Falta de espontaneidade
No Pense Moda (ai gente desculpa, mas o evento rendeu muito pano para manga) na mesa de discussão de editores, fotógrafos e stylists, o Alcino Leite Neto reclamou que as fotos de moda aqui no Brasil (editoriais, catálogos etc) eram sempre muito tratadas, muito posadas, muito montadas, o que acaba deixando a imagem bem desconexa da realidade, como que numa perfeição surreal, sabe?
Na hora eu meio que concordei mais não pensei muito sobre o assunto e acabou ficando meio esquecido. Daí que ultimamente eu venho achando algumas cenas que vejo na rua super interessantes e fico pensando como não seria legal ver um trabalho/imagem de moda com essa espontaneidade de vida real, mas com uma boa informação de moda, sabe?
Somando a isso eu estava lendo o post que a Oliva Hansen fez sobre algumas reflexões que surgiram no Pense Moda e vi que ela tocou no mesmo assunto, e fez total sentido. Lá ela diz que “nada mais é deixado ao acaso, a inspirações e insights momentâneos. E acompanhando o editorial da Dazed que percebi essa enorme diferença. Lá, tudo estava aberto ao acaso, à experimentação e aqui infelizmente não trabalhamos dessa maneira”.
Não é super verdade? É muito mais do que uma preocupação com, por exemplo, tratamento de imagem. Hoje não tem muito como fugir disso, e acho que nem devemos. Mas é que tudo parece tão hermético, tão fechado e numa busca as vezes obsessivas por um perfeccionismo muitas vezes desnecessárias.
Não há possibilidades para experimentar, não liberdade para deixar o acaso interferir, para algum insight. Parece que o briefing é uma obrigaçã. Salvo raras exceções, como a Mag! e Key por exemplo, as revistas – com verbas limitadíssimas – não são um espaço para experimentação, como disse o Nicola Formichetti sobre a Dazed&Confused. Eu sei que nem todas as revistas tem o perfil desta, e nem acho que todas tenham que ter essa vontade de experimentações. Mas é que aqui quase não há publicações desse tipo.
Por isso que eu meio que concordo com a Olivia quando ela apóia a iniciativa de alguns blogs (Moda Sem Frescura, Descolex e Hypercool) de explorar esse lado mais imagético, mesmo. Mas mesmo nesses casos há uma série de limitações, que impedem tais veículos de explorarem até novas formas de trabalhar com a imagem, meio que no sentindo que o SHOWstudio do Nick Knight se propõe. Mas calma, não estou querendo comprar, mesmo porque é até injusto. Mas não há porque não usar como fonte de inspiração e tentar fazer algo dentro das nossas capacidades, não?
sabe sobre o que eu pensei ainda ontem? que o povo também deixa de ser espontâneo no próprio vestir, na medida que se preocupa com aparência. eu ainda vou pensar mais e escrever sobre, já já.
Concordo com a falta de espontaneidade de alguns editoriais e campanhas de moda. seria medo de inovar?crise de criatividade?as ruas estão mais pulsantes.
Lá vou eu de novo…
Como comentei no post da Olivia, vejo pelo lado de uma revista que tem espaço para experimentações. Não é fácil conseguir colaboradores com essa linguagem, eu ADORARIA publicar tudo o que pensamos aqui na redação, mas cadê os profissionais dispostos a encarar isso?
Não temos receio do nosso público não entender, por isso temos liberdade para arriscar, mas as outras publicações (com tiragens enormes) têm “compromissos” com anunciantes e seu público de banca, que normalmente é mais conservador. Já que, em tempos de crise, o mercado não está nada fácil e o editorial então, nem se fala… Por isso, acredito que o problema não está na falta de criatividade, está na dependência financeira de anunciantes e dos leitores (da massa).
Bem, as verbas são limitadas mesmo, mas isso não impede de produzir coisas incríveis. Aliás, o que vemos no mercado editorial internacional de moda são produções bastante simples, muitas com luz natural, pouco tratamento de imagem, mas com enorme capacidade de experimentação. E as imagens editoriais internacionais que temos visto são mais uma leitura de moda como comportamento do que moda como consumo, nunca se viu tanto a nudez na moda como agora.
Luigi, sei que vc está disposto (há mto tempo) a conceituar um editorial na Catarina, assim como eu estou disposta a abrir dez paginas de uma edição para esse material, mas até agora não encontrei um fotógrafo disposto a assumir isso.
Mas como diz aquela campanha… Somos brasileiros e por isso não desistimos nunca! rs
Nós ainda vamos encontrar o nosso próprio caminho.
bjos
concordo com o alcino também!
e com a fernanda ai em cima
acho tudo muito pouco expontaneo, montado, copiado, hermético, sempre a mesma coisa
jornalistas brasileiros criticam as marcas por cópia e falta de criativadade e nem olham pro proprio umbigo. e tb não têm culpa da falta de criativade. no fundo, sempre a falta de verba pesa e outras coisas… nao da pra comparar o contexto cultural ingles com o nosso… colonia sempre ne…
bjs
SABE QUE O ALCINO ESTÁ CERTÍSSIMO?
Fica transparecendo um mundo completamente fora da realidade, como se fosse uma “obra de arte”, apenas para ser apreciada, e não interpretada nem para ser posta em prática no mundo real.
=*