Os anos 70 definitivamente voltaram. Na moda a gente vem vendo uma vontade de relembrar esta década desde as coleção gringas para o verão 2008. Nada muito literal lá, só algumas referencias, alguns elementos bem típicos desta década.
Agora, nas semanas de moda nacionais, esse clima setentinha se mostrou como uma das grandes vontades do nosso inverno 2008. Sintonia fashion ou muito olho no style.com. Difícil dizer qual dos dois, já que esse momentinho de ar boho, pantalonas de cintura alta, couro e franjas vai além da moda.
Não é novidade para ninguém que moda e música sempre caminharam juntas num fluxo contínuo, uma inspirando a outra. Pois bem, então não é surpresa que alguns dos principais lançamentos do final do ano passado e do começo deste ano estão vindo com forte referência à música dos anos 70. Vide o Fabric Live, do James Murphy, num clima super 70’s disco, ou o coletivo Hercules and Love Affair, que está fazendo um revival do glitter glamour.
Tendências?
Tudo isso põe em cheque aquela história de que se as tendências estão realmente mortas, ou elas apenas se expandiram a tal ponto que é praticamente impossível detectá-las de forma bem definida. Seriam apenas macro tendências que, ao invés de definirem exatamente o que é “in and out”, dão uma direção no “inconsciente coletivo”? Ou então, são apenas vontades soltas que estão no ar, devido a fatores sócio-culturais, que acabam sendo pegos e utilizados por artistas e estilistas?
January 25th, 2008 at 3:22 pm
luigi, parabéns pela inteligência do texto e pela coragem de trazer um pensamento mais abstrato e científico para o espaço da moda!
há uns meses ouvi numa entrevista com a glória kalil uma teoria interesante, da “inversão da pirâmide”. segundo ela, a moda até os anos 50 teria sido uma pirâmide como conhecemos, daí que a tendência (singular) partia de cima e quem as adotasse estaria sob a luz da moda; aos outros, a breguice. graças aos atuais velhinhos, nos anos 60 a pirâmide inverteu, a tal ponto que hoje ela viria das ruas (antes a base do sistema) e influenciaria as classes mais altas.
acho esse comentátio pertinente à sua digressão sobre as tendências de hoje (no plural!). acredito que talvez nã vivamos ma pirâmide ao contrário (glória que me desculpe), mas con certeza a influência popular e mais metropolitana fez com que as peças ícones da moda (a saia a exatos 40 cm do chão de dior, o sapato X da cor Y a ser usado…) fossem desaparecendo ao passo que as marcas apostaram bem mais em um estilo de se vestir do que a peça a ser usada (tome-se isso a doses homeopáticas).
temos provas hoje de que isso deu certo, prosperou e atualmente podemos ter visualisações bem mais sociológicas andando pelas ruas, sem falar no ganho de conhecimento das pessoas, que podem ser seu próprio estilista de acordo com o enorme repertório que o mercado oferece.
por isso e muito mais, palmas ao tema da última SPFW e a diversidade! e obrigado por dar espaço aqui a esse tipo de reflexão!