por uma roupa além da moda

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De verdade, não consigo entender porque tem tanta gente com preguiça (e também preconceito) com o Ronaldo Fraga. Não com a pessoa em si, mas com suas roupas. Qualquer um que se interessa um pouco por moda já deve ter ouvido comentários, do tipo “roupas de Maria mijona” sobre as peças de Ronaldo. Além disso, ouvi um monte de comentários durante e depois do SPFW de gente que morria de preguiça das coleções do estilista, que era tudo chato, bla bla bla.

 

E eu sempre defendendo o trabalho dele. Tanto que até fiquei conhecido aqui na redação do site como defensor do Ronald Fraga. Tenho que confessar que não sou fã do estilista, mas respeito e acho super válido, interessante, importante e quase único o seu trabalho.

 

Existem alguns estilistas que conseguem levar sua roupa para além da moda propriamente dita. Roupas que carregam valores em si que remetem à uma série de outros fatores e questões culturais. Quando vestidas conferem à seus portadores valores mais atrsy-cult do que de fashionistas. É o caso de Ronaldo Fraga, Lino Villaventura, Karla Girotto e até um pouco de Alexandre Herchcovictch.

 

Se pararmos para pensar, são todos estilistas que acabam olhando mais para seus próprios universos, para coisas do mundo que os interessam e acabam sendo traduzidas para roupa. E de fato, o Ronaldo Fraga sabe fazer isso como poucos. Suas roupas acabam tendo um peso cultural muito mais forte do que mero movimentos de moda, tendências e etc.

 

 

Ora regionalista, ora aristas, ora musical ou até estilistas mesmo, Ronaldo consegue transpor para suas coleções valores que transcendem o efêmero mundo da moda. A mulher que compra Ronaldo Fraga, não o faz para ficar a par das últimas tendências do momento, mas sim porque se identifica com o tema, com a pesquisa estética e com o próprio universo do estilista.

 

Como diz no seu novo blog, Ronaldo “tronou-se estilista no susto. Nunca desejou sua carreira, não teve mãe costureira ou irmãs provando vestidos em casa e nunca brincou de boneca. Começou pelo simples fato de saber desenhar. Trezentos anos depois, continua ilustrando personagens para suas estórias: o que muitos chamam de moda”.

 

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4 Responses to “por uma roupa além da moda”

  1. laura Says:

    Oi Luigi,
    adorei seu post. Concordo em gênero, número e grau.
    O Ronaldo é tão cuidadoso com a imagem da marca dele. Até o release da coleção dele é cuidadoso. Fora que ele é o único que sempre se volta para temáticas brasileiras, o que é quase nulo no mundo da moda.

    Quem criticou o Ronaldo certamente já se desprendeu da idéia da criação de moda genuinamente brasileira. Porque nesse aspecto ele é um dos exemplos.

    beijos

  2. fernanda Says:

    to pra comentar esse post há dias.
    super concordo com tudo, e acho que no fim, o que super valida sua opinião (minha e da laura também) é que a moda dele não atende só à imagética e ganha vida na vida real, no corpinho das clientas fãs. que pagam pra ter porque a roupa dele, pra elas, representa mais que só roupa. tipo ciclo da vida, né? amo. =)

  3. fashionista Says:

    ok respeito o seu ponto de vista, da criação, do além-moda, mas, honestamente, não dá. não dá pra usar roupa de plástico, não dá pra usar o mesmo vestido, com a mesma silhueta, com o mesmo caimento, com as mesmas estampas forever and ever. trata-se sim de uma identidade fortíssima, a do ronaldo, na moda nacional. mas e a novidade? e o passo adiante? e a ousadia? ele super play safe all the time. descobriu uma fórmula, como o fez o lino villaventura, que é pessoal e intransferível, mas que também cai no lugar-comum pq não se renova nunca. é isso.

  4. Bianca Says:

    Concordo com tudo que foi escrito, acho que devemos e temos que respeitar a criação de um estilista que acima de tudo não copia, ainda + hj em dia onde nada se cria e tudo se copia. Parabéns.

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