Casa de Criadores #3

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Dia babado na Casa de Criadores, ou melhor, dia de babados. É que este volume foi o que mais apareceu nas coleções desfiladas no último dia de evento, que começou com uma realocação. O desfile das marca Gêmeas, que estava previsto para acontecer no heliponto do Shopping Frei Caneca, teve que ser transferido às pressas para a sala de desfile devido ao frio que chuva que fazia ontem (30/5).

 

 

Mas quando a coleção é boa, dificilmente a locação pode atrapalhar muito. Carolina e Isadora Krieger mostram uma coleção basicamente de vestidos, com shape meio anos 70, mas bem de leve. Variando entre mais estruturados como o os de tecido de toalha de mesa e ponto cruz e o navy/militar branco e mais soltos como os pretos com rendas e debruns dourados na barra. A única estampa de toda a coleção é um xadrez de amarelo e preto, que também são um dos poucos elementos que evocam aquela estética rocker, por qual a dupla ficou bem conhecida. O masculino vem mais discreto, com calças de alfaiataria mais justas e camisas, com destaque para a xadrez com laço na gola. Interessante notar o quanto as estilistas conseguem evoluir em termos técnicos e de estilo, sem perder sua identidade.

 

 

O mesmo já não acontece na marca Ash que fechou os desfiles. Conhecidos – e hypados – por suas estampas manuais em tons fluo, meio estilo grafite, a dupla parece presa na mesma fórmula. Apesar de uma coleção boa, com protesto fugere urbens, pedindo o retorno para a natureza, Guil Macedo e Roberto Leme não mostram muita evolução. Mudaram, sim, tentando mostrar peças, ainda que bem focadas no streetwear e com silhuetas descoladas, modelagens mais elaboradas que no fim acabaram não dando muito certo.

 

 

No meio desses dois teve o bom desfile Ianire Soraluze, com sua coleção feminina, cheia de babados, principalmente na barra das saias e vestidos que vinha ora bem curtinhos, ora longos até o chão. Ainda que as peças com muito volume, ou as pantalonas por exemplo não tivessem muito sucesso, a estilista acerta nos detalhes, como o matelassê no vestido branco ou no de brim e na cartela de cores bem feminina e alegre.

 

 

Migrando do Projeto Lab para o line-up oficial André Phergon se inspira no universo infantil, mostrando um discreta evolução, principalmente nos looks femininos, ao contrário de suas duas últimas coleções. Com boa mistura de estampas, recortes e sobreposições, o estilista mostra bom trabalho nos plissados e em algumas construções mais assimétricas. Todavia, são as peças menos despretensiosas que acabam chamando mais a atenção.

 

O último dia também contou com o desfile da marca Prints I Like, que teve nas estampas – e apenas nelas – seu ponto alto. A marca Purpure, de Weider Silveiro e Mark Geiner tentou misturar alta-cosutra com beachwear. O resultado foi maiôs complicados demais, com muitos excessos e que tentaram substituir as estampas por texturas – daí as misturas de materiais de diferentes tonalidades e texturas, como vinil, couro, cetim e jacquard de seda.

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Casa de Criadores #2

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O segundo dia da Casa de Criadores começou com a apresentação dos estilistas integrantes do Projeto Lab. Para quem nunca ouviu falar o projeto é um braço da Semana de Moda dedicado a estilista ainda mais novos, que estão realmente ingressando agora com suas marcas no mercado de moda.

 

Ao todo eram 6 participantes, do qual somente dois tiveram merecido destaque, mostrando um razoável preparo para já ingressar no mercado. O primeiro, totalmente novato, o recém-formado João Paulo Elias. A inspiração veio dos trabalhos de formas orgânicas do designer holandês Joris Laarman. Daí os vestidos com recortes curvilíneos, sobreposições de tecidos em tons semelhantes.

 

O outro destaque foi da dupla de estilistas já bem experientes da Der Metropol. Luicana Campos é hoje coordenadora de produto da Maria Garcia, além de ser a responsável por toda linha de acessórios da Huis Clô e Maria Garcia. Já Mário Franciso, foi assistente de estilo de Mareu Nitschke e hoje é professor do curso de moda da Universidade Senac.

