NY Fashion Week – todas as mulheres da América
Sabe aquela história de que a gente precisa se abstrair de um fato ou situação para poder entendê-lo e enxergá-lo de verdade? Então, é bem isso que acontece com Marc Jacobs em sua coleção para o verão 2009. É que desde que o estilista adotou Paris como sua segunda casa, parece que sua visão sobre os EUA e sobre a moda e o vestir americano se tornou mais claro.
E com todo o reboliço em torno das eleições americanas, que desta vez, mais do que nunca colocou as mulheres políticas em posição de destaque, nunca se teve tanto questionamento em trono do que é ser americano ou mais ainda o que o verdadeiro American Style.
Daí que Marc Jacobs aproveita o ensejo para romper com todos os padrões e convenções que se tinham sobre o assunto. As referências não são nada novas, bem pelo contrário, são super óbvias e algumas até clichês. E sim, tem um pouco de referências a Yves Saint Laurent em alguns looks da coleção – como nas calças de alfaitaria ou no terninho super bem cortado, usado com shorts numa clara referência ao Broadway Suit do Saint Laurent em 1978.
Mas acontece que tudo é tao bem adaptado e interpretado para a atualidade, e mais ainda, para o universo do estilista, que as refêrencias acabam tomando outro sentido.
O estilista junta tudo aquilo que mais caracteriza os EUA (country, Broadway, as calças e terno dos anos 40, Hollywood Golden Age, grunge, Wall Street, etc) e subverte para uma linguagem bem pessoal e ao mesmo tempo totalmente sintonizada com o nosso tempo. Uma verdadeira compilação de tudo que definiu o(s) estilo(s) americano de se vestir ao longo de toda sua história.
Tudo misturado, tudo super sobreposto, numa pesquisa de tecidos incríveis, que dava efeitos jamais esperados para uma vasta gama de materiais. A silhueta, quase sempre mais longa, vinha sempre com a cintura marca, com exceção dos vestidos drapeados meio divas de Hollywood dos anos 40 (outra referência ao estilo americano) que fecha o desfile.
Num primeiro olhar pode parecer complexo, difícil de chegar na rua. Mas se observado com atenção, a coleção está cheia de peças que não vão demorar muito para se tornar objeto de desejo de muita gente. Como nas jaquetas de motociclista em tweed metálico, os vestidos drapeados, as calças levemente mais amplas, nas camisas xadrezes e nos vários acessórios.
Não é novidade para ninguém, já que desde os começo dos anos 2000 se tronou bem comum o hábito de re-editar elementos e estilos do passado para se chegar num visual “novo”. Muitos estilistas também lançaram mão dessa táctica, como saída para o marasmo criativo desse começo de século. O próprio Marc Jacobs sempre usou referências históricas para projetar o futuro. Mas agora, dando foco na diversidade de estilos – e por conseqüência de mulheres – americanos, o estilista faz um retrato do nosso presente, abrindo espaço para diversas interpretações e discussões sobre o futuro ¬– ainda mais se levamos em conta o cenário super bem pensado de Stefan Beckham, cheio de espelhos e a trilha jazzy, Rhapsody in Blue, de Gershwin. Alguém quer começar?


Queridos do Aboutfashion,
Amo esse blog não é de hoje, acompanho quase que diariamente os posts e recomendo a todosssssssss o blog, como fonte de pesquisa de moda…
E esse desfile do Marc Jacobs está demais, juntar a diversidade de estilos: as aplicações,as estampas, os acessórios, tecidos… e viva o Ted Polhemus com o “Supermercado de estilos”.