Archive for the ‘inverno 2008’ Category

LFW – de olho no futuro

Tuesday, February 12th, 2008

E se os estilistas da semana de NY olharam para o passado, os de Londres definitivamente estão olhando para o futuro. Bom, pelo menos Louise Goldin está. A recém formada pela Central St. Martin está em sua segunda coleção solo, mas ainda como integrante do projeto New Generation – o patrocínio que a Top Shop oferece para os novos e promissores estilistas britânicos.

Sua coleção para o verão 2008 foi uma das mais comentadas da London Fashion Week (LFW), fazendo com que a estilista se tornasse queridinha dos principais editores de moda do mundo. Mas não só pelo hype. Goldin sabe trabalhar com o tricô como poucos. Sua escola também não foi fraca além da St. Martin, a estilista já foi assistente de Tereza Santos, estilista brasileira também muito conhecida com seu trabalho com tricô.

Agora a assistente virou mestre. Já na coleção passada, surpreendeu ao mostrar vestidos deste material com aspecto levíssimo que pareciam tudo, menos tricô. Para o inverno Goldin decida mudar as coisas um pouco, afinal já que o frisson era tanto em torno do seu nome, era preciso causar um certo impacto. E foi o que vez.

Ao invés das formas mais soltinhas e das cores fortes do verão 2008, o inverno vem escuro e mais estruturado. O ponto de partida são os Inuits, ou esquimós e tecnologia. Inspiração que fica bem clara nas estampas. Os motivos são típicos dos esquimós, mas Goldin as estoura, como que pixelando-as, do mesmo jeito que acontece quando ampliamos uma imagem no computador.

A silhueta desta coleção é justa, respeitando e marcando bem as formas do corpo, vide os vários macacões que lembram bem aquelas roupas térmicas de mergulho. Mas o que mais chama atenção são as peças meio armaduras boticas, ou elementos disso que estruturam os ombros – quase sempre arredondados – dos bons vestidos de tricô da estilista.

Outro destaque da semana de Londres que ainda está em ritmo fraquinho, de começo, foi John Rocha. Focado na alfaiataria, trabalha bem coordenando cores. O estilista sempre gostou de trabalhar com preto e branco, mas agora injeta cores bem fortes, como violeta, azul e principalmente laranja. Sobreposição de camadas também aparece bem na coleção, sempre trabalhando com a dualidade de peças mais justas ao corpo com outros mais amplas, vide as saias evasês ou semi-godê.

A Biba, marca londrina que viveu seu auge nos 60 com o Swingin London, dá um up no seu estilo nesta sua terceira apresentação desde sua re-abertura. Agora sem Bella Freud na direção criativa, a criação passa a ser assinada por um coletivo de jovens estilistas britânicos recém formados.

Para o inverno 2008 o clima é de noite, glamour e sofisticação. Com um leve perfume de anos 20, a silhueta varia entre vestidos bem soltinhos que caem sem marcar o corpo, ou peças mais estruturadas, que aí já marcam a cintura e ressaltam os ombros – as vezes meio pontiagudos e angulares. Os tecidos são nobres, com destaque para as organzas que ganham vários babados e drapeados. Os ornamentos ficam por conta de chapéus e aplicações de paetês e plumas.

NY Finale

Monday, February 11th, 2008

Super atrasado com os posts de Nova Iorque, eu sei… É que decidi tirar o fim de semana de folga total, já que semana passada deveria ter sido de férias e eu meio que não parei. Mas enfim, vamos lá para não começar encavalar mais do que já está encavalado com trabalho e outras coisas.

Para ir mais rápido vamos direto ao que interessa: a semana de NY foi marcada por coleções bem fraquinhas que olharam basicamente para o passado, apresentando versão calcadas em épocas passadas, sem ter aquele apelo de novidade que a moda tanto preza. Outra coisa que apareceu aos montes foram as estampas, principalmente as corridas, sempre num estilo meio retro. E teve também uma coisa meio campestre, mas também com clima antinguinho.

