Estava aqui pensando sobre todos os desfiles da temporada, tentando listar na minha cabeça meus preferidos. Na verdade nem ia publicar isso aqui porque não vejo muito utilidade nessas listas, depende muito do ponto de vista de cada um, do critério para selecionar as coleções e tal… E também porque dá uma preguicinha rever os mais de 100 desfiles da temporada, né?
Mas vamos lá. Fiquei bem em dúvida sobre o primeiro lugar. Estava entre a Jil Sander e a Dries Van Noten. As duas apresentaram coleções super criativas, autênticas e ambas conseguiram injetar uma certa “novidade”, ou pelo menos uma sensação de novidade, numa temporada onde os estilistas ficaram muito presos naquilo que sabiam dar certo, caindo muitas vezes no óbvio, previsível ou até no tédio e monotonia.
Mas no fim acabei ficando com Dries Van Noten. O estilista belga foi um dos poucos – senão o único – que conseguiu agradar tanto compradores quanto a imprensa. Suas roupas simples e descomplicadas caem perfeitamente para essa nossa necessidade de realidade na moda. E ainda sim conseguiu trazer uma certa novidade, ao substituir suas clássicas estampas e texturas étnico-orgânicas, por formas mais geométricas e gráficas de um jeito bem sutil e harmonioso, de modo que as linhas retas até pareciam não ser tão estritas e sérias assim.
Depois vem a Jil Sander por Raf Simons, que meio que dispensa comentários. Afinal já falei tudo aqui e segue os mesmos fundamentos de Dries Van Noten: roupas simples, com uma abordagem direta, individual e com muito informação de moda.
Aí então acho que vem a Lanvin, que foi capaz de despertar desejos de moda, a meu ver, bem fortes mesmo numa época onde poucas pessoas vão estar dispostas a comprar. Sem contar no trabalho incrível de Alber Elbaz na construção das roupas, né? E no modo como ele consegue injetar informação de moda de um jeito simples e super real.
A coleção de Marc Jacobs também entra para essa lista. Uma das suas melhores ever, apresenta uma imagem super forte e cheia de significados com todas aquelas sobreposições, mix de referências, que apesar da boa imagem de moda – que funciona perfeitamente tanto na passarela como em editoriais -, também é super acessível a mulher real quando o look é desmontado peça a peça.
Tem também o desfile incrível de Hussein Chalayan, que não podia faltar nessa lista. Nem tanto pelas roupas, apesar dessas estarem mais comerciais do que nunca, fáceis de chegar num consumidor final e super bem trabalhadas. Mas o que mais me chamou atenção – sem apagar as roupas, o que é ótimo – é a visão do estilista. Sua visão sobre a velocidade do nosso mundo hoje, num protesto nada pesado, é quase como que Chalayan estivesse antecipando o desastre econômico que estamos vivendo.

One Comment
Uma bela notícia. A L´Equipe Agence São Paulo vai lançar seu novo site em novembro. Anterior a isso, ontem tiraram o site antigo no ar e colocaram um blog provisório, mas bem completo que pretende bombar de informações.
Dica: http://www.lequipeagence.com.br
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