O que realmente queremos?
Estou um pouco confuso… Não sei bem o que esperar dessa temporada de desfiles internacionais que está para começar no próximo dia 11 com a New York Fashion Week.
Quais são os reais desejos de moda que vão movimentar o mercado? O que fará sentido em nossas vidas nessa segunda década de século 21? O que vai se destacar mais nas passarelas do planeta fashion: criatividade explosiva ou extrema adequação às reais necessidades dos consumidores de moda?
Alguém aí sabe a resposta para alguma dessas perguntas? Porque, sinceramente, eu ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão precisa. Já aqui, durante o Fashion Rio e SPFW, vimos uma divisão até que bem definida entre as marcas que se aventuraram por delírios fashion com imagens cheias de força, e uma atenção maior ao lado comercial.
Por mais instigante e inspirador que seja assistir a apresentações inventivas, cheias de criatividade, será que ainda há espaço para uma moda conceitual ou extravagante em nossas vidas – pelo menos nos dias de hoje? E se não há, então não seriam essas coleções de imagens marcantes ideais para quebrar o padrão?
Não sei bem porque, mas cada vez mais e desde a última temporada de verão 2010, foram justamente as roupas e coleções de visuais mais simples, quase minimalistas que me chamaram mais atenção. Roupas fáceis de usar, prontas para vida real, dotadas de imensa versatilidade e praticidade, adaptáveis ao dia-a-dia do consumidor comum e em diversas situações. Não aquele mar de cocktail dresses e roupas para noite que dominaram a última temporada como se vivêssemos numa festa sem fim.
Roupas que você bate o olho e vê que ali foram empregados reais valores de design, tecidos de qualidade, bom acabamento e que apesar de aparentemente simples, trazem cortes, proporções e modelagens atuais, que parecem perfeitamente corretos para os dias de hoje.
Ok, elas não são lá bem o que se entende por inventivas e pode até ser meio contraditório já que a priori não trazem a novidade que a moda tanto busca. Mas e se essa simplicidade funcional for a novidade? E se essa ausência de extravagância, essa moda discreta e silenciosa for o novo da vez?
Lembro que adorei a coleção de verão 2010 de Viktor & Rolf. Junto com a do Alexander McQueen foi um dos poucos respiros fashion da temporada. Imagem poderosa, trabalho técnico apurado e conceito super bem amarrado. Mas como isso se relaciona com as nossas vidas? Alguém viu algum daqueles vestidos incríveis fora das passarelas e editoriais de revistas (não estou contando os tapetes vermelhos, tá?). Alguém se imagina em alguma daquelas peças fora de festas e ocasiões sofisticadas e que permitam (ou exigiam) um dress code mais ousado?
Enquanto isso coleções como da Chloé, Celine – agora sob comando de Phoebe Philo (foto) – e boa parte das de pre-fall 2010, como Gucci, Balenciaga e Prada se mostram muito mais próximas da realidade do consumidor. E aí que fica minha pergunta. Sou super a favor de toda aquela explosão criativa dos desfiles mais conceituais, mas será tudo aquilo em vão? Para onde vai toda aquela técnica, todo aquele pensamento traduzido em imagens de moda? Sim, eles inspiram, mas cada vez mais me parecem mais distantes do que realmente queremos no nosso guarda-roupa e dia-a-dia.

Quem não ama a moda conceitual? Quem não queria poder ir trabalhada na padaria sem receber olhares tortos ? As vezes, o fato dela existir não é nós sentirmos excluídos ou algo assim, mas simplesmente pedir para as pessoas procurarem sua própria explosão fashion, inventar, produzir, e se sentir bem! Se mais pessoas pudessem usar o que gostam, o que querem, em qualquer lugar ou a qualquer hora, o mundo ia fazer um pouco mais de sentido… Se parassemos de correr atrás de tendências para criarmos nosso próprio estilo, seriamos reconhecidos por isso. E todos sabem que é isso que realmente almejamos, ser reconhecido pelo que somos.
