campanhas inverno 2009

campanhas, inverno 2008 No Comments »

Setembro, assim como março, é um dos meses mais importantes e esperados pelos veículos de moda, principalmente as revistas. São os meses em que as novas coleções começam a chegar nas lojas e as revistas vêm cheias de editoriais com as principais tendências de temporada. É também quando as novas campanhas começam a ser veiculadas. Então aí vai alguma delas:

 

 

 

 

 

 

 

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Catching up - semana de alta-costura

alta-costura, inverno 2008 4 Comments »

Não faz muito tempo que a morte da alta-costura começou a ser anunciada. Com muitas das maisons parisienses, como Yves Saint Laurent, Emanuel Ungaro e Balmain, encerrando suas atividades na área, muitos começaram a prever o fim da alta-costura. Ledo engano. Apesar da economia um tanto quanto caótica, a expansão rápida e poderosa do mercado de luxo em países emergentes (Ásia, Oriente Médio, Rússia e até o Brasil), foi responsável por um crescimento de mais de 20% nas vendas de alta-costura só nos últimos 6 meses.

 

 

Tradução do mais alto luxo que só pode ter na moda, os desfiles de alta-costura que terminaram ontem (2/7) em Paris são prova viva de que o desejo por uma roupa cada vez mais exclusiva e elegante está longe de ter seus dias contados. E este desejo foi tão forte, que até John Galliano na Christian Dior apresentou uma coleção que era menos fantasia e mais roupa mesmo, para mulheres reais (e ricas!).

 

Um mix de Lisa Fonssagrives (modelo e mulher de Irving Penn) com a primeira dama francesa, Carla Bruni Sarkozy, deram o tom para a coleção que agora vem menos calcada nos arquivos históricos da marca. Galliano brinca com romantismo e a sensualidade sem cair em clichês ou vulgaridades. Marca a cintura com cinturões e corsets e investe pesados em transparências – principalmente nas saias – deixando os corpos das modelos bem à mostra.

 

 

Na Chanel, Karl Lagerfeld diz ter se inspirado nas formas tubulares de um órgão de tubo – que, aliás, serviu de cenário par ao desfie – mostrando uma coleção bem geométrica, retomando alguns fundamentos de Pierre Cardin e André Courreges. O resultado,foi uma coleção bem sóbria, de vestidos mais próximos ao corpo, bem verticais e quase matemáticos de tão geométricos. A precisão – nas formas, cortes, acabamentos e decorações – era tanta que a coleção acabou até perdendo um pouco de vida. É como que se as roupas fossem apenas molduras artificiais para as mulheres.

 

Não é a toa que as melhores opções são os looks onde as referências geométricas e góticas do lado alemão de Lagerfeld, vem mais equilibradas com a leveza barroca e parisiense da Chanel.

 

 

Depois de alguns anos se forçando demais para compor um show de alta-costura, Giorgio Armani finalmente decide se focar naquilo que faz melhor: os ternos femininos que lhe deram sucesso nos anos 80. A diferença é que agora, Armani tira um pouco da masculinidade de tal looks, dando mais leveza e suavidade para as calças que vem como peça chave da coleção. Além disso, o estilista também suaviza os acessórios para uma coleção elegante e sofisticada sem muita ostentação e exageros.

 

 

Jean Paul Gaultier, parece um pouco preso em seu próprio universo. Um costureiro de mão cheia, mestre dos casacos de pele, trench-coats e vestidos drapeados suntuosos, continua investindo em referências eqüestres e rústicas que já foram tema de suas últimas coleções. A novidade vem com os flashes de cores fluo – que também não são novidade nenhuma – e com o tema das gaiolas, que ganha suas melhores traduções nos recortes e rendas em looks bem estruturados. Fora isso, os tubos e armações que saltavam para foras das roupas acabou por esconder e desviar o olhar de ótimas peças que Gaultier executa com maestria.

