Momento reflexão

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Com certeza todo mundo já deve ter passado pela situação de sair do cinema, ou de ver um filme e não entender absolutamente nada do que se foi mostrado. Ou ainda, também ficar sem saber qual o significado ou qual mensagem de determinada obra de arte.

Em todos esses casos, o que acontece é que geralmente o público ou o espectador não está no mesmo nível intelectual – não estou chamando ninguém de burro, tá? - ou de abstração que o artista, criador ou cineasta. Por isso, o grande ponto de interrogação que fica em nossas cabeças quando observamos algo que não podemos entender. Em outras palavras, o problema está na gente e não no artista.

Infelizmente para nós jornalistas – ou jornalistas to be como no meu caso – o mesmo não acontece com os nossos textos. Em quase 90% dos casos de má compreensão de um texto, seja ela opinativo ou informativo, o problema está no jornalista e não no leitor. Uma das quatro característica fundamentais do jornalismo é o poder de difusão do texto/informação/mensagem. Ou seja, é a linguagem do texto jornalístico, o jeito como um jornalista escreve para que o maior número de pessoas – dentro de seu público alvo, ou do público do veículo para qual escreve – possa compreender o que se quer dizer.

Isto posto – adoro essa expressão! -, espera-se de um critico de cinema, arte, teatro e afins que este esteja no mesmo nível do artista/criador para fazer uma boa crítica ou análise da obra em questão. E acredito que o mesmo se aplique para um critico de moda, porém com um pequeno acréscimo.

Lembra daquela história da ética vs. estética tão bem abordada por Ricardo Guimarães na 5a ffw mag. Então, aqui tem muito disso. No artigo, Guimarães começa com a questão se a ética (sentido da obra e no nosso caso da coleção/desfile) do estilo (a estética, imagem ou aparência) depende do criador ou do público a que ele se dirige.

Eu, particularmente, acredito que no fundo, no fundo, o sentido depende do criador. Mas no caso da moda, o estilista acaba sofrendo grandes influências do seu público, o que pode acabar mudando algumas coisas em seu trabalho – geralmente para poder vender mais –, afinal é para este público que o estilista faz suas coleções.

Ok, então acho que já ficou meio que claro, que além de ter que estar no mesmo nível do estilista, um critico de moda nunca pode deixar de levar em conta o público deste determinado estilista ou marca. Ou seja, o critico de moda também de que estar ao nível do público, não?

Coluna Desabafo

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LUIGI DIZ: A viagem acabou. Depois de um mês em Toronto, chegou a hora de fazer as malas e voltar para casa e para “real life”. Confesso que fiz isso com bastante desgosto, mas enfim, não tinha outro jeito.

Eu sei que esta coluna deveria ser sobre moda masculina (ou masculine, para alguns), como tem sido até então. Mas hoje não estou muito afim de falar disso, e resolvi fazer um pequeno (??) desabafo. Então vamos lá!

Logo que a gente aqui no BlogView decidiu a fazer esse esquema colunas semanais – que eu estou adorando, btw -, um dos assuntos mais recorrentes tem sido o tal DNA brasileiro, que teve o ápice de discussão com o post de street style, do Oliveros, que acabou repercutindo em vários outros blogs.

Tenho que admitir que fiquei meio neutro nessa discussão toda, da qual eu nem participei muito. Em parte por estar viajando, aproveitando outras cositas e curtindo a cidade. Mas também tinha muito de indecisão e dúvidas que sempre me deixavam pensando sobre o assunto de vez em quando. Uma das pessoas que eu conheci por lá, até chegou me perguntar qual era o estilo do Brasil. A pergunta – praticamente sem resposta na hora – me deixou ainda mais pensativo sobre o assunto e me levando a achar que eu, de fato, não tenho certeza se sei qual é o estilo das pessoas no Brasil.

Mas e ai, por que eu não sei?

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Os novos rostos da Vuitton

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Não, dessa vez não é Scarlett Johansson quem vai estar estampada nas páginas das principais revistas de moda do mundo. A celebridade da vez, escolhida pela Louis Vuitton é, digamos, um tanto quanto diferente, para não dizer inesperada. Enfim, chega de suspense. Um dos novos rostos da Vuitton é Mikhail S. Gorbachev, o último presidente da extinta União Soviética.

A foto acima, clicada por Annie Leibovitz, faz parte da nova campanha da Louis Vuitton que visa ressaltar a tradição da marca quanto à malas e acessórios de viagem. Além de Gorbachev, outros nomes de peso, como Andre Agassi, Steffi Graf e Catherine Deneuve, fazem parte da campanha.

Cheiro bom

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Minha coluna da semana passada no BlogView foi sobre maquiagem para homens. Lá além dos produtos em si, acabei falando bem rapidinho sobre toda essa tendência dos homens de hoje se cuidarem mais, estarem mais preocupados com sua aparência etc. Afinal, a pressão pelo look perfeito não escolhe sexo, não é mesmo?

