Só para elite?

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Essa semana teve a 3a edição do Fashion Marketing, né? Acho que todo mundo que acompanha esse blogue, e vários outros, como também os principais sites de moda aqui do Brasil, já deve estar sabendo disso e até de tudo que aconteceu lá. Pois bem, mas desde a primeira palestra, a do Ermenegildo Zegna eu fiquei com uma coisa na cabeça e acho que preciso dividir aqui.

Pois bem, um dos objetivos do Fashion Marketing, assim como de quase todo evento de moda aqui no Brasil é difundir ou tentar firmar ou ainda criar uma cultura de moda mais consistente, coisa que ainda estamos longe de ter. O que muda é que cada evento tem um público alvo específico, busca tratar um assunto determinado, de acordo com seu interesse. O Fashion Marketing, da Glória Kalil, como o próprio nome já indica, tem um cunho mais econômico, mais administrativo mesmo.

Basicamente, e de um modo geral, em todas as palestras foram dados conselhos, lições e dicas de como construir uma marca de sucesso, levá-la para o exterior, sem perder estilo e identidade. Acontece que os conselhos lá passados, a meu ver, acabaram ficando restrito à um grupo muito restrito. Talvez porque os convidados mais interessantes (das palestras mais interessantes por conseqüência), como o Zegna, Maruzio Borletti da Printemps e Rinascente, Lousie Wilson e Floriane de Saint Pierre, estarem mais ligados ao mercado de luxo.

Eu sei que hoje aqui no Brasil quem consome a moda que vemos no SPFW, no Fashion Rio e também em outros eventos como Casa de Criadores ou de marcas nesse estilo é um grupo super restrito quando levamos em conta o panorama geral da sociedade Brasileira. Por isso que não desconsidero a importância de eventos que visam tal público, mesmo porque, esse público também é extremamente carente em cultura de moda.

O que eu fiquei pensando desde o Fashion Marketing é o seguinte: atualmente, os eventos de moda (e não só as semanas de moda) acabam atingindo, como já disse, uma micro – para não dizer nano – parcela da população nacional. Todo esforço para construir uma cultura da moda nacional está sendo implementado nessa micro parcela – não que ela não precise, muito pelo contrário. E como fica o resto da população?

Eu sei que instaurar essa cultura de moda nacional para esse pequeno grupo já é um grande passo, e também o primeiro passo. Mas como e o que fazer para também levar cultura de moda para o resto da população? Logicamente os meios e a mensagem não serão idênticas, já que o poder acessivo muda de classe para classe (ai odeio essa conversa de classe, tenho muito medo de ser mal interpretado e taxado de preconceituoso ou classista), mas algo tem que ser feito, ou senão continuaremos vivendo num mundinho fechado, não? Afinal moda não é só para quem tem dinheiro. Moda não é só mercado de luxo. Zara, H&M, C&A, Renner, Marisa e muitas outras estão aí para provar isso.

A cultura de moda, assim, também não é algo só para quem consome roupas de estilistas que desfilam ou são conceituados. A cultura de moda tem que ser algo geral, que não se paute pelo status ou diferenciação de classe. Isso tudo é tão démodé. Ao meu ver, a cultura de moda deve, sim, ser algo que todos devem ter, não só por questão de estilo, nem entro nesse mérito, afinal é muito pessoal. Mas deve ser de todos para que sabemos fazer boas escolhas no que diz respeito a qualidade, durabilidade, etc.

Para ser bem sincero essa idéia ainda está meio vaga na minha cabeça, preciso elaborar melhor. Prometo um novo texto melhor sobre o assunto. Mas por enquanto vai esse esboço.

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não pode diversificar?

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Como a maioria já deve estar sabendo, começou hoje a 3a edição do Fashion Marketing, evento idealizado e organizado por Glória Kalil. Não, não vou fazer um resumão de tudo que aconteceu no dia, pois quase todos os outros sites já vão fazer isso – até eu mesmo, junto com o Matheus Evangelista, fizemos isso para o site do SPFW.

O que eu pretendo fazer aqui é discutir um pouco sobre uma coisa que o Tufi Duek, um dos palestrantes do dia de hoje, disse quase que no fim de sua palestra. Agora não me lembro exatamente da frase, mas era algo do tipo: Quando um estilista começa a fazer cadeira, mesa e um milhão de outras coisas, a identidade da marca se perde, e o estilista acaba perdendo sua relevância no quesito moda.

Mas será mesmo? Antes de tudo, convém falar algumas coisas. Tufi recentemente vendeu o Grupo TF (que possui as marcas Tufi Duek, Forum Tufi Duek, Forum e Triton) para o grupo AMC Têxti (o mesmo da Sommer e Colcci, entre outras). O motivo alegado para a venda, seria que Tufi, que desde 2003 acumula as funções de diretor criativo e a administrativo, estaria cansado da parte financeira e queria mais tempo para a criação e também para sua vida pessoal e família.

Assim, mês passado (03/2008) o Grupo TF passou 100% de suas ações para a AMC Têxtil, sendo que Tufi continua como diretor criativo das marcas, com contrato auto-renovável de 3 anos, e recebe participações nas vedas até 2025, afinal o nome das marcas é o seu nome. Só para constar, Tufi é o segundo estilista no mundo a conseguir um contrato de prazo ilimitado de ganho (esse que acabei de falar). O outro foi Calvin Klein.