 

Apresentações a parte, ficou bem claro o quanto a experiência faz diferença. A coleção veio toda inspirada no universo folk, com base nos lenhadores. Por isso as estampas digitais de madeiras, os tecidos parecendo xadrezes parecendo colchas de retalhos e a pele de vaca que aparecia pontual mente sobre algumas peças, mas principalmente nos ótimos tênis masculinos. A dupla também se destacou pelo excelente trabalho de modelagem e construções das roupas, como na jardineira com volume arredondado no quadril, ou as calças masculinas no estilo dohti, com coxa mais larga, ajustando do joelho para baixo. Peças sempre na base de algodão indo do moletom à malhas finas e texturizadas vem tanto em versões mais simples, fáceis de chegar no consumidor final, como mais trabalhadas, com recortes e construções mais complexas, com ajustes e deslocamento de penses e cavas.

 

 

Já no line-up oficial do evento, o coletivo P’tit vem com uma abordagem mais comercial e diluída, mas nem por isso perdendo todo aquele espírito de “contar história” tão presente em suas roupas. Com apresentação menos performática, continuam os looks com modelagem mais ousada, com muitas amarrações, moulage e formas nada convencionais e também o trabalho exclusivo de garimpo de materiais e peças vintages – afinal foi por isso que a marca ficou conhecida. É o caso do vestido feito de pedaços de várias camisolas antigas, ou do vestido de patch de renda, ou ainda do vestido paetizado, com recorte de tecido florido em modelagem e forma bem desestrurada.

 

Mas agora, ao mesmo tempo, Anna O, Heloísa Faria, Leonardo Negrão mostram peças mas simples, como os conjuntos de bermuda e top na mesma padronagem, ou nas combinações de peças um pouco mais elaboradas com outras mais comerciais.

 

Para seu verão 2009 Rober Dognani pensou em cores, cores fortes como amarelo, verde, roxo, vermelho e azul. Pensou também em encurtar – e muito – as barras de seus longos vestidos dramáticos da coleção passada. Continuam, porém, os looks feitos com técnica de moulage e todos aqueles exageros de babados, laços, pregas e maxi golas.

 

 

Na passarela Rober mostra emoção com seus volumes excêntricos que ganham mais vida com as cores vibrantes. Mas na vida real deixa um grande ponto de interrogação. As formas as vezes com muita sobre de tecidos proveniente da técnica de moulage acabam se tornando muito difíceis de serem digeridas pelo consumidor final. Sem contar que todo o excesso de detalhes como babados, fuxicos e pregas parecem desviar a atenção do estilista para o look geral, mostrando algumas pequenas falhas no quesito acabamento geral.

 

 

Fazendo a ponte-aérea, a carioca Athria Gomes olha para o carnaval dos anos 30 em sua coleção. Com vários blocos que passa pelo Pierrot nas estampas de losango verde e vermelho, pela melindrosa nos looks de franja e pelos piratas nos listrados. No fim parece que a fantasia falou mais alto que as roupas em si. Salvo os looks com ares mais navy, como a saia curta branca ou a pantalona de cintura alta com abotoaduras douradas e naquelas com uma leve pegada rock anos 50, a inspiração carnavalesca ganhou ares muito literal.

 

Quem fechou o desfile foi João Pimenta que nesta coleção resolveu deixar um pouco da teatralidade de seus desfiles de lado para se focar mais na roupa em si. Não que antes elas não merecessem atenção, mas devido ao styling bem dramático ficavam meio camufladas para o olhar do consumidor final. “Se o comercial não aparece, não há desejo pela roupa”, disse o estilista.

 

Mas não adianta – e graças a Deus -, João por mais que tente não consegue deixar de mostrar uma imagem forte e bem característica do seu homem.

 

O estilista também quis se focar bastante na questão da masculinidade, deixando toda a androgenia de suas coleções passadas, quase que totalmente restritas ao make, principalmente nos cabelos à la Amy Whinehouse e nos óculos mais feminios. Um certo clima retro, principalmente dos anos 70 permeia toda a coleção mas de forma nada literal e pouco clichê.

 

 

Na verdade foi o universo do esporte que falou mais alto. Pense em esportes britânicos, como o rugby, ou em jogos medievais e seus uniformes listrados, que a imagem é bem parecida. Os tecidos, como elanca, tricoline e o próprio algodão, também já indicavam a forte tendência do sportwear, até mesmo na boa alfaiataria do estilista. Esta por sinal, vem com muitos recortes, quase sempre em proporções mais reduzidas, principalmente nos blazeres. As peças mais oversized ficam por conta das calças de cintura alta e perna bem larga, ou meio boca de sino, bem anos 70. As camisetas e blusas mais focadas nos esportes também ganham proporções bem exageradas, com ombreiras e muitos sobreposições.

Bom ver como o estilista consegue limpar o visual, deixar tudo com cara mais diluída e mais comercial, sem perder sua identidade.