Enfim, esse post rapidinho é para falar da matéria publicada hoje no NY Times, falando sobre perfumes masculinos. Mas não os perfumes comuns que todo os homens acabam usando uma vez ou outros. E sim, perfumes mais delicados, no caso da matéria até com nome de flor, que acabam atraindo um grande clientela de jovens homens.

O mais legal são às várias teorias/hipóteses que tentam explicar esse comportamento – relativamente novo – dos homens de hoje em questão ao consumo e uso de fragâncias.

Qual é o mood?

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Entro no trem ontem a noite para volta para casa, puto da vida, porque tinha perdido o trem anterior e tive que esperar mais uma hora pelo próximo e quando sento na minha cadeirinha vejo um caderno de um jornal X – agora não lembro o nome – jogado na minha frente. Na capa, ninguém menos que minha nova musa Posh Beckham e seu marido, na festa de recepção que aconteceu para eles em LA.

Então, não resta dúvidas que eu comecei a folhear o caderno em busca de mais fotos e de algumas notinhas babado. Porém, antes de chegar lá, passei por uma coluna de moda. O assunto era guarda-chuva, sei lá porque, afinal chove pouquíssimo por aqui no verão. Tinha até o trecho do hit da Rihanna, “Umbrella”. Mas enfim, não é isso que eu quero falar aqui.

Em certo ponto da coluna e fofa – que eu também não lembro o nome – dizia que o clima sessentinha das coleções de verão (que já estão em liquidação aqui) não era à toa. Dizia que o cenário sócio-político de hoje era bem parecido com aquele que levou milhares de pessoas às ruas de São Francisco em 67 e que, de certo modo, acabaram mudando o mundo. Claro que agora em proporções muito menores e com causas em parte diferentes.

Os protetos anti-guerra pela retirada dos soldados do Iraque, todo ativismo ambientalista contra as mudanças climáticas, as várias ações de ONGs contra pobreza, violência, doenças etc. Tudo isso contribui para retomar aquele mood 60’s, e daí às várias referências à esta década na moda. Em parte concordo com o que a tal colunistas escreveu, mas acho que não é só isso.

A gente já sabe que a moda funciona como espelho de uma sociedade ou ainda espelho de suas vontades. Então termino com uma pergunta: olhando para as últimas coleções – SPFW, Fashion Rio e as coleções masculinas internacionais – e olhando para tudo o que está acontecendo no mundo, o que você acham que a gente vai ver a partir de setembro nas passarelas internacionais? Quais serão as mensagens ou a mensagem que a moda irá passar agora?

United Colors

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Coluninha rápida para não ficar ainda mais atrasada. Sem contar na mega ressaca acumulada de três dias, ou melhor três noites muito mal dormidas. Mas isso não vem ao caso.

Tese desta coluna: coordenação de cores substitui as estampas?

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Síndrome Balenciaga

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No começo do ano, lá para Fevereiro, durante os desfiles de Paris, Nicolas Ghesquière abalou o mundo fashion com sua coleção multi-étnica e super street, totalmente focada nas vontades de gente real para Balenciaga.

Pois bem, um dos acessórios mais usados nesta coleção – e um dos principais responsáveis pelo perfume étnico da coleção – foi um tipo de cachecol quadrado, quase um xale, só que menor, usado enrolado no pescoço. Daí, que estou andando por aqui e começo a notar uma série de gente usando o mesmo adereço de forma bem parecida, quando não idêntica.

Resolvi ir atrás de onde vinham esses cachecóis e acabei descobrindo que quase todas as lojas – desde as mais descoladas até super básicas como H&M – estavam vendendo o famosos cachecol à la Balenciaga. Algumas até davam um manualzinho com jeitos diferente de ser usar o acessório.

Confesso que fiquei bem tentado a ter um, mas estou resistindo e não sei bem porque. Mas enfim, quem sabe até o final dessa viagem eu não assumo meu lado fashion victim.

Gente, eu sei que isso não é um “cachecol Balenciaga”, uma coisa criada por ele! Sei muito bem de todo passado étnico e cultra que a peça tem, principalmente nas cultar do oriente médio e oriente. Mas não tem como negar, que depois que Ghesquière propôs a peça na última coleção para Balenciaga, justamente para dar um ar mais étnico, mais pessoas começaram a usar a peça em peso. Afinal, antes disso você dificilmente iria encontrar um desses numa H&M da vida.

TÁ CHEGANDO

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Já estão abertas as inscrições para a 2a Mostra Competitiva Iguatemi FilmeFashion, que acontece entre os dias 23 e 30 de Agosto no Shopping Iguatemi, em São Paulo, sob curadoria de Alexandra Farah. São oito categorias em que os interessados podem se inscrever até o dia 30 de julho: Figurino de Longa-metragem, Maquiagem de Longa-metragem, Documentário de Moda, Figurino de Curta-metragem, Figurino de Filme Publicitário, Figurino Videoclipe, FilmeFashion de Bolso e FilmeFashion de Desfile.

