oscar, tapete vermelho e figurino

Across the universe, Desejo e Reparação, Elizabeth, Figurino, Oscar, Tapete Vermelho 6 Comments »

Ontem teve Oscar, acho que todo mundo já deve estar sabendo, né? Achei a cerimônia em geral bem fraquinha em comparação aos eventos anteriores e principalmente à edição passada. Esta que foi a 80a edição, pretendia (ou deveria, em tese pelo menos) se super comemorada, afinal são 80 anos de Academy Awards.

picture-1.pngMas não. A festa e apresentações foram bem fraquinhas mesmo, sem nada de mais, com piadas quase que sem graças, sem grandes atrações. Talvez o motivo tenha sido todo aquele problema gerado pela greve de roteiristas que deixou todo mundo morrendo de medo de não ter cerimônia nenhuma e os vencedores serem anunciado numa conferência, tipo o Globo de Ouro.

Até o tapete vermelho – que eu já falei aqui – foi mais fraco, sem nenhum vestido realmente incrível, digno de entrar para a história do tapete vermelho. Tiveram bons looks, como o de Cameron Diaz (um dos meus preferidos), Hedi Klum e Lanvin de Tilda Swinton, que na minha opinião foi O vestido desta edição. A atriz nunca tinha sido nomeada ao Oscar (e ganhou o prêmio por melhor atriz coadjuvante) – não sei se ela já tinha ido a cerimônia antes, mas acho que não – e arrasou com um vestido que apesar de preto, cor meio coringa, se destacou de todos os outros pela simplicidade, assimetria e informação de moda.

E já que o blog é de moda vamos ao prêmio que tem mais a ver: o de melhor figurino. Quem ganhou foi Elizabeth – The Golden Queen, o que já era super previsível, já que o Oscar tem tradição de premiar figurinos históricos. Confesso que ainda não assisti ao filme, mas pelo pouco que vi em trailers e fotos, o figurino é realmente incrível.

Mas já deu, né? O primeiro Elizabeth já ganhou o prêmio de melhor figurino, ano passado foi Maria Antonieta e agora Elizabeth de novo. Não desmerecendo as prêmios, pois todos os figurinos são impecáveis, não só em questão estética mas em adequação ao contexto do filme e da época em que a história se passa.

picture-2.png

Mas será que não é hora de mudar um pouco? O Across The Universe, outro concorrente ao melhor figurino (meu favorito) que tem muito mais a dizer do que Elizabeth. Não só por ser menos datado, mas por expressar muito mais a mensagem do filme e de seus personagens. As roupas do filme comunica-se muito mais com o público do que em Elizabeth, onde as roupas não saem dali, ficam presas naquela década.

Em Across The Universe, ou até mesmo em Desejo e Reparação – que também concorria ao prêmio, junto com Sweeny Todd e Piaf – o figurino tem uma linguagem muito mais real e com apelo para a realidade de hoje. Por mais de época que Desejo e Reparação seja, seu figurino tem uma força e uma capacidade de ser adaptado para a vida real imensa, ao mesmo tempo que faz todo o sentido dentro do contexto histórico e narrativo do filme.

propaganda não,…

Kate Moss, YSL No Comments »

Propaganda!

Impressões #1

inverno 2008 No Comments »

Super atrasado com os posts aqui. Não esqueci, muito menos abandonei o blog não. Só estou passando por um pequeno grande problema de tempo e para ser bem sincero também meio que de sem saber o que postar.

É que as minhas análises de desfiles que sempre fiz aqui agora estão subindo direto no portal SPFW. Todos os destaques das semanas de moda do planeta fashion estão lá, e a maioria assinada por mim.

Então ao invés de falar sobre os desfiles em si, resolvi falar agora um pouco do mood que está surgindo nesta temporada de moda. O primeiro, que começou a aparecer na NY Fashion Week, ficou um pouco quieto em Londres e agora voltou bombando em Milão é esse clima retro, austero.

recessao.png

Looks Dolce&Gabbana e Burberry

Quando vejo coleções como a da Dolce&Gabbana – que sempre prezou por roupas super sexy e luxuosas - que aconteceu ontem (21/2) em Milão entrando de cabeça nessa onda fica claro que a festa acabou. É meio como se a moda estivesse temendo ou antevendo um período de recessão. Até porque esteticamente, as cores, tecidos e formas das coleções que cabem neste grupo lembram muito os utilizados em tempos em que a economia global andava em baixa – tipo as grandes guerras.

