Cashmere vs. Sex

Cashmere Mafia, Patricia Fields, Sex and the City 4 Comments »

Semana passada baixei os quatro primeiros episódios do seriado “Cashmere Magfia”, estrelado pela Lucy Liu. Confesso que baixei porque ouvi um monte de gente falando a respeito, dizendo que era um seriado fashionista – como é de fato, afinal o figurino é da Patrícia Fields – e que era o novo Sex and The City.

Daí que tirei uma manhã toda para assistir os episódios e tem mesmo muito do Sex and The City. Todo aquele feminismo dos anos 2000, mulheres super poderosas, com empregos excelentes, salários astronômicos, roupas incríveis, e celulares (quase todos Balckberry, diga-se de passagem) super tecnológicos e modernos. Isso sem contar que o seriado conta a história de 4 mulheres com mais de 30 anos e se passa em NY.

Pois bem, mas mesmo assim tinha alguma coisa bem diferente do seriado da Carrie, Samantha, Charlotte e da Miranda. O Cashmere Mafia era uma coisa meio Sex and the City – sem todo aquele contexto sexual quase que forte – encontra Desperate Housewives – mas sem toda aquela neurose excessiva das personagens de série e sem toda aquela coisa subúrbios, sabe?

Na verdade, eu tinha é demorado um pouco para me tocar da principal diferença entre Sex and The City e Cahsmere Mafia. Acontece que no primeiro, as personagens, todas mulheres com mais 30, super bem sucedidas, poderosas, independentes, se vangloriavam dessa posição. Não viam problema nenhum em competir de igual para igual com os homens - mesmo estando acima de muitos. Já no segundo, as personagens, todas no mesmo esquema (mulheres com mais 30, super bem sucedidas, poderosas, independentes) não gostam, ou pelo menos questionam a posição em que se encontram. É como se estar acima dos homens, serem verdadeiras guerreiras urbanas, não fosse bom, ou as deixassem em situações desconfortáveis.

E aí que eu lembrei de um post que escrevi aqui logo que terminou a temporada de desfiles internacionais para o verão 2008. Lá eu falava de uma retomada do romantismo para as coleções para o verão, deixando toda aquela grande aposta do street-style de lado.

As coleções desfiladas falam de uma maior feminilidade, mais adornos e detalhes, como drapeados e plissados. As próprias estampas – vide as flores da semana de Paris – remetiam à uma imagem de mulher mais feminina, quase que totalmente oposta à mulher guerreira-urbana.

E daí surgiu questionamentos de se essa mulher guerreira-urbana, super poderosa, bem sucedida, totalmente independente, existe. Lógico que fisicamente ela existe. Podemos fazer uma lista imensa delas. Mas será que elas estão realmente confortáveis nessa situação?

Talvez essas estéticas das coleções de verão sejam reflexos de um desejo de volta valores mais tradicionais. Afinal, a moda quando espelha uma sociedade, não reflete apenas sua imagem, mas também seus anseios. Ou talvez essa mulher guerreira-urbana, já tendo conquistado o espaço que desejava, agora quer voltar a se sentir mais frágil, romântica. Talvez ela não queira ser forte, ser uma guerreira urbana.

E é bem isso que vemos no seriado. Antes, com Sex and The City, a moda refletia determinados valores da sociedade, que exaltavam as mulheres, davam à elas mais poder e tudo mais. E tudo isso começou a aparecer lá na década de 80, quando elas começaram a usar ombreiras, trouxeram de volta o terno e isso foi se estendendo para a década de 90 e começo dos anos 2000 – lógico que com estéticas diferente. Estética essa que a gente pode ver claramente em Sex and The City.

Agora, com Cashmere Mafia, é tudo nessa onde de resgatar alguns valores deixados de lado por essas mulheres guerreiras-urbanas, e como sempre, isso pode ser visto facinho, facinho, nas escolhas inteligentes e espertos de Patricia Fields.

Kylie - In My Arms

ABOUT CLIP, Dolce&Gabbana, Gareth Pugh, Kylie Minogue 3 Comments »

 

Gente, bapho! Com PH mesmo, tá? Acabou da sair o clipe do segundo (thanks Ri) single do novo álbum da Kylie Minogue, “In My Arms”. Não sei se é minha bichice que atacou de forma aguda por se tratar de um vídeo e musica (que eu adoro btw) da Kylie, ou se é bem baphônico mesmo esse clipe. Prefiro ficar com a segunda opção.