Além da mostra competitiva que premia o trabalho de cineastas e produtores nacionais, o Iguatemi FilmeFashion, agora em seu terceira edição, também conta com uma mostra histórica FilmeFashion Cinema Brasileiro. Lá, os 15 filmes com melhor figurino serão exibidos ao longo de uma semana. Tem também uma mostra internacional com filmes incríveis como o documentário Lagerfeld Confidential, sobre o kaiser Karl Lagerfeld e vários vídeos do ShowStudio produzidos pelo fotógrafo Nick Knight. Ah, sem contar nos workshops, exposição de looks e de fotos e debates com convidados de muito peso!

Mais sobre o festival aqui. E os interessados podem se inscrever no site do evento.

AI QUE SAUDADES…

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Ai que saudades dos nossos clubes! Ai que saudades das nossas bebidas! ai que saudades das nossas drags!

Acho que todos os clubbers e bees canadenses que gostam de se jogar precisam fazer um curso em São Paulo, para saber o que é uma festa de verdade. E as drags, coitadas, essas precisam fazer um intensivão de make, figurino, dublagem e performance.

Ok, explico. Está é a minha terceira semana aqui em Toronto, e sábado passado foi o segundo fim de semana de jogação – bem leve. Acontece que aqui os hábitos noturnos são um pouco diferentes dos nossos. Tem coisa boa, mas também tem muita coisa ruim. O bom, é que aqui são raríssimos os clubes e bares que se paga para entrar. A maioria você entra free e só paga o que consome, assim na hora que você pede no bar. Bem mais fácil do que ficar carregando comanda. Só que isso só funciona, porque os clubes e bares tem no mínimo três mega bares, com duas pessoas atendendo em cada. Então agiliza bem.

Ah, e como as pessoas não pagam para entrar rola um tipo de migração de um bar para outro, o que eu achei ótimo. Você vai lá, entre vê qual é, e se não estiver legal, ou as pessoas e música não for do seu agrado você simplesmente sai e vai para outro lugar - todos os clubes e bares são na mesma região, então dá para ir andando fácil.

Porém, nem tudo é tão bom assim… Começando com a bebida. Fraca de um jeito que nunca vi. A dose de vodka aqui, é praticamente um shot, não importa se você vai tomar pura ou misturar com alguma outra coisa. A quantidade é sempre a mesma: pouca. Quem me conhece sabe que sou super fraco para bebida. Pois bem, tomei 5 drinks na última baladeenha e nada aconteceu.

Outra coisa pavorosa: as drags. Não sou muito chegado em drag hits, mas me divirto com as performances. Uma das primeiras que vi por aqui, uma negona com um tubinho preto medonho, foi dublar aquela música da Whitney Houston, “It’s not right, but is ok”. Dai que começa a música e a dublagem totalmente perdida. E olha que a música era na lingua delas, hein? Ai, roda pra cá, roda pra lá, joga o cabelo para um lado, pro outro e de repente, o cílios postiços voam junto com o cabelo. It’s not right, but’s ok…

E agora a pior parte. Estou eu lá, feliz da vida, dançando na pista, que já começava a ficar bem vazia – para não dizer deserta – as 3:30 da manhã, quando ascendem as luzes da boate e dizem: “that’s it folks, no more dancing for today”, e assim se acaba a noite daqui as 3:30 da manhã!

MAKEUP

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Estava andando com a minha irmã aqui por Toronto esses dias, quando ela disse que precisava comprar maquiagem, que já sabia onde era a loja que ela queria ir e tudo mais. Daí virei para ela e falei: “Ótimo, vamos lá que também preciso ver umas coisas para mim”, achando que ela ficar super passada – afinal, ela com seus 15 aninhos ainda é bem careta em alguns aspectos. Mas para minha surpresa, ela disse: “Tá bom! Sabia que todos meus amigos também usam?”

No fim quem ficou passado fui eu. Estudei na mesma escola dela e me lembro direitinho de como eram a maioria dos meninos de 15 anos na época. Super mauricinhos, quadrados até o talo, repudiando qualquer excentricidade – para não dizer esquisitice – a mais. Mas os tempos mudam, não é mesmo? Agora os garotos de 14 ou 15 anos estão usando bases e corretivos para cobrir imperfeições, fazendo hidratação nos cabelos e até pilling para diminuir as espinhas.

Acho que o careta da história sou eu. Se pararmos para pensar, há anos atrás, pensar num homem furando a orelha era praticamente um absurdo e hoje é quase que uma banalidade. Então, por que com o make seria diferente? Desde que a cultura do metrosexual – odeio esse rótulo, mas enfim… – ganhou relevância, o tão chamado grooming – ato de se cuidar literalmente, tratamentos capilares, cuidados com a pele e maquiagem – vêm ganhando cada vez mais adeptos.

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