Aconteceu ontem, no último dia da London Fashion Week, o desfile do projeto MAN, uma iniciativa do Fahsion East e da loja de moda masculina TopMan. É como se fosse a versão masculina das apresentações do Fashion East – só que ao meu ver, foram bem melhores. Afinal, é na moda masculina onde novos e talentoso estilistas encontram mais espaço para experimentações, e, por que não, inovações.

Quem abriu o desfile foi o estilista Kim Jones. Conhecido pela seus looks causais refinados – num perfeito hibridismo entre esporte e alfaiataria -, Jones desfilou pela primeira vez em 2003 na LFW, se apresentando depois nas semanas de Paris e NY. Foi ele o responsável por dar um ar mais fashion para a marca de sportwear Umbro, com sua linha Umbro by Kim Jones. Agora, como integrante do projeto MAN, Jones apresenta sua segunda linha, KY by Kim Jones, destinada à um público mais amplo que sua linha principal.
Todo em tons neutros e suaves, com muito branco, cinza, cáqui, e de silhueta levemente mais ajustada ao corpo, o verão 2008 da KY segue bem a linha da marca principal de Kim Jones. Embora mais comercial (entenda-se simples) e mais casual, a segunda linha apresenta boas peças de alfaiataria remodeladas, com penses deslocadas, proporções reajustadas e algumas desconstruções.

Em seguida foi a fez de Carrie Mundane, com sua marca Cassete Playa, numa coleção totalmente oposta a de Kim Jones. Sem muitas novidades na coleção, o verão segue no estilo divertido e descompromissado de Carrie, cheio de estampas que remetem à desenhos animados, imagens pixeladas, simbolismo, universo digital e até à um certo quê de arte tribal. Tudo no melhor street-style-gangsta-hip-hop, com muitas cores, proporções oversized e diversão.

E depois de uma explosão de cores, ares mais sóbrios voltam com o desfile de Aitor Throup. Já falei dele aqui e o Sylvain também já falou deste talentoso estilista aficionado pela anatomia do corpo humando, refletindo isso em peças incríveis e cheias de funcionalidades. Não é à toa que as principais revistas de moda masculina já o apontam como uma dos principais criadores deste segmento.
Ao invés de modelos reais (humanos), bonecos de tela branca, suspensos no ar como se fossem marionetes. As roupas, com fortes referências militares – fato super recorrente nas criações de Aitor -, ganham destaques pelo trabalho de alfaiataria. Moderna, precisa e com reconstruções super “fashion forward”. Os blazer vinham em comprimentos mais curtos, ou com ombros ou golas mais estruturadas ou volumosas. As calças, ora mais largas – lembrando as de Kris Van Asche para Dior Homme – ora mais curtas, apresentavam uma espécie de sapatilha embutida, ou ganhavam modelagens dhoti – mais largo na coxa e ajustado do joelho para baixo. O único porém, é que os bonecos acabou prejudicando o caimento das roupas.

E para finalizar aconteceu o desfile da própria TopMan, bem casual, leve, solto, esportivo e com toques de alfaiataria, mas sempre bem descontraído. Shortinhos e mais shortinhos (adoro!!!), com camisas ou camisetas sempre bem soltinhas, com cardigans de proporções mais alongadas, parkas ou balzers, tanto mais curtos como no comprimento convencional. Boa coleção, com certa informação de moda, visão moderna da moda masculina ainda que sem acrescentar muita novidade, e prontas para a loja.
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