 

 

Na Givenchy, Ricardo Tisci consegue transportar perfeitamente aquela mistura de elegância e sofisticação urbana para a alta-costura, numa coleção que tinha Machu Picchu, no Peru, como principal inspiração. O estilista propõe um refrescante trabalho de hi-low, que se vê tão pouco na alta-costura. Bomber jackets de couro resinado combinadas com bermudas ajustadas nas coxas sobre leggings de jérsei de seda, dividiam a passarela com looks de alfaiataria sofisticada e vestidos leves, drapeados e repuxados.

 

 

Até o reio do barroco e rococó, Christian Lacroix, se rendeu ao desejo por roupa mais usável, mas nem por isso menos luxuosa. Desta vez deixou a decoração excessiva de lado focando-se em vestidos mais ajustados ao corpo, com poucos laços e babados e também tons mais escuros, com poucas estampas. O Lacroix que conhecemos pelo excesso só vai aparecer mais par ao final do desfile, quando as mangas ganham mais volumes, as rendas e bordados ficam mais elaborados.

 

 

E que bem vez para as coleções de alta-costura a entrada de Alessandre Facchinetti na Valentino. Respeitando a herança e estilo do fundador da casa, a estilista consegue trazer um certo frescor jovem para a coleção. Sem deixar de lado toda feminilidade e poder que a mulher Valentino tanto preza, mostra um bom mix de looks mais arquitetônicos e de formas bem estruturadas, com outros mais leves soltos. Bom ver que a estilista se deu bem na marca, mostrando sinais de mudanças – principalmente nos looks mais estruturados – sem desconfigurar a identidade da marca.

 

Fotos Marcio Madeira

 

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Long is cool

inverno 2008 3 Comments »

Lembra que nos últimos post eu falei dos novos comprimentos e silhueta? Então está aqui ó:

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Eu não acho que esse comprimento no meio da bata da perna, ou logo acima do tornozelo vai pegar logo de cara. Todo mundo sabe que não é assim que funciona. Na verdade a gente só vai saber se vai dar certo mesmo daqui alguns meses quanto as coleções começarem a chegar nas lojas.

Mas eu meio que concordo com a Sarah Mower. Se para gente que já está meio acostumado a ver coisas “estranhas” e diferentes nas passarelas, essa proporção “nova” começa a parecer interessante e ok, e o resto parece velho e batido, é porque algo já está acontecendo ou mudando.

Impressões #3

inverno 2008 5 Comments »

Fiquei pensando ontem a noite e no trânsito infernal que peguei hoje de manhã para vir para a redação do site sobre os desfiles internacionais. Quem leu os últimos post já deve saber que as duas principais vontades do inverno 2008 é aquela simplicidade austera, e naquela coisa meio natural (em tons/cores naturais principalmente) em clima de recessão.

É a moda meio que já prevendo tempos difíceis economicamente, com as eleições presidenciais americanas (que tem uma mulher concorrendo, daí tantos ternos e looks sóbrios), a baixa do dólar, toda a crise no oriente médio, a suscessão de Fidel e todos os outros problemas que estão acontecendo no mundo que qualquer uma que lê jornal já sabe, né?

Daí que uma coisa meio que tem a ver com a outra. Tanto a austeridade, a nova simplicidade e os outros looks com ar de pós-guerra e tudo mais, bebem da mesma fonte, não? A austeridade não estaria funcionando como uma proteção contra estes tempos difíceis? Não que o luxo não esteja lá, muito pelo contrário, mas está escondido, obscurecidos pelas formas rígidas e precisas, como que querendo dar segurança para quem veste tais roupas.

É aquela história que a moda não é só o espelho de uma sociedade, mas também o espelho de seus desejos. E se esse desejo for de proteção, de segurança, nada melhor do que looks bem estruturais, de formas precisas quase que como uma armadura.

Então os looks com cara de recessão pós-guerra seriam o espelho da sociedade atual e os mais austeros e quase minimalistas o espelho dos nossos desejos?

