NY Fashion Week - reflexos de uma economia em crise e um cenário político instável

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Começou! Tá, ainda está fraquinho, mas já começou. E vai até sexta-feira que vem (12/09) com quase 300 desfiles (!!!). E aí eu fico aqui pensando, se eu sofro com os quase cento e poucos daqui do Brasil (entre Casa de Criadores, Fashion Rio e SPFW), imagina com 300. Lógico que ninguém vai em todos, mas mesmo assim, né?

 

Mas enfim, vamos ao que interessa. A NY Fashion Week já está rolando lá fora. Os assuntos em pauta são a ameaça de uma crise econômica que já vem rolando desde a temporada passada e as eleições. E como a gente bem sabe, moda é um espelho da sociedade, então não é surpresa que esses acontecimentos encontrem repercussões nas passarelas da Big Appel.

 

E com a saída da Hilary Clinton da disputa pela presidência, a questão política acaba perdendo um pouco de visibilidade para a questão econômica, que não está nada boa. Diz que um dos jeitos de deixar as pessoas do meio nervosas é perguntar “como vão os negócios”, já que as vendas estão super baixas, num grau para lá de alarmante.

 

 

Isso reflete em roupas mais simples, sem muita ostentação, sem muito luxo (pelo menos aquele luxo aparente), com cores mais neutras ou tons pastel. Nada muito alegre, mas também nada muito pesado e triste, afinal é verão. É um verdadeiro jogo de equilíbrio. E neste primeiro dia (05/09) da NY Fashion Week quem melhor representou isso foi Nicole Miller, que encontrou no Haiti inspirações para seu verão 2009.

 

As estampas, bem gráficas, coloridas e étnicas, vêm do voodo, mas não conseguem se sustentar por muito tempo. Sempre acabam disputando espaço, mas quase sempre sendo sobrepostas por peças em tecidos de cores mais neutras e sóbrias, como cinza, preto e até o marrom e bege. A questão das roupas masculinas também serve de contra peso para a questão meio 70’s e mais feminina, sem contar que é um dos reflexos da questão política, para mostrar mais poder, firmeza e seriedade.

 

 

A androgenia, e esse poder proveniente do universo masculino aparece também na coleção da Rag & Bone. Só que aqui, os estilistas Marcus Wainwright e David Neville, trazem referências da cultura musical britânica (leia-se punks, mods e ska). Daí que a atitude por si só, já imprime uma postura mais agressiva, com cores escuras – muito cinza e preto -, xadrezes, zíperes bem a mostra e uma silhueta mais justa.

 

O look chave é camisa toda abotoada, gravata fininha, blazer levemente acinturado, de proporções reduzidas – que deve ser hit no próximo verão –, calças bem justas com barra logo acima do tornozelo e um bom scarpin.

 

 

Outro destaque do dia que também investiu nessa visão de mulher poderosa, mas de um jeito bem descontraído foi Lubov Azria, na BCBG Max Azria. Totalmente soltos ou com cintura marcada, em seda ou jérsei, liso ou drapeado (preste atenção nos drapeados, que eles prometem vir com tudo), de um ombro-só ou meio vestido-camiseta, a peça chave deste verão 2009 da marca é o vestido, marcado sempre por um ar bem confortável, com uma modelagem bem solta.

 

Tudo em tons pastéis, com alguns spots de cores mais vivas, numa coleção bem simples, relaxed, mas em perfeita sintonia com os desejos das consumidores. A questão do poder aparece em dois momentos, primeiro nos macacões e macaquinhos bem leves, alguns com perfume meio disco-70’s, e nos looks compostos por calça, camisa/blusa e mini jaquetas – indo na onde do sportswear. E depois nos próprios vestidos que traziam uma leve referência gladiadora, mas que por serem tão despojados e descontraídos já davam um ar de confiança para as mulheres.

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NY Day #1

BCBG Max Azria, NY Fashion Week, Nicole Miller, Rachel Comey, Rag & Bone, inverno 2008 1 Comment »

Começou na sexta-feira (01/02) a semana de moda de NY. Em ritmo bem piaininho por enquanto. Nem vou perder muito tempo falando que a NY Fashion Week é quase que totalmente voltada para o mercado. Dificilmente vemos lá coleções verdadeiramente incríveis, mas mesmo assim, não se pode ignorar sua importância, justamente por ela ser super comercial. É um ótimo termômetro para a indústria da moda e para as “tendências”.

Fotos por Marcio Madeira

O primeiro dia foi bem fraquinho com apenas alguns poucos destaques, que ainda assim não causaram muita emoção. O primeiro foi a marca BCG Max Azria, que sempre foi conhecida por seus looks super femininos, bem meninha da moda mesmo, em sintonia com as principais vontades das consumidoras. Continuando o trabalho que já começou a mostrar na última temporada Max Azria faz essa mulher crescer e ao invés de roupas para meninas, faz roupas para mulheres mesmo, com muita sofisticação, mas sem perder seu grau de feminilidade.

Outra que chamou um pouco de atenção foi Nicole Miller. Desta vez a inspiração vem de Joana D’arc, tema que a estilista consegue adaptar bem para seu próprio universo. Sues sempre usáveis vestidos – peça chave, pela a qual a estilista é mais conhecida – ganham versões metalizadas – lamê e lurex na maior parte das vezes – com construções, pregas e drapeados que remetem à armaduras. Já suas estampas – outra marca registrada sua -, ganham ares medievais, com ares bem vintages mesmo.

Rachel Comey ficou famosa quando David Bowie usou uma de suas camisas no The Late Show with David Letterman. Seus trabalhos são sempre marcados por um certo ar retro, sempre com um olho no passado e o outro no streetwear. Para o inverno 2008 não é diferente. Com inspirações na estética da década de 40, Comey apresenta uma coleção de vestidos bem comerciais, pronto para vida real, cheio de estampas, num silhueta bem confortável, que nem se ajusta muito ao corpo, nem se afasta muito. Com cartela de cores suave, onde predominam os tons pastel, suas estampas bem kitsch se destacam e ajudam a dar um ar meio nerd subervsivo.

Blade Runner e anos 40 foram as inspirações da Rag & Bone. Daí vem a cartela de cores super escura, com muito preto, cinza e marinho e as referências ao guarda-roupa masculina. Ao contrário das últimas coleções nada de babados. A mulher do inverno 2008 é forte e madura. Destaque aqui para os ótimos trabalho em outerwear, com boas versões de bazers, sobretudos, trenches e até uma jaqueta perfecto bem desconstruída.

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