Segundo matéria publicada no jornal The Guardian, o diretor britânico, Ridley Scott pretende fazer um filme sobre a ascensão e queda da dinastia de moda da família Gucci. O filme irá abordar a história glamourosa, e ao mesmo tempo conturbada, da família no auge do sucesso da marca entre as décadas de 70 e 80.
Os membros da família, apesar de não possuírem mais autoridade sobre a marca – sob o comando do grupo PPR desde 2004 – não gostaram nada da idéia. Acham que o filme vai se focar no lado “negro” da família e na fase em que a Gucci ainda era administrada por membros familiares.
Ainda segundo o jornal, diz que o enredo do filme irá se concentrar em Maurizio Gucci, o último membro da família à administrar a grife, e assassinado à mando de sua esposa, Patrizia Reggiani, em 1995.
Se rolar mesmo, o filme tem tudo para ser super interessante, já que Ridley Scott é excelente diretor e a história da Gucci é uma das mais fascinantes do mundo da moda, “justamente por envolver elementos como prestígio, poder, intrigas, cifras bilionárias, vaidade, beleza, consumo e até mesmo morte” (Dicionário da Moda, por Marco Sabino).
Um pouco de história
A Gucci foi fundada em 1921 por Guccio Gucci (já dá para saber de onde vem o logo da marca, né?) em Florença, após voltar de Londres onde, trabalhando no Hotel Savoy, perceber a crescente necessidade e uso de malas e valises de luxo utilizadas por viajantes de elite.
Assim em 1921, em Florença, abriu-se a primeira loja Gucci, que logo ganhou novos pontos: primeiro em Roma, em 1938, em Milão, em 1949 e em 1960 já vendia em cidades como Paris, Tóquio, Chicago e Hong Kong.
Já na década de 50 celebridades Sofia Loren, Ingrid Bergman, John Kennedy e sua então esposa Jaqueline Kennedy eram alguns dos fiéis clientes da marca. Eram constantemente fotografados portando artigos clássicos da marca, como a bolsa com alça de bambu ou o mocassim com bridão.
Os membros da família Gucci, em sua maioria, sempre tiveram envolvidos com os negócios da empresa, causando muitas disputas e intrigas internas. Sucedendo o fundador Guccio, veio Aldo e em seguida Maurizio Gucci, os dois principais responsáveis pelo crescente sucesso da marca na década de 60 e também pela sua queda, já nos anos 80, devido a divergências familiares.
Em 1989, quando a imagem da marca começava a se deteriorar no mercado de luxo, Domenico Del Sole, funcionário de um dos escritórios de advocacia americanos que prestavam serviços à Gucci, foi indicado para moderar e buscar soluços para as divergências internas da empresa.
No mesmo período a Investcorp adquiriu 50% do capital da empresa com a saída de Aldo Gucci. Maurizzio, o último membro da família na marca, acabou vendendo sua parte das ações em 1993 por não se entender com o grupo de investidores. Com Maurizzio fora, a Gucci passou a ser liderada por Domenico Del Sole, que transferiu a sede da empresa de Milão para Casellina e nomeou Tom Ford – que já trabalhava na grife desde 1990 – diretor de criação.
Começava aí a nova fase da Gucci. Além do relançamento das bolsas com alças de bambu e dos mocassim com bridão, Tom Ford passou a assinar todas as coleções, escolher os fotógrafos, decidir o tema das campanhas e até escolher a arquitetura e decorações das lojas da grife.
Os rostos nas campanhas também mudaram. Audrey Hepburn e Grace Kelly deram lugar à Madonna e Tina Turner. As coleções cheias de sensualidade eram bem acolhidas pela imprensa especializadas e um investimento milionário em campanhas para lá de provocativas foi realizado. Vide as fotos de Mario Testino para a Gucci em 2000, produzidas pela agora editora de moda Vogue Paris, Carine Roitfeld.
Em 2000 a Gucci pertencia a um grupo de acionistas entre eles Bernard Arnault (dono do grupo de luxo LVMH – Louis Vuitton Moët Hennessy) e François Pinault (atual dono do grupo PPR). Embora Arnault quisesse aumentar suas ações para ter mais controle sobre a Gucci, Del Sole e Ford conseguiram privilegiar Pinault, que através de negociações meio que impostas, foi aumentando seu capital dentro da empresa até tornar-se o único proprietário da Gucci em 2004.
No mesmo ano, Del Sole e Ford saíram da empresa e Frida Gianini passou a responder pela direção de criação da marca.
December 16th, 2007 at 10:09 pm
arrasou contando a história da marca, adorei! mega vai virar post no oficina! =)