o foco está nas vendas. Os dois grandes destaques do Projeto Lab, são os dois primeiros a se apresentar: Ianire Soraluze e André (Ph)ergom.

Ianire aposta na mistura de tecidos sintéticos com naturais. Logo nos primeiros look, um casaquinho plastificado com motivos florais vinha combinada com peças mais clássicas, sempre com perfume retro. Os volumes são o ponto chave da coleção, drapês, plissadaso, dobras e amarrações vêm em saias, calças, shorts, casacos e jaquetas. Os vestidos e saias também se destacam com volumes balonês ou quase bubbles – aquele com elástico em baixo.

André (Ph)ergom busca em Alfred Hitchcock inspiração para sua coleção. Todo universo do mestre do suspensa é traduzido para as cores neutras – marrom, bege, cinza, cru e preto – e formas clássicas tanto para as meninas, como para os meninos. As vezes até clássicos demais nos femininos, nas formas trapézios bem simples sem nada de mais e nas peças do universo masculino - tema já bem batido. Já o masculino agrada mais, com boas releituras de fraques, calças bem skinny em lurex, xadrez ou com estampas de chips de computadores.

Já no line-up oficial do evento, o coletivo P’tit é quem começa a desfilar, com coleção complicada, no começo com muitas sobreposições, misturando sintéticos com naturais, diversas referências, tecidos e estampas – característica que sempre marcou o trabalho do grupo. A intenção era a “desumanização associada à robótica”, mas que acabou ficando perdido no meio do desfile.

Agora com mais uma integrante, Carol Marioni – responsável pelo marketing e PR da marca – Anna O., Heloisa Faria e Leonardo Negrão investem em looks elaborados com bastante assimetrias, recortes e uma certa sofisticação. Usam o mesmo recurso da Fábia Berseck em sua coleção de inverno 2007 no SPFW. Primeiro apresentam as roupas com diversas camadas, e depois de formas mais simples, “desmontadas”. É nesse momento que fica claro a harmonia entre alguns looks, e o valor – aqui no sentido de qualidade - de algumas das peças.

Depois de uma tentativa não muito bem sucedida de investir no universo feminino, Ivan Aguilar volta focado no masculino, com boa coleção que mostra todo seu potencial. Formas simples, linhas puras, sem muitos rebuscamentos. Até os volumes que vão aparecendo ao longo do desfile são simples, em formas evasês, de uma forma bem geométrica, sem complicações

A inspiração vem das obras do artista plástico Raphael Samú, que tem algumas de suas obras estampas em peças desta coleção. A mais marcante é o casaco comprido de plástico. E já que toquei no assunto, o material foi muito bem usado por ivan. A pesquisa de matérias novos mostra que o estilista está apto e sintonizado com as exigências de mercado e disposto a levar seu estilo para frente. Na minha opinião, o melhor é o sobretudo de plástico branco, meio translúcido.

Mas não fica só ai, Ivan ainda usa tecidos clássicos de alfaiataria e bastante lã. Modelagem e acabamento perfeitos, tecidos de boas qualidades, e como o Ricardo Oliveros disse, o estilista se mostrou ligado nas principais tendências para a moda masculina: “terno de um botão, a mistura de alfaiataria e esporte, principalmente, no paletó-casaco, que tem acoplado na lapela, uma gola de punho, bem ao gosto das sobreposições que tiveram origem nos rappers americanos, e hoje é febre no mundo inteiro.”

Em seguida Fabiana Bauman mostra sua coleção toda em tons pastéis, onde as dobras, nervuras, pences e sobreposições ganham destaques. Nada de novo, porém nada de muito ruim. Fabiana investe em formas soltas, numa silhueta bem confortável. Uma coleção para a vida real, como diria as meninas da Oficina de Estilo, que também disseram que foi a melhor coordenação de cores do dia. Vestidos soltinhos em A, alguns com volumes balonês e bubbles, sempre sobre meia-calça opaca, que cobria até o sapato. O que vale lembrar é que Fabiana mantém seu estilo firme e bem característico, mas talvez um pouco mais de experimentação não fará mal.

Foi o próprio inverno o tema da coleção o ex-assistente de Walter Rodrigues, Weider Silveiro. Uma das melhores apresentações do dia conta com o mix entre o sintético e o natural, aqui o látex com a lã,. Tudo numa cartela de cores bem sóbria, com muito, cinza, preto, berinjela e azul. De cintura quase sempre marcada, os vestidos saias e até salopetes ganham volumes bubbles e balonês. Weider consegue unir com maestria sofisticação, requinte e o sexy que sempre marcou seu trabalho. Se a ênfase não está na cintura, está no colo ou busto, quem vem marcado por decotes e maxi-golas assimétricas, mostrando que Weider sabe modelar, costurar e conceber uma coleção com a sua cara.