Impressões #2

inverno 2008 2 Comments »

Vamos lá, o bla bla bla de sempre você já devem saber, né? Estou bem sem tempo com os trabalhos aqui no site do SPFW, daí a ausência do blog. Para quem sentiu falta, as análises de desfile que eu sempre fazia aqui das temporadas de moda agora estão lá no site. Não quis ficar reproduzindo aqui, porque achei que ia ser chato e nem muito ético – e para evitar confusões também.

Então, quem quiser ler é só ir lá no site em FNews, e lá, bem abaixo das imagens de destaque vai ter um scroll para selecionar a categoria. Basta selecionar “Paris”, ou “Milão”, “Londres” ou “Nova York” e todas as análises e notícias de tudo que aconteceu nas semanas de moda vão aparecer lá.

Isto posto, vamos ao post em si. Já disse várias vezes aqui que estou meio descrente das tendências. Na verdade estou bem em dúvida disso, e quem acompanha o blog, meio que já deve ter percebido isso. Não é mais como antes, tipo que uma única modelagem, uma única cor ou um único tema defina uma temporada inteira, fazendo quase que todas as coleções meio que homogêneas ou bebendo da mesma fonte (ok, eu sei que ainda bebem).

Hoje a variedade é muito maior. Se o comprimento é curto e comprido, se as modelagem é justa e solta, fica claro que não tem mais como definir estritamente o que é in e out – mesmo porque acho isso uma chatice. Hoje é muito mais um questão de marco tendências, ou vontades gerais que orientam o inconsciente coletivo do que ditaduras de tendências mesmo.

Enfim, esta temporada teve dois grandes movimentos, ou duas grandes vontades. A primeira eu falei no penúltimo post, que é aquela onde meio retro, mais voltado para o natural, em clima de recessão.

Outra que começou a aparecer em Nova York foi a tão falada nova simplicidade. Nada mais é do que uma versão atualizada do minimalismo dos anos 90, só que agora com alguns volumes exagerados e bem estruturados de forma localizados e algumas proporções exageradas.

cal_fw08_014-copy.jpgOs principais expoentes de tais tendências foram Narciso Rodrigues, com sua alfaiataria arquitetônica e bem estruturada, e Calvin Klein numa das melhores coleções de Francisco Costa na marca e da própria semana de NY. O foco também é a alfaiataria de linhas puras, agora com formas bem estruturadas quase que espelhando as formas do corpo feminino.

Isso continuou na London Fashion Week (LFW), adicionando o frescor dos novos estilistas e o começo de uma proporção pouco explorada até então: a verticalidade. Uma silhueta longelínea, reta, que sempre apontava para baixo, se estendendo até o chão, até o tornozelo ou até o meio da perna.

Não que isto nunca tivesse aparecido na moda, muito pelo contrário, mas que até então havia um certo receio nessas silhuetas e comprimentos por terem sido verdadeiros desastres de vendas.

O comprimento continuou forte na semana de Milão, principalmente naquela clima de roupa de recessão e naquela onde meio bucólica. Os poucos que optaram pela nova simplicidade também apostaram no comprimento, mas já o deixando em segundo plano.

jil.jpgFoi lá que esta simplicidade começou a ganhar um outro aspecto: menos minimalismo e mais austeridade. As decorações começavam a aparecer de forma mais explícita, mas ainda presa de certa forma, meio que num look severo e sóbrio.

Raf Simons, na Jil Sander, foi quem melhor explorou isso, com sua já habitual alfaiataria minimalista, mas agora dando volumes nas golas dos blazers e casacos. Marni e Bottega Veneta também mostraram looks que apontavam no mesmo sentido.

Tudo isso veio se confirmar como uma das principais vontades na semana de moda de Paris. Quem melhor ilustrou isso foi Nicolas Ghesquière na Balenciaga, com sua coleção que mixava todo seu próprio universo com a herança do mestre Cristobal Balenciaga.