Enfim, o clipe segue aquele estética bem 80tinha, com cores em tons flúos e tudo mais. Mas o que eu mais gostei foi o figurino. Com destaque para os looks de Gareth Pugh – o vestido post-it preto e branco, meio plastificado - e o vestido super artsy Dolce&Gabba verão 2008, na cena do ventilador.

Kylie e Gareth

Não é novidade a relação da cantora com o estilista britâncio Gareh Pugh. Depois de ver suas coleções Kylie, que foi prestigiar o estilista em seu último desfile e depois na sua festa na extinta Boom Box, o chamou para fazer todo o figurino de seus próximos shows.

A prévia pode ser vista já neste clipe. Estou achando ótimo toda esse vizibilidade que o estilista está ganhando com certas cantoras/celebridades. Só para lembrar, suas roupas também aparecem nos clipes e várias fotos da cantora Róisín Murphy.

Halston e a moda cada vez mais rápida

Halston, NY, Net-a-porter 4 Comments »

halston.jpgUm dos desfiles mais esperados desta semana de moda de NY é o do retorno da Halston, marca que foi hit entre modernos e fashionistas na década de 70. A grife, quase relançada, fechou uma mega parceria com site e e-store Net-a-Porter, que vai desde uma retrospectiva da grife até cobertura do desfile que acontece no próximo dia 4.

Mas o mais legal – e importante – disso tudo, é que no dia seguinte ao desfile, o Net-a-Porter vai vender dois looks desfilados pela Halston, com entrega para o mesmo dia se o comprador estiver em Nova Iorque ou Londres, ou em um dia para o resto do mundo.

A ação deve abalar alguns dos principais conceitos do ciclo da moda. A cada temporada de moda, o frisson que se causa em torno dos desfiles, marcas e estilistas é imenso. A velocidade e quantidade de informação que surge das semanas de moda é também assustadoramente crescente. Horas depois que um estilista aparece para os agradecimentos finais, já se pode encontrar fotos, informações e opiniões nos várias sites e blogues especializados no assunto.

Acontece que as roupas desfiladas nas passarelas de Nova Iorque, Londres, Milão e Paris só vão chegar nas lojas dois ou três meses depois, quando todo alarde da mídia já foi quase que apagado. O que dá tempo suficiente para as gigantes de fast-fashion “copiarem” as propostas em looks quase idênticos. Isso sem contar que as lojas estão pedindo por entregas cada vez mais cedo, dado a força das coleção intermediárias, como as cruise collectons.

Tudo isso está fazendo executivos da moda começar a questionar a validade das semanas de moda e toda “extravaganza” dos desfiles.

Agora com esta ação a Halston, uma marca de luxo, pode re-afirmar sua relação com o consumidor final, permitindo que alguns (dois no caso) deles possam adquirir peças logo depois que forem desfiladas. É como se aquela história de que primeiro vinham as celebridades e fashionistas e depois os consumidores. Agora, ganha que clicar mais rápido.

Amanhã o Net-a-porter já vai colocar no ar uma microsite com uma retrospectiva da Halston, com curadoria do historiador de moda Colin McDowell. O também escritor britânico vai disponibilizar uma narrativa com fotos dos arquivos da marca, passando por marcos históricos, como Jacqueline Kennedy, Liza Minelli e Lauren Bacall usando looks da grife e das modernas da épocas no Sutdio 54, clube super freqüentado pelo estilista da marca assim como por suas consumidoras mais fiéis.

Já no dia 5 de fevereiro, horas depois do desfile da Halston, o Net-a-porter vai apresentar um vídeo com entrevista do atual diretor criativo da marca, Marco Zanini falando sobre a importância da marca atualmente, além de comentários sobre a coleção para o inverno 2008. Tem também um vídeo com os melhores momentos do desfile.

ABOUT CLIP

ABOUT CLIP, George Michael 1 Comment »

Pronto, passada toda aquela insanidade de SPFW o ABOUT CLIP volta, num momentinho super fashion, super catwalk e super bafônico. O clipe de hoje é de Too Funky, single de Geoger Michael, lançado em 1992.

