Fim de ano é época que todo mundo faz aquelas recapitulações de tudo que aconteceu no ano, né? Eu, particularmente, acho tudo isso bem chato, e pretendia acabar o ano sem nada do tipo aqui no blog, só com as resoluções e anti-resoluções de fim de ano do post anterior. Mas aí, fui eu ler meus feeds do RSS, quando me deparei com a matéria da Sarah Mower, no Telegraph falando sobre como 2007 foi um ano bom para moda britânica.
A jornalista e critica de moda dá um breve históricos dos “vai-e-vem” do hype da London Fashion Week e acaba comparando todo esse furor que acontece com os novos estilistas lá, com os que aconteceram no passado, primeiro com Vivienne Westwood nos anos 80 e depois com Galliano e McQueen já em meados dos anos 90. A matéria aborda também possíveis dificuldades para tais estilistas, dada mudanças no British Fashion Council, na equipe da Topshop responsável pelos patrocínios e também do cenário econômico geral.
Mas o que mais chamou atenção foi que Sarah Mower diz que uma das principais diferenças entres os jovens estilistas de hoje e os do passado, é o espírito de colaboração entre eles. “Todo estilista de hoje está ligado ao outro que, de um jeito ou de outro, está ligado à exclusiva cena geradora de novos talentos da moda londrina: (a faculdade) Central Saint Martins, o programa da patrocínio da Topshop, New Generation, o projeto Fashion East e ao clube BoomBox”.
Durante o Pense Moda aqui, Judy Blame, Gareth Pugh e Hugo Scott (responsável pela estratégia da comunicação da Marc Jacobs no Reino Unido) falaram da importância de se conviver num meio inspirador, criativamente falando. E em Londres esse meio acabou sempre sendo meio underground, boates e clubes noturnos onde as mais excêntricas personalidades (e aqui não no sentido de celebridades, mas indivíduos que usavam roupas, maquiagem e muito mais para expressar sua subjetividade de forma única e autêntica) se reuniam para se divertir e se inspirar. Hoje esse ambiente inspirador é a BoomBox (que fechará suas portas ao fim deste ano, 2007 mesmo). QG das principais assistentes de moda, estudantes, drag-queens, estilistas, modelos e amantes de muita montação, o clube de Richard Mortimer serviu como epicentro para toda excentricidade da moda britânica deste ano.
Foi aí que me dei conta que se havia uma coisa que havia marcado a moda em 2007, foi justamente esse espírito de colaboração. Não estou falando de colaborações do tipo Karl Lagerfeld para H&M, mas esta união não só de uma nova geração de estilistas, mas como de todos profissionais e atuantes no meio da moda: jornalistas, blogueiros, fotógrafos, stylists, editores e estilistas.
E isso não é exclusividade gringa. Aqui o mesmo também aconteceu, ou melhor acontece. Já no início do ano, num dos primeiros encontros do Tendências Contemporâneas, já se falou dessa nova geração de profissionais de moda. Não que a competitividade não exista mais – bem pelo contrário -, mas há um certo senso de união entre os novos profissionais. Jornalistas não mais escondem suas opiniões, como se fossem a coisa mais valiosa do mundo ou verdades absolutas. Quem já não viu, ou até mesmo, dividiu suas opiniões sobre um desfile logo que este acabou, a caminho da sala de imprensa ou lounge? Está união, convergência e multiplicidade de visões/opiniões/interpretações não é muito mais valiosa do que um único ponto de vista?
O BlogView surgiu daí. Nossa última cobertura da Casa de Criadores seguiu o mesmo fundamento. O FW Blog, do SPFW também promete cumprir o mesmo papel nesta próxima temporada.
O Pense Moda, Tendências Contemporâneas e todos os outros eventos que se propunham a discutir, pensar e refletir sobre o atual cenário da moda nacional também são reflexos deste espírito colaborativos. Diversos profissionais da área se reunindo para tentar entender e daí melhorar e levar para frente nossa moda brasileira.
E quer exemplo melhor dessa colaboração entre nossos novos estilistas do que o primeiro desfile de Wilson Ranieri, na SPFW de janeiro, com platéia cheia de amigos estilistas e até a costureira do estilista aplaudindo de pé a apresentação do amigo?
Então, encerro 2007 no blog assim. Espero que em 2008 toda esse espírito de colaboração se torne ainda mais forte. Aproveito também para agradecer todos que passam aqui, comentam e opinam nos textos (as vezes grandes de mais como este). Um ótimo 2008 para todos.
Beijos,
Luigi












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