Não há nenhuma dessas acontecendo agora, tudo bem que tem todo o problema do Iraque, Oriente Médio, Quênia e tudo mais, mas não chega a ser como as grandes guerras – não desconsiderando as gravidades dela -, mas isso já começa a abalar os “donos” do dinheiro. Aí quando se soma as eleições americanas, a crise financeira lá e o baixíssimo dólar, já dá para entender um pouco o que está sendo mostrado nas principais passarelas do mundo.

Não é o fim do glamour, mas apenas uma mudança na forma como o percebemos. As roupas continuam sofisticadas, continuam com seus preços exorbitantes, mas a estética é outra. Mas será que é uma grande mentira essa preocupação, já que o que mudou aparentemente está só por fora?

rural.png

Diane Von Furstenber

Junto com isso vem aquela vontade meio campestre. Não vou falar que as roupas são bucólicas ou para uma mulher rural, porque isso simplesmente não exsite, ou melhor, não é verdade. As roupas são feitas para as cidades, onde são de fato usadas.

Mas não podemos ignorar que tudo remete à uma imagem mais campestre, mais country side. E isso foi bem forte na temporada de NY, principalmente nas coleção de Diane Von Furstenber, Oscar de la Renta e Proenza Schouler por exemplo.

Enfim, ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre as coleções apresentadas até agora, mesmo porque a temporada ainda não acabou. Mas estas são as principais impressões “so far”.

Fotos por Marcio Madeira

LFW - em links

Gareth Pugh, Giles, London Fashion Week, Roksanda Ilincic, inverno 2008 2 Comments »

Acabei não postando os destaques da LFW ontem, porque todos acabaram virando matérias para o site do SPFW. Então, invés de ficar re-publicando o mesmo texto aqui, achei melhor dar links para as matérias.

O primeiro e maior destaque na minha opinião foi Gareth Pugh, o novo enfant terrible, com sua coleção Predador encontra O Mágico de Oz. Vale a pena prestar atenção de como o estilista está evoluindo, refinando seus looks sem perder seu estilo tão característico.

Teve também o desfile gótico-romântico de Giles e a as formas arquitetônicas inspiradas nas formas de Niemeyer de Roksanda Ilincic target=_blank.

Passa lá.

LFW - o melhor do terceiro dia

Christopher Kane, Duro Olowu, Krystof Strozyna, London Fashion Week, Marios Schwab, inverno 2008 1 Comment »

Primeiro foram os micro vestidos ultra justos de tiras elásticas em cores fluo que conquistaram os principais editores e jornalistas de moda do mundo. Depois com os vestidos bem estruturado em veludo e couro, Christopher Kane confirmou seu posto como queridinho número 1 da moda.

Na coleção passada (verão 2008) resolveu arriscar e mudou quase que por completo a imagem de sua mulher. Ao invés dos curtos, justos e estruturados, entram formas soltas, leves e que não marcam muito o corpo feminino. E mesmo assim continuou agradando o planeta fashion.

Para o inverno 2008 o estilista continua apostando nas formas mais soltas e agora até que bem simples, se não fossem os trabalhosos (e complicados) e delicados adornos que decoravam suas roupas. Num mix de referências que acabam sempre apontando para um caminho mais romântico Kane começa trabalhando com tricô, com maxipulls, vestidos meio poncho de lã e capas. Logo em seguida entram os mesmos tricô só que agora com aplicações de metais, fazendo as malhas parecerem armaduras.

Quase que junto entram os looks paetizados – com patês gigantes - com bom jogo de sobreposições. Primeiro sob as peças de tricô e depois em vestido, saias e blusas de chiffon.

Marios Schwab tem verdadeira fascinação pelo corpo humano. Fato este que pudemos constatar facilmente já na última coleção (verão 2008), quando o estilista afastou, abriu e removeu tecido de suas roupas para revelar o interior do corpo humano estampado numa segunda camada. Agora, no inverno 2008, ao invés de abrir, Schwab fecha o corpo com seus vestidos longos (até o tornozelo), de gola alta e justos, que de tão apertados e fechados acabam deixando ainda mais em evidências as formas e contornos do corpo feminino.

