Diazinho fraco esse sexto da NY Fashion Week. Dia com coleções bem fracas e decepcionantes, principalmente quando a gente leva em conta que era um dia cheio de novos estilistas e marcas americanas. Jovens mas que porém apresentaram coleções calcadas no passado, sem se quer tentar adaptar tais looks para a realidade atual ou a mulher do presente. Foi o caso da 3.1 Philip Lim e Derek Lam.
Por falar nisso, reparou que esse clima retro, looks meio caretinhas, com ar bem antigo mesmo, está meio que dominando as passarelas de NY? Apareceu muito, mas poucos forma os que souberam trabalhar isso de maneira inteligente, adaptando as formas, estampas e referências para uma mulher atual, sem deixar as roupas com cara de look “velha”.
O melhor exemplo disso foi Anna Sui. A estilista que ficou conhecida nos anos 80 sempre trabalhou tendo como ponto de partida um certo período da história. Mas sem nunca deixar suas roupas ficaram taxadas de retro caricata, Sui, amante da cultura pop, sempre consegue deixar sua marca (sempre caindo pro lado do punk, dark e divertida), qualquer que seja sua referência.
Para o inverno 2008 Sui parte não de uma, mas de várias referências históricas e étnicas, como a idade média, o artista plástico Gustav Klimt, velho oeste, art noveau e índios americanos. Continua a clássica coordenação de cores e estampas, assim como formas agora, misturando kaftans meio indígenas, nas blusas mais femininas, nos coletes mais justos e nas peças em tricô bem coloridas.
Quem também mostrou alguma evolução foram as meninas da Marchesa. A marca é queridinha das celebridades e figurinhas certas nos red carpets americanos. Talvez e porque o marido de uma das estilistas é ninguém menos que Harvey Weinstein, poderoso homem de Hollywood e um dos sócios dos estúdios Miramax. Mas como a greve dos roteiristas – que acabou hoje – estava ameaçando toda a cena do tapete vermelho, Georgina Chapman e Keren Craig apresentaram boas versões para uma festa (do Oscar) que promete ser marcada por looks mais simples, sem toda aquela extravagância que estamos acostumados.
Sem perder a sofisticação as meninas diminuem as decorações em seus clássicos vestidos longos, apresentando apenas alguns extremamente rebuscados, como os que fecham o desfile, com muitos fuxicos e plissados. Fora isso, adornos e aplicações se restringem a áreas limitadas como ombros, barras ou cintura. A maioria dos longos fica no famoso e certo estilo coluna, apenas com alguns drapeados caindo reto sobre o corpo. Bom mesmo, foram as boas versões de vestido curtos (cocktail dresses), que contém todo o glamour do tapete vermelho, mas podendo ser usado facilmente em qualquer outra situação.
Outro destaque da coleção foram os looks com referências do universo masculino – adorei o macacão com lapela de blazer -, resultado da inspiração na figura da rainha Elizabeth I. Foi bom ver as estilistas, que sempre trabalharam com referencias super femininas, se aventurando por novas áreas e sem perder seu estilo, adaptando tudo para o próprio universo.
Zero Maria Cornejo é outra marca que também merece destaque. Outra coisa que tem aparecido bastante nessa temporada, e que tem um pouco a ver com essa onde retro, é a sobriedade das roupas, para mulheres sérias, que precisam mostrar um certo respeito e atitude. E é justamente isso que a coleção para o inverno 2008 de Cornejo fala. Mas sem deixar de lado alguma extravagância – se é que é essa a palavra certa -, ou então sem perder o apelo de novidade e adornos que no fim, fazem toda a diferença.
Não só pelas cores vibrantes que a estilistas aplicou nos looks de alfaiataria em tons mais escuros, mas também pela riqueza de detalhes e acabamento de suas roupas, como pregas, dobraduras e até acessórios como cintos ou faixas ajustando ou afrouxando os looks.


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