Eu estava preparando um post-manifesto sobre a moda masculina, mas fui meio furado pelo Vitor Ângelo DusInfernus. Tinha desistido do post, e ia só comentar o primeiro post da série no blog dele, mas quando vi que o comentário estava ficando um pouco grande de mais, achei melhor fazer um post mesmo. Então vamos lá.
Vocês devem ter reparado que não falei nada aqui sobre os desfiles de moda masculina internacionais. Um dos motivos – e o principal – é que achei tudo muito chato. Uma mesmice sem igual. Na verdade, já andava desanimado com a moda masculina á tempos. Desde que escrevi aquele post sobre a alfaiataria x jeans, e principalmente depois que li o comentário que o Vitor Ângelo me deixou – que mudou minha opinião e até me deixou um pouco arrependido de ter escrito o post.
Mas enfim, conversei com ele sobre o assunto durante o SPFW e só fiquei ainda mais desanimado – e até um pouco irritado – como as coisas andam na moda masculina. Segundo ele, o problema da moda masculina é que desde o século XIX, quando o homem renunciou a moda, se abdicando de várias circunstâncias que contribuíram para a permanência eterna do terno.
Lá no Dus Infernus, Vitor falou com Lula Rodrigues, blogueiro e crítico mor da moda masculina sobre o assunto. Lá ele explica passo a passo como toda essa renúncia ao próprio ciclo da moda (para os homens) foi acontecendo (TEM QUE LER).
Depois de ler essa aula do Lula, fica fácil compreender porque a moda masculina ainda considera o terno como símbolo top de sua elegância, com variações tão mínimas que chega até a ser ridícula. Como o próprio Vitor Ângelo disse, “o que se valorzia na moda masculina é o pensamento cartesiano”. É tudo muito fechado, muito restrito.
É como se a dinâmica da moda masculina fosse a anti-moda. Anti-moda no sentido de não ter ciclos de renovação e mudanças constantes. Afinal, estamos desde o século 19 vendo praticamente a mesma coisa.
Isso sem contar que a questão da moda masculina, como Vitor e Lula sabem bem, está totalmente calcada na questão da identidade sexual. Daí que concordo com o Vitor quando ele me disse que “o futuro da moda (e não só masculina, ao meu ver) está no unisex”. Porque enquanto o homem não deixar a idéia absurda de que existe roupa para hetero e roupa para gay, o papel de gerar individualidades nunca vai acontecer para os homens.
“Enquanto as mulheres aprenderam com Chanel que é muito bom invadir o guarda-roupa dos homens e com Saint Laurent que com uma certa atitude um smoking pode ser muito feminino, os homens custam em sair do armário e perceber que a roupa não define a sexualidade de ninguém, apenas marca se você tem personalidade diante da manada de cordeiros”, escreveu Vitor Angelo no blog dele, com o que eu concordo plenamente.
Sem contar no fato de que a alfaiataria tem que deixar de ser vista e considerada como superior ao streetwear. Na verdade, a alfaiataria só vai conseguir mostrar trabalhar dentro do conceito de moda, de buscar novidades e gerar individualidades, quando vir em serviço do streetwear.
2 Comments
menino, vc colocou tópicos que eu conversei com o Lula e mais coisas que eu deixei passar como a alfaiataria ser cartesiana.
essa semana promete.
e eu acho que a gente tá no começo de um tempo bem favorável à mudança de “colocações” do terno e da “roupa de rua”- acho que a vida, por si, vai trocar os dois de lugar e rearanjar importâncias. que quando a gente era criança, todos os pais dos colegunhas usavam terno. e hoje a galhera tá toda ganhando dinheiro de bermuda e camiseta e tênis, não tá? faço votos que os meninos todos leiam você e o vitor e o oliveros na playboy e o lula, pra engrossar o coro não só das idéias mas também da revolução (vc já tá engrossando esses dois lindamente, te adoro meu amigo!).
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