Numa verdadeira aula de proporção, no sentido de re-educar o modo com nos vemos e acreditamos o modo como as proporções devem ser, o estilista mantém a mesma forma e modelagem ao longo de todo o desfile apenas modificando os tecidos estampas e recortes, o que acaba dando a impressão de formas diferentes.

Os vestidos bem justos e compridos ainda vinham com recortes, obra mais controlados, ora com ares detonado revelando jeans, estampas – assinadas pelo artista Tom Gallant – e até pedaços de tecidos que pareciam brotar para fora dos vestidos.

Bom ver a coragem do estilista em apresentar uma coleção tão comercial numa época onde o comercial, a necessidade de vender é tão grande. E por falar em vendas, Schwab mostrou boas opções de casacos sobretudo que podem facilmente chegar a seus consumidores finais sem nenhuma dificuldade.

E já que falei em estampas também vale ressaltar a boa coordenação desta que Duro Olowu apresentou em sua coleção para o inverno 2008. O estilista de origem africana sempre trabalhou muito e muito bem com estampas, mas nessa coleção chega a sua excelência. As referências étnicas nunca caem em clichês e são aplicadas de forma inteligente em roupas de modelagem moderna, que acabam perdendo um pouco de sua austeridade pelo bom mix de cores vibrantes das estampas de Olowu.

Outro destaque foi a estreante Krystof Strozyna. O estilista se viu sob os holofotes da moda ano passado no seu desfile de formatura da Central St. Martin, e depois de ter ganho o prêmio e patrocínio do projeto New Generation da Top Shop. Strozyna ficou bem conhecido por seus acessórios oversized em plástico que na coleção aparecem na forma de algemas bem grandes complementados os looks futurista de sua coleção.

Mixando experimentalismos naturais de um estudante de moda com boa modelagem e um estilo sofisticado, o estilista se foca em vestidos, no geral mais próximos ao corpo, com formas meio estruturadas e muito recortes. Lembra um pouco o trabalho de Roland Mouret e um tico de Alaïa e Mügler. Vale a pena ficar de olho nele.

LFW - de olho no futuro

Biba, John Rocha, London Fashion Week, Louise Goldin, inverno 2008 No Comments »

E se os estilistas da semana de NY olharam para o passado, os de Londres definitivamente estão olhando para o futuro. Bom, pelo menos Louise Goldin está. A recém formada pela Central St. Martin está em sua segunda coleção solo, mas ainda como integrante do projeto New Generation – o patrocínio que a Top Shop oferece para os novos e promissores estilistas britânicos.

Sua coleção para o verão 2008 foi uma das mais comentadas da London Fashion Week (LFW), fazendo com que a estilista se tornasse queridinha dos principais editores de moda do mundo. Mas não só pelo hype. Goldin sabe trabalhar com o tricô como poucos. Sua escola também não foi fraca além da St. Martin, a estilista já foi assistente de Tereza Santos, estilista brasileira também muito conhecida com seu trabalho com tricô.

Agora a assistente virou mestre. Já na coleção passada, surpreendeu ao mostrar vestidos deste material com aspecto levíssimo que pareciam tudo, menos tricô. Para o inverno Goldin decida mudar as coisas um pouco, afinal já que o frisson era tanto em torno do seu nome, era preciso causar um certo impacto. E foi o que vez.

Ao invés das formas mais soltinhas e das cores fortes do verão 2008, o inverno vem escuro e mais estruturado. O ponto de partida são os Inuits, ou esquimós e tecnologia. Inspiração que fica bem clara nas estampas. Os motivos são típicos dos esquimós, mas Goldin as estoura, como que pixelando-as, do mesmo jeito que acontece quando ampliamos uma imagem no computador.

A silhueta desta coleção é justa, respeitando e marcando bem as formas do corpo, vide os vários macacões que lembram bem aquelas roupas térmicas de mergulho. Mas o que mais chama atenção são as peças meio armaduras boticas, ou elementos disso que estruturam os ombros – quase sempre arredondados – dos bons vestidos de tricô da estilista.

