A reciclagem é o novo vinatge?

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Dê uma olhada rápida nos principais blogs de estilo de rua que existem por aí. Vale tanto os nacionais como os internacionais. Se preferi uma pesquisa mais vida real, vá em qualquer festa mais “féchion-moderninha”, como a Vai no Glória. Repare bem nos looks/roupas das pessoas lá. Agora pare e pense no que há de comum. Se quiser pode até perguntar para as pessoas de onde são suas roupas para ter um confirmação mais válida. Sem dúvida, muitas das respostas serão: “de brechó”, ou “é vintage”.

 

Usar roupas vintages, ou brecholentas, virou hype nos anos 2000 – afinal a moda em geral assumiu uma posição meio retro nesse começo de século, né?. Além de ser sinônimo de modernidade, alternatividade, estilo e afins, essas peças também eram ótimas opções para quem não queria gastar muito para montar um look diferente e estiloso. Sem contar que também era uma ótimo ferramenta contra o consumismo exagerado, né? Afinal ao invés de comprar coisas novas, incentivando a produção cada vez mais crescente de novos produtos, as pessoas compravam roupas que já haviam sido produzidas tempos atrás e até usadas por outras pessoas.

 

Acontece que essa onda retro/vintage parece já ter um substituto. E bem mais legal. É a reciclagem de roupas. Explico, a partir de peças e materiais encontrados soltos na rua ou garimpados em brechós ou até mesmo no guarda-roupas, surgem novas roupas. É mais do que uma simples customização. Não é apenas pegar uma camiseta velha e fazer uma estampa manual, ou recortá-la.

 

Looks de Noki, inverno 2008

A reciclagem da moda é muito mais do que isso, é um verdadeiro processo de desconstrução e reconstrução. As peças utilizadas são totalmente desconstruídas para serem depois transformadas em outras totalmente diferentes.

 

Quem faz isso super bem, é até com uma lembrança do punk quanto a rebeldia e ousadia – e também um pouco na estética – é Noki, estilista britânico que desfila na semana de Londres como parte do projeto Fashion East. Suas roupas são feitas totalmente com materiais, tecidos e roupas que o estilista encontra nos mais variados lugares, desde acervo pessoal seu ou de amigos até lixo, literalmente.

 

Looks Cavalera, inverno 2008

Aqui no Brasil uma marca que apostou na reciclagem para o inverno 2008, foi a Cavalera. Quase todas aquelas peças meio mutante, tipo o hoddie-pullover, ou o vestido de mangas de camisa, ou moletons com 3 ou mais golas, ou ainda as camisas com quatro ou mais mangas, foram confeccionadas com o mesmo fundamento. Tudo bem que o material não veio do lixo como no caso de Noki, nem de um brechó, mas a idéia é quase a mesma.

 

E o mais importante disso tudo é o mote anti-consumismo da maioria dos estilistas/marcas que atuam nesse segmento.

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Santogold - L.E.S Artistes

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Adorei!

Via Quem Mexeu no meu iPod

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Sem bateria jamais

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Acho que todo mundo já passou pela desgradável situação de ficar sem bateria no celular, quando a gente mais precisa, né? Eu entro em pânico quando isso aconteceu, porque sou super dependente do meu celular…

 

Mas enfim, agora isso tem fim, pelo menos em tese. É que a CNC Costume National lançou uma bolsa com mini painéis solares que transformam a luz solar em energia, que pode depois ser utilizada para carregar os celulares, iPods e afins. “Eu desafiei o projeto em transformar o luxo italiano em algo contemporâneo”, disse o estilista da marca, Ennio Capasa para o WWD. Tudo bem que a bolsa, não é lá muito bonita (eu achei bem feinha para ser sincero), mas sua utilidade é bem interessante.

 

Mas convenhamos, isso não é nada novo. Tudo bem que a gente ainda não vê ninguém carregando a bateria do celular na roupa ou na bolsa, mas já teve um monte de marca/gente/projeto que já apresentou roupas e acessórios com a mesma finalidade. Aqui no Brasil mesmo, no Fashion Rio de verão 2008, o estúdio de arquitetura Random apresentou roupas, em seu desfile no Rio Moda Hype, que graças a painéis solares, geram energia para carregar celulares, laptops e iPods.

