por uma moda mais democrática
Um pouco antes do último SPFW começar uma amiga minha que ia cobrir o evento pela primeira vez me perguntou porque o evento era fechado. Porque, quando a moda se propõem a ser cada vez mais democrática, o evento é restrito a convidados. E no fundo é bem verdade.
Tudo bem, quem trabalha lá sabe que não é nada glamuroso como muita gente pensa. É trabalho em dobro e uma correria louca que deixa todo mundo acabado ao fim do evento. Por isso que – assim como eu – muita gente que trabalha lá apóia o evento ser fechado, porque assim facilita nosso trabalho, já que diminui cofusões. Sério, se já tem dias que a bienal fica um inferno para trabalhar, devido a multidão que vai para alguns desfiles, imagina se o evento for aberto.
É bem válido aquele texto que a Erika Palomino escreveu durante um Fashion Rio, reclamando do barulho num dos lounges e falando que enquanto os eventos de moda não começarem a se ver menos como festa e mais como algo profissional, a moda não vai andar para frente.
Ao mesmo tempo tem a questão de que grande parte – a maioria na verdade – da nossa sociedade é super carente em informação e cultura de moda. E aí eu me pergunto se ao abrir os desfiles para o público não estaríamos ajudando a difundir a informação e cultura de moda. Lógico que não adianta só mostrar um desfile, tudo tem que vir bem acompanhado de uma divulgação e cobertura da mídia bem didática e expressiva, não voltada para o próprio meio, mas para o público leigo.
Por isso que achei bem interessante a iniciativa da Casa de Criadores, em pareceria com a semana Viver Design em São Paulo, de apresentar desfiles abertos ao público.
Ainda sabe-se pouquíssimo sobre o evento, ou melhor, os eventos, porque a Semana Viver Design vai unir 3 eventos: Casa de Criadores, um projeto em pareceria com o núcleo Habitar Design para a criação de um museu de moda internacional, e a mostra re(produzir) em que estilistas já reconhecidos criarão um look acompanhado de sua modelagem em papel para exposição e distribuição em lugares acessíveis da cidade de SP.
Parece bem legal, né?
acho zero produtivo levar público leigo ao desfile, acho quase deseducação. democracia na informação de moda é formar bons jornalistas e ter tanta imprensa boa quanto possível nos desfiles, pra então difundir a moda via educação, via repertório imagético farto. pro leigo não adianta ter a imagem sem a referência, sem o conceito explicado. não que o público seja burro (não é!), mas a gente assistindo a uma cirurgia precisaria de alguma explicação também, não precisaria? mas isso é só minha humble opinion. =)
Super válida sua opinião. Eu também acho que só levar o público leigo não ajuda em nada. Por isso que falei que tem que ser bem acompanhado de uma boa cobertura e tals. É que as vezes muita gente leiga (mas leiga mesmo, sabe? Que nem conhece blogs de moda e tals) acaba não lendo e se interessando por achar que é algo muito inatingível, sabe?
sou leiga em moda mas, além de consumidora e curiosa, trabalho com arte e design. deveriam ser as exposições de arte restritas somente a artistas e críticos, ou peças de teatro, a atores ou diretores? acho que desfiles deveriam ser abertos ao público, pois não se pode ignorar o interesse e, sobretudo, o repertório cultural de cada indivíduo. acredito sim que poderiam existir iniciativas para se aproximar o público em geral da moda, como acontece no festival anima mundi, onde workshops de animação são oferecidos aos visitantes. caso contrário, a moda corre o risco de se tornar algo estanque e intocável, além de inutilizável, pela incapacidade das pessoas se conectarem a ela.
Vimos que foi citado no texto acima a semana Viver Design em São Paulo
Para mais informações:
http://www.viverdesignsp.blogspot.com
ou Ludmila di Bernardo: 3113-8564