Mas voltemos ao assunto inicial. Tufi disse que o papel de um estilista não é só criar, mas também manter-se antenado com tudo o que acontece em sua volta e principalmente no comércio. “Eu sempre fui um estilista do comércio”, afirmou ressaltando que o estilista deve se focar totalmente na elaboração de suas roupas para atender as demandas de seus consumidores.

Acontece que, na visão dele, quando um estilista começa a trabalhar em outras áreas, como desing por exemplo, esse foco no consumidor acaba sendo perdido, junto com a identidade da marca ou estilista.

Eu descordo quase que totalmente com Tufi. Lógico que existem caso que o estilista, na ânsia por ganhar mais dinheiro ou divulgar mais o seu nome, acaba se perdendo em trabalhos diversos, que as vezes não tem muito a ver mesmo com o estilo da marca.

Mas isto não é regra, muito menos maioria. São muitos os casos de estilistas que se aventuraram em outras áreas e deram super certo, carregando a identidade da marca para outras áreas. Christian Lacroix é o melhor caso, na minha opinião. O estilista, amante do barroco e rococó, já fez decoração de banheiro, de quarto de hotel, assentos de trem, uniforme de aeromoças e muito mais, de modo que podia-se ler facilmente em tudo isso o DNA do estilista.

A própria Marie Rucki – não que ela seja sempre correta – disse em uma de suas palestrar aqui que o trabalho de estilista abre muitas portas para diversas áreas, dando alguns outros exemplos, como Hedi Slimane, ex-diretor de criação da Dior Homme que agora está fazendo muitos trabalhos como fotógrafo.

Aqui no Brasil, só para citar alguns exemplos, tivemos Alexandre Herchcovitch que já fez jogo de cama e cozinha, Adriana Barra com móveis e Rita Wainer com seus abajures.

Enfim, muito ao contrário do que Tufi disse, acredito que quando um estilista faz trabalhos fora da área de moda e ainda assim consegue imprimir sua identidade, é que fica claro o quão bom ele é no que faz.

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Happiness

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Lembra que o Sylvain falou dos meninos em branco nos desfiles internacionais?


Goldfrapp Happiness
Colocado por Revelator18

má qualidade? preços absurdos? falta de tendências?

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Já faz um tempo que eu estou querendo falar disso, mas nunca dá tempo. Enfim, vamos lá. Semana passada, no dia 24 de Março, o WWD publicou uma matéria falando da crise econômica que está afetando a indústria da moda.

Segundo o jornal, as vendas das coleções de inverno 2007 não foram lá grande coisa e pelo que tudo indica as roupas de verão que já começam a chegar as lojas – sendo que ainda nem está fazendo todo esse calor lá fora ainda – também não estão dando uma perspectiva muito boa. Tão pouco as coleções de inverno 2008 que desfilaram em Fevereiro e Março.

A matéria levantou uma série de razões econômicas e técnicas para isso, mais necessidades de demandas, o que os estilistas estão propondo vs. o que o público quer usar de fato. O preço absurdo que as marcas colocam em suas roupas, escolha de cores, tecidos “errados” – tipo o mar de lãs e tweeds pesadíssimos que vimos nos desfiles internacionais para o inverno 2008, que não encontram mercado em qualquer lugar do mundo, ainda mais com as alterações climáticas - e datas de entregas totalmente desconexas com as necessidades do consumidor e também do clima, foram as principais críticas por parte dos compradores.

Eu meio que concordo com algumas coisas, já com outras fico meio em dúvida. Por exemplo, a escolha de tecidos e cores. Tudo bem que quanto aos tecidos, hoje há uma necessidade de atender um mercado muito mais global, com variações climáticas consideráveis, mas essa exigência dos compradores não acaba meio que interferindo na liberdade de criação do estilista?

Lógico que o estilista não pode estar alienado do seu tempo na de sua realidade. Afinal como disse Marie Rucki, se um estilista tem sucesso é porque está em perfeita sintonia com as vontades e espírito do seu tempo. Mas também pensar só no mercado, acaba pasteurizando demais as roupas e deixando a evolução meio que de lado, quando não esquecida.

Daí saiu hoje no Telegraph uma matéria da Sarah Mower falando que outro motivo para essa crise é a má qualidade e estilo meio sem graça das roupas. “Hoje em dia você tem que se apaixonar por alguma coisa para querer comprá-la”, escreveu Mower. E eu super me sinto assim, não é de hoje, aliás faz um bom tempo, em relação a moda masculina nacional, mas isso não é assunto para este post.

A má qualidade pode até ser um reflexo da crise econômica, mas também é fruto da velocidade absurda do ciclo da moda atual, das redes de fast-fashion e, segundo, Mower da China. Mas aí acho que é generalizar demais e até um pouco de preconceito. Embora ainda não seja maioria, tem muita coisa boa sendo feita na China.

Mas o que mais assusta ela e um dos fatores também apontados pelo WWD é a falta de uma grande e única tendência. Eu já tinha dito aqui que as tendências praticamente não existem mais. Embora ainda existam as grandes vontades, tipo os anos 70 para o nosso inverno, os estilistas estão mais indivualistas, no sentido de e focarem mais no universo criativo de cada um e em seu estilo próprio, do que nas grandes tendências.

Daí que temos uma enorme lista de micro tendências, onde quase todas as formas e comprimentos estão na moda, as cores variam muito, assim como os volumes e silhueta. Mas será que isso ainda é muito novo para o consumidor final?

Será que o consumidor ainda necessita de uma grande tendência para ser motivado a comprar? Será que essa história de se vestir de acordo com o estilo pessoal ou garimpando o que há de mais interessante dentro do universo de um estilista ainda não se aplica ao grande público?

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