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Skin + Bones - moda e arquitetura

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Não é novidade para ninguém a relação – as vezes bem íntima – entre moda e arquitetura. O assunto até virou tema de uma exposição chamada “Skin + Bones, Parallel Practices in Fashion and Architecture”, na Embankment Galleries, na Somerest House de Londres, até o daí 10 de agosto.

Muito além de exibir trabalhos conjuntos de estilista e arquitetos, como por exemplo, as lojas da Prada projetadas por Rem Koolhaas,o foco da exposição é apresentar um estudo de como as duas áreas caminharam separadamente, mas ao mesmo tempo de modo muito parecido ao longo dos últimos 25 anos.

Só nos últimos 25 anos por mera questão de curadoria, já que moda e arquitetura vêm mostrando trabalhos muito similares há muito mais tempo. Isso pode parecer óbvio para alguns, mas acontece que, ao meu ver, essa similaridade se dá porque ambos acabam bebendo da mesma fonte. Tanto a moda como a arquitetura tem o mesmo papel de expressar o espírito ou vontades de determinada época, só que em matérias e formas diferentes.

Só para se ter uma noção de como tudo isso vai bem além desses 25 anos da exposição, no começo do século XX, na Belle Epóque, o movimento da Art Noveau estava super em alta, e a arquitetura se influenciou bastante por tudo isso. As construções da época eram sempre marcadas por muitas formas orgânicas, linhas curvilíneas e motivos meio naturais.

A moda da época também foi influenciada por tudo isso. “O corpo feminino tornou-se um verdadeiro repositório de linhas curvas, onde a cintura nunca tinha sido tão afunilada como nesse momento”, escreveu João Braga no seu livro História da Moda.

Depois, já nos anos 20. As linhas sinuosas da Art Noveu foram substituídas pela geometria da Art Decó, que também ecoou tanto na arquitetura, como na moda, com os vestidos retos, sem marcar o corpo.

Mas nem por isso a exposição deixar de ser interessante (pelo menos aparentemente, né?). A curadora, Brooke Hodge, olhou para a moda com um olhar diferente, para ser mais preciso, com um olhar de arquiteto, com disse Suzy Menkes no International Heradl Tribune. Daí, ela ia fazendo relações com algumas formas e conceitos usados na arquitetura, com outros similares na moda. Tipo as formas meio assimétricas de metal de Frank Gehry, com as pregas de um vestido da Lanvin. Ou então a fachada de alumínio da Slefridges, em Londres, com um vestido metalizado dos anos 80 de Gianni Versace.

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Vale a pena ler de novo - Make-up

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Estou preparando uma matéria sobre maquiagem masculina aqui para o site do SPFW, então resolvi republicar uma coluna minha do blogview sobre o mesmo tema. Só para já ir esquentando…

 

Estava andando com a minha irmã aqui por Toronto esses dias, quando ela disse que precisava comprar maquiagem, que já sabia onde era a loja que ela queria ir e tudo mais. Daí virei para ela e falei: “Ótimo, vamos lá que também preciso ver umas coisas para mim”, achando que ela ficar super passada – afinal, ela com seus 15 aninhos ainda é bem careta em alguns aspectos. Mas para minha surpresa, ela disse: “Tá bom! Sabia que todos meus amigos também usam?”

 

No fim quem ficou passado fui eu. Estudei na mesma escola dela - no Porto Seguro, para quem possa interessar - e me lembro direitinho de como eram a maioria dos meninos de 15 anos na época. Super mauricinhos, quadrados até o talo, repudiando qualquer excentricidade – para não dizer esquisitice – a mais. Mas os tempos mudam, não é mesmo? Agora os garotos de 14 ou 15 anos estão usando bases e corretivos para cobrir imperfeições, fazendo hidratação nos cabelos e até pilling para diminuir as espinhas.

 

Acho que o careta da história sou eu. Se pararmos para pensar, há anos atrás, pensar num homem furando a orelha era praticamente um absurdo e hoje é quase que uma banalidade. Então, por que com o make seria diferente? Desde que a cultura do metrosexual – odeio esse rótulo, mas enfim… – ganhou relevância, o tão chamado grooming – ato de se cuidar literalmente, tratamentos capilares, cuidados com a pele e maquiagem – vêm ganhando cada vez mais adeptos.