Outro destaque da semana de Londres que ainda está em ritmo fraquinho, de começo, foi John Rocha. Focado na alfaiataria, trabalha bem coordenando cores. O estilista sempre gostou de trabalhar com preto e branco, mas agora injeta cores bem fortes, como violeta, azul e principalmente laranja. Sobreposição de camadas também aparece bem na coleção, sempre trabalhando com a dualidade de peças mais justas ao corpo com outros mais amplas, vide as saias evasês ou semi-godê.

A Biba, marca londrina que viveu seu auge nos 60 com o Swingin London, dá um up no seu estilo nesta sua terceira apresentação desde sua re-abertura. Agora sem Bella Freud na direção criativa, a criação passa a ser assinada por um coletivo de jovens estilistas britânicos recém formados.

Para o inverno 2008 o clima é de noite, glamour e sofisticação. Com um leve perfume de anos 20, a silhueta varia entre vestidos bem soltinhos que caem sem marcar o corpo, ou peças mais estruturadas, que aí já marcam a cintura e ressaltam os ombros – as vezes meio pontiagudos e angulares. Os tecidos são nobres, com destaque para as organzas que ganham vários babados e drapeados. Os ornamentos ficam por conta de chapéus e aplicações de paetês e plumas.

NY Finale

Calvin Klein, Marc Jacobs, NY Fashion Week, inverno 2008 No Comments »

Super atrasado com os posts de Nova Iorque, eu sei… É que decidi tirar o fim de semana de folga total, já que semana passada deveria ter sido de férias e eu meio que não parei. Mas enfim, vamos lá para não começar encavalar mais do que já está encavalado com trabalho e outras coisas.

Para ir mais rápido vamos direto ao que interessa: a semana de NY foi marcada por coleções bem fraquinhas que olharam basicamente para o passado, apresentando versão calcadas em épocas passadas, sem ter aquele apelo de novidade que a moda tanto preza. Outra coisa que apareceu aos montes foram as estampas, principalmente as corridas, sempre num estilo meio retro. E teve também uma coisa meio campestre, mas também com clima antinguinho.

Essa onda vintage/retro/antiga/velha também pegou uma das coleções mais aguardadas de toda a semana, de Marc Jacobs. Desfilando em novo horário, e por incrível que pareça (pelo menos foi o que eu li) sem seu costumeiro atraso gigante, o inverno 2008 de Jacobs vem bem mais calmo que seu verão, mas nem por isso menos bom.

Olhar para o passado e usar um estilo retro não é novidade para o estilista, que de certo modo sempre fez isso em seus trabalho. E agora que isso virou meio que “tendência” Jacobs tem um prato cheio. A década para que olha e usa de referência é basicamente os anos 80, mas sem caracatices, misturando com um leve toque anos 30 e mais leve ainda de anos 20 – talvez resquícios da sua última coleção.

Mas o foco mesmo estava no sportwear, principalmente pelos tecidos que Jacobs escolheu para sue inverno 2008, com muito moletom, veludo, plush e até feltro. A silhueta predominante é casulo, que aparece em muitos casacos – a maioria mais estruturados -, peça chave da coleção, junto com os vestidos mais soltinhos.

Não faltaram também trabalhos em modelagem, desconstruções e as clássicas sobreposições de camadas que sempre marcam os desfile da marca. A cartela de cores, com muito tons pastéis e neutros também foi muito importante para trazer esse espírito de calma desta coleção.

Mas para mim o melhor desfile e coleção de toda NY Fashion Week é de um brasileiro. Ok, de um brasileiro numa marca super americana – a Calvin Klein. Ao invés de ficar preocupado com o passado, tentando recriar looks super datados, o Francisco Costa pegou tudo o que a marca é conhecida, o que sabe fazer melhor e apresentou uma coleção totalmente dedicada ao futuro, e se isso é pretensão de mais, pelo menos bem de acordo com o presente e com os desejos da mulher atual.

Que a Calvin Klein sempre prezou por uma estética minimalista não é novidade, muito menos que Costa vem fazendo um excelente trabalho em prezar tais conceitos. O inverno 2008 tem como principal foco a alfaiataria, de linhas puras, agora com formas bem estruturadas quase que espelhando as formas do corpo feminino. E ao mesmo tempo que Costa dá quase que solidez para as roupas, não esquece que embaixo delas há uma mulher, e ressalta suas curvas e desenhando, ou melhor, esculpindo seu corpo, como uma verdadeira obra arquitetônica.