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Casa de Criadores #1

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Começou ontem (28/5) a 23a edição da Casa de Criadores, evento dedicado a promover e lançar novos talentos da moda brasileira, principalmente do eixo Rio-São Paulo. Reforçando seu caráter de vanguarda, o evento abre a temporada de moda brasileira para o verão 2009.

 

 

E quem deu o start nisso tudo – e um bom início - foi o estilista Gustavo Silvestre, bem conhecido pelo seu primoroso trabalho artesanal, principalmente com seus bordados, e também pela sua estamparia sempre muito rica e detalhada. Dessa vez os motivos, que num primeiro olhara parecem bem étnicos vieram dos desenhos das carrocerias de caminhões. Daí os vários looks de malha bem fininha e molenga com estampas em tons terrosos e pastéis que aparecem hora cobrindo a peça toda, hora de forma mais pontual.

 

Os bordados aparecem bem brilhantes, quase sempre sobrepondo as estampas de peças de silhueta bem ampla e formas soltas, bem confortáveis. Gustavo trabalha bastante – muito bem – com a questão da assimetria, com vestidos, saias e blusas mais estruturados, meio no estilo envelope, com sobreposição de camadas, mas sempre com comprimentos diferentes, fazendo um bom contraponto aos looks mais soltos.

 

Em seguida foi a vez a intervenção do coletivo Tuti Cofusi com suas roupas clubbers-anos 80-punk, com um pouco daquele fundamento de reciclagem, bem parecido com os trabalhos do estilista inglês Noki. Uma apresentação bem experimental, com cara de intervenção mesmo, meio que contando um historinha com climas diferentes.

 

Attention Deaf Disorder (ADD) foi a terceira marca a se apresentar. Depois de pular uma temporada volta sem grandes novidades. Misturando estampas étnicas com estilo californiano a grife continua focada no comercial, mostrando um desfile sem grandes novidades, apenas com boas combinações de bermuda, calça, camiseta, hoodies e também uma linha de alfaiataria. Tudo bem simples, pronto para ir direto para o consumidor final. Afinal, quando os acessórios – como a bolsa de rede ou o relógio com pulseira de pano – são os destaques da coleção é porque algo não está certo.

 

 

Na Diva, a estilista Andréa Ribeiro teve as emoções como tema. Ok, emoções e Elis Regina. O resultado foi tão amplo quanto o tema. Começando com vestidos fluídos estampados, fazendo referência ao glamour dos anos 70, mas com um bom toque de brasilidade. Porém, pecavam pelo mal acabamento, modelagem um pouco esquisita e tecidos de má qualidade. Depois entram os looks mais estruturados, com cintura marcada, numa coisa anos 50 encontra os 70. É aí que Andréa se saia melhor, principalmente nos looks em marinho e vermelho como vestido curto azul marinho de linho de seda com lacinhos nos botões frontais, ou para o vermelho no mesmo estilo. Os looks com brocados acabaram ficando datados de demais, talvez pelo styling que ao invés de ajudar, só atrapalhou. E por fim, looks com estampas de lenços, que junto com as correntes, foi outra inspiração bem forte da estilista.

 

 

Nesta edição o estilista Marcelu Ferraz decidiu estrear no masculino, deixando toda sua linha feminina de fora da passarela. O resultado foi bem ok. O tema era basicamente o Rio de Janeiro. E quando se pensa em Rio, o que se vem em mente? Ternos brancos, roupas frescas, linho, algodão fininho, estampas praianas de coqueiros, flores e papagaios, samba, bossa nova, e meninos lindos com corpos perfeitos. Clichê? Pois é, mas foi bem isso que o estilista e também host da The Week apresentou em seu desfile.

 

 

E para fechar o primeiro dia da Casa de Criadores com chave de ouro – mesmo que esta não tenha brilhado tanto como de costume –, o tão aguardado Walério Araújo. O tema? “É algo que eu tenho muita vontade de fazer, e que um dia eu ainda vou fazer: alta-cosutra”, como o próprio estilista disse no back-stage. Daí todo o luxo e sofistiação que já se podia ver a pleno vapor no primeiro look de Bruna Sotini que abriu o desfile num vestido longo de paetês dourado, todo em camadas.

 

Daí em diante foi um vestido mais exuberante que o outro. Balonê, com franja, com aplicações de flores, brilhantes, rendas, pregas, babados, saias godês bem volumosas e sempre com acessórios de cabeça dignos de um Philip Treacy. Looks que exalavam luxo e glamour e referências à Gaultier, Lanvin, Dior, Galliano e McQueen. Mas espera aí. Como a música dos Tings Tings mesmo dizia: That’s not my name!