 

Segundo uma matéria publicada na revista Forbes, 4,8 milhões de dólares foram gastos com produtos de beleza exclusivos para homens nos EUA, o que corresponde à um aumento de 42% comparado às vendas de 2001. E ainda que não seja o mais comum entre os produtos de beleza e cuidados para pele, a maquiagem para os homens vem experimentando uma constante popularização.

 

Então, quando chegamos na loja resolvi ir conversar com uma das vendedoras sobre o assunto. Apesar da loja - M.A.C – não ter produtos especialmente masculinos, Claire, a vendedora disse que sempre atende clientes homens, “aparentemente não gays”, como ela mesmo disse, em busca de produtos para corrigir imperfeições, esconder espinhas ou diminuir a oleosidade da pela.

 

Ok, então os homens estão mais preocupados com camuflagem e correções do que parecerem bronzeados, ou com uma corzinha extra na pele, certo? “Exatamente, o que mais escuto por aqui, é ‘quero usar alguma coisa que não deixe claro que estou usando maquiagem’”, conta Claire.

 

E foi justamente sentindo essa demanda do mercado que Lee Gilbert, fundou em 2004 a marca KenMen, totalmente dedicada à produtos de beleza para homens. Lá tem desde pós coloridos, à delineadores, bases e corretivos, alem dos mais básicos produtos para cuidados com a pele.

 

O mais legal da KenMen, é que no seu site, além de uma das melhores e-stores da área, tem várias informações bem didáticas de como e o que usar, de acordo com cada tipo de pele e objetivo. Afinal, como a própria Lee Gilbert, disse, “os homens estão mesmo interessados em informação”.

vestido x calça

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Bem interessante a matéria que saiu hoje no New York Times falando de um suposto fim dos vestidos e o começo da era das calças. Lá o jornalista Guy Trebay fala da tendência das calças (ou pantalonas) que já começam a virar hit entre os mais ligados em moda – para não falar só dos fashionistas -, após praticamente três anos com o vestido como peça chave.

 

Mas o mais lega não é só a questão da tendência em si, mesmo porque acho isso meio chato, e, sim, a comparação que ele faz com tudo que a calça representa para mulher, contra todos os significados do vestido (leia-as feminilidade, praticidade e variedade).

 

A matéria ainda fala sobre alguns contextos históricos e sociais que acabaram fazendo as mulheres trocaram os vestidos pelas calças e vice-versa. Tipo nos anos 50 e 60 onde o vestido era meio que a peça chave, e depois nos 70 as calças começaram a ganhar mais espaço até praticamente dominarem o guarda roupa feminino nos anos 80.

 

Sinceramente, acho que meio que concordo com Guy Trebay. As vontades podem até pedir mais calças do que vestidos, mas falar que vai ser o fim é um pouco de sensacionalismo, né? O vestido é uma das peças, senão A peça, mais feminina de todas. Justos, largos, acinturados, evasê, envelope, obi… Enfim, a variedade é imensa e embora cada um dos modelos carrega uma mensagem específica, seja de sensualidade, romantismo, poder, a feminilidade está sempre presente. Por isso, e por também ser super prático, rápido, fácil e tudo mais, acredito que os vestidos nunca vão deixar de ser usado e muito pelas mulheres. Por mais que as calças vinguem, os vestidos têm meio que espaço garantido no guarda-roupa feminino. Eu acho.

Tá chegando

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E parece que confirmou mesmo: a American Apparel vem mesmo para o Brasil. A loja já tem até local definido para loja, um espaço quase do lado do Santo Grão, na Rua Oscar Freire e no site oficial já tem até a bandeirinha do Brasil com um link que leva para uma página toda em português com o seguinte aviso:

“American Apparel sempre teve um pouco de Brasil. Alguns de seus principais colaboradores são brasileiros, e naturalmente entre Califórnia e Brasil existe um amor partilhado, entre o sol e roupas sensuais de Verão. A empresa, finalmente, encontrou o primeiro ponto em São Paulo. É um espaço único no bairro Jardins principal centro de compras na cidade, fotografado aqui. Estamos muito animados para finalmente abrir as nossas portas na América do Sul e o Brasil será o nosso ponto de partida.”

