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Balanço SPFW inverno 2008

Tuesday, January 22nd, 2008

Demorei, mas cheguei. Aí vai um balanço desta última edição do SPFW. O texto é quase o mesmo – só com algumas modificações e coisinhas a mais – do que eu escrevi para o site do SPFW. Mas de agora em diante, o blog volta ao normal!!!

Fotos Agência Fotosite

Ao fim de toda temporada de moda já de praxe os jornais, revistas, sites e blogues especializados publicarem uma lista das principais tendências da estação. Acontece que ultimamente as listas estão cada vez maiores. E quando o comprimento do vestido pode ser tanto longo como curto, quando a silhueta é justa e também solta, fica difícil dizer o que é ou não tendência. É o declínio das tendências de moda. Afinal, hoje em dia é muito mais importante olhar para o universo criativo de cada estilista, para o DNA das marcas, do que para as grandes tendências. Deixa isso para as redes de fast-fashion, eles já fazem isso super bem.

Lógico que não podemos descartar os desejos de uma temporada, quase sempre envolta de temas comuns. Mas aqui também esses mesmos temas acabam se tornando múltiplos. Nesta temporada vimos duas frentes bem forte, os anos 70 e uma vontade country, muito bem reinterpretada por, principalmente três estilistas. Marcelo Sommer, na Do Estilista, Alexandre Herchcovitch em sua linha masculina e Reinaldo Lourenço, trabalharam, cada um dentro de seu próprio universo referências da estéticas cowboy.

Alexandre Herchcovitch, que já havia trabalhado com o tema há muito tempo atrás, adapta toda a estética e elementos countries para seu próprio universo, com destaque para sua impecável alfaiataria. É como se fosse puro Herchcovitch;Alexandre com perfume country. Todos os elementos do tema são milimétricamente re-editados para o estilo do estilista, com aquele toque meio dark, pesado, quase underground.

Todo esse universo cowboy não é novidade para Marcelo Sommer, que sempre utilizou elementos countries em seu trabalho. Agora, volta com tudo com suas botas de cowboy coloridas, muito xadrez e cores bem quentes, numa de suas coleções mais autorais para sua nova grife, Do Estilista.

Reinaldo Lourenço dá um toque de romantismo para tudo isso, levando essa onde faroeste para um clima quase de cabaré, com vestidos acinturados ricos em detalhes, como rendas e brocados.

Outra grande vontade de temporada é esse clima anos 70, que apareceu forte em muitas coleções deste SPFW. O ar boho, pantalonas de cintura alta, bolsonas de couro – algumas com aspecto envelhecido – camurça, e muitos acabamentos em franjas, são alguns dos principais itens que marcam o retorno desta década para o inverno 2008. Entre as várias marcas que trabalharam a estética se destacam Tereza Santos, apostando agora também no couro, além do seu ótimo trabalho com tricô. Na coleção mercem destaque aquelas peças que parecem ser de pele, mas que na verdade são fios de lã, que recebem tratamento especial.

A Cori, agora sob direção criativo de Dudu Bertholini e Rita Comparato, também vem com esse quê 70, apesar de ter muito dos anos 80 na coleção. Relembrando e re-editando clássicos da marca, a dupla consegue rejuvencer a mulher Cori, que apesar de um pouco diferente em seu estilo, continua com a mesma essência. Afinal, quando os diretores de uma grife muda, é praticamente impossível não haver mudanças.

E Patrícia Vieria, com seu sempre incrível trabalho com couro, é outra que aposta forte nesse momentinho 70, que começou aparecer lá trás, nos desfiles internacionais para o verão 2008.

Provando que essa história de tendências não está com nada, muitas outras marcas também foram destaque deste SPFW sem se encaixar em nenhum desses dois grandes grupos. É o caso da coleção feminina de Alexandre Herchcovitch, toda racional e matemática. Focado no trabalho de modelagem, o estilista adapta formas geométricas no corpo feminino, alterando as proporções e formas do corpo, sem perder a feminilidade e sensualidade.