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Looks Balenciaga e YSL

Stefano Pilati, na Yves Saint Laurent, em uma de suas melhores coleções para a marca também apostou nessa austeridade, dando um toque de futurismo para os looks de alfaiataria de corte preciso, angulares, no melhor estilo Rive Gauche.

Karl Lagerfeld na Chanel, ainda que de modo sútil também apostou em tudo isso, na austeridade, numa coleção onde o apela jovem foi diminuído pela austeridade que resultaram em looks mais maduros e adultos. O kaiser da moda também apostou nos comprimentos mais longos, não de forma literal, mas com caudas e algumas poucas saias ou vestidos mais compridos.

A Vuitton, por Marc Jacobs, apesar de bem parecida com sua coleção apresentada em NY, também decidiu dar mais atenção para as formas. Uma coleção mais escultural do que estampada, solta e fluída como a do verão 2008.

lanvin_08-copy.jpgA Lanvin, sob direção criativa de Alber Elbaz também mostrou uma coleção lúcida e realista sintetizando tudo isso. Usando pregas para trabalhar com geometria, o estilista consegue mixar bem peças usáveis, informação de moda, com as principais tendências da estação e sem perder o seu estilo, muito menos o da marca.

É como se toda aquela frivolidade, valores tradicionais, feminilidade e estampas do verão 2008 tivesse ficado para trás. Volta, um pouco modificada, aquela imagem de mulher decidida e forte. Ela vem com ternos bem cortados, com modelagem precisa, que valoriza suas formas, dando o mesmo destaque para as formas das roupas.

As decorações continuam, mas de forma mais localizadas, quase que presas. A geometria, formas e volumes mais estruturados ganham destaques, sob as formas mais soltas, e as estampas femininas da temporada passada.

Fotos por Marcio Madeira

Impressões #1

inverno 2008 No Comments »

Super atrasado com os posts aqui. Não esqueci, muito menos abandonei o blog não. Só estou passando por um pequeno grande problema de tempo e para ser bem sincero também meio que de sem saber o que postar.

É que as minhas análises de desfiles que sempre fiz aqui agora estão subindo direto no portal SPFW. Todos os destaques das semanas de moda do planeta fashion estão lá, e a maioria assinada por mim.

Então ao invés de falar sobre os desfiles em si, resolvi falar agora um pouco do mood que está surgindo nesta temporada de moda. O primeiro, que começou a aparecer na NY Fashion Week, ficou um pouco quieto em Londres e agora voltou bombando em Milão é esse clima retro, austero.

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Looks Dolce&Gabbana e Burberry

Quando vejo coleções como a da Dolce&Gabbana – que sempre prezou por roupas super sexy e luxuosas - que aconteceu ontem (21/2) em Milão entrando de cabeça nessa onda fica claro que a festa acabou. É meio como se a moda estivesse temendo ou antevendo um período de recessão. Até porque esteticamente, as cores, tecidos e formas das coleções que cabem neste grupo lembram muito os utilizados em tempos em que a economia global andava em baixa – tipo as grandes guerras.

Não há nenhuma dessas acontecendo agora, tudo bem que tem todo o problema do Iraque, Oriente Médio, Quênia e tudo mais, mas não chega a ser como as grandes guerras – não desconsiderando as gravidades dela -, mas isso já começa a abalar os “donos” do dinheiro. Aí quando se soma as eleições americanas, a crise financeira lá e o baixíssimo dólar, já dá para entender um pouco o que está sendo mostrado nas principais passarelas do mundo.

Não é o fim do glamour, mas apenas uma mudança na forma como o percebemos. As roupas continuam sofisticadas, continuam com seus preços exorbitantes, mas a estética é outra. Mas será que é uma grande mentira essa preocupação, já que o que mudou aparentemente está só por fora?

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Diane Von Furstenber

Junto com isso vem aquela vontade meio campestre. Não vou falar que as roupas são bucólicas ou para uma mulher rural, porque isso simplesmente não exsite, ou melhor, não é verdade. As roupas são feitas para as cidades, onde são de fato usadas.