Para quem nunca ouviu falar, a marca, que começou focada no underwear (thanks Augusto) e depois evoluiu para o sportwear tem dado o que falar lá fora faz um tempinho já. Suas roupas já estamparam páginas das principais revistas de moda do mundo e não só com anúncios. Tem até que considere a loja uma nova GAP. Mas eu não acho não… Talvez porque a marca seja ainda jovem, mas acho que o foco é outro. Enquanto a GAP oferece várias linhas para uma gama mais variada de público, a American Apparel é suuuuper focada no sportwear, mas no sportwear descolado, mais para rua do que para a prática esportiva mesmo. Ah, e tudo mega colorido, bem no estilo 80´s.

Para ser bem sincero, estou bem ansioso para a inauguração da loja aqui, porque sou meio fãzinho. Acho super legal os produtos de lá, a qualidade é bem boa, e as coisas são bem básicas, mas ao mesmo tempo dá para fazer boas produções. Só espero que a loja não seja mega cara, já que lá fora apesar de não ser das mais baratas, também não é das mais caras.

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Reflexões

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Estava no cinema, esperando o filme começar quando uma amiga me disse que tinha uma pergunta de moda para me fazer. Mas antes preciso fazer uma pequena contextualização. Na quarta-feria (16/4) teve uma festa aqui em São Paulo organizada pela Nike e pela Nokia Trends, mas que no fim acabou ficando conhecida como “a festa da nike”.

Isto posto (já falei que adoro essa expressão), a pergunta da minha amiga era a seguinte: “Ir de Nike na festa da Nike é cafona?” Na hora disse que sim, meio que sem pensar, até dei um argumento dizendo que achava que era vestir a camisa demais, fazer propaganda gratuita ou coisa do tipo, sabe? Algo, “olhem estou de nike, na festa da nike! Olha como seu bacana”.

De fato é algo que eu mesmo não faria. Mas enfim, o que eu quero dizer aqui é que fiquei com tudo isso meio martelando na minha cabeça. Com certeza todo mundo que lê esse blog já deve ter ouvido dizer que hoje na moda pode tudo, que não existem mais regras. Eu mesmo já cheguei a escrever isso, e acho que sim, pode de tudo mesmo, e acho isso bem legal. Acho uma forma bem interessante de expressão pessoal através da roupa, do estilo e da própria moda de forma totalmente livre e subjetiva.

Sempre repudiei um pouco aquelas regrinhas chatas e ultrapassadas de etiqueta e “bom gosto”, do tipo não se usa sapato preto com calça jeans, ou regrinhas para se combinar cores, como não é bom usar preto com cores muito fortes, brilhantes. E se eu quiser usar e achar que fica legal? Quem disse que não fica? Estão me entendo?

Lógico que eu sei que existem certas coisas que acabam favorecendo diferentes tipos físicos e tudo mais. Mas de novo, quem disse que esse ou aquele é o jeito de favorecer o corpo/rosto/silhueta e afins de uma pessoa? Quem disse que se uma pessoa com perna/tornozelo grosso não pode usar ankle boots?

Não vou ser hipócrita. Eu mesmo não acho bonito isso, mas e se a pessoa achar, estiver bem com o jeito que está vestida?

É aí que eu quero chegar. Nesse paradoxo. Acontece que ao mesmo tempo que repudio essas regras eu, meio que inconscientemente, sempre acabo meio que recriminando alguns comportamentos do vestir e apoiando as infames regras. Quer um exemplo? Eu abomino, acho pavoroso usar meia branca com calça de cor, ou com tênis escuro (não vou nem falar no sapato, tá?). Quer mais? Pochetes! Ou as tão faladas patas-de-bode.

Afinal, se a gente gosta tanto da diversidade, se reclamamos tanto nas temporadas de moda quanto tudo parece uma simples variação sobre o mesmo tema – para não dizer que tudo parece igual –, porque acabamos sempre voltando para certas regras de estilo que no fundo não fazem nada além de homogeneizar o modo como as pessoas se vestem?