Essa onda vintage/retro/antiga/velha também pegou uma das coleções mais aguardadas de toda a semana, de Marc Jacobs. Desfilando em novo horário, e por incrível que pareça (pelo menos foi o que eu li) sem seu costumeiro atraso gigante, o inverno 2008 de Jacobs vem bem mais calmo que seu verão, mas nem por isso menos bom.

Olhar para o passado e usar um estilo retro não é novidade para o estilista, que de certo modo sempre fez isso em seus trabalho. E agora que isso virou meio que “tendência” Jacobs tem um prato cheio. A década para que olha e usa de referência é basicamente os anos 80, mas sem caracatices, misturando com um leve toque anos 30 e mais leve ainda de anos 20 – talvez resquícios da sua última coleção.

Mas o foco mesmo estava no sportwear, principalmente pelos tecidos que Jacobs escolheu para sue inverno 2008, com muito moletom, veludo, plush e até feltro. A silhueta predominante é casulo, que aparece em muitos casacos – a maioria mais estruturados -, peça chave da coleção, junto com os vestidos mais soltinhos.

Não faltaram também trabalhos em modelagem, desconstruções e as clássicas sobreposições de camadas que sempre marcam os desfile da marca. A cartela de cores, com muito tons pastéis e neutros também foi muito importante para trazer esse espírito de calma desta coleção.

Mas para mim o melhor desfile e coleção de toda NY Fashion Week é de um brasileiro. Ok, de um brasileiro numa marca super americana – a Calvin Klein. Ao invés de ficar preocupado com o passado, tentando recriar looks super datados, o Francisco Costa pegou tudo o que a marca é conhecida, o que sabe fazer melhor e apresentou uma coleção totalmente dedicada ao futuro, e se isso é pretensão de mais, pelo menos bem de acordo com o presente e com os desejos da mulher atual.

Que a Calvin Klein sempre prezou por uma estética minimalista não é novidade, muito menos que Costa vem fazendo um excelente trabalho em prezar tais conceitos. O inverno 2008 tem como principal foco a alfaiataria, de linhas puras, agora com formas bem estruturadas quase que espelhando as formas do corpo feminino. E ao mesmo tempo que Costa dá quase que solidez para as roupas, não esquece que embaixo delas há uma mulher, e ressalta suas curvas e desenhando, ou melhor, esculpindo seu corpo, como uma verdadeira obra arquitetônica.

NY Day #6

Friday, February 8th, 2008

Diazinho fraco esse sexto da NY Fashion Week. Dia com coleções bem fracas e decepcionantes, principalmente quando a gente leva em conta que era um dia cheio de novos estilistas e marcas americanas. Jovens mas que porém apresentaram coleções calcadas no passado, sem se quer tentar adaptar tais looks para a realidade atual ou a mulher do presente. Foi o caso da 3.1 Philip Lim e Derek Lam.

Por falar nisso, reparou que esse clima retro, looks meio caretinhas, com ar bem antigo mesmo, está meio que dominando as passarelas de NY? Apareceu muito, mas poucos forma os que souberam trabalhar isso de maneira inteligente, adaptando as formas, estampas e referências para uma mulher atual, sem deixar as roupas com cara de look “velha”.

O melhor exemplo disso foi Anna Sui. A estilista que ficou conhecida nos anos 80 sempre trabalhou tendo como ponto de partida um certo período da história. Mas sem nunca deixar suas roupas ficaram taxadas de retro caricata, Sui, amante da cultura pop, sempre consegue deixar sua marca (sempre caindo pro lado do punk, dark e divertida), qualquer que seja sua referência.

