Alfaiataria e rebeldia sofistacada
No comecinho da semana passada, logo que começou a semana de NY, eu falei um pouco da Ohne Titel, marca novíssima com apenas duas coleções de idade. Falei do grande hype que crescia em torno de suas estilistas, Alexa Adams e Flora Gill, que esse hype não era a toa. Como já disse, as duas se conheceram durante a faculdade de moda, na Parsons School of Desing em NY e depois trabalharam juntas com Karl Lagerfeld, em sua própria marca. Quando o grupo Tommy Hilfiger – a qual a marca Lagerfeld pertencai – decidiu encerrar as atividade de grifes, as duas decidiram montar o próprio negócio.
No sábado (08/09) foi o dia do tão esperado desfile. Começando com looks branco e em tons pastéis, a dupla acerta ao evocar a tendência safári e remodelar tudo para o universo da marca. Os tricôs – ponto forte da dupla desde a época em que trabalhavam para o Lagerfeld – vem em forma de texturas e estampas tribais no verão 2008. Outras estampas geométricas – também com aquele quê étnico-tribal – aparecem primeiro em branco e off-white e depois voltam a aparecer com cores. Porém, no fim o que mais chama atenção é a boa alfaiataria da marca, que já rendeu até comentários de que Alexa Adams e Flora Gills são as sucessoras de Helmut Lang. Ora afastando a silhueta do corpo ora aproximando, a dupla apresenta boas peças em alfaiataria, com corte moderno e sofisticado. Alguns itens também ganham bons trabalho de volume como drapeados ou volumes laterais nas calças, o que acaba evocando referências dos anos 80.
A alfaiataria também foi ponto forte no desfile da Phi, com direção de criação de Andreas Melbostad. Com pegada rocker, Melbostad aumenta as proporções de blazers, coletes e cardigans, dando aquele ar de roupa emprestada do namorado. Só que aqui, ao invés de pegar emprestado um moletom ou uma camiseta, a mulher se joga em peças clássica, com bastante camisaria, bermudas de alfaiataria e calça skinny. Mais para frente, o estilista acrescenta zíperes e bolsos em jaquetas, saias, bermudas e calças, que junto com as botas de cano alto davam um ar meio motoqueiro para alguns looks.
E se a coleção da Phi fala de rebeldia de algum modo, a da Threeasfour, falava em conter a rebeldia. Se bem que no caso deles seria mais excentricidade e sofisticação ao extremo do que rebeldia. Para quem não sabe, A Threeasfour começou como um coletivo composto por quatro criadoras, conquistando o coração dos fashionistas com suas bolsas circulares que apareceram no seriado Sex and The City. Em 2005 Kai, uma das estilistas deixou o coletivo, que ficou sob o comendo de Ange, Andi e Gabi. Agora, a marca é uma das finalista do CFDA/Vogue Fahsion Funds, espécie de Oscar da moda.
Já não é de hoje que o trio vem dando uma polida no seu estilo, descomplicando um pouco suas roupas e apresentando coleções mais fácil de se assimilar em NY, onde comercial é tudo. O inverno 2007/08 da Threeasfour já foi assim, e o verão 2008 está ainda mais claro. As costuras circulares, recortes e transferências de pences continuam, mas de modo mais calmo e contido. As roupas ainda estão longe de serem consideradas puramente comerciais e fáceis de consumir pelo grande público – ainda bem -, mas já vêm dotadas de um sofisticação mais clássica e menos excêntrica. Vamos torcer para que continue assim e não cair na banalidade pasteurizadas de muitas coleções de NY.