Mas não podemos ignorar que tudo remete à uma imagem mais campestre, mais country side. E isso foi bem forte na temporada de NY, principalmente nas coleção de Diane Von Furstenber, Oscar de la Renta e Proenza Schouler por exemplo.

Enfim, ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre as coleções apresentadas até agora, mesmo porque a temporada ainda não acabou. Mas estas são as principais impressões “so far”.

Fotos por Marcio Madeira

LFW - em links

Gareth Pugh, Giles, London Fashion Week, Roksanda Ilincic, inverno 2008 2 Comments »

Acabei não postando os destaques da LFW ontem, porque todos acabaram virando matérias para o site do SPFW. Então, invés de ficar re-publicando o mesmo texto aqui, achei melhor dar links para as matérias.

O primeiro e maior destaque na minha opinião foi Gareth Pugh, o novo enfant terrible, com sua coleção Predador encontra O Mágico de Oz. Vale a pena prestar atenção de como o estilista está evoluindo, refinando seus looks sem perder seu estilo tão característico.

Teve também o desfile gótico-romântico de Giles e a as formas arquitetônicas inspiradas nas formas de Niemeyer de Roksanda Ilincic target=_blank.

Passa lá.

LFW - o melhor do terceiro dia

Christopher Kane, Duro Olowu, Krystof Strozyna, London Fashion Week, Marios Schwab, inverno 2008 1 Comment »

Primeiro foram os micro vestidos ultra justos de tiras elásticas em cores fluo que conquistaram os principais editores e jornalistas de moda do mundo. Depois com os vestidos bem estruturado em veludo e couro, Christopher Kane confirmou seu posto como queridinho número 1 da moda.

Na coleção passada (verão 2008) resolveu arriscar e mudou quase que por completo a imagem de sua mulher. Ao invés dos curtos, justos e estruturados, entram formas soltas, leves e que não marcam muito o corpo feminino. E mesmo assim continuou agradando o planeta fashion.

Para o inverno 2008 o estilista continua apostando nas formas mais soltas e agora até que bem simples, se não fossem os trabalhosos (e complicados) e delicados adornos que decoravam suas roupas. Num mix de referências que acabam sempre apontando para um caminho mais romântico Kane começa trabalhando com tricô, com maxipulls, vestidos meio poncho de lã e capas. Logo em seguida entram os mesmos tricô só que agora com aplicações de metais, fazendo as malhas parecerem armaduras.

Quase que junto entram os looks paetizados – com patês gigantes - com bom jogo de sobreposições. Primeiro sob as peças de tricô e depois em vestido, saias e blusas de chiffon.

Marios Schwab tem verdadeira fascinação pelo corpo humano. Fato este que pudemos constatar facilmente já na última coleção (verão 2008), quando o estilista afastou, abriu e removeu tecido de suas roupas para revelar o interior do corpo humano estampado numa segunda camada. Agora, no inverno 2008, ao invés de abrir, Schwab fecha o corpo com seus vestidos longos (até o tornozelo), de gola alta e justos, que de tão apertados e fechados acabam deixando ainda mais em evidências as formas e contornos do corpo feminino.

Numa verdadeira aula de proporção, no sentido de re-educar o modo com nos vemos e acreditamos o modo como as proporções devem ser, o estilista mantém a mesma forma e modelagem ao longo de todo o desfile apenas modificando os tecidos estampas e recortes, o que acaba dando a impressão de formas diferentes.

Os vestidos bem justos e compridos ainda vinham com recortes, obra mais controlados, ora com ares detonado revelando jeans, estampas – assinadas pelo artista Tom Gallant – e até pedaços de tecidos que pareciam brotar para fora dos vestidos.