Eu sempre me lembro que uma reclamação em comum entre eu e uma outra amiga sobre aquele programa de TV, What Not To Wear, é que no final, todas as pessoas que passavam por lá, acabavam mais ou menos com o mesmo estilo, acabavam bem parecidas umas com as outras. Será que é isso mesmo que queremos, num nível meio subconsciente? Acredito que não. Afinal, como já disse aqui, sempre reclamamos quando as coisas na moda acabam ficando pasteurizadas demais, parecidas demais.

Mas será que a gente que vive mais próximo ou ligado ao meio da moda tem um olhar meio viciado para um ideal de beleza? Ou será que quando acabamos voltando para essas regras démodés, estamos deixando nosso gosto pessoal falar mais alto? Ou então, será que essa história de pode tudo não é um “pode tudo” literal? Deve-se sempre levar em consideração o que lhe cai melhor, o que te favorece mais e dentro desses limites é que pode tudo? Ou ainda, é um pouco disso tudo?

Eu lembrei muito daquele editorial da Pop Magazine, com a Beth Ditto, que foge totalmente do padrão de beleza – e de comportamento – que a maioria deseja e considera um ideal. Lá, Katie Grand, editora da revista e stylist da matéria, parece não levar muito em conta nenhuma regra para vestir a cantora. As roupas utilizadas nas fotos, nem sempre acabam favorecendo da melhor maneira o corpo rechonchudo de Ditto.

E mesmo assim a imagem que se tem no final não chega a ser feia. Pode ser diferente, isso não tem como negar, mas não é nada feia, muito pelo contrário. E a imagem e informação de moda é bem relevante. Sem contar em toda atualidade e realidade das fotos. Não é aquela moda fantasiosa – por mais que ainda tenha-se apelo ao imaginário –, e sim algo bem calcado na realidade, nas pessoas da vida real, principalmente por todas imperfeições estéticas das fotos.

vale a pena ler de novo - em busca de bicha perdida

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As meninas da Oficia de Estilo, Ricardo Oliveros do Fora de Moda e Vitor Angelo dus infernus, já fizeram (e ainda fazem) isso. Pois bem, como estou bem sem tempo - e para ser bem sincero, um pouco sem assunto - resolvi começar a republicar minha colunas do extinto e incrível blogview. Pois bem, para começar um dos meus favoritos. Espero que gostem!

Toda bee já passou alguma vez na sua vida pela a experiência – agradável ou não – de ter um perfil num site de relacionamento gay, tipo gaydar, disponível e afins. Pois é, e quem já passou por lá também já reparou que tem pencas de perfis falando assim: “não afeminando e nem curto”. Andei reparando desde que cheguei aqui, e acho que em São Paulo também é bem assim, mas esteticamente falando, hoje em dia é preciso ter um gaydar apuradíssimo para dizer se um homem é gay ou não.

As bees estão se vestindo praticamente igual aos homens heteros, agindo igual e, as vezes, até fazendo os mesmo programas. O famoso “não afeminado e nem curto” mostra também que os gays estão em busca de atitudes mais “de macho” nos seus parceiros. Ai, me pergunto: Cadê a bichinha poc? Cadê a bee mais feminina? Aquele homem delicado e sensível? Entrou em extinção?

Para quem não sabe, a bee mais afeminada já foi muita admirada e até considerada uma entidade superior em algumas culturas. Na grécia antiga por exemplo, o homem feminino e sensível era tido como o ideal para o relacionamento homem com homem, tão famoso na época. Ela (a bee afeminada) até foi objeto de estudo de Karl Heinrich Ulrich em 1864, resultando numa teoria ultra revolucionária e bem complexa sobre os diversos tipos orientação sexual.

