Tem que ler…

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a matéria de Cathy Horyn publicada hoje no New York Times. Para quem não sabe a editoria de moda do jornal foi proibida de ir ao desfile de Giorgio Armani em fevereiro deste ano, depois de ter escrito uma crítica sobre o desfile de alta-costura que não agradou muito o estilista.

Esta não foi a primeira fez que Mrs. Horyn é banida de um desfile, nos anos noventa ela já tina sido proibida de assistir aos desfiles de Helmut Lang, depois de Carolina Herrera e também da Dolce & Gabbana.

Mas o interessante do assunto é quando ela cita a editora de moda do jornal britânico Guardian, Hadley Freeman. Depois de ser barrada em alguns desfiles e mais recentemente retirada da primeira fila do último desfile da Chanel, disse que hoje os desfiles não servem mais para os jornalistas verem as roupas, analisara a coleção, tendências e processos criativo. Os desfile hoje servem muito mais para ver e ser visto. Para ver onde fulano de tal está sentado, onde você está sentado. Ou seja, para ver quem é mais poderoso no meio da moda com base no seating.

Antes de mais nada acho meio absurdo essa história de barrar jornalistas nos desfiles, afinal a liberdade de imprensa está aí, e com todos os recursos da internet, se o jornalista quiser escrever uma critica com base em fotos online, não há nada que o impeça. Lógico que a análise não vai ser tão boa quanto ter visto à roupa mais de perto, em movimento, o que faz toda a diferença, podendo até prejudicar a critica e levar o jornalista a escrever algo que não escreveria se tivesse visto a coleção no desfile.

Em segundo lugar, todo mundo que freqüenta as semanas de moda sabe da disputa que é para conseguir um bom lugar num desfile. Aí que eu já não concordo totalmente com a editora do Guardian. Eu sei que rola sim essa hierarquização de seatings, que todo mundo sempre quer saber onde fulano e sicrano estão sentados, bla bla bla. Mas acredito, sim, que os jornalistas vão sim para ver as roupas. E nisso um lugar de primeira fila faz a total diferença.

Vale lembrar que o lugar não pertence à pessoa do jornalista e sim, ao veículo para qual ele trabalha, coisa que muita vezes o próprio jornalista não leva em conta, muito menos a assessoria de imprensa. Para quem está lá para analisar as roupas e coleção, sentar na fila A dá uma visão muito melhor de detalhes, tecidos, acabamentos e texturas, coisa que de longe não se pode ver muito bem.

Outra coisa que Cahty Horyn fala em sua matéria e que também não concordo é que os editores estão lá só para achar roupas bonitas para fotografarem. Lógico que existe editores que pensam assim. E estes não são os melhores, né? O papel do editor seria captar meio que o “zeitgeist” de uma coleção e temporada, selecionar determinadas peças para depois compor uma imagem de moda – com boa informação de moda – que se adeque ao público de sua revista.

3 Responses to “Tem que ler…”

  1. Márcia Mesquita Says:

    O que eu achei mais bizarro nessa história foi o fato dela ter sido barrada porque fez uma crítica negativa. Que coisa infantil, antes de mais nada. E, claro, o fator mais agravante é a violação à liberdade de expressão, respeito à imprensa e etc! Se ela é crítica e não fez nada que ferisse a ética, por que barrar?
    um absurdo!

    bjs

  2. Luciene Says:

    …também estranho que tenha sido Armani a fazer isso. Jamais ouvi ou li algo dele ou sobre ele que demonstrasse tanta “personalidade”. Pois é, parece que além daquele corpo bronzeado existe sangue correndo nas veias…

  3. . ABOUT FASHION . » Blog Archive » Oi, onde eu posso sentar? Says:

    [...] - algumas bafos por causa do famoso sitting. O assunto não é novidade, já falei sobre isso aqui e assino embaixo dos ótimos posts do Vitor Angelo e do Jorge [...]

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