NY Day #6

Ana Sui, Marchesa, NY Fashion Week, Zero Maria Cornejo, inverno 2008 No Comments »

Diazinho fraco esse sexto da NY Fashion Week. Dia com coleções bem fracas e decepcionantes, principalmente quando a gente leva em conta que era um dia cheio de novos estilistas e marcas americanas. Jovens mas que porém apresentaram coleções calcadas no passado, sem se quer tentar adaptar tais looks para a realidade atual ou a mulher do presente. Foi o caso da 3.1 Philip Lim e Derek Lam.

Por falar nisso, reparou que esse clima retro, looks meio caretinhas, com ar bem antigo mesmo, está meio que dominando as passarelas de NY? Apareceu muito, mas poucos forma os que souberam trabalhar isso de maneira inteligente, adaptando as formas, estampas e referências para uma mulher atual, sem deixar as roupas com cara de look “velha”.

O melhor exemplo disso foi Anna Sui. A estilista que ficou conhecida nos anos 80 sempre trabalhou tendo como ponto de partida um certo período da história. Mas sem nunca deixar suas roupas ficaram taxadas de retro caricata, Sui, amante da cultura pop, sempre consegue deixar sua marca (sempre caindo pro lado do punk, dark e divertida), qualquer que seja sua referência.

Para o inverno 2008 Sui parte não de uma, mas de várias referências históricas e étnicas, como a idade média, o artista plástico Gustav Klimt, velho oeste, art noveau e índios americanos. Continua a clássica coordenação de cores e estampas, assim como formas agora, misturando kaftans meio indígenas, nas blusas mais femininas, nos coletes mais justos e nas peças em tricô bem coloridas.

Quem também mostrou alguma evolução foram as meninas da Marchesa. A marca é queridinha das celebridades e figurinhas certas nos red carpets americanos. Talvez e porque o marido de uma das estilistas é ninguém menos que Harvey Weinstein, poderoso homem de Hollywood e um dos sócios dos estúdios Miramax. Mas como a greve dos roteiristas – que acabou hoje – estava ameaçando toda a cena do tapete vermelho, Georgina Chapman e Keren Craig apresentaram boas versões para uma festa (do Oscar) que promete ser marcada por looks mais simples, sem toda aquela extravagância que estamos acostumados.

Sem perder a sofisticação as meninas diminuem as decorações em seus clássicos vestidos longos, apresentando apenas alguns extremamente rebuscados, como os que fecham o desfile, com muitos fuxicos e plissados. Fora isso, adornos e aplicações se restringem a áreas limitadas como ombros, barras ou cintura. A maioria dos longos fica no famoso e certo estilo coluna, apenas com alguns drapeados caindo reto sobre o corpo. Bom mesmo, foram as boas versões de vestido curtos (cocktail dresses), que contém todo o glamour do tapete vermelho, mas podendo ser usado facilmente em qualquer outra situação.

Outro destaque da coleção foram os looks com referências do universo masculino – adorei o macacão com lapela de blazer -, resultado da inspiração na figura da rainha Elizabeth I. Foi bom ver as estilistas, que sempre trabalharam com referencias super femininas, se aventurando por novas áreas e sem perder seu estilo, adaptando tudo para o próprio universo.

Zero Maria Cornejo é outra marca que também merece destaque. Outra coisa que tem aparecido bastante nessa temporada, e que tem um pouco a ver com essa onde retro, é a sobriedade das roupas, para mulheres sérias, que precisam mostrar um certo respeito e atitude. E é justamente isso que a coleção para o inverno 2008 de Cornejo fala. Mas sem deixar de lado alguma extravagância – se é que é essa a palavra certa -, ou então sem perder o apelo de novidade e adornos que no fim, fazem toda a diferença.

Não só pelas cores vibrantes que a estilistas aplicou nos looks de alfaiataria em tons mais escuros, mas também pela riqueza de detalhes e acabamento de suas roupas, como pregas, dobraduras e até acessórios como cintos ou faixas ajustando ou afrouxando os looks.