 

 

E com o batidão à la funk carioca desta música, os mesmo vestidos voltam a passarela agora com versões mais curtas e também mais no estilo Walério que estamos acostumados. É como se a alta-costura virasse “baixa-costura”, nas palavras do estilista.

 

O vestido cheio de camadas de Bruna, vira um sexy micro vestido paetizado soltinho. O longo rendado com cristais bordados de Claudia Leite, um sexy vestido curto, bem justo. As saiais godês volumosas, são deixadas de lado, revelando hot-pants cheias de sensualidade. O vestido com top e barra de plumas, vira um micro – e bem micro mesmo – vestido de penas. O rosa longo, cheio de tiras, lembrando muito a última coleção da Lanvin, acaba parecendo um Hervé Léger por Walério Araújo. E por fim, o longo com flores aplicadas na ampla saia godê, um tubinho bem justo de um ombro só com uma flor no ombro, bem Sex and The City.

 

Fotos Agência Fotosite

 

 

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as 50 bandas que mais influenciaram a moda

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A TopManzine fez uma lista super legal – com a qual eu concordo quase que totalmente – com as 50 bandas e artistas que revolucionaram a moda nas últimas 5 décadas. Como o próprio site diz, não é nem tanto em relação as músicas ou sonoridades – se bem que algumas dessas bandas também foram revolucionárias nesse sentido – mas, sim, em relação ao estilo e visual, algo que realmente mudou (esteticamente) após o sucesso dessas bandas.

 

Então vamos à lista:

 

 

. ANOS 2000

Uma década onde tudo se resume a cor e a uma mistura constante de estilos passados.

 

Dizzee Rascal - correntes de prata, brincos de diamente, roupas bem oversized… Enfim, o clássico estilo rapper – e o primeiro que se veste dignamente como um na Inglaterra.

 

Franz Ferdinand – usavam uma look super britânico, que até então era uniforme de toda uma geração de estudantes de artes-plásticas. Foram eles os responsáveis por chamar atenção para esse visual.

 

The Klaxons – precisa falar alguma coisa? Reis do nu-rave, camisetões em cores fluo, calças skinny e sneakers também bem coloridos.

 

M.I.A – nu-rave encontre o rap/hip-hop, acho que não precisa falar mais nada, né?

 

Marc Ronson – suuuper chique, sempre com ternos de corte e caimento perfeito, meio no estilo 60´s atualizado. O Phil Spector dos anos 2000.

 

MGMT – o novo new-wave, ou melhor ainda, vesta-o-que-quiser.

 

Lightspeed Champion – com um cabelo meio Rick James versão indie, óculos bem grandes, camisetas vintage de bandas de rock e jeans feminino bem detonado… Indie ao extremo.

 

The Strokes – foram os primeiros a usarem o, agora, batido look da calça skinny, camisa mais justinha e gravatas bem fininhas. Pode-se dizer que foram uma das bandas mais influentes, em termos de moda, dos últimos 15 anos.

 

Pete Doherty – ele pode ser super viciado em drogas, super trash, ex-detento e tudo mais. Mas não há como negar que o mocinho influenciou muitos estilistas pelo mundo tudo.

 

Amy Winehouse – acho que nem preciso falar nada, né?

 

. ANOS 90

A década que os meninos tiveram seu grande momento. Grunge, cultura clubber, raves e hip-hop atingiram proporções jamais esperadas.

 

Jarvis Cocker – veio daquela onde nerd que só foi ganhar o mainstream na década seguinte. Estilo esquisito e sofisticado ao mesmo tempo. weirdly cool.

 

Notorious B.I.G – com todas as correntes, brincos e bulseiras no melhor estilo e elegância… Ah, com os melhores ternos também!

 

Happy Mondays – pode nem parecer tão importante assim, mas os looks dos integrantes da bando serviram como base para o Oasis e depois para os Arctic Monkeys. Era sempre o melhor e mais clássicos estilo italiano de se vestir.

 

Lemonheads/Evan Dando – digamos que foi o look do supermodelo misturado com a estética grunge.

 

Kurt Cobain, Nirvana – a personificação do grunge! Camisas de flanela, cabelo com aspecto seboso e jeans rasgado.

 

Oasis – os meninos vestido de meninos mesmo. No bom estilo italianos, com camisas bem confortáveis e mocassim.

 

 

Blur – do indie ao casual estilo americano, eles passaram por vários looks, sempre chamando muita atenção a cada mudança.