Com apenas 18 anos, no segundo ano da faculdade, Briza é uma estilista totalmente consciente do que pode e o que não pode fazer. “Não quis uma coisa maior do que eu”, conta em entrevista no backstage. Toda inspirada no filme Metropolis, ou melhor, na personagem Maria que simboliza a passagem para a revolução industrial, é uma coleção que fala dos medos. O mesmo medo de Maria de ser engolida pela máquina, é o medo de Briza de ser engolida e consumida ao máximo pela indústria da moda. Mas mais do que medo, acho que é uma coleção sobre honestidade, como a própria estilista diz. Uma coleção honesta porque não vai além do que sua experiência permite.

Assim, a coleção vem com tecidos simples, abrindo com um vestido cinza meio metálico com as costas toda de fora. Passando para materiais mais simples como o moletom em calças bem oversizeds, alguns em cinza mescla bem escuro, remetendo a estética do filme. Tecidos mais finos, como o tafetá aparecem em vestidos com alças de suspensórios. Briza ainda experimenta trabalhar com volumes plissadas e bufantes, que acabam não funcionando muito. Mas ok, ainda é exatamente esta a hora para experimentar.

E como já era de se esperar cabe a Walério Araújo fehcar o dia com chave de ouro, talvez com uma pérola pendurada. É que a coleção foi chamada de Pérolas aos Porcos. Babados e mais babados, cintura bem marcada, vestidos amplos, tudo em preto e branco. O ápice são quando entram os looks com pérolas, que no começo aparecem só em alguns acessórios, como luvas ou nos saltas das sandálias. Mas depois, looks inteiros com aplicações de pérolas – falsas, diga-se de passagem –, com destaques para os look que além das pedras vinham com babados que davam um movimento incrível para as roupas.

O melhor de tudo é que a roupa de Walério é democrática. Veste desde de dragas e travas das mais montadas, até as mais glamuorosas mulheres que não têm medo de se “dress up”.

Mais sobre a casa de criadores no BlogView.

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CASA DE CRIADORES 1o. DIA

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Começou ontem a 21a edição da Casa de Criadores, evento responsável por dar visibilidade a novos nomes da moda paulistana. Nesta edição o evento comemora 10 anos de vida, ganhando um desfile retrospectiva de André Lima como abertura. Para quem não sabe, o estilista paraense, de Belém, antes de se integrar ao casting do SPFW, fez parte e muito sucesso na Semana de Moda Casa de Criadores.

Esta edição também ganhou nova locação. Depois de passar pelo incrível cenário – mas de difícil acesso – do Vale do Anhangabaú e pelo apertado salão do hotel Renaissance, o evento agora fica no Shopping Frei Caneca, num espaço amplo e todo decorado com luzes vermelhas e colagens de imagens dos melhores momentos desses 10 anos de Casa de Criadores.

Como já disse, foi o André Lima quem abriu o primeiro dia de desfiles, com retrospectiva de seus looks mais marcantes. Não faltaram estampas ultra coloridas, folhas de samambaias e até a cara de Costanza na capa da Vogue estampado em um vestido. Esta, por sinal, é a peça chave de André Lima. Fluídos e esvoaçantes, com barras assimétricas, mangas amplas e sempre com aquele perfume tropical e toque sexy.

Os acessórios ultra extravagantes também estavam lá, e principalmente nos cabelos. Flores, estrelas, discos de acrílico colorido e até miniaturas de pianos. Foi uma ótima oportunidade para mostrar o verdadeiro DNA do estilista. Mostrar qual foi seu foco desde o início da sua carreira, e o quanto disso foi perdido na último coleção apresentada no SPFW.

Em seguida foi a vez do Moshe apresentar sua coleção de inverno 2007. O estilista mantêm-se fiel a sua proposta de sport e streetwear. Desta vez Moshe busca inspirações na cultura árabe e judaica, principalmente de Israel, onde viveu durante os anos 90. Com isso evoca elementos de tais culturas como turbantes, lenços, ponchos e dreds de lã com pingentes em forma da estrela de David, misturando-os com referencias grunges e underground. Muitos macacões, bermudas xadrez, calças mais secas, camisetas e camisas mais soltinhas, as vezes sobre moletons levemente mais volumosos ou maxi cachecóis. Tudo ao som de Daniel Peixoto, vocalista do Montage, que se apresentou junto ao desfile.

Foi uma coleção bem focada no comercial, do mesmo modo como as coleções passadas do estilistas. Sem muitas novidades, o que parece mudar é o fato do estilista estar em busca de uma nova clientela e não só os meninos sarados, que vivem em academias.

