Archive for the ‘Hervé Léger’ Category

NY Fashion Week – otimismo

Monday, September 8th, 2008

Todo mundo que lê esse blog já deve ter lido umas 500 vezes eu falar que moda não é só um espelho da sociedade em determinado período, mas também reflexo de suas vontades e sonhos. Daí que quando a gente abre os jornais e só vê noticiais sobre uma economia nada animadora somados a indecisão política das eleições Americanas, é natural que a gente queira esquecer de tudo e fugir para um lugar remoto, meio paradisíaco, ou então encarar tudo com muito otimismo.

E foi bem isso que vimos no desfile para o verão 2009 da Diane Von Furstenberg. O clima hippie/folk anos 70 estava super presente e, diferente da coleção passada, o foco volta para os vestidos – um dos pontos fortes da estilista, afinal foi ela que lançou o vestido envelope.

As modelos desfilavam sorridente – e olha que isso é raro, hein -, com vestidos longos de seda estampada (muitos florais), cores alegres, formas amplas e algumas sobreposições leves, dando um toque de atualidade para a coleção.

O estilista inglês Jonathan Saunders foi outro que diz dar um pouco de alegria a essa realidade um tanto quanto difícil. E que melhor forma de fazer isso do que com cores, que segundo ele mesmo, foi a principal inspiração para seu verão 2009. Isso mesmo, simples assim. Cores. Ácidas, vivas, calmas, vibrantes, todas elas acabaram encontrando espaço na coleção de Saunders.

Seja nas estampas meio deep-dye/tie-dye, nas estampas gráficas quase geométricas – marca registrada do estilista – dos vestidos e blazers, ou nas peças lisas, tudo vinha bem colorido.

Saias volumosas com tops mais ajustados e estruturados – vides as jaquetas inspiradas no personagem dos Beatles, Sargent Pepper, que abrem o desfile – dividem espaço com looks mais leves e soltos que acabam se saindo melhor, por parecem mais naturais, e menos forçados.

Deve ser bem complicado o trabalho de direção criativa de uma marca que é conhecida por um único, mas poderoso look. É o que acontece com a Hervé Léger by Max Azria. O vestido feito de tiras elásticas, que foi sucesso absoluto nos anos 90, virou ícone sexy, sendo associado imediatamente com a marca e seu fundador. Daí a dificuldade em se apresentar uma coleção que mostre algo “novo”, mas que não desvirtue a identidade da marca.

E ao meu ver, o que Max Azria fez nesta coleção foi uma ótima saída. Já que não se pode mexer muito na proporção, nem na silhueta dos vestidos ultra-justos, o jeito e trabalhar com texturas e estampas. Mas tudo bem, o look é emblemático, a coleção não foi ruim, mas se já na segunda apresentação começa a dar sinais de repetição, é para começar a se preocupar.

A Preen, marca britânica que desfila em NY há três temporadas, é conhecida por seu desgin que beira o conceitual, mas que ainda encontra um caminho para a vida real. A cada coleção esse caminho para o consumidor final vem se tornando mais claro a medida que os estilistas Justin Thornton e Thea Bregazzi vão limpando os excessos de suas roupas, dando espaço para uma maior sofisticação, mas sem perder aquele gostinho “edgy” que lhe cai tão bem.

Para o verão 2009 a marca fica entre os looks – quase sempre vestidos -, mais próximos ao corpo, com muitos recortes e transparência, dando um ar sexy mais agressivo, e os looks mais soltos, com bastante trabalho de volumetria (vide os babados), mas um pouco mais harmoniosos.

O look sexy, bem justo é meio que uma marca registrada da marca. Desde que desfilavam em Londres, já eram bem conhecidos por isso, mas desde que migraram para Big Appel, começaram a explorar esse lado mais confortável, e nem por isso menos sexy. Nessa coleção fica bem claro, como a dupla se sai melhor nos looks de proporções mais amplas. Tudo parece menos forçado, menos vulgarizado, sem aquela necessidade de parecer moderno e agressivo.

NY Day #3

Tuesday, February 5th, 2008

Fotos por Marcio Madeira

Aconteceu ontem (03/02) o tão aguardado desfile da Hervé Léger by Max Azria. Como já contamos aqui, desde seu último desfile em meados da década de 9,. a grife, que antes pertencia a seu fundador, o próprio Hervé Léger, volta a se apresentar agora em Nova Iorque – antes a passarela que recebia os clássicos vestidos de faixas elástica era Paris.

O sucesso do vestido que marcou a década de 90 é tanto, que Max Azria conseguiu reunir um número assustador de celebridades na primeira fila do desfile. Manter-se fiel ao estilo da marca era uma das principais preocupações não só de Azria, como também de jornalistas, editores e compradores, que agora podem respirar aliviado já que pouquíssima coisa mudou. A estética 90’s é praticamente indissociável dos vestidos ultra justos que literalmente esculpem os corpos das mulheres. Se até as modelos como Jessica Stam, Lily Donaldson e Bruna Teonira ficam com curvas invejáveis nos vestidos de tiras elásticas, imaginem o que não fazem no corpo de uma mulher comum – ok, nem tão comum, já é preciso estar em perfeita forma para usá-los.

Azria não só manteve o estilo da marca como também conseguiu inserir elementos tipicamente seus, como aplicações de tecidos em dobraduras e penas.

E nada como o frescor de um estilista britânico para dar ânimo para a semana de moda de NY, um tanto quanto pasteurizada, digamos assim. Jonathan Saunders, que até então apresentava suas coleções na semana de Londres, agora faz seu debut nas passarelas de NY. E graças a Deus, esta migração parece não ter influenciado muito seu trabalho.

Suas clássicas estampas geométricas continuam lá, assim como seu bom trabalho com construção e arquitetura das roupas. A aposta para o inverno é nos tons terrosos e numa alfaiataria toda geometrizada, com fortes referências militares, trazendo um certo ar futurista para a coleção.

Outro destaque foi a dupla da Ohne Titel, marca super jovem formada por Alexa Adams e Flora Gill. Para o inverno 2008 a dupla dá continuidade a seu bom trabalho de alfaiataria, mostrando o porque foram consideradas as sucessoras de Helumt Lang. Porém, agora as formas da alfaiataria com proporções oversized, penses deslocadas e até algumas desconstruções parecem não ter evoluído muito desde a coleção para o verão 2008. O que muda, são as estampas, que agora vêm em clima retro, e os looks em jaqcuard, que as vezes parecem um pouco exagerado. Destaque mesmo são as peças em tricô, ponto forte da dupla.

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