 

Daft Punk – the robots are comin! Seguindo o caminho do Karftwerks eles deram um passo a diante, apostando no futurismo e na era tecnológica.

 

The Prodigy – responsáveis por levar o look rave ao mainstream, mas sem antes deixar o visual bem dark, meio filme de terror.

 

The Wu-Tang Clan – do ODB ao GZA eles praticamente nunca mudaram seu estilo…

 

. ANOS 80

A década que os clubes e toda a cultura underground da noite subiu ao mainstream, que as boybands decolaram, que os estudantes começaram a ficar fashionables e que o estilo jamaicano chegou nos subúrbios.

 

The Smiths/Morrissey – ele pegou as recomendações de saúde e bem estar que estavam em alta, os casacos e sobretudos baratos e os problemas emocionais e transformou tudo isso em algo muito sexy.

 

Bros – tampinhas de garrafas nos sapatos e cintos com nomes gravados, e também levaram a MA1 Face para as páginas da Smash Hits.

 

Frankie Goes to Hollywood – responsávies para febre dos looks de vinil, latex e couro.

 

Madonna – dispensa qualquer comentário, né? Por favor…

 

Guns N’ Roses – o estilo era só um dos reflexos de tudo que eles significavam e eram. Hard! Meio trash, meio metal e também meio andrógeno.

 

The Specials – ternos bem modernos (para época), bem sequinhos, sempre com ótimos chapéus.

 

Boy George – super ligado a cena de moda de Londres, só de dizer que usava os excêntricos chapéus de Philip Treacy já diz bastante, né? Exótico, gay, sinistro e clubber.

 

Grace Jones – foi ela, junto com as roupas de Jean-Paul Goude, que criou as imagens mais icônicas dos anos 80. Sempre marcada bom geometria, músculos, cara séria… Enfim, poder total.

 

Run DMC – roupas de ginástica, medalhões, chapéus e muitas jóias.

 

Duran Duran – o estilo de Miami encontra Londres. Catou?

 

. ANOS 70

Do hippie ao punk, ao glamour extremo.

 

Sex Pistols – foi ninguém menos que Vivienne Westwood quem vestiu eles. Basicamente a origem do punk. Será que podemos considerar esta a banda mais icônica e estilosa de todos os tempos?

 

David Bowie – passou do glamour 70´s da época de Ziggy Stardust para o restrito (mas nem por isso menos bonito) look yuppie de Thin White Duke. Um dos artistas que mais influenciou a moda, sem a menor dúvida.

 

Roxy Music – super cool e exótico ao mesmo tempo. Um certo glamour cavalheiresco que fascinou os estudantes de artes da época.

 

Talking Heads – se vestiam como se estivesse indo trabalhar numa livraria, uma coisa meio art rocker.

 

The Clash – os pioneiros dos slognas em Londres. Mistrou o punk com o rockabilly, com o rap e com reaggae.

 

Iggy and the Stooges – calças metalizadas, look meio sujo e fetichista. Ah, e com make bem marcante de vez em quando.

 

Marc Bolan – ele podia ser pequeno, mas foi tão grande quanto os Beatles nos seus dias e mais bonito também.

 

Kraftwerk – super influenciado pelos new romantics e por uma dose bem grande de futurismo.

 

The Ramones – só vou dizer duas coisas: os cortes de cabelos e os jeans ultra justos. Já deu para imaginar, né?

 

Black Sabbath – heavy metal, gótico com todo aquelas imagens meio ocultas, cruzes, medalhões e tudo mais.

 

. ANOS 60 (e um pouqinho antes)

Tempos de grandes revoluções. A década que o estilo de rua, realmente dominou o mundo.

 

The Velvet Underground – eles já eram incríveis com seus óculos escuros, músicas sobre coisas ruins. E quando Andy Wharhol e Nico se juntaram a banda de rock mais sinistra dos anos 60, ficou melhor ainda..

 

Elvis Presley – é só lembrar dos pentados e dos ternos, se falar mais estrega.

 

Jimi Hendrix – o pioneiro do visual pasiley rocker.

 

Buddy Holly – ele fez os óculos, aqueles bem nerds, ficarem cool.

 

Johnny Cash – seu visual era como sua música: simples, sóbrio, sombrio e poderoso.

 

Little Richard – professor de Prince em termos de estilo… E da maquiagem também!

 

The Rolling Stones – no começo todos eles se vestiam com ternos bem modernos, mas no final dos anos 60 cada um escolheu um estilo próprio. Keith parecia uma pirata descolado, Mich um príncipe paisley e Charlie apenas um badass.