Marcelu Ferraz quis aproveitar a tendência do masculino na moda feminina para seu inverno 2007. Chemises, calças de alfaiataria, cintura alta, salopetes e camisas de smoking, estão entre algumas das peças principais do desfile. “A desconstrução da alfaiataria masculina”, é como o próprio Marcelu caracteriza sua coleção. Vestidos ganham golas de camisas, ora no próprio colarinho, ora rebaixadas para os busto em vestidos tomara que caia. Os recortes e misturas de tecidos foram uns dos pontos altos do desfile: tricoline com seda, cetim, sarja com musseline, algodão e lurex.

Consenso geral entre eu, Biti Averbach e Ricardo Oliveros: foi uma coleção para uma mulher elegante e sofisticada, mas que pecou pela má qualidade dos materiais usados e mal acabamento. Sem contar que o tema já cansou de aparecer no Fashion Rio e SPFW. A Casa de Criadores é um evento onde se espera um pouco mais de espírito criativo e não apenas tendências e roupas prontas para irem para as lojas.
A dupla da estilista da Ash, Guil Macedo e Roberto Leme, fazem seu primeiro desfile focado na arte de rua – de onde tudo começou no trabalho deles – arquitetura e numa crítica ao tempo de hoje, sempre muito corrido. Crítica que quase passa desapercebida para quem não conhece os conceitos da dupla. As pinturas e estampas manuais são a assinatura da dupla. Agora, cores fortes e às vezes flúos vêm em quase todas as peças, centralizadas, deslocadas ou espalhadas por toda a roupa. Volumes balonês, bubbles e peças oversized com calças mais secas ou leggins faziam referência a estéticas anos 80.

No feminino alguns erros de proporção e modelagem acabam prejudicando a coleção que se salva no masculino, mais descolado, com sobreposições espertas e boas peças. Os jeans mais secos, com ou sem lavagens, o moletom aber sem zíper, mais arredondado e a sarouel bem estampada ficam entre as melhores roupas apresentadas. Uma coleção que veio direto das ruas e está pronta para ia para as lojas. Mas vale ressaltar que o duo conseguiu deixar claro seu estilo e características.

Paula Bertone e Mario Catto migram do projeto lab para o line-up oficial da Casa dos Criadores nesta edição, apresentando dois desfiles em um só. É que a coleção feminina e masculina não tinham relação alguma. A começar pelas inspirações: Paula, responsável pela linha feminina, buscou no mágico Houdini inspiração, enquanto Mario teve o ator Antonioni como base para sua coleção.

Tons neutros, com muitos cinzas, marrons e beges marcam a cartela de cor de Paula, que aposta em volumes balonês para as micro saias combinadas com jaquetas mais ajustadas ao corpo, ou blusas mais soltas. Alguns volumes, de formas e modelagens estranhas acabaram não funcionando muito, assim, como os micro vestidos e saias transparentes. Paula se dá melhor nos vestidos finais, de modelagem mais ampla e silhueta mais confortável.

O masculino, também sem novidades, vem mais comportado. Mario experimenta na alfaiataria apresentando blazers em tapeçaria com motivos florais, ou com recortes em diferentes cores e tecidos. As calças, com faixas laterais acabam destoando um pouco do look total. Depois Mario paça para um linha mais casual com calças xadrez com abotoaduras laterais e termina com uma série de camisetas com estampas geométricas. Como já disse, nada de novo.

Coube a Rober Dognani salvar o dia, com seu desfile todo inspirado na noite paulistana. Todo em preto, com make incrível de muito glitter no rosto, Rober abusa sem medo dos volumes. Maxi golas, ombreiras, mangas e babados. Recortes em couro, cetim e tule mostram um bom mix de tecidos texturas, dando maior sofisticação aos looks. Além das ousadias em volumes tem bons trabalhos de plissados, pregas e modelagem.

Quem fechou o dia foi Gustavo Silvestre que optou por uma “apresentação”, como ele mesmo disse, do que ao formato desfile convencional. Como que em um estúdio fotográfico as modelos ficavam imóveis sentadas em bancos de madeiras, ou em pé encarando a todos que passavam para analisar as roupas.

Gustavo dá ênfase ao conforto, que vem traduzido nos tecidos naturais, formas evasês e modelagens mais solta. Tudo em preto, o estilista aproveita ainda para inserir alguns looks com estética mais masculina. Porém, o que prevalece mesmo são os bordados, ponto alto de quase todas as coleções do estilistas. Muito bom ver como Gustavo se mantém a seu DNA, sempre evoluindo sem perder seu estilo.

Mais sobre a Casa de Criadores, no BlogView

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CASA DE CRIADORES

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Começou ontem a 21a edição da Casa de Criadores e junto com ela o blog coletivo BlogView, onde eu, Biti Averbach, Ricardo Oliveros, Fernande Resende, Cristina Grabielli, Glauco Sabino e Laura Artigas, vamos fazer uma cobertura alternativa do evento.

Enquanto as críticas dos desfiles não saem aqui, vocês podem ir conferindo tudo o que acontece por lá e pelos vídeos no FimeFashion.

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