Bom ver a coragem do estilista em apresentar uma coleção tão comercial numa época onde o comercial, a necessidade de vender é tão grande. E por falar em vendas, Schwab mostrou boas opções de casacos sobretudo que podem facilmente chegar a seus consumidores finais sem nenhuma dificuldade.

E já que falei em estampas também vale ressaltar a boa coordenação desta que Duro Olowu apresentou em sua coleção para o inverno 2008. O estilista de origem africana sempre trabalhou muito e muito bem com estampas, mas nessa coleção chega a sua excelência. As referências étnicas nunca caem em clichês e são aplicadas de forma inteligente em roupas de modelagem moderna, que acabam perdendo um pouco de sua austeridade pelo bom mix de cores vibrantes das estampas de Olowu.

Outro destaque foi a estreante Krystof Strozyna. O estilista se viu sob os holofotes da moda ano passado no seu desfile de formatura da Central St. Martin, e depois de ter ganho o prêmio e patrocínio do projeto New Generation da Top Shop. Strozyna ficou bem conhecido por seus acessórios oversized em plástico que na coleção aparecem na forma de algemas bem grandes complementados os looks futurista de sua coleção.

Mixando experimentalismos naturais de um estudante de moda com boa modelagem e um estilo sofisticado, o estilista se foca em vestidos, no geral mais próximos ao corpo, com formas meio estruturadas e muito recortes. Lembra um pouco o trabalho de Roland Mouret e um tico de Alaïa e Mügler. Vale a pena ficar de olho nele.

LFW - de olho no futuro

Biba, John Rocha, London Fashion Week, Louise Goldin, inverno 2008 No Comments »

E se os estilistas da semana de NY olharam para o passado, os de Londres definitivamente estão olhando para o futuro. Bom, pelo menos Louise Goldin está. A recém formada pela Central St. Martin está em sua segunda coleção solo, mas ainda como integrante do projeto New Generation – o patrocínio que a Top Shop oferece para os novos e promissores estilistas britânicos.

Sua coleção para o verão 2008 foi uma das mais comentadas da London Fashion Week (LFW), fazendo com que a estilista se tornasse queridinha dos principais editores de moda do mundo. Mas não só pelo hype. Goldin sabe trabalhar com o tricô como poucos. Sua escola também não foi fraca além da St. Martin, a estilista já foi assistente de Tereza Santos, estilista brasileira também muito conhecida com seu trabalho com tricô.

Agora a assistente virou mestre. Já na coleção passada, surpreendeu ao mostrar vestidos deste material com aspecto levíssimo que pareciam tudo, menos tricô. Para o inverno Goldin decida mudar as coisas um pouco, afinal já que o frisson era tanto em torno do seu nome, era preciso causar um certo impacto. E foi o que vez.

Ao invés das formas mais soltinhas e das cores fortes do verão 2008, o inverno vem escuro e mais estruturado. O ponto de partida são os Inuits, ou esquimós e tecnologia. Inspiração que fica bem clara nas estampas. Os motivos são típicos dos esquimós, mas Goldin as estoura, como que pixelando-as, do mesmo jeito que acontece quando ampliamos uma imagem no computador.

A silhueta desta coleção é justa, respeitando e marcando bem as formas do corpo, vide os vários macacões que lembram bem aquelas roupas térmicas de mergulho. Mas o que mais chama atenção são as peças meio armaduras boticas, ou elementos disso que estruturam os ombros – quase sempre arredondados – dos bons vestidos de tricô da estilista.

Outro destaque da semana de Londres que ainda está em ritmo fraquinho, de começo, foi John Rocha. Focado na alfaiataria, trabalha bem coordenando cores. O estilista sempre gostou de trabalhar com preto e branco, mas agora injeta cores bem fortes, como violeta, azul e principalmente laranja. Sobreposição de camadas também aparece bem na coleção, sempre trabalhando com a dualidade de peças mais justas ao corpo com outros mais amplas, vide as saias evasês ou semi-godê.