 

The Beatles – dispensa qualquer comentário. Sempre líderes e não seguidores, fosse em termos de moda ou música.

 

Frank Sinatra and The Rat Pack – o sucesso com as garotas da época já diz tudo.

 

Frankie Valli & The Four Seasons – a banda favorita dos gangsters, com seus ternos bem sequinhos, cabelo bem arrumado, dentes bem brancos e voz aveludada.

Raquel Zimmerman e o CFDA

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Segunda-feira que vem acontece a premiação do CFDA Awards, meio que o Oscar da moda, está sabendo? Pois bem, e diz que os convidados do evento de gala vão ganhar um livro especial com looks dos estilistas indicados ao prêmio vestidos por Raquel Zimmerman. No Fashion Week Daily saíram algumas da fotos clicadas por Mikael Jansson, que parecem estar bem legais, viu…

 

 

Veja aqui a lista de indicados aos prêmios do evento:

 

Melhor Estilista de Coleção Feminina
Francisco Costa para Calvin Klein
Lazaro Hernandez & Jack McCollough para Proenza Schouler
Marc Jacobs

 

Melhor Estilista de Coleção Masculina
Michael Bastian
Thom Browne
Tom Ford

 

Melhor Designer de Acessórios

Tory Burch

Marc Jacobs

Michael Kors

 

Prêmio Swarovski para Melhor Coleção Feminina
Thakoon Panichgul
Kate & Laura Mulleavy para Rodarte
Alexander Wang

 

Prêmio Swarovski para Melhor Coleção Masculina
Patrik Ervell
Tim Hamilton
Scott Sternberg para Band of Outsiders

 

Prêmio Swarovski para Melhor Designer de Acessórios
Philip Crangi
Justin Giunta para Subversive Jewelry
Joy Gryson

 

Prêmio Geoffrey Beene pelo Conjunto da Obra
Carolina Herrera

 

Prêmio Eugenia Sheppard
Candy Pratts Price

 

Prêmio Internacional
Dries Van Noten

 

Homenagem Especial dos Diretores do CFDA
Prefeito Michael R. Bloomberg (da cidade de Nova York)

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anos 70 de verdade é isso aqui ó

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Novo clipe de Sigurs Rós (pena que o youtube baixa qualidade… Quem quiser entra no site que dá para baixar o vídeo em alta)

Natalie Portman e Lanvin

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Eu não costumo falar muito de celebridades aqui no blog, mas essa não pode passar em branco. Estava aqui olhando as fotos dos tapetes vermelho do Festival de Cannes e fiquei impressionado com os looks de Natalie Portman. Ok, eu já era bem fã dela antes, nem tanto pelo estilo – preciso confessar, nunca reparei muito no estilo dela -, mas mais pelos seus trabalho. E agora virei mais fâ ainda.

 

 

Tirando um vestido azul marinho, vintage Chanel Couture, só deu ela e seus Lanvins incríveis! Tudo bem que no geral os looks deste festival não foram lá grande coisa, mas Ms. Portman arrasou. Não é a primeira vez que ela escolhe Lanvin para usar em tapetes vermelho, já que a atriz já apareceu em dois eventos vestida por Alber Elbaz, mas desta vez os looks estavam incríveis meeeesmo.

 

 

E não foi só ela que escolheu Lanvin. Parece que os clássicos reis do tapete vermelho, como Armani, Roberto Cavalli, Versace e Marchesa dessa vez ficaram em segundo plano, se comparado aos ótimos vestidos curtos ou longos, drapeados, com babados ou com plissados que personalidades como Linda Evangelista, Carine Roitfeld, Kirstin Scott Thomas e Julie Gayet vestiram nessa edição do evento.

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Mais de Casa de Criadores

CASA DE CRIADORES 2 Comments »

Eu tinha decidido que não ia repetir o que costumava escrever sempre que acontece mais uma edição da Casa de Criadores. Acontece que, por coincidência ou não, duas pessoas vieram me perguntar hoje o que era o evento, qual sua importância, se era uma coisa bem comercial, ou bem alternativa. Daí que resolvi escrever sim, porque é informação extra não tão ruim assim, né?

 

 

A Casa de Criadores é hoje o principal lançador de novos nomes, quando não, talentos na moda brasileira, principalmente no eixo Rio-São Paulo. Foram necessários 10 anos para o evento que era tido como underground literalmente ascender à um quase que mainstream, mas mesmo assim, sem perder seu gostinho pelo alternativo e - desculpe a repetição - underground.

