As meninas da Oficia de Estilo, Ricardo Oliveros do Fora de Moda e Vitor Angelo dus infernus, já fizeram (e ainda fazem) isso. Pois bem, como estou bem sem tempo - e para ser bem sincero, um pouco sem assunto - resolvi começar a republicar minha colunas do extinto e incrível blogview. Pois bem, para começar um dos meus favoritos. Espero que gostem!
Toda bee já passou alguma vez na sua vida pela a experiência – agradável ou não – de ter um perfil num site de relacionamento gay, tipo gaydar, disponível e afins. Pois é, e quem já passou por lá também já reparou que tem pencas de perfis falando assim: “não afeminando e nem curto”. Andei reparando desde que cheguei aqui, e acho que em São Paulo também é bem assim, mas esteticamente falando, hoje em dia é preciso ter um gaydar apuradíssimo para dizer se um homem é gay ou não.
As bees estão se vestindo praticamente igual aos homens heteros, agindo igual e, as vezes, até fazendo os mesmo programas. O famoso “não afeminado e nem curto” mostra também que os gays estão em busca de atitudes mais “de macho” nos seus parceiros. Ai, me pergunto: Cadê a bichinha poc? Cadê a bee mais feminina? Aquele homem delicado e sensível? Entrou em extinção?
Para quem não sabe, a bee mais afeminada já foi muita admirada e até considerada uma entidade superior em algumas culturas. Na grécia antiga por exemplo, o homem feminino e sensível era tido como o ideal para o relacionamento homem com homem, tão famoso na época. Ela (a bee afeminada) até foi objeto de estudo de Karl Heinrich Ulrich em 1864, resultando numa teoria ultra revolucionária e bem complexa sobre os diversos tipos orientação sexual.
Talvez a bee mais feminina foi desaparecendo devido à repulsa à homossexualidade ou devido à cultura do machão - incentivada principalmente por Hollywood, com atores como Randolph Scott, Tyrone Power, Gary Cooper, Spencer Tracy e Rock Hudson, que cada vez mais escondiam sua sexualidade por trás de personagens super machistas. Aos poucos as atitudes sócio-culturais fizeram com que a bichinha feminina fosse considerada um ser inferior, motivo de gozação ou até ofensas. Tanto que sempre que apareciam no teatro, cinema ou novela, era num papel cômico ou de vilão. Ou talvez uma das conseqüências da liberação sexual foi que a aceitação social fez com que a diferença entre heteros e homos fosse diminuída a um ponto quase que imperceptível.
Porém, há que vem veja um grande “come back” para a bichice. Não, não é só pela interpretação de Johny Deep no papel do pirata Jack Sparrow, em “Piratas do Caribe”, nem pelos constantes cuidados capilares de David Beckham. Basta olharmos para as últimas coleções masculinas internacionais que já dá para sentir bem essa volta.
Começando no verão 2007, com os micro shorts principalmente da Prada, Raf Simons e Miu Miu e a silhueta ultra slim de Hedi Slimane para Dior Homme. Já no inverno, as mangas soltinhas quase drapeadas também de Slimane para Dior Homme, os leggings da Prada ou da Marni, os ternos coloridos ou estampados da Comme des Garçons, os casacos acinturados da Burberry e nas saias masculinas de Jean Paul Gaultier.
E nesta última temporada não foi diferente. Apesar de imagens menos impactantes, as melhores coleções como Prada, Raf Simons, Lanvin e Fendi, todas falavam – cada um sobre seu ponto de vista – sobre um homem mais delicado e sensível. Vulnerável as brutalidades do mundo de hoje, sem aquele ar machão.
Mas será que isso vai chegar nas ruas? Será que não falta bichice nos heteros para se aventurarem em novas peças, novas proporções e novas silhuetas? Será que as bees não precisam se liberar mais e brincar mais com as roupas? Porque até então parece que há um grande desequilíbrio entra passarela e vida real.
Recent Comments