Para o inverno 2008 Sui parte não de uma, mas de várias referências históricas e étnicas, como a idade média, o artista plástico Gustav Klimt, velho oeste, art noveau e índios americanos. Continua a clássica coordenação de cores e estampas, assim como formas agora, misturando kaftans meio indígenas, nas blusas mais femininas, nos coletes mais justos e nas peças em tricô bem coloridas.

Quem também mostrou alguma evolução foram as meninas da Marchesa. A marca é queridinha das celebridades e figurinhas certas nos red carpets americanos. Talvez e porque o marido de uma das estilistas é ninguém menos que Harvey Weinstein, poderoso homem de Hollywood e um dos sócios dos estúdios Miramax. Mas como a greve dos roteiristas – que acabou hoje – estava ameaçando toda a cena do tapete vermelho, Georgina Chapman e Keren Craig apresentaram boas versões para uma festa (do Oscar) que promete ser marcada por looks mais simples, sem toda aquela extravagância que estamos acostumados.

Sem perder a sofisticação as meninas diminuem as decorações em seus clássicos vestidos longos, apresentando apenas alguns extremamente rebuscados, como os que fecham o desfile, com muitos fuxicos e plissados. Fora isso, adornos e aplicações se restringem a áreas limitadas como ombros, barras ou cintura. A maioria dos longos fica no famoso e certo estilo coluna, apenas com alguns drapeados caindo reto sobre o corpo. Bom mesmo, foram as boas versões de vestido curtos (cocktail dresses), que contém todo o glamour do tapete vermelho, mas podendo ser usado facilmente em qualquer outra situação.

Outro destaque da coleção foram os looks com referências do universo masculino – adorei o macacão com lapela de blazer -, resultado da inspiração na figura da rainha Elizabeth I. Foi bom ver as estilistas, que sempre trabalharam com referencias super femininas, se aventurando por novas áreas e sem perder seu estilo, adaptando tudo para o próprio universo.

Zero Maria Cornejo é outra marca que também merece destaque. Outra coisa que tem aparecido bastante nessa temporada, e que tem um pouco a ver com essa onde retro, é a sobriedade das roupas, para mulheres sérias, que precisam mostrar um certo respeito e atitude. E é justamente isso que a coleção para o inverno 2008 de Cornejo fala. Mas sem deixar de lado alguma extravagância – se é que é essa a palavra certa -, ou então sem perder o apelo de novidade e adornos que no fim, fazem toda a diferença.

Não só pelas cores vibrantes que a estilistas aplicou nos looks de alfaiataria em tons mais escuros, mas também pela riqueza de detalhes e acabamento de suas roupas, como pregas, dobraduras e até acessórios como cintos ou faixas ajustando ou afrouxando os looks.

NY Day #5

Wednesday, February 6th, 2008

O quinto dia da NY Fashion Week foi um dos melhores até agora. Acho que principalmente pela quantidade de bons desfiles que aconteceu na última terça-feira (05/02). Sem sombra de dúvidas entre os quatro grandes destaques do dia, o maior foi da Rodarte. Marca das irmãs californianas Kate e Laura Mulleavy, que chegaram em NY em 2005 e agora está na sua quinta apresentação nas tendas do Bryant Park.

Assim como ma coleção passada o tema do inverno 2008 vem do Japão, misturando a tradição Kabuki (forma de teatro japonês, conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquiagem usada por seus atores) com os filmes de terror japoneses. Daí vem a cartela de cores sombria, onde prevalecem os tons de preto e vermelho sangue que sucedem uma série de cores mais suaves, como branco, lavanda e rosa. Pode até ser que toda essa estética gótica, com as tramas do tricô parecendo rasgadas, os sapatos super dramáticos de salto bem alto e espinhos na pontas, marque mais a coleção.

