Falta de espontaneidade

2008 December 2
by Luigi Torre

No Pense Moda (ai gente desculpa, mas o evento rendeu muito pano para manga) na mesa de discussão de editores, fotógrafos e stylists, o Alcino Leite Neto reclamou que as fotos de moda aqui no Brasil (editoriais, catálogos etc) eram sempre muito tratadas, muito posadas, muito montadas, o que acaba deixando a imagem bem desconexa da realidade, como que numa perfeição surreal, sabe?

Na hora eu meio que concordei mais não pensei muito sobre o assunto e acabou ficando meio esquecido. Daí que ultimamente eu venho achando algumas cenas que vejo na rua super interessantes e fico pensando como não seria legal ver um trabalho/imagem de moda com essa espontaneidade de vida real, mas com uma boa informação de moda, sabe?

Somando a isso eu estava lendo o post que a Oliva Hansen fez sobre algumas reflexões que surgiram no Pense Moda e vi que ela tocou no mesmo assunto, e fez total sentido. Lá ela diz que “nada mais é deixado ao acaso, a inspirações e insights momentâneos. E acompanhando o editorial da Dazed que percebi essa enorme diferença. Lá, tudo estava aberto ao acaso, à experimentação e aqui infelizmente não trabalhamos dessa maneira”.

Não é super verdade? É muito mais do que uma preocupação com, por exemplo, tratamento de imagem. Hoje não tem muito como fugir disso, e acho que nem devemos. Mas é que tudo parece tão hermético, tão fechado e numa busca as vezes obsessivas por um perfeccionismo muitas vezes desnecessárias.

Não há possibilidades para experimentar, não liberdade para deixar o acaso interferir, para algum insight. Parece que o briefing é uma obrigaçã. Salvo raras exceções, como a Mag! e Key por exemplo, as revistas – com verbas limitadíssimas – não são um espaço para experimentação, como disse o Nicola Formichetti sobre a Dazed&Confused. Eu sei que nem todas as revistas tem o perfil desta, e nem acho que todas tenham que ter essa vontade de experimentações. Mas é que aqui quase não há publicações desse tipo.

Por isso que eu meio que concordo com a Olivia quando ela apóia a iniciativa de alguns blogs (Moda Sem Frescura, Descolex e Hypercool) de explorar esse lado mais imagético, mesmo. Mas mesmo nesses casos há uma série de limitações, que impedem tais veículos de explorarem até novas formas de trabalhar com a imagem, meio que no sentindo que o SHOWstudio do Nick Knight se propõe. Mas calma, não estou querendo comprar, mesmo porque é até injusto. Mas não há porque não usar como fonte de inspiração e tentar fazer algo dentro das nossas capacidades, não?

7 Responses leave one →
  1. 2008 December 2

    sabe sobre o que eu pensei ainda ontem? que o povo também deixa de ser espontâneo no próprio vestir, na medida que se preocupa com aparência. eu ainda vou pensar mais e escrever sobre, já já. ;-)

  2. 2008 December 2
    Dino permalink

    Concordo com a falta de espontaneidade de alguns editoriais e campanhas de moda. seria medo de inovar?crise de criatividade?as ruas estão mais pulsantes.

  3. 2008 December 2

    Lá vou eu de novo…

    Como comentei no post da Olivia, vejo pelo lado de uma revista que tem espaço para experimentações. Não é fácil conseguir colaboradores com essa linguagem, eu ADORARIA publicar tudo o que pensamos aqui na redação, mas cadê os profissionais dispostos a encarar isso?

    Não temos receio do nosso público não entender, por isso temos liberdade para arriscar, mas as outras publicações (com tiragens enormes) têm “compromissos” com anunciantes e seu público de banca, que normalmente é mais conservador. Já que, em tempos de crise, o mercado não está nada fácil e o editorial então, nem se fala… Por isso, acredito que o problema não está na falta de criatividade, está na dependência financeira de anunciantes e dos leitores (da massa).

    Bem, as verbas são limitadas mesmo, mas isso não impede de produzir coisas incríveis. Aliás, o que vemos no mercado editorial internacional de moda são produções bastante simples, muitas com luz natural, pouco tratamento de imagem, mas com enorme capacidade de experimentação. E as imagens editoriais internacionais que temos visto são mais uma leitura de moda como comportamento do que moda como consumo, nunca se viu tanto a nudez na moda como agora.

    Luigi, sei que vc está disposto (há mto tempo) a conceituar um editorial na Catarina, assim como eu estou disposta a abrir dez paginas de uma edição para esse material, mas até agora não encontrei um fotógrafo disposto a assumir isso.

    Mas como diz aquela campanha… Somos brasileiros e por isso não desistimos nunca! rs
    Nós ainda vamos encontrar o nosso próprio caminho.

    bjos

  4. 2008 December 3

    concordo com o alcino também!
    e com a fernanda ai em cima
    acho tudo muito pouco expontaneo, montado, copiado, hermético, sempre a mesma coisa
    jornalistas brasileiros criticam as marcas por cópia e falta de criativadade e nem olham pro proprio umbigo. e tb não têm culpa da falta de criativade. no fundo, sempre a falta de verba pesa e outras coisas… nao da pra comparar o contexto cultural ingles com o nosso… colonia sempre ne…
    bjs

  5. 2008 December 3

    SABE QUE O ALCINO ESTÁ CERTÍSSIMO?

  6. 2008 December 4

    Fica transparecendo um mundo completamente fora da realidade, como se fosse uma “obra de arte”, apenas para ser apreciada, e não interpretada nem para ser posta em prática no mundo real.
    =*

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  1. Scott Schuman no Cidade Jardim e a espontaneidade | About Fashion

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