nova forma de fetiche?

fetiche, moda Add comments

Um monte de gente tem costume guardar o cardeno Mais da Folha. Eu sempre achei um pouco de besteira, porque no fim a gente nunca acaba lendo. Só fica lá um monte de jornal amontado ocupando espaço. Mas enfim, o desse domingo (31/08) eu não consegui jogar fora. E acho que poucos fashionistas conseguiram também.

 

É que nesta edição ele veio quase todo dedicado a moda, com uma entrevista incrível do Alcino Leite Neto, editor de moda do jornal) com Lars Svendsen, autor do livro Fashion - a philosophy.

 

Daí que um dos assuntos abordados na matéria é sobre as modelos e a relação moda-corpo:

 

FOLHA - Por que as modelos se transformaram em grandes estrelas midiáticas de nossa época? Que função elas exercem na “ideologia da realização estética” do sujeito, como o sr. escreve?
SVENDSEN - As modelos são a mais alta encarnação de uma cultura em que nossas identidades essenciais devem estar situadas em nossos corpos, não em nossas almas. A formação da auto-identidade na era pós-moderna é, num sentido crucial, um projeto do corpo.
O corpo tornou-se um objeto de moda especialmente privilegiado. Aparece como algo plástico, que se modifica constantemente para adequar-se às novas normas que surgem. E as modelos são as representantes maiores dessas normas.

Mas mesmo elas não chegam a adequar-se às normas. Já na década de 1950 não era incomum que modelos se submetessem a cirurgias plásticas para se aproximarem das normas, por exemplo removendo seus molares posteriores para conseguir ter faces cavadas ou tendo costelas removidas para alcançar o formato de corpo desejado.

A distância entre os corpos das modelos e os corpos “normais” continua a aumentar. Assim, a norma se torna pura ficção, mas nem por isso perde sua função normativa.

 

E isso me lembrou muito aquela matéria de fetiche que escrevi para a revista Catarina, quando eu falava que hoje a relação moda-fetiche-corpo se aproxima das idéias de Baudrillard, segundo as quais à serviço do design, o fetiche controla o corpo.

 

“Não é mais o corpo que é enaltecidos com pelo salto agulha, ou pelo corset, e sim as próprias peças ganham relevância em prol do corpo. Como se o próprio ser humano se submetesse àquele ideal de poder e dominação que o fetiche carrega embutido em si. Os acessórios e roupas utilizados uma vez para dar poder e dominação ao corpo, acabam sendo subvertidos para dominar o próprio corpo. Não é à toa, que hoje uma das formas fetichisitas que mais cresce no mundo todo são as body modifications, ou alterações corporais.”

 

E eu super pensei nisso quando li esse trecho da matéria. Será mesmo que essas modificações seria uma nova forma de fetiche?

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