NY Fashion Week – In Love with Rodarte
Olha, no começo eu não respeitava o trabalho delas, mas não era assim muito fã. Mas agora, não é bem assim. Acho que é a quarta coleção que fico praticamente apaixonado pelo trabalho das irmãs Kate
Laura Mulleavy, da Rodarte. Coleção após coleção, os desfiles da marca vem se mostrando como um respiro de frescor fashion no meio do marasmo criativo que é a NY Fashion Week.
É que a visão de moda americana para essas meninas de Pasadena, na Califórnia, está muito mais próxima de Rudi Gerneich – a estilista austríaca que foi para os EUA durante a II Guerra Mundial e ficou conhecida por misturar futurismo com valores feminista – e de James Galanos – conhecido por suas criações super glamouras que conquistaram os guarda-roupas de Diana Ross e Nancy Regan – do que de Ralph Luaren, Calvin Klein e Donna Karan. Ou seja, para elas a moda americana é muito mais do que o sportswear, ou algo simples e fácil de ser assimilado pelo maior número de gente possível.
Dá par ver que o trabalho delas tem paixão embutida. Não é apenas um fazer de roupa quase que industrial. Kate e Laura colocam em cada peça que fazem uma boa dose de sentido e identidade, que faz com que suas roupas se destaquem no meio de uma semana de moda tida como super comercial.
Para o inverno 2009, a dupla dá bons sinais de evolução à medida que se afastam um pouco daquelas referências muito orientais e se focam num look mais contemporâneo, ainda que bem de acordo com a identidade que a marca vem construindo. O primoroso trabalho de tricô continua, só que agora toma formais mais rígidas e estruturadas, se aproximando mais do corpo, em vestidos de top mais sequiho, cintura marcada, e saia levemente mais solta.
As vezes os tricôs até voltam a ficar mais volumosos, com aquele aspecto bem detonado que as irmãs investem há algumas coleções. Aquele clima gótico, meio de filme de terror também continua, só que de forma muito mais romantizada e as vezes até com um certo teor sensual – vide as botas de cano até a coxa, marcadas por tiras de couro.
No começo a silhueta e tons apagados chegam a lembrar bastante a última coleção da Balenciaga, ainda mais que nesta coleção as meninas quiseram falar um pouco de futurismo. Mas ainda assim dá para reconhecer o trabalho delas, e perceber que a semelhança se dá muito mais pela proximidade de referências que ambas coleções se basearam, do que por mera “homenagem”.
Na verdade, essa silhueta que abre o desfile se repete quase que nele todo, ficanco até um pouco cansativa, até por ser bem próxima ao que as irmãs mostraram nas duas últimas coleção. Mas frente ao trabalho de textura e manuseio de materiais que Kate e Laura apresentam, esse errinho passa até por despercebido.
É que, de um modo futurista-romântico, a dupla procurou fazer uma colagem de texturas (quase sempre naturais) em seus vestidos, as vezes em referência aos filmes Frankstein e Edward Mãos de Tesoura. Daí os chiffons de seda com estamparia digital que se assemelham as rochas, os tecidos metalizados, os paetês discreto, e as sedas, tudo aplicado de forma bem orgânica e harmônica.
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