Paris verão 2010 – Viktor & Rolf
Se as últimas coleções da Viktor & Rolf se mostraram um tanto quanto aquém de todo seu potencial criativo, o verão 2010 se mostra bem próximo daquele equilíbrio perfeito entre o espetáculo e a vida real. Com extrema delicadeza, com direito a Roisin Murphy se apresentando durante o desfile, Viktor Horsting e Rolf Snoeren apresentam roupas extremamente femininas, com silhueta bem próxima ao corpo, em cores claras, geralmente com uma fina camada de tule envolvendo as peças.
Babados delicados então aprecem decorando essas camadas, que muitas vezes vem enrugadas ou com pregas já injetando romantismo nas peças. Eis que para quebrar, ou melhor, tentar quebrar toda essa feminilidade, peças de alfaiataria bem próximas ao corpo e de comprimento alongado, são combinadas com babados que como numa revolta feminista explodem em formas maxi dominando e subvertendo a masculinidade dos blazeres e smokings.
Com formas amplas, super estruturadas, esses babados ganham proporções e formas gigantescas, com cortes geométricos, extremamente precisos, como se uma serra perfurasse circularmente uma saia godê de tule, ou removesse, a lateral de outra. O motivo de tais cortes abruptos? Segundos a dupla, para remover “excessos” devido a crise econômica, daí o nome da coleção de Credit Crunch Couture.
Com o humor peculiar da grife, a coleção não desaponta fashionistas ávidos por imagens poderosas, nem consumidores por roupas desejável. Embora a imagem final seja de pura fantasia fashion, os looks em tons pastel do meio da coleção, com babados contidos e formas ultra-femininas, com certeza não vão deixar nenhuma consumidora desapontada.

