Fashion Rio – mas e aí?
Ai gente, ando tão desanimado aqui nesse Fashion Rio… Não sei se sou eu ou se está tudo meio chato por aqui – nos desfiles, eu digo. Tem tudo uma cara de roupa que a gente já viu em coleções passada, uma vontade de ser Prada, de ser Marni, de ser Marc Jacobs ou de Stella McCartney… E até essa reclamação é velha, né? Mas enfim, é o que acontece.
E olha que nessa nova fase do Fashion Rio rolou uma seleção de quem ia mesmo desfilar, fazendo com que algumas marcas ficassem fora do line-up (porque no fundo nem precisavam desfilar). Mas aí essas que ficaram mostraram o que? Algo de novo? Penso que não, nada de novo, nem com cara de novo. Até mesmo o styling não está ajudando. E olha que essa devia ser uma das funções principais dele, né? Dar um pouco mais de frescor as idéias e produtos do estilista. Mas por aqui, parece que esse frescor é o mesmo das coleções internacionais do inverno 2009 e do verão 2009.
Ai depois entra outro problema, o do foco extremo no produto. Todo mundo já cansou de falar que o ideal de um desfile é achar o equilíbrio entre o produto, ou seja, o lado comercial, com o show, onde dá para explorar melhor uma imagem de moda mais potente. Mas aqui não. Parece que é só produto. As roupas não são ruim, bem pelo contrário, fazia tempo que a gente não via uma estação com peças boas desse jeito, com acabamento bem razoável e bem de acordo com os desejos do momento. Mas nada além disso, nada que sugira algo novo, ou algo com mais identidade.
Enfim, até agora o que a gente viu por aqui foi uma vontade bem grande pelo conforto (sim, de novo). Silhueta bem solta, uma predileção por tecidos naturais e formas não muito estruturadas. Comprimento curtos – as vezes bem curtos –, detalhes pontuais e volumes não muito exagerado. Tudo sempre de um jeito bem fácil, bem simples, sem muita complicação. Aliás, uma das coisas que mais se escuta dos estilistas por aqui é isso, como se o próximo verão fosse uma grande férias e todo mundo pudesse trocar o escritório pela praia.
OK, isso até que faz um certo sentido se agente parar para pensar que vivemos num país tropical, com temperaturas altas. Aí até faz sentido apostar nesse estilo despojado, em tecidos naturais, com uma certa elegância despojada. Mas se a gente parar e tentar buscar um significado maior aparece um grande ponto de interrogação. É tudo muito bonitinho, tudo muito comportado, tudo muito no lugar. Será a crise? Será medo de ousar e perder a garantia de uma venda certa? Ou será uma simples falta de criatividade? Talvez, a gente já esteja se cansando dessa simplicidade que veio com todo esse reboliço no cenário econômico. Talvez já é hora de mostrar o que há de novo, de se arriscar um pouco mais, de confiar mais no que cada um pode oferecer de melhor.
Mas tudo bem, a temporada ainda não acabou, vamos ver o que a SPFW guarda para gente. Afinal, esperança é a última que morre.
Arrasou Luigi!
Concordo com cada palavra.
Estou vendo só de longe, mas também ando com muitas interrogações.
Esqueceram de avisar que o velho não empolga, não inspira ninguém a comprar.
Pelo menos não me inspira! Afinal, o que vi metade já tenho no meu guarda-roupa … então, pra que comprar tudo de novo já que os tempos são de crise?
Que venha o SPFW … e espero que ele encha nossos olhos!
Monte de bejus.
Oi Luigi =)
Amei o texto. De fato, nos faz ter uns clicks em meio a tanta informação somente sobre “desejos de moda”. Mas penso que, em alguns casos, eles expressam uns gritos da sociedade.
Nunca mais tinha comentado, mas tô sempre por aqui =)
Você é uma pessoa que, com certeza, eu amaria ter longas conversas na vida real haha!
Thanks to blogolândia!
Beijo!