Já fazia algum tempo em que abordagens modernas e vanguardista não apareciam com tanta força como na última segunda-feira (25/01) na coleção de Josephus Thimister. O estilista belga, que estava a quase uma década afastados dos holofotes da moda, fez ontem um mais do que bem recebido retorno as passarelas da Paris, quase que retomando de onde parou, quando a moda ainda vivia da opulência de imagens poderosas onde a assimilação com a vida real, era a menor das preocupações.
Unindo sua vanguarda a seu passado russo, Thimister se lança sobre a tendência militar que toma conta da moda nesse início de segunda década apresentando uma versão atualizada daquela moda desconstruída que lhe deu fama nos anos 90. Rússia, Primeira Guerra Militar e a foto do filho morto do imperador Nicolau II, aos 13 anos são referências que ajudam o estilista a manchar de sangue essa interessante coleção.
Com controle absoluto sob todos aspectos da criação, usa o vermelho para dar emoção e drama a apresentação. Primeiro de forma literal em grandes manchas que poluem o imaculado branco das peças, depois de forma mais controlada, com direitos a filetes soltos na foram de fios de lã soltos dos pesados tricôs desestruturados. Ótimas jaquetas militares vem combinadas com calças jodphur para os meninos (sim, masculino na altacostura), vestidos leves, quase minimalista, em verde musgos, trazem camadas discretas na cor vibrante e quase dramática. Peles e efeitos molhado encharcam de sangue vestidos, capas e jaquetas numa opulência sombria. Dramático, impactante, lindo e de certa forma possível.
Tem quem questione se o que Thimister apresentou é realmente altacostura. E de fato os vestidos leves de formas puras, os jodhpurs, as jaquetas e tricôs de aspecto bruto fazem mais sentido numa coleção de prêt-à-porter. Ainda mais se levamos em conta que este é o inverno 2010 e não verão 2010, como as demais coleções de couture. Mas o que não há como negar é que a moda estava mesmo em falta de abordagens e propostas agressivamente criativas como o que Thimister tem a mostrar. Talvez, nesse começo de segunda década, seja hora mesmo de retomar aquela força “vanguardista” que praticamente desapareceu da moda depois dos atentados de 11 de setembro.
Texto publicado originalmente no FFW

One Comment
texto incrível, principalmente pela contextualização histórica.
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