NY Day #5

Marc by Marc Jacobs, Matthew Williamson, NY Fashion Week, Narciso Rodrigues, Rodarte, inverno 2008 1 Comment »

O quinto dia da NY Fashion Week foi um dos melhores até agora. Acho que principalmente pela quantidade de bons desfiles que aconteceu na última terça-feira (05/02). Sem sombra de dúvidas entre os quatro grandes destaques do dia, o maior foi da Rodarte. Marca das irmãs californianas Kate e Laura Mulleavy, que chegaram em NY em 2005 e agora está na sua quinta apresentação nas tendas do Bryant Park.

Assim como ma coleção passada o tema do inverno 2008 vem do Japão, misturando a tradição Kabuki (forma de teatro japonês, conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquiagem usada por seus atores) com os filmes de terror japoneses. Daí vem a cartela de cores sombria, onde prevalecem os tons de preto e vermelho sangue que sucedem uma série de cores mais suaves, como branco, lavanda e rosa. Pode até ser que toda essa estética gótica, com as tramas do tricô parecendo rasgadas, os sapatos super dramáticos de salto bem alto e espinhos na pontas, marque mais a coleção.

Mas o que mais chamou atenção foi o excelente trabalho artesanal e na utilização e tratamento de tecidos que as irmãs Mulleavy apresentaram, com destaque para os looks em tricô e tweed, alguns com aspecto detonado, outros com tramas cores diferentes e até com aspecto de primitivo. A mistura de tecidos de diferentes texturas, acabamentos e tratamento mostram que as meninas sabem onde estão pisando, evidenciando a rápida evolução no seu ainda jovem trabalho. Ao mesmo tempo que injetam novidade, conseguem manter seu estilo e identidade forte. As saias volumosas e rodadas, os tecidos finos e nobres e até um certo ar de feminilidade e romantismo, mesmo numa coleção onde o gótico fala mais alto.

Cores fortes e muitas estampas sempre marcaram o trabalho do inglês Matthew Williamson, que desde 2002 desfila na semana de moda de NY. Para o inverno 2008 o estilista aplica um ar retor, quase vintage para suas estampas, que ora pareciam tapeçaria ou bordados antigos – já reparou como as estampas (principalmente as corridas) estão com essa cara da antiguinha nesta temporada?

Isso e também um pouco de perfume bucólico, que vem bem suavizado pelas várias propostas bem modernas que Williamson mostrou na passarela. Pode-se dizer que foi uma coleção de mistura, do antigo com o novo, do campestre com o urbano, do claro com o escuro. Tecidos sintéticos, brilhantes e metalizados vem com outros naturais como tricô e jacquard, cores escuras com outras mais vibrantes, estampas bem retros, com aplicações de matérias metalizados, peças mais tradicionais com outras focadas no sportwear moderno.

Conhecido por sua estética que beira o minimalismo, linhas puras, construções precisas e arquitetônicas e looks monocromáticos, Narciso Rodriguez decide se focar na alfaiataria em sua nova coleção. O interessante aqui é que Rodriguez consegue dar feminilidade para looks que vem direto do guarda roupa masculino, com aspecto bem estruturado, mas que ao mesmo tempo delineiam o corpo feminino.

Para fugir um pouco do minimalismo exagerado, cores mais fortes, estampas sutis e até aplicações de plumas e pele, principalmente nas saias, que quando combinadas com tops em couro, corsets e outros looks que desenhavam a parte de cima do corpo, lembravam de longe o trabalho do titã do sexy Azzedine Alaïa. Natrual, já que o Rodriguez quis justamente dar ênfase na sensualidade de sua coleção, que entre looks mais fechados, tinha nas costas espaço para fendas, recortas e amarrações.

E confesso que me senti um pouco perdido vendo a coleção da Marc by Marc Jacobs, antes da linha principal do estilista. A segunda sempre tinha um pouco a ver com a primeira, sendo quase sempre uma versão mais diluída daquela, mais comercial e fácil de usar. O inverno 2008 da Marc by Marc Jacobs avança dos anos 70 – que marcou a coleção de verão 2008 – para os anos 80, direto para o new wave.

Mas Jacobs sabe o que faz, nada daquele coisa anos 80 caricata, com formas e volumes que ninguém mais agüenta ver. Tudo vem suavizado misturando referencias de outras décadas principalmente a de 50, com seu próprio estilo para dar um toque jovem e moderno para suas roupas. Estruturados marcam presença entre os vestidos e saias curtas das meninas. Assim como as sobreposições, truque de styling sempre presente em suas coleções.