 

Alguns de seus participantes iniciais já se tornaram nomes de peso na indústria da moda brasileira. Vide André Lima, Lorenzo Merlino, Mário Queiroz, Ronald Fraga, Marcelo Sommer, V.ROM, Fábia Berscek, Giselle Nasser e Karla Giroto. Outros, ainda no line-up do evento não ficam atrás, mostrando grande potencial em conseguir seu lugar ao sol. Basta olhar as constantes evoluções de marcas como Gêmeas, Gustavo Silvestre, Thiago Marcon, João Pimenta e Walério Araújo. E quando falo em evolução não me refiro apenas à questão estética, mas também a toda estrutura comercial e financeira necessária para a sobrevivência de uma marca.

 

O evento surgiu quando, em 1997, André Hidalgo começou a sentir sinais que a moda iria se tornar um dos mercados com maior potencial de crescimento no Brasil. Na época aconteciam as primeiras edições do Morumbi Fashion, e os trabalhos de Alexandre Herchcovitch e Walter Rodrigues, por exemplo, já começavam a chamar bastante atenção.

 

Porém,  ainda não havia espaço - leia-se evento - para novos talentos. Estilistas com potencial de crescimento não encontravam meios para expor seus trabalhos e serem descobertos.

 

Frequentador da noite de SP, André logo percebeu que a can underground da cidade está efervecendo com novos estilistas. “Um dia, conversando com Lorenzo Merlino e Jeziel Moraes, sugeri fazermos um evento para mostrar o trabalho deles. Eles toparam na hora. Aí, o Lorenzo chamou a Elisa Stecca, o Jeziel chamou o Martielo Toledo e eu chamei a Annelise de Salles que, por sua vez, chamou o Sommer. E lá se foram 10 anos!“, disse em entrevista de Ricardo Oliveros para o BlogView.

 

 

Lógico que, hoje, a Casa de Criadores, e principalmente, as marcas e estilistas participantes se encontram um pouco divididos entre manter-se como undergrounds, ou se tornarem marcas comerciais pertencente ao mainstream da moda. Essa dúvida e ânsia por se tornarem marcas reconhecidas no mercado, junto com a falta de recursos ($$$) encontradas pelos estilistas do evento é o que acabou contribuindo para algumas coleções bem fracas nas últimas edições do evento. Aquela coisa de almejar algo muito alto, sem ter os meios para tal, apresentado algumas falhas bem graves em acabamento e qualidade de tecido utilizado. Ou então coleções comerciais ao extremo, sem propor nada de novo, sequer interessante.

 

O que acontece é que são poucos os que percebem que é, sim, possível crescer, evoluir, sem perder esse espírito underground - se bem que acho a palavra “indie” mas apropriada para descrever essa vibe que cerca o evento e seus participantes. Walério Araújo e João Pimenta são os melhores exemplos. Ambos vêm apresentando ótimas coleções em desfile marcantes, cheios daquela energia que marcou os momentos históricos da Casa de Criadores. Sem falar nas roupas em si, que enquanto parecem mirabolantes e um pouco complicadas na passarelas, são na verdade peças bem interessantes e prontas para serem usadas na vida real.

 

 

 

 

 

 

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Depois de algumas mudanças na data do evento, começa nesta quarta-feira (28/5) mais uma edição da Casa de Criadores. Continuando a dar largada o evento, que acontece pela terceira vez no Shopping Frei Caneca, traz algumas novidades no seu line-up.

 

A primeira delas é a volta da Gêmeas, que na edição passada ficou fora do line-up oficial evento, assim como a Attention Deaf Disorder (ADD) que também ficou uma temporada sem desfilar e retorna agora com sua coleção para o verão 2009.

 

De novo tem a marca Weider Silveiro e Mark Greiner, Purpure, e o estilista André Phergom que migrou do Projeto Lab.

 

E por falar em Projeto Lab - espaço dedicado a estilistas ainda bem pequenos, começando agora sua carreira na moda - ingressam os designers João Paulo Elias, Marya Nasser, Der Metropol, Clarissa Lorenz e R. Rosner.

 

Confira aqui o line-up completo do evento:

 

Quarta-feira, 28/05/08 

 

Intervenção Tudicofusi

Gustavo Silvestre

Attention Deaf Disorder (ADD)

Diva

Rober Dognani

Walrio Arajo

 

Quinta-feira, 29/05/08

 

PROJETO LAB

Apresentação coletiva dos estilistas:

Valencio Lemes

João Paulo Elias

Tony Jr.

