Sim, elas falam

2009 July 14
by Luigi Torre

Na Piauí desse mês (julho), bem no comecinho, uma das primeiras matérias da revista chama-se “Deputado não resiste a oncinha”. Não, não se trata de uma matéria de moda falando que a estampa animal virou tendência na Câmara. Conta a história de uma cearense que trabalha em Brasília coletando assinaturas para Propostas de Emenda à Constituição, recursos, criações de frente parlamentar, CPIs e afins.

O mais interessante, porém é que a roupa de trabalho de Janileny Vieira é um tanto quanto atípica entre os ternos e tailleurs que costumam pintar de cinza, preto, azul marinho e marrom os corredores da Câmara dos Deputados. Sua preferência são mesmo as cores acesas – verdes, rosas, azuis, amarelos, e vermelhos – e as vezes até um terninho de onça. “Só que nenhum colorido é mais rentável do que o seu terninho de oncinha” , diz na matéria. “ Menina, não é possível! Ontem eu fui numa vidente e ela me disse que eu teria dois filhos e que a mãe deles seria uma onça!”, disse-lhe um deputado outro dia mesmo. A assinatura foi colhida sem maiores esforços”, continua.

Fica claro aí o quanto nossas roupas influenciam nossas relações. No case de Janileny, seu trabalho consiste basicamente na persuasão das pessoas, e pelo que a matéria indica, suas roupas, sempre alegres, cheias de vida – assim como sua personalidade – parecem influir em muito em como as outras pessoas recebem as informações. E na nossa vida não é diferente, né? Afinal, por mais superficial que seja, muitos julgamentos (ou pré-julgamentos) sobre determinada pessoa são feitos pela sua simples aparência, pela leitura que fazemos dos vários elementos (códigos e signos) que sua roupa carrega.

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As vezes essas leituras, ou melhor, essa mensagem que se passa pela nossa roupa é pensada antes de sair de casa, as vezes não. Aí ela pode funcionar tanto para o bem, quanto para o mal, como eu contei nesse post aqui. E eu achei isso bem interessante porque tem super relação com o objeto de estudo do meu TCC. Tem muita gente que costume freqüentar saunas não só pelo sexo, afinal isso se consegue quase em todos os lugares, e muito menos pelo fetiche. Mas sim, porque quando ficam todos apenas com uma toalha branca amarrada na cintura, os códigos, preconceitos e julgamentos que advém do nosso vestir, ficam trancados num armário na entrada do ambiente.

“Acho tão estranho essas pessoas que andam de toalha por aqui”, uma vez ouvi um menino comentar com seu amigo numa sauna. “Eles ficam tão diferente, parece que querem se mostrar”. Talvez até queira mesmo, mas o fato é que fica diferente. Porque, ao contrário da toalha, cuecas tem modelo, tem cores e tem marca. As leituras e pré-concepções que se pode ter sobre uma pessoa (seu estilo, sua classe social etc) são bem maiores do que uma simples toalha.

Justamente por essa aparente ausência de julgamentos “modais” é que as saunas acabam sendo refúgio para algumas pessoas. Aparentemente livres de tais códigos, as relações fluem mais facilmente, sem algumas barreiras que fora dali poderiam atrapalhar e até mesmo impedir a aproximação e relacionamento – tanto por pré-conceito, como por insegurança ou medo.

Ok, eu sei, ainda tem a julgamento do tipo físico que é algo muito mais forte do que os julgamentos da roupas, afinal a gente não pode tirar nosso corpo quando quiser, né? Mas isso fica assunto para depois, só quis falar um pouco aqui de como as roupas acabam tendo importante papel nas nossas relações.

4 Responses leave one →
  1. 2009 July 14

    Sim, você tem razão, por mais que os “radicais” digam que tudo é muito superficial, e com aquele papo de etiquetas não faz a pessoas, as roupas ou meu estilo da pessoa diz muito mais do que palavras, é os gestos e expressões complementas esse código decifrado pela visão.

    obrigado por compartilhar sua ideia.

  2. 2009 July 14

    Que interessante isso sobre as saunas. Qual o objeto de estudo do seu TCC?

  3. 2009 July 14

    maravilhosa a relação do final do post. amei a coisa do corpo, tenho pensdo super nisso, sabia?

  4. 2009 July 15

    Olá!
    Tinha achado muito legal essa matéria na Piauí e agora gostei da sua análise também. Acho interessante como dá pra perceber na matéria que ao longo do tempo, conforme ela se torna ‘bem sucedida’ em conseguir assinaturas, ela vai se sentindo mais confiante pra ousar nos modelitos também.

    Bjs!

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