Oi Guilherme,
Super obrigado pelo seu comentário!!! E eu super concordo com você, eu mesmo sou mega fã de “moda conceitual” ou looks não tão comuns e mais extravagantes, cheios de informação. Só que hoje parece haver cada vez menos espaço para esse tipo de visual. E não acho que seja só por uma questão comercial ou por correr demais atrás de tendências. Acredito que é algo além disso. Cada vez menos pessoas, que antes andavam super “montadas” hoje estão dando preferências a looks mais simples, calmos… E isso é algo que merece uma certa atenção. Não é algo isolado, é algo que pode ser reflexo ou ter significados um pouco mais amplos.
bem, por mais no diploma diga design de moda, meu curso foi todo voltado para o estilismo industrial, o que me levou a admirar muito mais quem consegue o equilíbrio entre o “conceitual” e o “comercial”, se assim posso dizer. essa harmonia pode até ser o ideal mas o desfile precisa passar a imagem. transmitir a identidade da marca de um modo que gere desejo, certo? utilizar-se de toda apoteose necessária para encantar quem ver, gerar mídia espontânea e o quando as peças chegarem às lojas estejam bem editadas para tornar sua produção viável ($$$) e ainda ter relação com o que foi apresentado na passarela, para conquistar o consumidor de vez.
na teoria é fácil. complicado é trazer pra vida real. por isso, pelo menos pra NYFW, já vamos nos preparando para uma série de passarelas look book, como se estivessem desfilando o catálago.
beijos e parabens pelo blog. sou uma admiradora (não tão) secreta dos seus textos. dos textos, viu?
sabe que a gente separa (internamente/mentalmente, haha) desfile de moda de desfile de roupa, né? e no mundo ideal as coleções de ambos chegariam às lojas com esses dois valores equilibrados em cada peça. tipo produto com conceito e conceito em forma de produto usável. a questã é: se a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis. AMIGO QUE SAUDADE!!!
É, você tem razão… Sem a loucura e piração a evolução fica mais difícil e lenta mesmo… Eu só acho que hoje em dia a loucura ou viagem por si só não dá mais conta de inspirara ou servir como referência, sabe? Acho que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda um fio condutor que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade e vidas, sabe? Acho que é aí que está a diferença, muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante. Antes um look absurdo já se bastava por si só. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. E hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado loucuras fashion sem motivo ou sentido, não acha? Ou talvez a gente tenha simplesmente evoluído ou mudado nosso olhar, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um tanto quanto palpável…
MUITAS SAUDADES AMIGA!
..o mundo da moda e tao grande que seriamos considerados um tanto egoistas se esperassemos apenas um corte simples para o dia a dia,consideramos sim,que nao estamos acostumados a tanta extravagacia mais e ai?onde ficam os diferentes?os ousados?os loucos?os rebeldes podemos dizer assim…quando se e lancado um desfile ,eles tbm estao ali, muitos artistas com sua equipe e televisoes do mundo inteiro esperando!ansiosos,para criar suas performaces e ideias para seus shows e eventos com efeitos especias e curiosos.
então, esse é um debate que vivo tendo comigo mesma. e o desfile da neon nesse último spfw acho que trouxe um pouco disso, sabe, com aquela divisão entre os looks mais “comerciais” e os looks mais “conceito”, mais sonhadores, no final. veio pra dar um exemplo de como dá pra fazer as duas coisas. de como, inclusive, é preciso fazer as duas coisas. é possível até misturar essas duas coisas.
mas claro que vale lembrar o por quê de estarmos caminahndo para um certo minimalismo: depois da reverberação da gritaria anos 80 nos nossos olhos nos últimos anos, da euforia de começo de década, a roda gira e a gente pára pra pensar. enquanto isso, vamos aos poucos entrando numa era de repescagem das referências dos anos 90, de onde as imagens mais marcantes que ficaram, ao menos da primeira metade da década, foram as das propagandas da calvin klein, por exemplo. daí tem crise da economia, necessidade ecológica de ir cortando os excessos, tudo isso que vai pesando na nossa consciência fashion. menos cada vez mais é mais.
menos quando falamos de criatividade.
o equilíbrio, eu acho, estará em achar o extraordinário no simples, a extravagância do mínimo. porque alguém precisa pensar à frente, eu realmente acredito que é preciso desfilar hoje uma peça que não veremos nas araras do fast fashion daqui 3 meses, porque, sem essa peça, a moda dá um tiro no pé. deixa de ser sonho, deixa de povoar o nosso inconsciente e vai apenas fazer parte do nosso guarda-roupas. ufa. isso vai longe, né?
enfim, adoro seu blog.