Mas o que mais chamou atenção foi o excelente trabalho artesanal e na utilização e tratamento de tecidos que as irmãs Mulleavy apresentaram, com destaque para os looks em tricô e tweed, alguns com aspecto detonado, outros com tramas cores diferentes e até com aspecto de primitivo. A mistura de tecidos de diferentes texturas, acabamentos e tratamento mostram que as meninas sabem onde estão pisando, evidenciando a rápida evolução no seu ainda jovem trabalho. Ao mesmo tempo que injetam novidade, conseguem manter seu estilo e identidade forte. As saias volumosas e rodadas, os tecidos finos e nobres e até um certo ar de feminilidade e romantismo, mesmo numa coleção onde o gótico fala mais alto.

Cores fortes e muitas estampas sempre marcaram o trabalho do inglês Matthew Williamson, que desde 2002 desfila na semana de moda de NY. Para o inverno 2008 o estilista aplica um ar retor, quase vintage para suas estampas, que ora pareciam tapeçaria ou bordados antigos – já reparou como as estampas (principalmente as corridas) estão com essa cara da antiguinha nesta temporada?

Isso e também um pouco de perfume bucólico, que vem bem suavizado pelas várias propostas bem modernas que Williamson mostrou na passarela. Pode-se dizer que foi uma coleção de mistura, do antigo com o novo, do campestre com o urbano, do claro com o escuro. Tecidos sintéticos, brilhantes e metalizados vem com outros naturais como tricô e jacquard, cores escuras com outras mais vibrantes, estampas bem retros, com aplicações de matérias metalizados, peças mais tradicionais com outras focadas no sportwear moderno.

Conhecido por sua estética que beira o minimalismo, linhas puras, construções precisas e arquitetônicas e looks monocromáticos, Narciso Rodriguez decide se focar na alfaiataria em sua nova coleção. O interessante aqui é que Rodriguez consegue dar feminilidade para looks que vem direto do guarda roupa masculino, com aspecto bem estruturado, mas que ao mesmo tempo delineiam o corpo feminino.

Para fugir um pouco do minimalismo exagerado, cores mais fortes, estampas sutis e até aplicações de plumas e pele, principalmente nas saias, que quando combinadas com tops em couro, corsets e outros looks que desenhavam a parte de cima do corpo, lembravam de longe o trabalho do titã do sexy Azzedine Alaïa. Natrual, já que o Rodriguez quis justamente dar ênfase na sensualidade de sua coleção, que entre looks mais fechados, tinha nas costas espaço para fendas, recortas e amarrações.

E confesso que me senti um pouco perdido vendo a coleção da Marc by Marc Jacobs, antes da linha principal do estilista. A segunda sempre tinha um pouco a ver com a primeira, sendo quase sempre uma versão mais diluída daquela, mais comercial e fácil de usar. O inverno 2008 da Marc by Marc Jacobs avança dos anos 70 – que marcou a coleção de verão 2008 – para os anos 80, direto para o new wave.

Mas Jacobs sabe o que faz, nada daquele coisa anos 80 caricata, com formas e volumes que ninguém mais agüenta ver. Tudo vem suavizado misturando referencias de outras décadas principalmente a de 50, com seu próprio estilo para dar um toque jovem e moderno para suas roupas. Estruturados marcam presença entre os vestidos e saias curtas das meninas. Assim como as sobreposições, truque de styling sempre presente em suas coleções.

Interessante mesmo é trabalho de recortes e desconstrução (ou melhor re-construção) que Jacobs propõe, principalmente nas peças de alfaiataria, inserindo acabamentos, detalhes ou aviamentos de outros universos, principalmente do sportwear. É daí também que vem boa parte dos casacaos e jaquetas da coleção, mixados de forma inteligente com looks mais “formais”, o que dava às roupas aquele toque de atualidade que tanto gostamos.

NY Day #4

Tuesday, February 5th, 2008

Fotos por Marcio Madeira

O quarto dia de semana de moda de NY não trouxe nenhum grande destaque ou surpresa. Talvez a maior expectativa foi a volta da Halston, que agora tem na direção criativa um ex-estilista da Versace, Marco Zanini – sem contar nos grandes nomes que estão por traz da marca nessa nova fase: Tamara Mellon, presidente da Jimmy Choo, Harvey Weinstein, um dos sócios da Miramax Films e a super stylist das celebridades Rachel Zoe.

