NY Fashion Week – Rodarte, Marc by Marc Jacobs e Narciso Rodriguez
Cores, estampas e uma extrema atenção aos detalhes tem sido a principal aposta dos estilistas para contrapor a austeridade que dominou as coleções para o inverno 2009. Ainda que sem grandes destaques criativos, dar emoção e energia as peças parece ser preocupação principal dos estilistas em busca de uma moda mais otimista.
Se bem que otimista não é o adjetivo mais adequado para a coleção da Rodarte. Gótico, sombrio ou apocalíptico seria bem mais adequado. Afinal, as irmãs Kate a Laura Mulleavy são apaixonadas por filmes de terror, de onde saem boa parte das inspirações por trás das coleções da marca. E se ao longo do tempo as estilistas vieram refinando suas técnicas de tricô, construção e manuseio têxtil, agora tudo isso é elevado a enésima potência.
Como sobreviventes de um mundo hostil, a mulher Rodarte deste verão veste uma verdadeira colagem, ao mesmo tempo sofisticada e rústica. Sofisticada nos tecidos nobres como seda, chiffon e aplicações de cristais. Rústicas pelos tingimentos, tecidos envelhecidos, queimados, torcidos e com tratamento devore. Cheia de recortes sinuosos, tecidos se sobrepõem de forma quase que aleatória, como que para se proteger das forças da natureza. Forças essas que deixam desfiam e rasgam as barras das saias, mancham e queimam os tecidos, e deixa faixas desses caindo soltos sobre o corpo.
Com imagem poderosa, as irmãs Mulleavy colocam sua marca em posição de destaque ao primar pela excelência têxtil e por técnicas das mais apuradas. Contudo, com vestibilidade comprometida – salvos algumas blusas e principalmente as calças de couro texturizado ultra-justas –, começa a surgir, ainda que de forma bem discreta, a dúvida sobre se as estilistas conseguem superar esse estilo que aos poucos dá sinais de fadiga e repetição. Não é à toa que a colaboração da marca com a rede popular Target, já se mostre como uma das mais aguardadas do ano.
Segundas linhas geralmente servem para diluir conceitos elaboras e apresentar uma produto mais fácil de ser assimilado pelo público consumidor. Além, de ser mais acessível do que marcas mãe. Marc Jacbos sabe bem disso, tanto que para o verão 2010 da Marc by Marc Jacobs, o estilista traduziu para uma moda simples, fácil, jovem e cheia de energia alguns dos elementos essenciais que utilizou na última temporada para o inverno 2009 da Louis Vuitton. Adicione as saias curtinhas e volumosas, as blusas justinhas com ombros bem definidos, um bom jogo de estampas geométricas (círculos, listras e xadrezes) e uma boa dose de tribalismo com estampas de onças à la Stephen Sprouse e motivos étnicos africanos. Até mesmo as orelhas de coelho foram revisitadas em grandes laços de cetim colorido.
Com proporção fresca e imagem bem humorada e leve, a coleção que poderia ser marcada como um crtl+c, crtl+v, faz perfeito sentido quando se leva em conta a clientela jovem para a qual a marca se dirige. A aproximação estética com marcas de fast-fahsion, aliada e boa qualidade e informação de moda peculiares de Jacob, com certeza não vai fazer feio quando essas peças chegarem as lojas.
Narciso Rodrgiuez conhecido por sua estética quase minimalista e estilo sensual com vestido bem próximos ao corpo, geralmente com recortes ousados, optou por uma caminho mais sutil nessa temporada. Ao invés das suas silhuetas de formas bem definidas, quase arquitetônicas, preferiu a leveza de tecidos nobres e delicados, que deixavam vestidos com aparências flutuantes. Ainda mais quando as saias vinham cortadas de forma circulares e suspensas por construções discretas, que as deixam literalmente flutuando ao redor do corpo.
A geometria que antes marca os looks em recortes e linhas angulares, fica restrita a delicadas costuras que ajudam a desenha o corpo. Estampas fotografias de pássaros aparecem bem localizadas, quase que emolduradas por tecidos transparentes que desempenham importante papel na coleção. Para contrapor a leveza, jaquetas de formas precisas serviam de contenção para os drapeados e forma esvoçantes dos vestidos fluídos que davam uma sensualidade muito mais sutil ao estilo de Rodriguez.