O figurino é todo assinado por ninguém menos que Thierry Mugler, com alguns de seus looks mais marcantes – e históricos – como o vestido motocicleta, a mulher robô, as ombreiras, cintura ultra fina, corsets… enfim, muito montação fashion. Como se isso já não bastasse o casting é arrasante – e milionário. Linda Evangelista, Tyra Banks, Beverly Peele, Nadja Auermann, Emma Sjöberg, Rossy de Palma e Estelle Hallyday são algumas das super modelos que aparecem no desfile-videoclipe.

E tem um bafo nesse filme, ou melhor, em torno do seu diretor. Reparou que no final aparece escrito “Directed by ?” ? Então, é que George Michael, encheu tanto o saco do diretor inicial (que eu não sei quem é), que chegou uma hora que decidiu ele mesmo dirigir o filme, demitindo o outro coitado. Acontece que George percebeu que não sabia dirigir e então acabou chamando outra pessoa para dirigir. E no fim, toda essa confusão acabou deixando todo mundo sem saber que dirigiu o filme. Existem várias versões rolando na internet. Algumas atribuem a direção ao próprio cantor, enquanto algumas outras dão os créditos para o figurinista, o estilista Thierry Mugler – que aparece dirigindo o desfile no making of abaixo. Agora, saber se foi só o desfile ou o vídeo todo fica difícil de dizer.



Colaboração Ricardo Kertesz

Que mulher você seria?

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Gente, a brincadeira é a seguinte: se você fosse uma mulher (mas só vale se você for menino) que mulher você seria? Mas não que mulher pessoa você seria, mas a mulher de qual marca você seria?

E se você fosse homem (agora só vale se você for mulher), que homem você seria?

Tudo começou porque estava lendo a Vogue America aqui na redação do portal SPFW quando vi a campanha da Fendi, com a Raquel Zimmerman e falei: “se eu fosse mulher super ia usar essa bolsa (era uma bolsa baguete pink). Ai começou, com todo povo aqui, tipo “se eu fosse mulher, ia ser uma mulher Maria Bonita”. Eu sinceramente não sei que mulher eu seria. Acho que seria cada dia uma, ia variar de acordo com meu humor. Afinal, ninguém se veste do mesmo jeito, sempre, né? Pelo menos não devia!

Lógico que teria minhas preferências, que seriam (vamos ser realistas, tá? E escolher marcas nacionais, que são mais acessíveis do que um Balenciaga ou Chanel) Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho e Maria Bonita de certo modo.

E você? Que mulher/homem você seria?

The 70’s are back

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Os anos 70 definitivamente voltaram. Na moda a gente vem vendo uma vontade de relembrar esta década desde as coleção gringas para o verão 2008. Nada muito literal lá, só algumas referencias, alguns elementos bem típicos desta década.

Agora, nas semanas de moda nacionais, esse clima setentinha se mostrou como uma das grandes vontades do nosso inverno 2008. Sintonia fashion ou muito olho no style.com. Difícil dizer qual dos dois, já que esse momentinho de ar boho, pantalonas de cintura alta, couro e franjas vai além da moda.

Não é novidade para ninguém que moda e música sempre caminharam juntas num fluxo contínuo, uma inspirando a outra. Pois bem, então não é surpresa que alguns dos principais lançamentos do final do ano passado e do começo deste ano estão vindo com forte referência à música dos anos 70. Vide o Fabric Live, do James Murphy, num clima super 70’s disco, ou o coletivo Hercules and Love Affair, que está fazendo um revival do glitter glamour.

Tendências?

Tudo isso põe em cheque aquela história de que se as tendências estão realmente mortas, ou elas apenas se expandiram a tal ponto que é praticamente impossível detectá-las de forma bem definida. Seriam apenas macro tendências que, ao invés de definirem exatamente o que é “in and out”, dão uma direção no “inconsciente coletivo”? Ou então, são apenas vontades soltas que estão no ar, devido a fatores sócio-culturais, que acabam sendo pegos e utilizados por artistas e estilistas?

Balanço SPFW inverno 2008

Alexandre Herchcovitch, Cavalera, Cori, Do Estilista, Ellus, Forum Tufi Duek, Marcelo Sommer, Neon, Osklen, Patricia Vieira, Reinaldo Lourenço, Tereza Santos, Zoomp 1 Comment »

Demorei, mas cheguei. Aí vai um balanço desta última edição do SPFW. O texto é quase o mesmo - só com algumas modificações e coisinhas a mais - do que eu escrevi para o site do SPFW. Mas de agora em diante, o blog volta ao normal!!!

