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Walter Ven Beirendonck e Bernhard Willhem verão 2010

Existem alguns estilistas que sempre ficam fora da coberturas oficial do site style.com. As vezes é por puro desconhecimento, as vezes por não se enquadrarem no perfil de leitor que o veículo busca atingir, por serem julgados como não relevantes de uma cobertura, ou então por questões comerciais. Nas temporadas masculinas não é diferente, e quem acompanha os desfiles apenas pelo MenStyle fica sem duas das mais importantes coleções da temporada de moda masculina: Walter Beriendonck e Bernhard Willhem.

Ambos belgas, sendo que o segundo foi discípulo do primeiro, são duas das mais importantes e ativas forças criativas do segmento masculino. O porquê? Simples, porque não ligam para as vontades do momento, vão justamente na contramão delas. O foco é muito mais uma visão pessoal sobre determinado fato, ou sobre um aspecto da realidade do que uma adequação comercial as tendências do momento. Tem quem diga que seus desfiles são muito teatrais, não mostram roupa de verdade. Mas também não é essa a intenção.

Beirendonck e Willhem são daquele tipo de estilista para qual não olhamos procurando apenas um bom produto – isso já é sabido que eles tem, bem ao seu estilo (é só olhar o site deles) -, e sim uma visão, uma idéia, e como a moda é usada como veículo de expressão. E para o verão 2010, não foi diferente, por mais que o show não tenha sido dos mais grandiosos.

beirendonck_verao2010

Ainda mais para Beirendonck, que optou por diminuir o lado conceitual e forçar-se um pouco mais no produto. Só que mesmo assim não é de um jeito óbvio. Começando pelos modelos que fogem completamente do biótipo padrão que a indústria da moda exige e também do que as pessoas buscam hoje em dia. Homens musculosos e gordinhos, cobertos de pêlo (também conhecidos como bears entre os gays) vestiam roupas largas, em tons cítricos como verde, rosa e azul. Macacões em tecido leve, blazeres texturizado carregavam valores lúdicos que sempre permeiam as coleções do estilista, ao mesmo tempo que mostrava uma atenção maior na roupa em si. A imaginação poderosa de Beirendonck pode até não ter encontrado um viés mais profundo nesta coleção, mas a praticidade aliada a personalidade do estilista são pontos que nunca somem de vista.

De um jeito totalmente natural, com uma imagem espontânea e autoral, o estilista consegue tocar no assunto do tamanho e roupas para gordinhos sem hipocrisia, sem parecer forçada ou querer passar uma imagem politicamente correta. E justamente por isso a coleção se mostra tão grandiosa, por questionar alguns valores da moda de um jeito totalmente seu e com naturalidade.

willhem_verao2010

Já Bernhard Willhem usou da teatralidade para expressar sua atual visão de mundo e sobre toda a frivolidade da moda. O desfile começa com os modelos se arrumando e se vestindo diante da platéia, até se posicionarem, um de cada vez, em cima de uma pequena caixa, no cenário que misturava um estúdio de ou artista louco e um quarto de brinquedos. Suas roupas sempre lúdicas mixavas elementos militares, principalmente nas estampas camufladas, com outros étnicos, tanto em estampas e cores na modelagem sempre solta em ponchos, camisas bem largas e num verdadeiro patchwork de todos os tecidos e estampas da coleção.

Bonequinhos de Comando em Ação, chapéus de soldado, bolas, pincéis e tesouras remetiam tanto ao universo artístico como ao infantil e também ao militarismo. Com isso, em formas que vão de largas e justas, e curtos a longos, Willhem tenta mostrar como a sensualidade pode ser algo inocente, ou então como algo profundo pode se tornas frívolo.

3 Comments

  1. Bom vc falar deles, Luigi. Alguém tem que falar. Eu optei por não falar pois não os considero relevantes para a moda masculina em geral. Reconheço o apelo que devem ter entre iniciados, mas eu acho que não vão a lugar algum. Walter faz roupa de gueto e Willhelm faz instalação, não moda. Esse é o meu ponto de vista e entendo bem o seu. Vai ver é por isso também que nem o Style e nem os principais veículos de moda do planeta dão muita bola. Anyway, eles são engraçados. Bjs e parabéns pelo post.

    Tuesday, June 30, 2009 at 1:58 pm | Permalink
  2. riccardo wrote:

    O que o Sylvain disse está correto, Walter Beriendonck está focado em um nicho almost gueto de consumidores enquanto Bernhard Willhem até agora está mais para performer do que para designer . Mas, como tudo nesse mundinho fashion não é exatamente o que parece ser, gostaria de frisar algumas coisas: Bernhard hoje é apontado como um dos maiores ditadores de tendências em Paris, começaram-se a formar filas fora de suas lojas de Paris e Tokyo e quase certamente esse valor comercial irá logo logo colocá-lo na boca (e nas páginas) de muita gente!
    Pessoalmente sigo o trabalho de Bernhard há quase quatro estações, mas Walter ainda me deixa desconsertado. Em todo caso, concordo com você que na maioria das vezes se publica o que é conhecido e o que mais tem a ver com o perfil do leitor; e isso é uma pena.
    Parabens pelo blog, que acabo de conhecer,
    R.

    Tuesday, June 30, 2009 at 6:24 pm | Permalink
  3. Olha, eu aprovei, achei a proposta dos dois interessantes; desde os bears do Walter até o boom de informações do Willhelm, acho que a moda precisa disso mesmo, de inovação e choque. Outra coisa, achei os bears meio conhecidos…acho que são atores pornô! [risos]

    Wednesday, July 1, 2009 at 11:30 am | Permalink

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