Paris verão 2010 – Stella McCartney e Celine

2009 October 5

Consumidores ao redor de todo planeta estão ficando mais seletivos. É isso que diz uma série de pesquisas feitas no hemisfério norte, com objetivo de traçar um novo padrão de comportamento de consumo após da crise financeira. Seus efeitos mais severos podem até estar passando, mas os consumidores ainda não se sentem seguros o suficiente para abrirem suas carteiras por impulso.

Eles querem um motivo para comprar, ou pelo menos um sentimento de que o produto que estão prestes a consumir se relacione de alguma maneira a suas vidas. Senão uma primorosa peça de design, algo que tenha praticidade, aliado a qualidade e sofisticação. Nesse quesito, poucos estilistas tem tanto sucesso quanto Stella McCartney, responsável por oferecer a mulher contemporânea um guarda-roupa essencialmente prático, ao mesmo tempo que dotado de uma sofisticação e elegância quase que natural.

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Seu verão 2010 é a mais pura prova de sua extrema sensibilidade às necessidades das mulheres nos dias de hoje. Talvez porque além de estilista conceituada e filha de Paul McCartney, Stella leva uma vida que pouco se difere de mulheres na casa dos 30, tendo que cuidar dos filhos, trabalhar e ainda cuidar da imagem que é sempre um mix de funcionalidade com sofisticação sem esforço.

Daí que as formas confortáveis e elegantes de sua mais recente coleção, se relacionam perfeitamente com esse clima. Os blazeres perfeitamente cortados que deram sucesso a marca em sua origem, agora ganham contornos mais femininos, seja pela simples confecção em tecido mais leves como jérsei, linho ou chantung de seda, ou pela aplicação de babados substituindo as lapelas. As calças com delicadas pregas, cintura no lugar, combinam com leves blusas em tons neutros, com rendas e detalhes extremamente femininos, mas nada frívolos. Energia vem com a injeção de cores em looks enérgicos, onde a alfaiataria passa a ser desconstruída de forma mais evidente e babados decoram curtos vestidos de seda.

Pode parecer simples num primeiro olhar, com direito até à saias e vestidos em jeans de apelo quase vintage, mas a extrema atenção a detalhes, e a íntima relação com a realidade, colocam essas roupas em posição de destaque. Com proporção fresca, formas confortáveis e coordenação de tecidos, Stella McCartney mostra uma de suas coleções mais maduras, agradando tanto a jornalistas como suas fiéis consumidoras

Phoebe Philo se enquadra no mesmo cenário. Mãe, trabalhadora e dona de um estilo sofisticado sem parecer forçado, traduziu toda essa funcionalidade do seu guarda-roupa para sua segunda coleção para a Celine. Em sua estréia na passarela, Philo, que estava afastada da moda desde 2006 quando se desligou da Chloé para ser mãe, propõe uma moda extremamente simples, ao mesmo tempo que glamourosa.

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Vestidos de corte precisa, linhas geométricas bem definidas na forma de penses que alongam a silhueta ao aproximar sem exagero as peças ao corpo, trazem detalhes discretos e preciso. Camisas leves, impecavelmente cortadas transmitem a mensagem de um guarda-roupa extremamente vida real, onde qualidade em corte e acabamento são itens essenciais. No fim, com suas formas puras e simples, silhueta extremamente confortável e naturalmente sofisticada, a mensagem que Philo parece querer transmitir com sua coleção é de extrema funcionalidade. Um começo mais do que positivo, dando relevância e adequação a realidade para um grife que estava há tempos dormente.

Gente, estou mega corrido hoje e não deu para postar aqui o texto da Givenchy, Hussein Chalayan e Dries Van Noten, mas ele está aqui.

Texto publicado originalmente no site do SPFW.

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