Interessante mesmo é trabalho de recortes e desconstrução (ou melhor re-construção) que Jacobs propõe, principalmente nas peças de alfaiataria, inserindo acabamentos, detalhes ou aviamentos de outros universos, principalmente do sportwear. É daí também que vem boa parte dos casacaos e jaquetas da coleção, mixados de forma inteligente com looks mais “formais”, o que dava às roupas aquele toque de atualidade que tanto gostamos.

NY Day #4

Halston, Malo, NY Fashion Week, Proenza Shouler, Thom Browne, inverno 2008 No Comments »

Fotos por Marcio Madeira

O quarto dia de semana de moda de NY não trouxe nenhum grande destaque ou surpresa. Talvez a maior expectativa foi a volta da Halston, que agora tem na direção criativa um ex-estilista da Versace, Marco Zanini – sem contar nos grandes nomes que estão por traz da marca nessa nova fase: Tamara Mellon, presidente da Jimmy Choo, Harvey Weinstein, um dos sócios da Miramax Films e a super stylist das celebridades Rachel Zoe.

Devo confessar que num primeiro momento não achei a coleção boa, como ainda acho que podia ter sido melhor. Mas depois, analisando bem a situação, acho que foi um estréia bem ok. A Halston foi uma marca de muito sucesso nos EUA, com grande tradição e um conceito e estilo muito forte e marcante. Assumir a direção criativa de uma grife como essa, depois de mais de 30 anos do seu auge, não é tarefa nada fácil e exige muita cautela.

E foi assim que Marco Zanini mostrou a primeira coleção da Halston nessa nova fase. Sem força demais a barra, Zanini mostrou roupas bem fáceis de usar, práticas e com a cara da marca. Daí vinham os looks em jérseis, os chemises, as calças bem soltinhas, meio boca de cino, as camisas mais longas e os looks de cashmere. Tudo sempre numa silhueta bem confortável, mais afastada do corpo, numa proposta bem simples e prática, dois conceitos que sempre foram mote para o próprio Roy Halston.

De quem eu gostei mesmo foi da Proenza Shouler. Agora que contam com um apoio financeiro maior, Jack McCollough e Lazaro Hernandez encontraram maior liberdade para trabalharem com suas roupas, sem ter sempre aquela preocupação em vender mais. O destaque do inverno 2008 está todo em dobraduras e no bom trabalho de volumetria e construção. Daí as várias sobreposição de camada e tecidos, os laços, babados e drapeados. Os casacos com lapela dupla, recortes, pregas e penses deslocadas. Tudo numa silhueta mais afastada do corpo com comprimento variando entre os curtos e logo abaixo do joelho.

Outro bom destaque do dia foi da dupla Roberto Rimondi e Tommaso Aquilano, da Malo. Para o inverno 2008 o duo decidiu trabalhar círculos, forma que também já serviu de tema para a coleção de verão 2008 da Fendi. Usando a forma não só em estampas, mas principalmente na forma de textura, os estilistas apresentam bom trabalho estruturando suas roupas e deixando-as na forma chave da coleção. Destaque também para o ótimo trabalho na pesquisa e tratamento de tecidos.

Já olhando mais para a moda masculina, Thom Browne é sempre um estilista que diverge opiniões. Ele ficou bem conhecido por alterar as proporções clássicas e tradicionais do terno, encurtando a barra das calças até logo acima do tornozelo. Considerado por alguns como um visionário e questionador das tradições do guarda-roupa masculino ou como um estilista de extremo mal gosto. Isso sem falar na alta dose de criticas política e social que pode-se interpretar a partir de seus desfiles, quase que teatrais.

Seu último desfile não foi diferente. Apesar de toda bizarrice e looks que beiram o ridículo, não há como negar o excelente trabalho que o estilista faz alterando e propondo novas formas de se usar um terno. Suas experimentações com volumes e principalmente proporções são essenciais para a busca de uma nova forma de vestir o homem, assim como de ir acostumando o público e a mídia com mudanças que podem estar por vir.

Original WP Theme by N.Design Studio, darkened and improved by richl.com. oknaplus
Entries RSS Comments RSS Log in