LFW - de olho no futuro

Biba, John Rocha, London Fashion Week, Louise Goldin, inverno 2008 Add comments

E se os estilistas da semana de NY olharam para o passado, os de Londres definitivamente estão olhando para o futuro. Bom, pelo menos Louise Goldin está. A recém formada pela Central St. Martin está em sua segunda coleção solo, mas ainda como integrante do projeto New Generation – o patrocínio que a Top Shop oferece para os novos e promissores estilistas britânicos.

Sua coleção para o verão 2008 foi uma das mais comentadas da London Fashion Week (LFW), fazendo com que a estilista se tornasse queridinha dos principais editores de moda do mundo. Mas não só pelo hype. Goldin sabe trabalhar com o tricô como poucos. Sua escola também não foi fraca além da St. Martin, a estilista já foi assistente de Tereza Santos, estilista brasileira também muito conhecida com seu trabalho com tricô.

Agora a assistente virou mestre. Já na coleção passada, surpreendeu ao mostrar vestidos deste material com aspecto levíssimo que pareciam tudo, menos tricô. Para o inverno Goldin decida mudar as coisas um pouco, afinal já que o frisson era tanto em torno do seu nome, era preciso causar um certo impacto. E foi o que vez.

Ao invés das formas mais soltinhas e das cores fortes do verão 2008, o inverno vem escuro e mais estruturado. O ponto de partida são os Inuits, ou esquimós e tecnologia. Inspiração que fica bem clara nas estampas. Os motivos são típicos dos esquimós, mas Goldin as estoura, como que pixelando-as, do mesmo jeito que acontece quando ampliamos uma imagem no computador.

A silhueta desta coleção é justa, respeitando e marcando bem as formas do corpo, vide os vários macacões que lembram bem aquelas roupas térmicas de mergulho. Mas o que mais chama atenção são as peças meio armaduras boticas, ou elementos disso que estruturam os ombros – quase sempre arredondados – dos bons vestidos de tricô da estilista.

Outro destaque da semana de Londres que ainda está em ritmo fraquinho, de começo, foi John Rocha. Focado na alfaiataria, trabalha bem coordenando cores. O estilista sempre gostou de trabalhar com preto e branco, mas agora injeta cores bem fortes, como violeta, azul e principalmente laranja. Sobreposição de camadas também aparece bem na coleção, sempre trabalhando com a dualidade de peças mais justas ao corpo com outros mais amplas, vide as saias evasês ou semi-godê.

A Biba, marca londrina que viveu seu auge nos 60 com o Swingin London, dá um up no seu estilo nesta sua terceira apresentação desde sua re-abertura. Agora sem Bella Freud na direção criativa, a criação passa a ser assinada por um coletivo de jovens estilistas britânicos recém formados.

Para o inverno 2008 o clima é de noite, glamour e sofisticação. Com um leve perfume de anos 20, a silhueta varia entre vestidos bem soltinhos que caem sem marcar o corpo, ou peças mais estruturadas, que aí já marcam a cintura e ressaltam os ombros – as vezes meio pontiagudos e angulares. Os tecidos são nobres, com destaque para as organzas que ganham vários babados e drapeados. Os ornamentos ficam por conta de chapéus e aplicações de paetês e plumas.

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