Nostalgia now

2008 May 5
by Luigi Torre

Estava fazendo uma pesquisa para uma matéria que estou escrevendo para o site do SPFW quando me deparei com o seguinte artigo escrito por Marco Sabino:

 

“Procura-se o novo. Num momento econômico difícil para todos os países, quando se escuta a palavra crise em quase todas as rodas de conversa e até mesmo nos jornais especializados em moda, procura-se novidade. Nunca seu ouviu tanto falar em novos criadores, alunos recém-saídos de escolas de estilismo e pesquisas de novos horizontes e marketing. São inúmeras matérias publicadas sobre o funcionamento de escolas de estilo, como o FIT em Nova York, a Saint Marint´s em Londres, ou mesmo a Bunka College em Tóquio. Espera-se uma nova leva de criadores, uma vez que os nomes de primeiro escalão se tornaram um pouco repetitivos e têm procurado sua reciclagem no passado, inspirando-se em monstros sagrados como Chrisitan Dior e Jaqcues Fath. Para os criadores estabelecidos não é momento para grandes mudanças, ousadias aventureiras. Mas, mesmo assim, os europeus parecem necessitar de ares novos, respirar idéias inusitadas. Dior, em seus quarenta anos comemorativos, foi o mais lembrado nas coleções de inverno 87/88.”

 

Este artigo foi publicado na revista Desfiles e Coleções, em 1987. Pois é, e 11 anos depois o cenário não parece tão diferente, né? Ontem mesmo estava lendo uma matéria no jornal WWD falando da crise econômica que está fazendo com que muitas lojas americanas, das mais luxuosas às mais populares, entrem em liquidação com medo de não vender todos os produtos que foram comprados cerca de 6 meses antes, quando a economia – apresar de crise – ainda estava num estado mais aceitável.

 

Isso sem falar na crise de criatividade que a gente vem vivendo nas últimas temporadas de moda. Tudo bem que nosso último SPFW foi um dos melhores, dentre os 5 anteriores, mas ainda assim está longe de ser uma explosão de novidades, ou algo realmente incrível. Até mesmo nos desfiles internacionais, parece que o passado tem agradado mais do que o novo.

 

E quanto à esperança dos novos estilistas que vem surgindo, principalmente em Londres, mas também na Bélgica e no Oriente, deixa o cenário atual bem parecido com aquele descrito por Sabino em sua matéria.

 

Acontece que hoje a situação é um pouquinho pior. A crise econômica tem motivos diferentes, alguns causados pela própria indústria – como alta dos preços, datas de entrega e compras etc -. O problema da criatividade também é um pouco mais grave, porque o que serviu de solução para os anos 80, como maximalismo da Lacroix ou a descontrução dos japoneses não é mais novidades.

 

Em termos mudanças estéticas – porque tenho que confessar que economia não é muito a minha praia -, acredito que as mudanças, seja lá quando elas vão acontecer, vão ser mais sutis, discretas. Algo mais em termo de proporções/silhuetas e na tecnologia dos tecidos/materiais, do que invenção de uma peça totalmente nova. E como muito já se falou essas mudanças talvez ocorram, principalmente, na moda masculina, já que durante muito tempo pouquíssima coisa mudou lá.

5 Responses leave one →
  1. 2008 May 5

    Pois é, ainda que seja difícil inovar constantemente, a tecnologia tem ajudado os criadores ao permitir novos materiais serem fabricados mais baratos e com qualidades diferentes do que os atuais.

    É questão de tempo até aparecer um novo nylon ou um algodão transparente, sei lá. Só o futuro sabe.

  2. 2008 May 6

    Acho que a questão aqui não é exatamente uma crise econômica. É a própria lógica do capitalismo que mudou mesmo. O centrão do mundo abandonou o modelo do bem estar social e adotou a reestruturação produtiva que, em poucas palavras, significa explorar muito mais a mão de obra. As economias crescem, mas a qualidade de vida e o poder de compra das pessoas não.

  3. 2008 May 14
    Georgiana permalink

    Acredito que o que estamos passando é algo muuuuito parecido com a primeira década do século passado… uma mudança sutil, sem muitas inovações… estamos revivendo a moda, pois não temos mudanças significativas na sociedade desde a década de 90… poxa, será que é somente eu que acha que parece que estamos num longo 90?

    Além da tecnologia, que é uma forma de sustentação e reafirmação e até maior dependência do capitalismo (cujo auge foi em 90), qual mudança na estrutura social significativa ocorreu nesta década? Assim, me desculpe, mas agora não vem nada em minha mente…

    Particularmente, nunca esperei que viéssemos inovar por agora, acredito que, talvez, somente a partir de 2010 e seguinte, para o ciclo se repetir…

    Meio determinismo?? Não sei… soh pensamentos… bjssss

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