Fotos Agência Fotosite

Ao fim de toda temporada de moda já de praxe os jornais, revistas, sites e blogues especializados publicarem uma lista das principais tendências da estação. Acontece que ultimamente as listas estão cada vez maiores. E quando o comprimento do vestido pode ser tanto longo como curto, quando a silhueta é justa e também solta, fica difícil dizer o que é ou não tendência. É o declínio das tendências de moda. Afinal, hoje em dia é muito mais importante olhar para o universo criativo de cada estilista, para o DNA das marcas, do que para as grandes tendências. Deixa isso para as redes de fast-fashion, eles já fazem isso super bem.

Lógico que não podemos descartar os desejos de uma temporada, quase sempre envolta de temas comuns. Mas aqui também esses mesmos temas acabam se tornando múltiplos. Nesta temporada vimos duas frentes bem forte, os anos 70 e uma vontade country, muito bem reinterpretada por, principalmente três estilistas. Marcelo Sommer, na Do Estilista, Alexandre Herchcovitch em sua linha masculina e Reinaldo Lourenço, trabalharam, cada um dentro de seu próprio universo referências da estéticas cowboy.

Alexandre Herchcovitch, que já havia trabalhado com o tema há muito tempo atrás, adapta toda a estética e elementos countries para seu próprio universo, com destaque para sua impecável alfaiataria. É como se fosse puro Herchcovitch;Alexandre com perfume country. Todos os elementos do tema são milimétricamente re-editados para o estilo do estilista, com aquele toque meio dark, pesado, quase underground.

Todo esse universo cowboy não é novidade para Marcelo Sommer, que sempre utilizou elementos countries em seu trabalho. Agora, volta com tudo com suas botas de cowboy coloridas, muito xadrez e cores bem quentes, numa de suas coleções mais autorais para sua nova grife, Do Estilista.

Reinaldo Lourenço dá um toque de romantismo para tudo isso, levando essa onde faroeste para um clima quase de cabaré, com vestidos acinturados ricos em detalhes, como rendas e brocados.

Outra grande vontade de temporada é esse clima anos 70, que apareceu forte em muitas coleções deste SPFW. O ar boho, pantalonas de cintura alta, bolsonas de couro – algumas com aspecto envelhecido – camurça, e muitos acabamentos em franjas, são alguns dos principais itens que marcam o retorno desta década para o inverno 2008. Entre as várias marcas que trabalharam a estética se destacam Tereza Santos, apostando agora também no couro, além do seu ótimo trabalho com tricô. Na coleção mercem destaque aquelas peças que parecem ser de pele, mas que na verdade são fios de lã, que recebem tratamento especial.

A Cori, agora sob direção criativo de Dudu Bertholini e Rita Comparato, também vem com esse quê 70, apesar de ter muito dos anos 80 na coleção. Relembrando e re-editando clássicos da marca, a dupla consegue rejuvencer a mulher Cori, que apesar de um pouco diferente em seu estilo, continua com a mesma essência. Afinal, quando os diretores de uma grife muda, é praticamente impossível não haver mudanças.

E Patrícia Vieria, com seu sempre incrível trabalho com couro, é outra que aposta forte nesse momentinho 70, que começou aparecer lá trás, nos desfiles internacionais para o verão 2008.

Provando que essa história de tendências não está com nada, muitas outras marcas também foram destaque deste SPFW sem se encaixar em nenhum desses dois grandes grupos. É o caso da coleção feminina de Alexandre Herchcovitch, toda racional e matemática. Focado no trabalho de modelagem, o estilista adapta formas geométricas no corpo feminino, alterando as proporções e formas do corpo, sem perder a feminilidade e sensualidade.

E por falar em Alexandre Herchcovitch, sua estréia de volta na Zoomp também marcou esta edição do evento. Com casting bombado – com direito à Isabeli Fontanta, Carol Trentini e a canadense Coco Rocha -, a Zoomp volta focada no jeans, peça que era hit da marca tempos atrás, retomando seus fundamentos que deixaram a grife conhecida. Ao meu ver, foi um dos melhores desfiel deste SPFW. A marca consegue trazer roupas super usáveis – vai vender feito água -, sem perder aquele quê fashion, sem perder informação de moda, sem perder o diferencial e cair em chatices comerciais.

