New York Fashion Week – Donna Karan, Carolina Herrera e Carlos Miele
Parece que boa parte dos estilistas americanos estão em busca de peças fáceis, práticas, com alta dose de realidade, mas que ao mesmo tempo tenho algo mais. Diferente da sobriedade que dominou a coleção passada, com peças onde o extremo foco na vida real e na funcionalidade das roupas, acabou tirando boa parte da emoção das roupas, o verão 2010 continua buscando uma roupa real, mas agora com aquele fator que fazem os olhos brilharem. Seja na profusão de babados que vimos em Marc Jacobs, em um delicioso mix de estampas na Thakoon, ou nos drapeados de Donna Karan, a máxima less is more, parece estar perdendo força nessa temporada, onde decorações ganham papel de destaque para dar vida e otimismo as coleções.
Conhecida por suas contribuições para o guarda-roupa de trabalho feminino nos anos 80, Donna Karan parece em perfeita sintonia com nossos tempos. Sua mulher não está aí para brincar, muito menos para ficar viajando para praias paradisíacas quando a economia se esforça para retomar forças. Mas ao mesmo tempo, essa mulher não quer parecer uma power woman que foi buscar nas ombreiras de duas décadas atrás força para agüentar o mundo. Ela quer passar uma imagem séria, firme e sofisticada, ao mesmo tempo que possa sentir a leveza e delicadeza de uma peça com ares mais femininos. E é exatamente isso que Karan vai entregar a suas clientes com seu verão 2010. Seus ternos vem tem tecidos leves, com delicados babados e drapeados pontuais, repuxes que moldam o corpo sem exagero e texturas que lembram o sopro de uma brisa sobre a peça. Os vestidos em jérsei trazem drapeados que envolvem o corpo de maneira sofisticada, e sem nunca restringir os movimentos.
Carolina Herrera segue o mesmo fundamento, mas com leve inspiração oriental. A trama de cestas japonesas servem como base para uma vasta exploração têxtil aplicadas em linhos, ráfias e cetim. Embora a imagem dos looks para o dia – camisas e blusas com golas amplas, sobre bermudas em tecidos encorpados ou saias de cintura alta – apresente uma jovialidade um tanto quanto rara para a marca, os tecidos rígidos, de aspecto pesados, carregam demais os looks. Principalmente nas saias mais longas combinadas com blazeres ou jaquetas no mesmo tecido.
Não só de vestidos esvoaçantes e estampados se faz uma marca. Carlos Miele provou isso com seu verão 2010. Na verdade, o empresário brasileiro vem aos poucos inserindo mais peças para o dia-a-dia, focando-se cada vez mais numa consumidora internacional. Desse modo, sem perder traços puramente brasileiros, Miele colocou ao lado de seus vestidos de chiffon com estampas fotográficas abstratas e tie-dyes alguns bons looks para o dia, como saias de cintura alta com pregas sinuosas, micro bermudas, calças estilo boyfriend e até alguns bons blazeres com aplicações de cristais, que vinham sobre blusas vazadas, e coletes feitos de dreadlocks de seda.



Concordo com você, mas quando você diz que o “less is more” está perdendo a força, a gente acabou de passar por umas temporadas de muito excesso na moda. As maxibijus, os anos 80 com suas cores, seus shapes, os sapatos meia-pata. Acho que inclusive essa semana de NY está mostrando que essa “gritaria” que rolou está perdendo a força. Agora temos mais transparencias, babados, mulheres mais femininas.