Enquanto não tirávamos os olhos (e nem o corpo) do prédio da Bienal, no SPFW, começava em Milão a temporada de desfiles masculinos para o verão 2010. E ao que tudo indica a palavra de vez é descontração. Se a estação passada foi marcada por looks sóbrios, naquele clima de recessão, a de agora é bem mais leve, propondo quase sempre uma viagem escapista onde tecidos elaborados e cortes preciso, sempre em formas confortáveis e cores vivas, não podem faltar na mala.
Sem muitas ousadias – leia-se sem muitas novidade – boa parte das grifes que se apresentaram na fashion week milanesa parecem ainda estar sentido os efeitos da crise, o que explica o extremo foco no produto em si. Atrair consumidores para dentro das lojas, parece ser a maior “tendência” deste verão. E como isso foi feito, trazendo uma maior casualidade para o guarda-roupa profissional masculino. O melhor exemplo está na ótima coleção de Tomas Maier para Bottega Veneta, onde com uma cartela de cores mais acesa do que de costume, a alfaiataria veio toda adaptada para transmitir ares de despojamento. Calças mais folgadinhas ganham ajustes nas barras mais curtas, blazeres tem suas modelagens adaptadas à de uma parkas e botões substituídos por zíperes, e camisas ganham extrema leveza em tecidos naturais de aspecto amassado.
E com ar nômade Angela Missoni dá uma enorme injeção de frescor em sua coleção masculina, exatamente como fez com a feminina na estação passada. Substituindo os clássicos jacquards e tecidos de tapeçaria por tricôs volumosos e texturizados e cores desgastadas, a marca dá bons sinais de evolução, ficando mais direcionada a um público mais jovem e moderno. Justamente por isso, Ângela inseriu boa versões de jeans lavados na coleção.
A Marni foi outra que seguiu a linha “viagem”, só que com leve perfume folk, onde acabamentos manuais unido à avanças técnicas têxtil fazem toda a diferença. Numa cartela de cores repleta de marrons, amarelos ocre, verde musgo e azul, jaquetas de náilon sobre camisetas de algodão, blusas de linho emborrachado, e couro com borracha são apenas alguns dos truques que marcam a coleção calma de formas confortáveis.
Na contramão estão Jil Sander e Prada, apostando em versões extremamente modernas do guarda-roupa formal masculino. Uma coleção tão simples quanto falar de amor. É assim que Raf Simons concebe seu verão 2010. Dando a toda precisão geométrica e simplicidade que marcam o estilo d grife, um leve suavidade através de acabamentos e cortes arredondados. Caso da barra de alguns blazeres mais próximos ao corpo ou das camisas em tecidos leves, as vezes um pouco transparentes. Ou então nas golas arredondadas das camisetas alongadas bem soltinhas.
Segundo Miuccia Prada, a peça que nunca falta no guarda-roupa masculino é um terno cinza. Pensando nisso, e em filmes preto-e-branco, a estilista explora inúmeras possibilidades do costume. Começando com looks tradicionais em diferentes tonalidades de cinza até começar experimentar com tecidos furadinhos ou típicos de sportswear. Aliás, de lá Miuccia tira também modelagens que aplica em camisas sem manga, cardigans e coletes, muita vezes lembrando uniformes de atletismo ou natação.
Mas será que é isso mesmo que os consumidores dessas marcas desejam? Será que é essa a fórmula correta para atrair os homens para dentro das lojas? Afinal, essa história de comprar por necessidade não cola muito para a clientela endinheirada de tais grifes. Provavelmente os homens que consomem moda de fato, já possuem tudo que precisam não? Então, se algo vai fazê-los abrir suas carteiras, não seria algo com mais criatividade, algo que fizesse os olhos brilhar?
Os desfiles de Paris devem subir semana que vem no site do SPFW.





One Comment
tks pelo post.
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