Devo confessar que num primeiro momento não achei a coleção boa, como ainda acho que podia ter sido melhor. Mas depois, analisando bem a situação, acho que foi um estréia bem ok. A Halston foi uma marca de muito sucesso nos EUA, com grande tradição e um conceito e estilo muito forte e marcante. Assumir a direção criativa de uma grife como essa, depois de mais de 30 anos do seu auge, não é tarefa nada fácil e exige muita cautela.

E foi assim que Marco Zanini mostrou a primeira coleção da Halston nessa nova fase. Sem força demais a barra, Zanini mostrou roupas bem fáceis de usar, práticas e com a cara da marca. Daí vinham os looks em jérseis, os chemises, as calças bem soltinhas, meio boca de cino, as camisas mais longas e os looks de cashmere. Tudo sempre numa silhueta bem confortável, mais afastada do corpo, numa proposta bem simples e prática, dois conceitos que sempre foram mote para o próprio Roy Halston.

De quem eu gostei mesmo foi da Proenza Shouler. Agora que contam com um apoio financeiro maior, Jack McCollough e Lazaro Hernandez encontraram maior liberdade para trabalharem com suas roupas, sem ter sempre aquela preocupação em vender mais. O destaque do inverno 2008 está todo em dobraduras e no bom trabalho de volumetria e construção. Daí as várias sobreposição de camada e tecidos, os laços, babados e drapeados. Os casacos com lapela dupla, recortes, pregas e penses deslocadas. Tudo numa silhueta mais afastada do corpo com comprimento variando entre os curtos e logo abaixo do joelho.

Outro bom destaque do dia foi da dupla Roberto Rimondi e Tommaso Aquilano, da Malo. Para o inverno 2008 o duo decidiu trabalhar círculos, forma que também já serviu de tema para a coleção de verão 2008 da Fendi. Usando a forma não só em estampas, mas principalmente na forma de textura, os estilistas apresentam bom trabalho estruturando suas roupas e deixando-as na forma chave da coleção. Destaque também para o ótimo trabalho na pesquisa e tratamento de tecidos.

Já olhando mais para a moda masculina, Thom Browne é sempre um estilista que diverge opiniões. Ele ficou bem conhecido por alterar as proporções clássicas e tradicionais do terno, encurtando a barra das calças até logo acima do tornozelo. Considerado por alguns como um visionário e questionador das tradições do guarda-roupa masculino ou como um estilista de extremo mal gosto. Isso sem falar na alta dose de criticas política e social que pode-se interpretar a partir de seus desfiles, quase que teatrais.

Seu último desfile não foi diferente. Apesar de toda bizarrice e looks que beiram o ridículo, não há como negar o excelente trabalho que o estilista faz alterando e propondo novas formas de se usar um terno. Suas experimentações com volumes e principalmente proporções são essenciais para a busca de uma nova forma de vestir o homem, assim como de ir acostumando o público e a mídia com mudanças que podem estar por vir.

NY Day #3

Tuesday, February 5th, 2008

Fotos por Marcio Madeira

Aconteceu ontem (03/02) o tão aguardado desfile da Hervé Léger by Max Azria. Como já contamos aqui, desde seu último desfile em meados da década de 9,. a grife, que antes pertencia a seu fundador, o próprio Hervé Léger, volta a se apresentar agora em Nova Iorque – antes a passarela que recebia os clássicos vestidos de faixas elástica era Paris.

