Paris Fashion Week – Issey Miyake

2009 March 6

Uma vez, em entrevista sobre moda regionalista, Ronaldo fraga me disse que não entendia a resistência dos brasileiros a certos temas e influências tipicamente nacionais. Ele dizia que isso era meio sem sentido, já idolatramos os criadores belga e japoneses, que no fundo apresentam uma moda super regional. A mais recente coleção de Issey Miyake é uma grande prova disso.

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O diretor de criação Dai Fujiwara apresentou uma verdadeira ode a cultura japonesa – com direito até a performance com movimentos de karatê na abertura e final – só que de um jeito super contemporâneo e ao mesmo tempo super universal. Sem cair em clichês, Dai uniu perfeitamente elementos do vestir e da cultura japonesa com alguns fundamentos básicos do seu mestre e fundador da marca, Issey Miyake.

O karate serviu como deixa para uma coleção que era baseada inteiramente na noção de movimento e precisão. O resultado foi um das coleções mais funcionais da marca, cheia de peças reais e com imenso valor intrínseco (informação de moda). Formas estruturadas aparem em casacos com corte bem geométrica, calças de alfaiataria e blazeres com costuras diagonais também traduzindo essa geometria que marcou o estilo de Issey Miyake. As estampas vem em clara homenagem ao mestre, meio num caleidoscópio de vermelho e preto ou cinza e branco, aplicadas sobre vestidos de seda mais rígidos e ou então em ótimos casacos que pareciam favorecer os movimentos do corpo.

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Dai acerta ao apostar também em looks mais confortáveis, como nas amplas calças combinadas com ternos um pouco mais secos, mas ainda mais folgados, de um jeito bem despojado. Os casacos de modelagem mais afastadas do corpo, sempre com um certa geométrica também são boas opções. Ao mesmo tempo que carregam a identidade da marca e fazem perfeito sentido para coleção, são super adequados as vontades dessa estação.

As clássicas peças da APOC aprecem nas blusas e calças plissadas, mas agora com strech para favorecem a prática de artes marciais, ou simplesmente ajudaram na movimentação. Assim, unindo passado, presente e futuro, Dai Fujiwara se coloca num posto privilegiado, unindo tradição com imensa inovação técnica e estética, sem desvirtuar a identidade da marca.

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