Marya Nasser

Der Metropol

Clarissa Lorenz

R. Rosner

 

Ptit [por Anna O., Fernanda Padin, Helosa Faria e Leonardo Negro]

Marcelu Ferraz

Athria Gomes

João Pimenta

 

Sexta-feira, 30/05/2008 

 

Gmeas [por Carol e Isadora Foes Krieger]

Purpure [ por Weider Silveiro e Mark Greiner]

Ianire Soraluze

André Phergon

Prints I Like

Ash 

 

 

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jeans conservador?

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Estava eu lendo uma entrevista com Vivienne Westwood feita por Agyness Deyn na i-D de maio – aquela que ela está na capa – e fiquei um pouco surpreso com a seguinte fala de Mrs. Westwood:

 

Eu acho que as pessoas devem parar de usar jeans (…). Eu realmente não iria comprar jeans. Acho que todo mundo fica igual usando eles. Eu não consigo usar jeans. Faz muito tempo desde que usei pela última vez, e me senti muito conservadora. Tive que tirá-los imediatamente”.

 

 Que hoje jeans e camiseta é o uniforme de muita gente – principalmente dos brasileiros e americanos – a gente já sabia. Que eles, de fato, deixam todo mundo igual, ou pelo menos bem parecido, também não é novidade. Mas mesmo assim continuamos usando-os e adorando-os. Eu praticamente só uso jeans! Mas e ai, ficamos mesmo todos iguais de jeans? Será que não há um jeito de usá-los de forma diferente? Será que eles são mesmo uma peça conservadora?

 

Ontem estava lendo uma matéria no NY Times, sobre as duas visões sobre masculinidade existentes na moda hoje (super tem que ler) e vi o assunto lá de novo:

 

Tendo decidido que o uniforme americano de jeans e camiseta se transformou numa depressiva roupa do establishment, Sr. Browne (de Thom Browne) decidiu reviver o terno, o costume que já foi definido como o establishment em si”. Guy Trebay para NY Times.

 

E não é que isso é bem verdade. A própria Vivienne Westwood, assim como muitos outros, já disse várias vezes que hoje não há mais como lutar contra o establishment. Quanto mais se luta contra ele, mas ele se fortalece. Todas as formas de rebeldia são assimiladas e usadas a seu favor.

 

Com o jeans não foi diferente. A peça, que desde o seu surgimento era destinada quase que totalmente a trabalhadores, começou a ser usadas por adolescentes e jovens como forma de protesto contra a conformidade nos anos 50. Na época, os jeans eram super mal vistos, e pessoas que os vestiam eram até proibidas entrar em alguns restaurantes, bares e teatros.

 

Já na década de 60 a peça passou a ser mais aceita, e nos anos 70 ganhou as passarelas, sendo Calvin Klein um dos primeiros estilistas a apostar no jeans. Hoje, não preciso nem falar, né? A peça está presente no guarda-roupa da maioria dos seres humanos, nas mais variadas modelagens, cores e lavagens.

 

Tanto que a peça virou praticamente carne de vaca. E hoje, um bom terno – mas bom mesmo, com corte contemporâneo, proporções e silhueta atualizada – acaba sendo uma opção bem mais descolada do que o bom e velho jeans.

 

Exemplo são os ternos – ok, bem esquisitos - de Thom Browne, que é um dos principais personagens da matéria do NY Times. Browne é um estilista que diverge opiniões. Ele ficou bem conhecido por alterar as proporções clássicas e tradicionais do terno, encurtando a barra das calças bem acima do tornozelo, encolhendo o blazer e deixando-os bem justos. Considerado por alguns como um visionário e questionador das tradições do guarda-roupa masculino ou como um estilista de extremo mal gosto.
 

 

Mas gostos a parte, não há como negar o excelente trabalho que o estilista faz alterando e propondo novas formas de se usar um terno. Suas experimentações com volumes e principalmente proporções são essenciais para a busca de uma nova forma de vestir o homem, assim como de ir acostumando o público e a mídia com mudanças que podem estar por vir.

 

E não é só Thom Browne que acredita que a alfaiataria e elementos tradicionais do guarda-roupa masculino são os meios mais eficazes para propor mudanças no modo como o homem se veste hoje em dia. Basta dar uma olhada nas últimas coleções de Viktor & Rolf, Burberry, Costume National, Prada e principalmente Junya Watanabe.

 

E vale ressaltar que todas essa busca por um novo vestir masculino está sendo feito de olho no passado. De olho em roupas que antes eram consideradas uma das mais tradicionais e conservadoras, mas que agora, no nosso atual contexto social, acaba sendo algo muito mais vanguardista e questionador do que o jeans e o próprio streetwear.

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