O sucesso do vestido que marcou a década de 90 é tanto, que Max Azria conseguiu reunir um número assustador de celebridades na primeira fila do desfile. Manter-se fiel ao estilo da marca era uma das principais preocupações não só de Azria, como também de jornalistas, editores e compradores, que agora podem respirar aliviado já que pouquíssima coisa mudou. A estética 90’s é praticamente indissociável dos vestidos ultra justos que literalmente esculpem os corpos das mulheres. Se até as modelos como Jessica Stam, Lily Donaldson e Bruna Teonira ficam com curvas invejáveis nos vestidos de tiras elásticas, imaginem o que não fazem no corpo de uma mulher comum – ok, nem tão comum, já é preciso estar em perfeita forma para usá-los.

Azria não só manteve o estilo da marca como também conseguiu inserir elementos tipicamente seus, como aplicações de tecidos em dobraduras e penas.

E nada como o frescor de um estilista britânico para dar ânimo para a semana de moda de NY, um tanto quanto pasteurizada, digamos assim. Jonathan Saunders, que até então apresentava suas coleções na semana de Londres, agora faz seu debut nas passarelas de NY. E graças a Deus, esta migração parece não ter influenciado muito seu trabalho.

Suas clássicas estampas geométricas continuam lá, assim como seu bom trabalho com construção e arquitetura das roupas. A aposta para o inverno é nos tons terrosos e numa alfaiataria toda geometrizada, com fortes referências militares, trazendo um certo ar futurista para a coleção.

Outro destaque foi a dupla da Ohne Titel, marca super jovem formada por Alexa Adams e Flora Gill. Para o inverno 2008 a dupla dá continuidade a seu bom trabalho de alfaiataria, mostrando o porque foram consideradas as sucessoras de Helumt Lang. Porém, agora as formas da alfaiataria com proporções oversized, penses deslocadas e até algumas desconstruções parecem não ter evoluído muito desde a coleção para o verão 2008. O que muda, são as estampas, que agora vêm em clima retro, e os looks em jaqcuard, que as vezes parecem um pouco exagerado. Destaque mesmo são as peças em tricô, ponto forte da dupla.

NY Day #2

Sunday, February 3rd, 2008

Fotos por Marcio Madeira

O trio Gabi, Adi, e Ange, da ThreeAsFour sempre foi conhecido pelos seus trabalhos bem experimentais, com muitas desconstruções e moulages. Suas roupas, apesar de incríveis na passarelas ou em editorais de revistas de moda, dificilmente encontravam um caminha rápido e fácil para as ruas e consumidores finais. Mas isso parece estar mudando. Para o inverno 2008, todo trabalho com desconstruções e experimentações com proporções é suavizado dando um ar bem elegante para a coleção que ainda pode ser considerada bem avant-garde, ou edgy (como preferem os americanos).

Mas junto com peças que requerem uma consumidora com personalidade mais forte ou mais atitude, o trio apresentou boas opções mais comerciais com nas saias lápis, vestidos de ceda e até alguns balzer e blusas um pouco mais complexos.

Outro destaque do segundo dia foi o jovem Alexander Wang, com coleção forte injetando vários elementos masculinos no universo feminino, com forte pitada de rock’n’roll moderno. O estilista edita de forma esperta suas peças super fortes e dark, usando muitas sobreposições e justaposições. Justos com largos, tudo justo ou tudo largo, mas sempre com um quê de subversão, mostrando bom trabalhos de proporção do jovem estilista.

Ah, já ia esquecendo. E não deu para não fazer umas relações de alguns looks desta coleção de Alexander Wang com uns da coleção para o verão 2008 do Alexandre Herchcovitch.

NY Day #1

Sunday, February 3rd, 2008

Começou na sexta-feira (01/02) a semana de moda de NY. Em ritmo bem piaininho por enquanto. Nem vou perder muito tempo falando que a NY Fashion Week é quase que totalmente voltada para o mercado. Dificilmente vemos lá coleções verdadeiramente incríveis, mas mesmo assim, não se pode ignorar sua importância, justamente por ela ser super comercial. É um ótimo termômetro para a indústria da moda e para as “tendências”.