A Biba, marca londrina que viveu seu auge nos 60 com o Swingin London, dá um up no seu estilo nesta sua terceira apresentação desde sua re-abertura. Agora sem Bella Freud na direção criativa, a criação passa a ser assinada por um coletivo de jovens estilistas britânicos recém formados.

Para o inverno 2008 o clima é de noite, glamour e sofisticação. Com um leve perfume de anos 20, a silhueta varia entre vestidos bem soltinhos que caem sem marcar o corpo, ou peças mais estruturadas, que aí já marcam a cintura e ressaltam os ombros – as vezes meio pontiagudos e angulares. Os tecidos são nobres, com destaque para as organzas que ganham vários babados e drapeados. Os ornamentos ficam por conta de chapéus e aplicações de paetês e plumas.

NY Finale

Calvin Klein, Marc Jacobs, NY Fashion Week, inverno 2008 No Comments »

Super atrasado com os posts de Nova Iorque, eu sei… É que decidi tirar o fim de semana de folga total, já que semana passada deveria ter sido de férias e eu meio que não parei. Mas enfim, vamos lá para não começar encavalar mais do que já está encavalado com trabalho e outras coisas.

Para ir mais rápido vamos direto ao que interessa: a semana de NY foi marcada por coleções bem fraquinhas que olharam basicamente para o passado, apresentando versão calcadas em épocas passadas, sem ter aquele apelo de novidade que a moda tanto preza. Outra coisa que apareceu aos montes foram as estampas, principalmente as corridas, sempre num estilo meio retro. E teve também uma coisa meio campestre, mas também com clima antinguinho.

Essa onda vintage/retro/antiga/velha também pegou uma das coleções mais aguardadas de toda a semana, de Marc Jacobs. Desfilando em novo horário, e por incrível que pareça (pelo menos foi o que eu li) sem seu costumeiro atraso gigante, o inverno 2008 de Jacobs vem bem mais calmo que seu verão, mas nem por isso menos bom.

Olhar para o passado e usar um estilo retro não é novidade para o estilista, que de certo modo sempre fez isso em seus trabalho. E agora que isso virou meio que “tendência” Jacobs tem um prato cheio. A década para que olha e usa de referência é basicamente os anos 80, mas sem caracatices, misturando com um leve toque anos 30 e mais leve ainda de anos 20 – talvez resquícios da sua última coleção.

Mas o foco mesmo estava no sportwear, principalmente pelos tecidos que Jacobs escolheu para sue inverno 2008, com muito moletom, veludo, plush e até feltro. A silhueta predominante é casulo, que aparece em muitos casacos – a maioria mais estruturados -, peça chave da coleção, junto com os vestidos mais soltinhos.

Não faltaram também trabalhos em modelagem, desconstruções e as clássicas sobreposições de camadas que sempre marcam os desfile da marca. A cartela de cores, com muito tons pastéis e neutros também foi muito importante para trazer esse espírito de calma desta coleção.

Mas para mim o melhor desfile e coleção de toda NY Fashion Week é de um brasileiro. Ok, de um brasileiro numa marca super americana – a Calvin Klein. Ao invés de ficar preocupado com o passado, tentando recriar looks super datados, o Francisco Costa pegou tudo o que a marca é conhecida, o que sabe fazer melhor e apresentou uma coleção totalmente dedicada ao futuro, e se isso é pretensão de mais, pelo menos bem de acordo com o presente e com os desejos da mulher atual.

Que a Calvin Klein sempre prezou por uma estética minimalista não é novidade, muito menos que Costa vem fazendo um excelente trabalho em prezar tais conceitos. O inverno 2008 tem como principal foco a alfaiataria, de linhas puras, agora com formas bem estruturadas quase que espelhando as formas do corpo feminino. E ao mesmo tempo que Costa dá quase que solidez para as roupas, não esquece que embaixo delas há uma mulher, e ressalta suas curvas e desenhando, ou melhor, esculpindo seu corpo, como uma verdadeira obra arquitetônica.

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