Danielle Jansen, na Maria Bonita, aposta no cardigan como peça chave de sua coleção. Lá descontrói e reconstrói a peça com estampa argyle, alternado suas proporções, transformando-a em vestido, macacão, saia e até calça. Sou bem fã da marca. Adoro o trabalho de desconstrução e as experiências com proporções que sempre marcam o trabalho de Danielle. Assim como o uso de tecidos sintéticos (impermeáveis), agora misturado com a lã natural.

A dupla da Neon, olha para os anos 50 – mas sem tirar o pé dos 80 – para apresentar sua coleção para o inverno 2008, que mistura peças de alfaiataria, com hits clássicos da marca, como os maiôs – que agora ganha versão em tricô, as calças de cintura alta, modelagem ampla e as famosas estampas.

Lino Villaventura, comemorou 30 anos de carreira com desfile super dramático. Agora apostando em tons escuros, mostrando um verdadeiro mostruário de todo trabalho artesanal que sabe fazer tão bem.

A Osklen também foi um dos destaques desta edição, mostrando vontade de se internacionalizar. Sem esquecer de onde vieram, a marca evolui daquela estética praiana, natural e bem esportiva, e aposta num visual mais urbano, focado na noite de grandes cidades como Tóquio, Nova Iorque e São Paulo.

E para terminar, esta temporada foi marcada por desfiles externos memoráveis. Logo no primeiro dia a Forum Tufi Duek apresentou sua coleção no jardim da casa do próprio estilista. Locação perfeita para a coleção inspirada nas rosas, mostrando looks extremamente elegantes e sofisticados.

A Ellus também armou um mega desfile, com direito até trem. A apresentação aconteceu na Estaca Julio Prestes, no centro de São Paulo. Foram 120 modelos, que saíam todas de um vagão de trem, e caminhavam por uma passarela longuíssima, marcando uma nova fase para a grife que foi recém comprada pelo grupo Inbrands.

O mais marcante talvez seja o da Cavalera, que aconteceu às margens do Rio Tietê. O desfile, um dos melhores da grife nas últimas temporadas, também serviu de protesto contra as atrocidades que os seres humanos estão cometendo mundo afora. É mais um manifesto contra a vida sem respeito, sem educação e sem justiça. A coleção, agora com direção criativa de Marcelo Sommer, vem com mote anti usina nucleares, brincando com a questão de mutações devido a exposição a materiais radioativos. Daí vem as sobreposições e justaposições de tecidos, os recortes e as proporções inusitadas.

No geral um temporada bem ok, sem muitas surpresas, mas também sem muito desapontamentos. Algumas marcas mostrando sinais de mudanças, assim como em todo cenário da moda nacional, graças a presença, cada vez forte – e com tudo para crescer – dos grupos gestores.

Post diário

Vivienne Westwood 7 Comments »

Não, ainda não vou comentar nem falar nada sobre os desfiles e as coleções deste SPFW. Mesmo porque tenho feito isso o dia todo, e quando chego em casa já de madrugada não tenho mais forças, nem ânimo algum para falar disso. Mas hoje o dia foi especial, e resolvi fazer um esforço para dividir isso aqui.

Acho que todo mundo já sabe que Vivienne Westwood está em São Paulo, por conta de um exposição de sapatos no SPFW e também pelo lançamento de dois sapatos seus na Melissa. Pois bem, não sei se todo mundo conseguiu ler lá no site do spfw, mas hoje rolou uma entrevista com ela, e fui eu quem teve a sorte, e honra, de entrevistar a grande dama da moda.

Eu já estava sabendo desta entrevista desde o começo da semana, e desde o primeiro segundo que o André Rodrigues, editor do site, e a Duda Schneider, decidiram que eu que iria fazer a entrevista, fiquei mega tenso. Mas com tanta correria acabei esquecendo rapidinho.

Isso até ontem quando vi Ms. Westwood em si na bienal. Foi bem assim, a porta da expo dela abriu (ela estava dando uma entrevista para o GNT Fashion) e de repente vi a cara dela lá dentro. Na hora me deu meio que um frio na barriga, tinha tanta gente atrás dela, tipo uma peregrinação mesmo, que acabou passando.

Enfim, quando estava voltando para casa ontem de noite, a ficha começou a cair de verdade. No dia seguinte eu ia estar sentado cara-a-cara com a pessoa que praticamente inventou o punk!