E por falar em Alexandre Herchcovitch, sua estréia de volta na Zoomp também marcou esta edição do evento. Com casting bombado – com direito à Isabeli Fontanta, Carol Trentini e a canadense Coco Rocha -, a Zoomp volta focada no jeans, peça que era hit da marca tempos atrás, retomando seus fundamentos que deixaram a grife conhecida. Ao meu ver, foi um dos melhores desfiel deste SPFW. A marca consegue trazer roupas super usáveis – vai vender feito água -, sem perder aquele quê fashion, sem perder informação de moda, sem perder o diferencial e cair em chatices comerciais.

Danielle Jansen, na Maria Bonita, aposta no cardigan como peça chave de sua coleção. Lá descontrói e reconstrói a peça com estampa argyle, alternado suas proporções, transformando-a em vestido, macacão, saia e até calça. Sou bem fã da marca. Adoro o trabalho de desconstrução e as experiências com proporções que sempre marcam o trabalho de Danielle. Assim como o uso de tecidos sintéticos (impermeáveis), agora misturado com a lã natural.

A dupla da Neon, olha para os anos 50 – mas sem tirar o pé dos 80 – para apresentar sua coleção para o inverno 2008, que mistura peças de alfaiataria, com hits clássicos da marca, como os maiôs – que agora ganha versão em tricô, as calças de cintura alta, modelagem ampla e as famosas estampas.

Lino Villaventura, comemorou 30 anos de carreira com desfile super dramático. Agora apostando em tons escuros, mostrando um verdadeiro mostruário de todo trabalho artesanal que sabe fazer tão bem.

A Osklen também foi um dos destaques desta edição, mostrando vontade de se internacionalizar. Sem esquecer de onde vieram, a marca evolui daquela estética praiana, natural e bem esportiva, e aposta num visual mais urbano, focado na noite de grandes cidades como Tóquio, Nova Iorque e São Paulo.

E para terminar, esta temporada foi marcada por desfiles externos memoráveis. Logo no primeiro dia a Forum Tufi Duek apresentou sua coleção no jardim da casa do próprio estilista. Locação perfeita para a coleção inspirada nas rosas, mostrando looks extremamente elegantes e sofisticados.

A Ellus também armou um mega desfile, com direito até trem. A apresentação aconteceu na Estaca Julio Prestes, no centro de São Paulo. Foram 120 modelos, que saíam todas de um vagão de trem, e caminhavam por uma passarela longuíssima, marcando uma nova fase para a grife que foi recém comprada pelo grupo Inbrands.

O mais marcante talvez seja o da Cavalera, que aconteceu às margens do Rio Tietê. O desfile, um dos melhores da grife nas últimas temporadas, também serviu de protesto contra as atrocidades que os seres humanos estão cometendo mundo afora. É mais um manifesto contra a vida sem respeito, sem educação e sem justiça. A coleção, agora com direção criativa de Marcelo Sommer, vem com mote anti usina nucleares, brincando com a questão de mutações devido a exposição a materiais radioativos. Daí vem as sobreposições e justaposições de tecidos, os recortes e as proporções inusitadas.

No geral um temporada bem ok, sem muitas surpresas, mas também sem muito desapontamentos. Algumas marcas mostrando sinais de mudanças, assim como em todo cenário da moda nacional, graças a presença, cada vez forte – e com tudo para crescer – dos grupos gestores.

Sommer na Cavalera

Friday, September 14th, 2007

200px-sommer_3050.jpgSegundo e-mail da assessoria da imprensa, Marcelo Sommer é o novo integrante da equipe de estilo da Cavalera, junto com Fabiano Grassi, Paulo Carvas, J. Pig e Emilen Galende. Depois de um curto período na TNG, com apenas uma coleção, Sommer assume o posto de coordenador criativo na marca de Turco Loco. Agora só resta esperar a próxima coleção para ver o resultado. Acho que tem tudo para dar certo. Vamos ver!

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