Talvez a bee mais feminina foi desaparecendo devido à repulsa à homossexualidade ou devido à cultura do machão - incentivada principalmente por Hollywood, com atores como Randolph Scott, Tyrone Power, Gary Cooper, Spencer Tracy e Rock Hudson, que cada vez mais escondiam sua sexualidade por trás de personagens super machistas. Aos poucos as atitudes sócio-culturais fizeram com que a bichinha feminina fosse considerada um ser inferior, motivo de gozação ou até ofensas. Tanto que sempre que apareciam no teatro, cinema ou novela, era num papel cômico ou de vilão. Ou talvez uma das conseqüências da liberação sexual foi que a aceitação social fez com que a diferença entre heteros e homos fosse diminuída a um ponto quase que imperceptível.

Porém, há que vem veja um grande “come back” para a bichice. Não, não é só pela interpretação de Johny Deep no papel do pirata Jack Sparrow, em “Piratas do Caribe”, nem pelos constantes cuidados capilares de David Beckham. Basta olharmos para as últimas coleções masculinas internacionais que já dá para sentir bem essa volta.

Começando no verão 2007, com os micro shorts principalmente da Prada, Raf Simons e Miu Miu e a silhueta ultra slim de Hedi Slimane para Dior Homme. Já no inverno, as mangas soltinhas quase drapeadas também de Slimane para Dior Homme, os leggings da Prada ou da Marni, os ternos coloridos ou estampados da Comme des Garçons, os casacos acinturados da Burberry e nas saias masculinas de Jean Paul Gaultier.

E nesta última temporada não foi diferente. Apesar de imagens menos impactantes, as melhores coleções como Prada, Raf Simons, Lanvin e Fendi, todas falavam – cada um sobre seu ponto de vista – sobre um homem mais delicado e sensível. Vulnerável as brutalidades do mundo de hoje, sem aquele ar machão.

Mas será que isso vai chegar nas ruas? Será que não falta bichice nos heteros para se aventurarem em novas peças, novas proporções e novas silhuetas? Será que as bees não precisam se liberar mais e brincar mais com as roupas? Porque até então parece que há um grande desequilíbrio entra passarela e vida real.

Diversidade estética

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Lembra que eu fiz um post semana passada falando sobre a questão de um estilista fazer trabalhos em outras áreas? Até falei de Christian Lacroix como exemplo que a Marie Rucki usou também sobre o mesmo assunto numa de suas palestras aqui em São Paulo.

Daí que saiu hoje no WWD uma matéria falando sobre ele, Lacroix, e meio que ressaltando essa sua diversidade e projetos em design, arte e figurino. “É claro que ainda sou apaixonado por moda e alta-costura. Mas eu acho que hoje é preciso experimentar novas áreas. Moda, para mim, está um pouco saturada. É por isso que eu gosto de novos ares trabalhando em hotéis, teatros e outros projetos artísticos”, disse o estilista para o jornal.

Além dos trabalhos de estilista Lacroix já fez o interior dos trens de alta-velocidade da French National Railway, de salas de cinema para Gaumont na França, vários figurinos para teatro – o mais novo projeto é o figurino de Romeu e Julieta para Opera de Paris -, garrafas d´água para Evian, e vários projetos de design para hotéis de luxo.

O mais interessante desses projetos de Lacroix, como já disse aqui, é que sua identidade, seu estilo estão sempre fortemente presente em tudo que ele coloca a mão. Seja pela escolha de cores bem fortes e vivas ou pelo rebuscamento no melhor estilo barroco e rococó – mas sempre atualizado.

“Nosso tempo é como a Internet. Há tantas mensagens colidindo. Meu trabalho é baseado na história e novidades, Ocidente encontrando o Oriente. É o meu modo de vida. Só me interesso e me excito sobre temas da vida. A vida é curta. As vezes você tem que ser workaholic”, disse Lacorix para o WWD.

E é bem isso mesmo que toda essa diversidade toda quer dizer. Mostra uma verdadeira sintonia com o nosso tempo. Afinal, qual é a profissão hoje que permite que uma pessoa se concentre em uma única atividade? Em quase todas as áreas há uma enorme necessidade por diversificação, por pessoas que possam atuar em várias áreas. E com a moda não é diferente.

Lógico que o risco de se perder, perder a identidade da marca é bem grande. Mas quando isso não acontece, e a identidade da marca é lavada para outras áreas, é sinal de que o estilista consegue muito bem carregar sua estética para além da roupa, da moda..

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