Desespero total, né? Cheguei em casa e peguei todas as revistas que eu tinha com entrevistas dela e comecei a ler uma por uma. Depois fui para internet ler o manifesto dela (que eu achei bem interessante btw), e depois o prefácio que ela escreveu para o livro de Lílian Pacce, e suas entrevistas no mesmo livro.

De madrugada já tinha a entrevista quase toda pronta na minha cabeça. Coloquei meio que um rascunho no papel e fui dormir. Dia seguinte acordei mega agitado, fui direto para o computador para botar a entrevista em ordem e ir para bienal. Chegando lá uma conversinha com o André, editor do site, e já era hora de ir para o Emiliano, hotel onde ele estava hospedada.

Chegando lá bateu uma mega ansiedade, nervosismo e medo, com direito até a uma mini tremedeira. Isso foi até a hora que eu entrei no quarto dela para entrevista. Ou melhor até começar a falar com ela.

Nos cumprimentamos, me apresentei e comecei logo a entrevista, sem muita enrolação. Logo na primeira pergunta, sobre seu manifesto, vi que ela começava a falar e parava. Fazia cara de concentrada, pensando numa resposta. Até que pediu um minuto porque tinha muitas luzes acesas e isso estava atrapalhando ela. “Não preciso de tanta luz”.

Depois de levantar e ir apagar as luzes que a incomodavam, sentou-se na minha frente, mas o mesmo problema aconteceu de novo. Eu comecei a ficar bem tenso, achando que minha pergunta tinha sido má feita, ou que ela não tinha gostado etc. Até que ela virou para as duas assessoras de imprensa da Melissa e pediu para elas irem passear. Assim mesmo. Pois bem elas foram e só ficamos eu, ela e sua assessora internacional. Que a pedidos de Vivienne ficou bem atrás dela, onde ela não podia a ver.

Daí para frente a entrevista fluiu perfeitamente. Vivienne Westwood se mostrou uma pessoa super simpática, fofa e com uma mente incrível e super inteligente. Saí meio catatônico de lá. Primeiro por ter falado, assim tête-à-tête com ela. Depois por que entrevista foi super cerebral, com ela discorrendo sobre seu manifesto, formas de arte, cultura, marxismo, idéias políticos e, como não podia faltar, moda. Mas moda relacionada a tudo isso. Enfim, foi incrível.

A entrevista está toda aqui.

Correria maluca

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Gente, desculpas again. O SPFW está mais corrido do que eu imaginava, estou ficando aqui na Bienal até bem tarde, tipo madrugada mesmo. Chego em casa podre e como tenho que acordar bem cedo no dia seguinte, vou direto para cama. Mas prometo que todo tempo livre que eu arranjar eu escrevo alguma coisinhas aqui. Por enquanto vocês podem acompanhar a cobertura pelo site do SPFW.

Como ele é novo, está cheio de probeliminhas técnicos. Por exemplo, minhas matérias estão saindo sem assinatura, mas todas as análises de desfiles que estão na seção FWNews foram escritas por mim.

É isso, volto assim que tiver um tempinho!

Atrasado

. NOTAS . 4 Comments »

Gente, mil desculpas pelo atraso. Esses últimos dias tem sido pura correria na minha vida. Estou saindo todo dia mega tarde aqui do site SPFW, e depois nem tenho mais força ou ânimo para fazer qualquer outra coisa, afinal também tenho vida pessoal, né? E também tem outra coisa, as coleções do Fashion Rio não estão nada animadoras. Como disse o querido Oliveros, quando o melhor desfile é da Redley – sem desmerecer a marca, mesmo porque o inverno 2008 foi incrível -, tem alguma coisa bem errada acontecendo.

Eu até pensei em falar um pouco do Fashio Rio, mas estou mesmo bem sem tempo, e também estou achando as matérias vão ficar bem “frias” porque os desfiles já acabaram no sábado e todo mundo já falou deles de alguma maneira. Enfim, vamos falar então do quem pela frente. Como todo mundo já sabe, quarta feira começa o SPFW. Na verdade, começa na terça com desfile de formandos do Senac-SP. Nesta além de matérias para o próprio site do SPFW, o About Fashion fechou pareceira com FWBlog, onde irá publicar todos os posts relacionados ao evento, desde notinhas, artigo e, claro, as análises de desfiles. Prometo que vou ser mais disciplinado, e nem que tenha que virar a noite, vai ter posts sempre, tá?

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