London Fashion Week - questão de identidade

Christopher Kane, London Fashion Week, verão 2009 No Comments »

Na coleção passada (inverno 2008) Christopher Kane, um dos mais promissores novos talentos da London Fashion Week, apresentou uma coleção que falava um pouco sobre água, com grandes “paetês” caindo sobre as roupas cheias de transparentes para reforçar o efeito molhado.

Agora, em sua última coleção (verão 2009), Kane leva esses paetês gigantes ao extremo, transformando-os em recortes circulares de couro ou organza que saltavam para fora de seus looks.

A inspiração era bem selvagem, o filme “Planeta dos Macacos”, “Os Flintones” e o “One Billion Years B.C”. Mas graças a Deus nada foi trabalhado de forma muito literal. Talvez apenas nas blusas e malhas de animal prints, ou nas estampas digitais de gorila – peças mais simples e mais fáceis de usar de coleção que vão deixar os compradores loucos – mas que no contexto todo caíam perfeitamente sem caricatices.

O ponto alto foi mesmo o trabalho com os círculos, que aprecem em diversos momentos. Começando em saias de couro, nas quais os círculos as rondavam totalmente ou de forma mias pontual nas laterais ou na frente, se sobrepondo, passando para vestidos de organza de um ombro-só, todo cheio desses recortes circulares tridimensionais, de forma mais experimental e conceitual, que as vezes ficavam um pouco exagerado de mais.

O melhor mesmo é quando Kane se limita a apenas delinear uma silhueta com seus círculos, ou então aplicá-los de fora mais pontual, num bom jongo de transparências que também vem da coleção passada. Como faz nos vestidos mais curtos, onde os recortes seguem as linhas dos ombros e cintura e as penses, nas calças mais secas delineando toda lateral, ou até nos blazers seguindo todas as costuras e desenhando mesmo a forma do corpo.

Bom ver que o estilista consegue manter uma identidade através de todas sua coleções. Para um iniciante é realmente necessário focar-se nessa construção de imagem, mais do que apenas mostrar roupas desejáveis e novas idéias a cada temporada.

Mais sobre Chrisopher Kane aqui e aqui

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LFW - o melhor do terceiro dia

Christopher Kane, Duro Olowu, Krystof Strozyna, London Fashion Week, Marios Schwab, inverno 2008 1 Comment »

Primeiro foram os micro vestidos ultra justos de tiras elásticas em cores fluo que conquistaram os principais editores e jornalistas de moda do mundo. Depois com os vestidos bem estruturado em veludo e couro, Christopher Kane confirmou seu posto como queridinho número 1 da moda.

Na coleção passada (verão 2008) resolveu arriscar e mudou quase que por completo a imagem de sua mulher. Ao invés dos curtos, justos e estruturados, entram formas soltas, leves e que não marcam muito o corpo feminino. E mesmo assim continuou agradando o planeta fashion.

Para o inverno 2008 o estilista continua apostando nas formas mais soltas e agora até que bem simples, se não fossem os trabalhosos (e complicados) e delicados adornos que decoravam suas roupas. Num mix de referências que acabam sempre apontando para um caminho mais romântico Kane começa trabalhando com tricô, com maxipulls, vestidos meio poncho de lã e capas. Logo em seguida entram os mesmos tricô só que agora com aplicações de metais, fazendo as malhas parecerem armaduras.

Quase que junto entram os looks paetizados – com patês gigantes - com bom jogo de sobreposições. Primeiro sob as peças de tricô e depois em vestido, saias e blusas de chiffon.

Marios Schwab tem verdadeira fascinação pelo corpo humano. Fato este que pudemos constatar facilmente já na última coleção (verão 2008), quando o estilista afastou, abriu e removeu tecido de suas roupas para revelar o interior do corpo humano estampado numa segunda camada. Agora, no inverno 2008, ao invés de abrir, Schwab fecha o corpo com seus vestidos longos (até o tornozelo), de gola alta e justos, que de tão apertados e fechados acabam deixando ainda mais em evidências as formas e contornos do corpo feminino.

Numa verdadeira aula de proporção, no sentido de re-educar o modo com nos vemos e acreditamos o modo como as proporções devem ser, o estilista mantém a mesma forma e modelagem ao longo de todo o desfile apenas modificando os tecidos estampas e recortes, o que acaba dando a impressão de formas diferentes.

Os vestidos bem justos e compridos ainda vinham com recortes, obra mais controlados, ora com ares detonado revelando jeans, estampas – assinadas pelo artista Tom Gallant – e até pedaços de tecidos que pareciam brotar para fora dos vestidos.

Bom ver a coragem do estilista em apresentar uma coleção tão comercial numa época onde o comercial, a necessidade de vender é tão grande. E por falar em vendas, Schwab mostrou boas opções de casacos sobretudo que podem facilmente chegar a seus consumidores finais sem nenhuma dificuldade.

E já que falei em estampas também vale ressaltar a boa coordenação desta que Duro Olowu apresentou em sua coleção para o inverno 2008. O estilista de origem africana sempre trabalhou muito e muito bem com estampas, mas nessa coleção chega a sua excelência. As referências étnicas nunca caem em clichês e são aplicadas de forma inteligente em roupas de modelagem moderna, que acabam perdendo um pouco de sua austeridade pelo bom mix de cores vibrantes das estampas de Olowu.