Fotos por Marcio Madeira

O primeiro dia foi bem fraquinho com apenas alguns poucos destaques, que ainda assim não causaram muita emoção. O primeiro foi a marca BCG Max Azria, que sempre foi conhecida por seus looks super femininos, bem meninha da moda mesmo, em sintonia com as principais vontades das consumidoras. Continuando o trabalho que já começou a mostrar na última temporada Max Azria faz essa mulher crescer e ao invés de roupas para meninas, faz roupas para mulheres mesmo, com muita sofisticação, mas sem perder seu grau de feminilidade.

Outra que chamou um pouco de atenção foi Nicole Miller. Desta vez a inspiração vem de Joana D’arc, tema que a estilista consegue adaptar bem para seu próprio universo. Sues sempre usáveis vestidos – peça chave, pela a qual a estilista é mais conhecida – ganham versões metalizadas – lamê e lurex na maior parte das vezes – com construções, pregas e drapeados que remetem à armaduras. Já suas estampas – outra marca registrada sua -, ganham ares medievais, com ares bem vintages mesmo.

Rachel Comey ficou famosa quando David Bowie usou uma de suas camisas no The Late Show with David Letterman. Seus trabalhos são sempre marcados por um certo ar retro, sempre com um olho no passado e o outro no streetwear. Para o inverno 2008 não é diferente. Com inspirações na estética da década de 40, Comey apresenta uma coleção de vestidos bem comerciais, pronto para vida real, cheio de estampas, num silhueta bem confortável, que nem se ajusta muito ao corpo, nem se afasta muito. Com cartela de cores suave, onde predominam os tons pastel, suas estampas bem kitsch se destacam e ajudam a dar um ar meio nerd subervsivo.

Blade Runner e anos 40 foram as inspirações da Rag & Bone. Daí vem a cartela de cores super escura, com muito preto, cinza e marinho e as referências ao guarda-roupa masculina. Ao contrário das últimas coleções nada de babados. A mulher do inverno 2008 é forte e madura. Destaque aqui para os ótimos trabalho em outerwear, com boas versões de bazers, sobretudos, trenches e até uma jaqueta perfecto bem desconstruída.

Cantão

Friday, January 11th, 2008

Desfile jovem, cheio de referências e com boa informação de moda. Foi assim o desfile da Cantão, provavelmente um dos maiores destaques do dia de ontem no Fashion Rio. Em sua terceira temporada sob direção criativa Yamê Reis, a Cantão traz um inverno jovem, misturando referências étnicas, militares e até um pouco de tribos urbanos – eu super vi um quê grunge lá no meio. Com styling inteligente e excelente de Pedro Sales, o desfile mostra muita sobreposições, misturas de estampas e também de tecidos, vide peças que mesclavam vinil com outros tecidos naturais, como tricô. Cores fortes e claras, sempre bom para sair da mesmice escura que costuma dominar as passarelas de inverno. E o melhor? Peças que podem facilmente chegar em consumidores finais, sem as chatices comerciais.

Tricô punk

Friday, January 11th, 2008

De volta ao Fashio Rio depois de duas temporadas de folga para se dedicar a família, Liliane Rebehy Queiroz, estilista da Coven volta com ótimo desfile para o inverno 2008. O tema? Punk. O material? Couro? Látex? Não, tricô. Isso mesmo, Liliane trabalhou o material com maestria fazendo com ele calças mais justas, blazers mais soltinhos e até jaquetas perfectos – peça sensação deste inverno. Destaque também para o bom trabalho de volume próximo aos ombros e gola que aparece no último bloco do desfile. A estilista consegue atingir um bom equilíbrio entre uma imagem feminina, meio romantiquinhas, com a força e peso da referências punk. No geral, peças fáceis de usar na vida real, mas que também, graças à boa edição do desfile, não ficam chatas na passarelas e conseguem transmitir boa informação de moda.

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