NY Day #5

Marc by Marc Jacobs, Matthew Williamson, NY Fashion Week, Narciso Rodrigues, Rodarte, inverno 2008 Add comments

O quinto dia da NY Fashion Week foi um dos melhores até agora. Acho que principalmente pela quantidade de bons desfiles que aconteceu na última terça-feira (05/02). Sem sombra de dúvidas entre os quatro grandes destaques do dia, o maior foi da Rodarte. Marca das irmãs californianas Kate e Laura Mulleavy, que chegaram em NY em 2005 e agora está na sua quinta apresentação nas tendas do Bryant Park.

Assim como ma coleção passada o tema do inverno 2008 vem do Japão, misturando a tradição Kabuki (forma de teatro japonês, conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquiagem usada por seus atores) com os filmes de terror japoneses. Daí vem a cartela de cores sombria, onde prevalecem os tons de preto e vermelho sangue que sucedem uma série de cores mais suaves, como branco, lavanda e rosa. Pode até ser que toda essa estética gótica, com as tramas do tricô parecendo rasgadas, os sapatos super dramáticos de salto bem alto e espinhos na pontas, marque mais a coleção.

Mas o que mais chamou atenção foi o excelente trabalho artesanal e na utilização e tratamento de tecidos que as irmãs Mulleavy apresentaram, com destaque para os looks em tricô e tweed, alguns com aspecto detonado, outros com tramas cores diferentes e até com aspecto de primitivo. A mistura de tecidos de diferentes texturas, acabamentos e tratamento mostram que as meninas sabem onde estão pisando, evidenciando a rápida evolução no seu ainda jovem trabalho. Ao mesmo tempo que injetam novidade, conseguem manter seu estilo e identidade forte. As saias volumosas e rodadas, os tecidos finos e nobres e até um certo ar de feminilidade e romantismo, mesmo numa coleção onde o gótico fala mais alto.

Cores fortes e muitas estampas sempre marcaram o trabalho do inglês Matthew Williamson, que desde 2002 desfila na semana de moda de NY. Para o inverno 2008 o estilista aplica um ar retor, quase vintage para suas estampas, que ora pareciam tapeçaria ou bordados antigos – já reparou como as estampas (principalmente as corridas) estão com essa cara da antiguinha nesta temporada?

Isso e também um pouco de perfume bucólico, que vem bem suavizado pelas várias propostas bem modernas que Williamson mostrou na passarela. Pode-se dizer que foi uma coleção de mistura, do antigo com o novo, do campestre com o urbano, do claro com o escuro. Tecidos sintéticos, brilhantes e metalizados vem com outros naturais como tricô e jacquard, cores escuras com outras mais vibrantes, estampas bem retros, com aplicações de matérias metalizados, peças mais tradicionais com outras focadas no sportwear moderno.

Conhecido por sua estética que beira o minimalismo, linhas puras, construções precisas e arquitetônicas e looks monocromáticos, Narciso Rodriguez decide se focar na alfaiataria em sua nova coleção. O interessante aqui é que Rodriguez consegue dar feminilidade para looks que vem direto do guarda roupa masculino, com aspecto bem estruturado, mas que ao mesmo tempo delineiam o corpo feminino.

Para fugir um pouco do minimalismo exagerado, cores mais fortes, estampas sutis e até aplicações de plumas e pele, principalmente nas saias, que quando combinadas com tops em couro, corsets e outros looks que desenhavam a parte de cima do corpo, lembravam de longe o trabalho do titã do sexy Azzedine Alaïa. Natrual, já que o Rodriguez quis justamente dar ênfase na sensualidade de sua coleção, que entre looks mais fechados, tinha nas costas espaço para fendas, recortas e amarrações.

E confesso que me senti um pouco perdido vendo a coleção da Marc by Marc Jacobs, antes da linha principal do estilista. A segunda sempre tinha um pouco a ver com a primeira, sendo quase sempre uma versão mais diluída daquela, mais comercial e fácil de usar. O inverno 2008 da Marc by Marc Jacobs avança dos anos 70 – que marcou a coleção de verão 2008 – para os anos 80, direto para o new wave.

Mas Jacobs sabe o que faz, nada daquele coisa anos 80 caricata, com formas e volumes que ninguém mais agüenta ver. Tudo vem suavizado misturando referencias de outras décadas principalmente a de 50, com seu próprio estilo para dar um toque jovem e moderno para suas roupas. Estruturados marcam presença entre os vestidos e saias curtas das meninas. Assim como as sobreposições, truque de styling sempre presente em suas coleções.

Interessante mesmo é trabalho de recortes e desconstrução (ou melhor re-construção) que Jacobs propõe, principalmente nas peças de alfaiataria, inserindo acabamentos, detalhes ou aviamentos de outros universos, principalmente do sportwear. É daí também que vem boa parte dos casacaos e jaquetas da coleção, mixados de forma inteligente com looks mais “formais”, o que dava às roupas aquele toque de atualidade que tanto gostamos.

One Response to “NY Day #5”

  1. Oliveros Says:

    De manhã fiquei procurando o vídeo da Prada. Descobri depois via vc no site do SPFW. Não resisti a minha véia veia crítica!!!!

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