Outro destaque foi a estreante Krystof Strozyna. O estilista se viu sob os holofotes da moda ano passado no seu desfile de formatura da Central St. Martin, e depois de ter ganho o prêmio e patrocínio do projeto New Generation da Top Shop. Strozyna ficou bem conhecido por seus acessórios oversized em plástico que na coleção aparecem na forma de algemas bem grandes complementados os looks futurista de sua coleção.

Mixando experimentalismos naturais de um estudante de moda com boa modelagem e um estilo sofisticado, o estilista se foca em vestidos, no geral mais próximos ao corpo, com formas meio estruturadas e muito recortes. Lembra um pouco o trabalho de Roland Mouret e um tico de Alaïa e Mügler. Vale a pena ficar de olho nele.

London follow up

. DESFILES ., Ann-Sofie Back, Basso&Brooke, Christopher Kane, Danielle Scutt, Gareth Pugh, Issa, Jonathan Saunders, London Fahsion Week, Louise Goldin, Luella, Marios Schwab, Verão 2008 2 Comments »

Como todo mundo já deve saber, a London Fashion Week começou no sábado. O grande nome que desfilou no primeiro dia foi a marca Issa, da brasileira Daniella Helayel. Super feminina e estampada como já estamos acostumado com a Issa, o verão 2008 vem bem leve, com formas amplas e soltas, muito jérsei intercalados com looks de praia e outro mais arrumadinnhos com shortinhos com pregas e camisas. A coleção em geral foi boa mas sem acrescentar nada de novo ou mais interessante.

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Domingo as coisas começaram a esquentar. Teve dois debuts de duas novas estilistas, que antes faziam parte do projeto Fashion East – foi de lá que saíram Marios Schwab, Giles Deacon e Gareth Pugh – Danielle Scutt e Louise Goldin. Scutt apostou nos looks “glamazons”, hit dos anos 80, que tem Azzedine Alaïa e Versace como seus principais percussores. E ainda que referências à tais criadores estejam bem claras, a jovem estilista conseguiu dar seu toque de modernidade, para seus looks cheio de tiras e estampas animais reconfiguradas.

Louise Goldin por sua vez apostou nos esportes aquáticos – natação para ser mais específico -, cores vibrantes e em tricô, sua especialidade. Cheio de recortes e super colorido, o verão 2008 de Goldin vem de cintura marcada e com formas que valorizam o corpo feminino.

pugh.jpgMas coube a Gareth Pugh – tema da minha coluna de segunda no BlogView – o melhor desfile do dia. Mostrando evolução, sem perder seu DNA e toda excentricidade que faz parte de suas coleções, Pugh consegue mostrar boa coleção, equilibrando peças mais conceituais – aquelas que só funcionam nas passarelas – com outras que podem facilmente serem adaptadas para a vida real.

Já na segunda, todas os olhos estavam voltados para Christopher Kane. Um dos mais falados nomes da moda britânica. O estilista que teve parte de sua coleção roubada pouco antes de uma semana do seu desfile, começou a chamar atenção com sua coleção para o verão 2007, super anos 80, com vestido ultra curtos e justo e em tons fluos. A coleção gritava Herve Leger, Alaïa e Versace. O inverno 2007/08, seguiu o mesmo fundamento, agradando as principais editoras do planeta fashion.

kae.jpgPara o verão 2008, Kane decidiu seguir em frente, deixando para trás os looks curtinhos e mais justos e apostando em formas mais soltas, fluídas e longas. Babados e mais babados ornamentavam suas saias, bluas e vestidos que tinham os filmes “Carrie, a estranha” e “Crocodilo Dundee” como inspiração. Agora fica fácil adivinhar de onde vem tanto babado, peças em chiffon, as estampas de pele de cobra e o jeans lavado. Mostrou evolução? Sim. Foi uma boa coleção? Sim. Despertou desejo? Em alguns. Eu gostei? Não muito, achei algumas coisas meio over the top, com babados de mais, mas isso é minha opinião pessoal.

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De quem eu gostei mesmo foi de Jonathan Saunders, além de agradar eu gosto pessoal, a coleção vem bem construída, toda geométrica, com algumas assimetrias e quase minimalista. Chic ao extremo, Jonathan Saunders vai além de suas clássicas estampas fazendo bom uso de blocos de cores, para trazer ainda mais a idéia de geométrica e assimetria para suas roupas com uma silhueta quase sempre mais ajustada ao corpo.

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Segunda também foi o dia do retorno de Luella Bartley para as passarelas londrinas. Depois de 6 anos sem apresentar uma coleção em Londres, a estilista volta com forca total, com uma coleção que apesar de super comercial e pronta para sua nova loja, é cheia de modernidade e sofisticação. Com quê meio nerd-subversivo Luella apresentou boas camisas, saias de cintura alta, vestidos meios anos 60, sempre com estampas florais ou de morcegos, meio bat-girl.

Outro destaque deste terceiro dia de desfile foi Marios Schwab. O estilista teve como objetivo para o verão 2008, fazer um mapa topográfico do corpo humano. Sem deixar suas clássicas peças estruturadas de lado, Schwab praticamente dissecou os vestidos, enrolando a camada exterior para revelar um interior estampado.

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Teve também o desfile do duo Basso&Brooke, que para o verão 2008 vêm menos extravagante em termos de estamparia, apostando em desenhos mais abstratos, quase que atrsy. Os volumes também vêm mais contidos, com muitos vestidos curtos, em sua maioria num silhueta mais solta e afastada do corpo. E Ann-Sofie Back, com sua coleção em tons pastéis, apostando em formas estruturadas – com destaque para os ombros -, e alfaiataria remodelada.

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